PROMESSA DE HÁ MAIS DE VINTE ANOS – Em Janeiro de 2004, o presidente da câmara Armindo Costa anunciava numa sessão da Assembleia Municipal na "Informação do Presidente" o propósito firme de fazer da estação e de toda a sua envolvente um "exemplo de qualidade e excelência, num autêntico processo de requalificação e dinamização urbana". Sobre isto escrevi uma palavra apenas: "óptimo. É disso que precisamos!”. Escrevi ainda com base nessa informação do presidente: "Assinale-se também a criação de um interface rodoferroviário e estacionamento público coberto, distribuído por dois pisos e dotado de 380 lugares, com ligação inferior à estação e suas plataformas de embarque". E acrescentava: "O interface rodoviário é essencial e o estacionamento coberto com a dimensão apresentada é um projecto arrojado, merecendo ambos aplauso". (*)
MAIS DE 22 ANOS DEPOIS – Já passaram mais de 22 anos (25 da Coligação PSD/CDS) e nem a requalificação da zona da estação, nem o parque de 380 lugares. Apenas uma simples promessa há dias, no fim de uma reunião camarária, de que esse parque de estacionamento está em estudo (!) e vai avançar. Não sabemos se vai ser uma concretização deste projecto por cima (mais arrojado ainda, como devia) ou por baixo ou ainda nada. Tentaremos acompanhar, embora o mais provável será a câmara ficar-se mais uma vez pelas palavras.
O PARQUINHO DO CENTRO DE SAÚDE – Entretanto, num vídeo bem elaborado, o jornal digital Cidade Hoje diz-nos que a câmara municipal vai abrir um concurso público para um parque de estacionamento de automóveis junto do centro de saúde e muito perto da estação ferroviária. Só que o vídeo não nos diz nem o preço, nem a quantidade de lugares. Procurei informação noutro lado (Jornal de Notícias e Notícias de Famalicão digital). O valor da empreitada é de mais 2 milhões e 600 mil euros para 79 lugares, dos quais 48 cobertos. Fazendo as contas, cada lugar vai custar mais de 32.500 €. E se fizermos as contas só aos lugares cobertos temos um custo de mais de 50.000 € por cada lugar. Um bocado caro, não é? A oposição PS votou contra. Não basta! É preciso explicar aos famalicenses que não se gasta assim o nosso dinheiro. Se for preciso publicar e divulgar um pequeno folheto impresso, contribuo para o custear. É que há alternativas muito melhores e muito mais baratas.
ANTÓNIO JOAQUIM – Luís Paulo Rodrigues no Notícias de Famalicão e o Dr. João Afonso Machado neste Jornal de Famalicão, de 21 de Maio de 2026, evocavam a memória de António Joaquim de Miranda Pinto da Silva, recentemente falecido, enaltecendo as suas qualidades de investigador da nossa história local: "o maior conhecedor da história de Famalicão", nas palavras de João Afonso. Não lidei de perto com o Dr. António Joaquim, mas nas vezes que conversei com ele no Arquivo Municipal impressionou-me, para além do conhecimento que tinha da história de Famalicão, a sua modéstia. Não se vangloriava do seu saber, que era muito.
MEIOS DE COMUNICAÇÃO SOCIAL LOCAIS – Porventura a lista não é completa nem rigorosa, mas entre os meios de comunicação social locais temos: o Cidade Hoje (jornal e rádio), O Povo Famalicense (jornal semanal impresso gratuito), Editave (jornal Opinião Pública, Rádio Digital e FamaTV), Famalicão Canal (jornal e TV), A Nossa Terra (Ribeirão – jornal impresso), Notícias de Famalicão (jornal digital) e o decano de todos eles, Jornal de Famalicão (jornal semanal impresso).
CONTROLO DOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO SOCIAL – A câmara municipal controla ou tenta controlar os meios de comunicação social locais. Tenho-o dito e mantenho. Prova disso é, por exemplo, o montante dos gastos com o apoio às empresas que são proprietárias desses meios de comunicação social que não primam pela isenção e que a câmara municipal esconde. Bem se pergunta quanto gastou efectivamente, de forma bem discriminada e fácil de entender, com cada uma dessas empresas locais em 2024 e em 2025 e a Câmara "torce-se toda" e não informa correctamente.
OUTROS ASSUNTOS – São tantos os assuntos do nosso município que precisam de ser tratados que não podemos sequer mencioná-los aqui. Entre os mais recentes destaca-se a derrapagem de 3 milhões e 500 mil euros em obras municipais. Cabe aos meios de comunicação social locais e às oposições fazer esse trabalho. Meios de comunicação social locais que não escrutinem o poder são meras cópias, com outro formato, do efe.
ÁRVORES VERDES – A minha rua só tem árvores escuras. Uma delas secou e outras estão tortas e mal tratadas. Em vez delas ponham lá árvores de folhas verdes, imploro!
(*) Jornal Opinião Pública, 19/01/04, transcrito no meu livro As Assembleias Municipais Precisam de Reforma – Diário da Assembleia Municipal de Vila Nova de Famalicão – 2002 a 2005, pp. 205-206, editado em 2006.
(Em Jornal de Famalicão, 28/05/26)