quarta-feira, 6 de novembro de 2024

Cemitério municipal, planeamento e vida

CEMITÉRIO MUNICIPAL – O cemitério municipal de Famalicão espelha bem a vida do nosso concelho em termos de urbanismo. Não temos sido capazes de planear a nossa cidade ao longo de décadas. Como foi possível que não tenhamos sido capazes, por exemplo, de desfazer a curva apertada que rodeia a frente do cemitério, quando tanta possibilidade tivemos para tal, pelo menos desde quando a fábrica de artigos de cimento de Alves, Oliveira e Machado, Lda. deixou de funcionar ali em frente? Em vez de melhorar a curva, alargar a rampa de acesso à entrada principal do cemitério, dar até espaço para estacionamento e para fazer um bom passeio do outro lado da estrada, mantivemos tudo na mesma e deixamos construir um "armazém" para inspecção de automóveis como se não houvesse na cidade outro lugar para o colocar.

CEMITÉRIO MUNICIPAL II – Com uma rampa de acesso tão estreita como a que existe, como é de estranhar que uma condutora tenha tido um acidente, deixando cair o automóvel que conduzia na Estrada Famalicão–Guimarães no passado dia 2 de Novembro de 2024? Ela bem pode pedir responsabilidades à câmara municipal, que as tem, porque não cuidou de resolver o acesso à entrada principal do cemitério.

CEMITÉRIO MUNICIPAL III – E fiquei a saber que se pensa (se é que não está já decidido) abrir uma estrada/rua do lado sul do cemitério para dar saída ao trânsito de veículos, nomeadamente camiões, que circula na zona industrial que foi crescendo nas traseiras deste, sem qualquer planeamento, como é costume, e que querem entrar e sair na EN Guimarães–Famalicão ("Avenida" do Brasil). Aditamento: já depois de escrito este parágrafo, obtive a informação de que existe para aquela zona uma unidade de execução aprovada (Murgeira–Requião) que tem a particularidade de fazer o cerco completo ao cemitério pelo lado sul. Corrijam esse erro! Tenciono voltar a falar dela.

CEMITÉRIO MUNICIPAL IV – E do cemitério e de planeamento ainda muito teríamos para dizer, pois não existe ou não é conhecido um plano para tornar o espaço interior do cemitério um lugar onde os vivos possam estar bem perto daqueles que continuam a fazer parte das suas vidas, em tempo de calor ou de chuva. Pensa-se certamente que o cemitério deve ser um deserto de jazigos de pedra, de sepulturas térreas e em gavetas, mas pensa-se mal. As árvores, por exemplo, desde que adequadas nas raízes e na copa, fazem falta. As oliveiras são um bom exemplo. Ora, o que se fez recentemente foi cortar cedros e fechar com tijolos a cova onde estavam plantados. Não! Cortar os cedros compreende-se, pois esta árvore não deve estar perto dos jazigos, mas ao mesmo tempo deveriam plantar-se árvores apropriadas. E tantas outras coisas há a fazer naquele espaço.

VIDA – O cemitério municipal pode ser visto como a cidade dos mortos, mas também pode ser visto como a passagem para uma outra vida, sob uma forma que nós não sabemos como é, mas acreditamos ser infinitamente melhor do que a que levamos na Terra. Vida destinada a todos os que, crentes e não crentes, procuraram praticar o Bem. É belo o Sermão da Montanha (Bem-Aventuranças). E mais não escrevo, pois falar de Deus é algo que devemos fazer com todo o cuidado.

(Em Jornal de Famalicão, 07/11/24)

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