Quem me dera ter tempo para ver com cuidado a história do Parque da Cidade e do Plano de Urbanização da Devesa que lhe está atrelado! Na falta de tempo, escrevo estas linhas, ora sob a forma de perguntas à espera de ser respondidas, ora de afirmações que bem gostaria de ver contestadas.
1.º – Fui ver a página oficial do município e lá consta que o período de discussão pública do PUD terminou no dia 11 de Janeiro de 2012. Em que ficamos? Foi alargado o prazo, como se previa na sessão pública organizada pel' O Povo Famalicense, até ao dia 31 de Janeiro ou não?
2.º – É minha opinião que o Plano de Urbanização da Devesa só está em discussão pública porque uma entidade exterior a isso obrigou. Doutro modo não teríamos Plano. É verdade ou mentira?
3.º – Esta câmara foge dos planos. O que ela quer é decisões caso a caso, conforme as circunstâncias e os interesses em jogo.
4.º – Doutro modo, estaria a ser elaborado, com a devida divulgação pública, o Plano de Urbanização da nossa cidade. Uma cidade que continuou a crescer nestes últimos 10 anos ao acaso, sem visão de futuro. Bem podia e devia ter crescido muito mais e melhor.
5.º – Temos uma cidade a crescer para o fundo (a Urbanização da Devesa é um exemplo) quando deveríamos ter uma cidade a crescer para a parte alta, devidamente planeada.
6.º – Tem lá algum sentido que se tivesse plantado o Tribunal Judicial à saída para Braga sem elaborar para aquela área, pelo menos, um plano de pormenor? Que está previsto para ali? O que lá está é uma quinta abandonada há décadas.
7.º - A urbanização da parte alta da cidade tem sido um caos e esta câmara não foi capaz de fazer nada para pôr termo a isso.
8.º – O Plano de Urbanização da Devesa surge com 20 anos de atraso e já não pode cumprir os objectivos que devia.
9.º – Ele foi iniciado (quem diria!) em 1991, mas nunca houve interesse em avançar com ele a sério nem até 2001, nem depois de 2001 até 2011.
10.º – Em 1994, a zona prevista para o Plano de Urbanização da Devesa e para um grande Parque da Cidade estava livre.
11.º – Era possível fazer uma ligação directa entre o centro da cidade (o velho Campo da Feira), a Rua Vasconcelos e Castro e o Parque da Cidade. Hoje, em vez disso, temos um enorme prédio (mais de 10 pisos) a barrar a vista do parque.
12.º – Era possível fazer uma ligação directa entre o Parque da Devesa e o Parque de Sinçães. Hoje está lá uma enorme barreira de prédios e querem deitar o Latino’s abaixo para fazer a ligação. Não têm outra alternativa!
13.º – Toda a gente diz que a central de camionagem está mal localizada e está. Colocá-la praticamente dentro do Parque da Cidade não lembraria a ninguém. Mas como não houve planeamento em devido tempo, hoje nem sabem sequer de outro lugar para a instalar.
14.º – Encher de construções o lado nascente da Av. Humberto Delgado e o lado sul da chamada Avenida do Brasil foi fácil. Eram lugares apetecíveis e mais apetecíveis ficaram porque foram dadas licenças, desde pelo menos 1994, a torto e a direito. Mandaram os construtores e a câmara obedeceu!
15.º – Depois disto tudo, dizer que o Parque da Cidade é a obra emblemática do mandato é um desaforo!
16.º – E nem sequer se começou a contar a história concreta do parque e dos negócios que giram à volta dele. Ficará para a semana, se tiver possibilidade.
P.S.: Agradeço a carta aberta que me foi dirigida pelo membro da assembleia municipal José Luís Araújo e apenas pela urgência do assunto do PUD não lhe respondo hoje. Entretanto, já visitei o site do Bloco de Esquerda e a última notícia que vi é de Dezembro. Vi também rapidamente o seu blogue pessoal, bem como o do colega Adelino Mota.
P.P.S.: Praticamente sem uma qualquer forma de desagrado público, desapareceu a Confeitaria Bezerra. Provavelmente nem se reparou que foi mais uma perda para a nossa cidade. Mal vai quando uma cidade perde as suas marcas distintivas tradicionais como se nada fosse.