quinta-feira, 31 de agosto de 2023

Notas Soltas

FÉRIAS  É bom ter férias  melhor, fazer boas férias, mudando de ares ou viajando de terra em terra. Mas as melhores férias faz, quem mesmo ficando em casa, descansa com saúde. Se déssemos à saúde o valor que ela tem, de muito pouco precisávamos para viver bem.

QUATRO JORNAIS  A sede do nosso concelho tem quatro jornais impressos (três semanários e um mensário). Nenhum se publica no mês de Agosto (salvo na última semana). É pena, ainda que o argumento seja válido: férias. Mas há outro: crise da imprensa.

DAMA DA NOITE – Quem passa em frente dos Paços do Concelho no passeio que para alguns é da Rua Adriano Pinto Basto, para outros, da Praça Álvaro Marques (o que me parece mais certo), pode apreciar o perfume de um arbusto plantado numa vivenda junto de uma sociedade imobiliária. Vale a pena, mas só de noite. É a Dama da Noite…

DOM HENRIQUE – É um bom restaurante o Dom Henrique, de Joane. Vale a pena frequentá-lo. Tem comida tradicional bem feita e que tão boa é!

JOANE  A vila de Joane precisa de muitos cuidados urbanísticos. Cresceu desordenadamente e mal. Importa lutar por um plano de urbanização. Choca ver um belo edifício junto do restaurante Dom Henrique (ficava bem em qualquer cidade do nosso país) e ver o que está à sua volta.

ARTESANATO – Muito há a dizer sobre a Feira de Artesanato e Gastronomia. Tentaremos dar a nossa opinião. Opinião, claro!

CRÍTICA  Jornal local que não critica os erros do poder local não é um jornal, é uma folha de publicidade.

quarta-feira, 30 de agosto de 2023

Qual a opção da câmara?

O QUE FAZ FALTA – Junto do nosso hospital (São João de Deus), num bom espaço livre que fica a norte, há todo o interesse em construir uma unidade para tratamento de doentes que não necessitem de internamento em enfermarias, libertando camas destas para quem delas  precise. Em alternativa, por iniciativa particular, será muito útil construir uma unidade de acolhimento de pessoas que precisem de cuidados que não possam ter em casa. Uma ou outra destas opções (ou ainda outras) poderá ser concretizada e poderá até ser rentável para quem tome a iniciativa, contando com o apoio do Estado ou até sem ele. Disto precisamos, mas certamente não vamos ter.

O QUE DÁ LUCRO – O que vamos ter em Famalicão é, com toda a probabilidade, algo que não é necessário, mas dá lucro. Vamos ter mais uma superfície comercial dentro da nossa cidade para dar lucro a quem pouco se interessa com o que é preciso para as pessoas. E não temos vozes a protestar. Vozes a lutar, junto das  entidades públicas (Estado, câmara municipal, assembleia municipal) e privadas (Santa Casa da Misericórdia e ACIF), entre outras, pelo que nos faz falta.

PROPRIEDADE PRIVADA – E não se diga que não se pode fazer nada porque os terrenos são privados. A câmara municipal tem meios legais diversos ao seu dispor para orientar a utilização de terrenos que pertencem a particulares.

752 PESSOAS – Mais de 700 famalicenses assinaram um documento pedindo à câmara municipal a protecção do hospital e a não construção de uma superfície comercial junto dele. Esse requerimento não mereceu ainda a resposta a que tem direito.

PERGUNTAS À CÂMARA – Uma câmara democrática dá toda a atenção aos munícipes e responde sem demora às questões que este lhes coloca, quer sejam de ordem pessoal, quer de interesse geral. É assim que procede a nossa câmara? Vamos  procurar verificar, fazendo perguntas de que daremos aqui informação.

BIBLIOTECA MUNICIPAL: OBRAS – Mais uma derrapagem do prazo de obras no nosso município. Já deveriam ter terminado há muito as obras de requalificação e ampliação da Biblioteca Municipal Camilo Castelo Branco, mas tal não sucedeu ainda e não se sabe quando terminarão. Isto é assunto a merecer interesse e averiguação dos meios de comunicação social.

"BOLETIM MUNICIPAL" – No mês de Agosto de 2023, em data indeterminada, surgiu uma publicação da câmara municipal  a que esta, por lapso ou ignorância da lei, deu o nome de "boletim municipal", uma vez que o nome mais adequado é boletim de publicidade (propaganda). Algumas empresas privadas costumam, de vez em quando, gastar dinheiro com coisas destas, mas fazem-no à sua custa. A câmara municipal fez o mesmo, mas com o nosso dinheiro. E nós deixamos, sem protestar…

PARQUE DE LAZER DE GONDIFELOS  É muito interessante o parque de lazer da freguesia de Gondifelos, junto do rio Este. Conheci-o este mês. É um parque com bom espaço, ainda em crescimento, com árvores novas, equipamentos e  sanitários públicos gratuitos. Também possui um café/restaurante. Chama a atenção uma casa e moinho abandonados. A junta de freguesia de Gondifelos dará seguramente a devida atenção a este parque, com o apoio municipal que bem merece.

(Em Opinião Pública, 30/08/23)

terça-feira, 15 de agosto de 2023

Diário Famalicense

DIA 14 DE AGOSTO DE 1985 – Pela Lei n.º 40/85, de 14 de Agosto, Vila Nova de Famalicão foi elevada a cidade. Faz agora 38 anos. Sem esta lei, ou outra posterior, Famalicão ainda hoje não seria cidade. Diz a lei em artigo único, sem mais: "A vila de Vila Nova de Famalicão é elevada à categoria de cidade". Lê-se ainda que ela foi aprovada a 8 de Julho de 1985, promulgada a 26 de Julho e referendada em 31 de Julho. Comemoramos a nossa elevação a cidade no dia 9 de Julho, mas apenas por originalidade nossa, pois essa data não consta de qualquer documento oficial nem é seguida, que saibamos, por nenhuma das restantes 10 vilas (sedes de concelho) que nessa mesma data de 14 de Agosto de 1985 também foram elevadas a cidade.

HELICÓPTERO – Pela Editave tomei conhecimento de que hoje, dia 09/08/23, chegou a Vila Nova de Famalicão um helicóptero que vai sobrevoar Famalicão para apoiar nos incêndios. Está "estacionado" no Campus de Protecção Civil de Famalicão (Bairro). Bem-vindo, e que seja acompanhado por uma  boa política municipal de protecção da floresta.

NÓ DA A3 – Quem sai do nó da A3 para a EN n.º 14 verifica que há grandes movimentações de terra a poente. O que se está passar em concreto? Vai-se destruir mais um pedaço da natureza naquele local (Jesufrei ou São Cosme do Vale)? Deveria ser fácil saber, mas não é. A câmara não informa ou a informação não está facilmente acessível, como devia.

AVENIDA NARCISO FERREIRA – Chamaram-me a atenção para o facto de, na Av. Narciso Ferreira, da cidade, não merecer só reparo o edifício oco da esquina junto à Iris (que não se sabe bem de quem é), mas também o da esquina nascente, junto à Rotunda das Águas, edifício do "Morais", envolvido há anos com uma espécie de "pano" verde, coisa feia. Mais uma vez, o desleixo está à vista.

"CONTRATO LEONINO" – Pessoa atenta confidenciava-me que deveria haver um "contrato leonino" entre a nossa câmara e uma qualquer empresa que trata das árvores na cidade. Queria referir-se a um contrato em que a câmara paga e a empresa pouco ou nada faz. Não sei se esse contrato existe, mas que parece existir, parece. As árvores estão demasiado mal cuidadas na nossa cidade. Com contrato ou sem ele, também aqui o desleixo é evidente.

(Em Opinião Pública, 14/08/23)

quinta-feira, 3 de agosto de 2023

Identidade e reabilitação do Hotel Garantia de Famalicão

As obras de reabilitação do ex-hotel Garantia estão em curso e louvei-as em texto anterior (ver jornal Opinião Pública e no meu blogue). Entretanto, e perante opinião que ouvi de uma pessoa ligada à arquitectura, pedi-lhe que me desse uma perspectiva da sua área sobre essas obras.

Eis o contributo que recebi e que, com pequenas alterações, transcrevo, agradecendo e assumindo toda a responsabilidade:

No edifício do ex-Hotel Garantia existe uma identidade e um conjunto de características inigualáveis que se devem preservar. Caso contrário será apenas mais um edifício comum, que tanto pode estar no cruzamento da Rua de Santo António com a Rua Adriano Pinto Basto, em Vila Nova de Famalicão, como pode estar em Mirandela ou noutro sítio qualquer, sem referência e sem história.

Temos pena que não tenha havido essa sensibilidade pela parte do projectista e do promotor. Sendo esta uma Área de Reabilitação Urbana (ARU)/ Plano de Acção de Regeneração Urbana (PARU) de Vila Nova de Famalicão deveriam ser cumpridos um mínimo de requisitos previstos na lei, nomeadamente a preservação das fachadas e a manutenção de elementos arquitectónicos e estruturais de valor patrimonial.

Não se percebem estas intervenções na cidade, que a vão descaracterizando, ao longo dos anos. Para se conseguir um trabalho de excelência, tem que existir maior intervenção de todas as partes, não só por parte do promotor privado, como da câmara. Um edifício com a relevância que o Hotel Garantia tem precisava de ser alvo de um estudo mais cuidado.

Por que razão a câmara, por exemplo, não orientou o promotor para realizar um concurso de ideias? Sem tirar o mérito ao sr. arquitecto que projectou a intervenção, penso que Famalicão deve ter uma análise mais crítica e valorizar mais o seu património construído, que "reside basicamente em terem acumulado tempo, e não tanto na beleza nem na superioridade técnica ou artística do imóvel em si", pois, acima de tudo "a categoria do património é o reconhecimento da sua pertença a um momento histórico passado, o sabermo-nos diante de algo que sobreviveu à história e que a testemunha, que se tornou, por isso, memória física, e que surge ante nossos olhos como matéria onde se preserva o espírito de um outro tempo" (Cláudia Henriques – Turismo, Cidade e Cultura: Planeamento e Gestão Sustentável, Lisboa, 2003, p.196)

E esse espirito de outro tempo, assim, desaparece...

(Em Diário do Minho, 03/08/23)