quinta-feira, 26 de março de 2026

Sobre os vereadores

VEREADORES – Há uma ideia muito difundida de que numa câmara municipal manda o presidente, sendo os vereadores, mesmo os da maioria, apenas  servidores do presidente, meros executores das ordens deste.

VEREADORES II – Não tenho essa ideia, nem ela resulta da Constituição ou da lei. Os vereadores dentro da câmara têm opinião própria sobre os assuntos do município e podem até, no fim, concordar com o presidente, mas não deixam de  exprimir e defender no seio da maioria o que pensam. Claro que não procedem assim nas reuniões formais (privadas ou públicas), mas fazem-no nas reuniões informais que precedem ou devem preceder as reuniões em que estão presentes todos os vereadores.

VEREADORES III – E se assim não procederem, quer porque não há essas reuniões informais, quer porque durante elas apenas ouvem o que o presidente diz nessas reuniões, não merecem ser vereadores. Um vereador tem direito a voto igual ao do presidente, apenas não tem voto de qualidade no caso de empate.

VEREADORES IV – É certo que o presidente da câmara tem o poder de lhes retirar pelouros sempre que assim entenda, mas um vereador que se preze tem, nesse caso, o poder de renunciar ao cargo ou de passar à situação de vereador independente. Pode ficar, na verdade, sem o vencimento que resulta de exercer a tempo inteiro ou meio tempo, mas mal de um vereador que continua no cargo apenas por causa do vencimento. Nesse caso não é vereador, é um empregado do patrão-presidente. Não preza a sua dignidade.

VEREADORES V – Desejo para os municípios do nosso país vereadores que tenham personalidade, que contribuam com a sua opinião para o bem comum do município. E quanto aos vereadores da oposição, devem eles também exprimir o que pensam nas reuniões formais, concordando com aquilo que entendem ser bom para o município respectivo, mas discordando e criticando o que consideram dever ser criticado. Se entram e saem das reuniões calados, se não fazem intervenções apropriadas, nem sequer merecem o exíguo valor das senhas de presença.

LOURO – Na freguesia do Louro, a Fraternidade de Nuno Álvares, associação privada de âmbito nacional, sem fins lucrativos, constituída por antigos filiados do Corpo Nacional de Escutas (CNE) teve a feliz ideia de dar vida à Escola Primária de Armental, reconstituindo uma sala de aulas do tempo do antigo regime. A inauguração, a que assistimos, ocorreu no passado sábado, dia 21/03/26, com muito interesse e participação e sobre ela esperamos dizer, oportunamente, algo mais.  

BOLETINS MUNICIPAIS – Já dissemos que o nosso boletim municipal (o agora "renovado" efe) é ilegal porque é um boletim de propaganda do presidente da câmara e da maioria que o acompanha, pago com o dinheiro de todos os famalicenses.

BOLETINS MUNICIPAIS II – Em França, há legislação, doutrina e jurisprudência expressa sobre a matéria, estipulando o artigo L. 2121-27-1 do Código Geral das Autarquias Locais que, nos municípios com 1.000 habitantes ou mais, quando o município publica um boletim informativo geral sobre as realizações e a gestão da câmara municipal, deve neles ser reservado um espaço para a expressão dos vereadores que não pertençam à maioria. Tencionamos voltar a este assunto.

QUERCUS E MAGNÓLIA – Enquanto a magnólia do jardim dos Paços do Concelho junto da Assembleia Municipal já perdeu as flores e exibe agora esplendorosa folhagem, o enorme carvalho (quercus) que lhe fica perto ainda exibe o Inverno, mas um dia destes desponta e torna-se a árvore mais frondosa do jardim. Estejam atentos.

FAMALICENSES – A secção "Famalicenses", que este jornal me deu liberdade de orientar, vai ter de novo continuidade regular com periodicidade quinzenal. Consideram-se famalicenses, para este efeito, as pessoas naturais do concelho, as que nele residem (1.ª ou 2.ª residência) e as que nele trabalham ou trabalharam. Dedica-se esta secção a famalicenses que, por alguma razão, se destacam ou destacaram. A escolha é, felizmente, difícil.  

(Em Jornal de Famalicão, 26/03/26)

sexta-feira, 13 de março de 2026

efe – um lamentável boletim de propaganda!

Há momentos em que são precisas atitudes que choquem a opinião pública e a suspensão temporária da edição impressa exactamente do jornal Opinião Pública é uma delas.

Diz-se que a suspensão foi apenas um pretexto, pois o jornal impresso ia acabar mais dia menos dia. Porém, mesmo que tenha sido um pretexto – e está por provar –, a Editave, proprietária do jornal, aproveitou-o bem.

E isso vê-se na reacção da câmara municipal através do comunicado que distribuiu à imprensa e que está escondido no meio da página oficial do município. Quando a câmara municipal se vê obrigada a defender-se e a defender a publicação do jornal efe algo de grave se passa.

Lamenta a câmara municipal "que esta decisão de suspender um título semanal com mais de três décadas de existência esteja a ser justificada com a recente edição do renovado boletim municipal – o efe –, que foi lançado há nem uma semana e que será editado de dois em dois meses". Ora, o que a câmara municipal devia lamentar é a infeliz publicação do dito "renovado boletim municipal". Desde logo, porque não se trata de um boletim municipal, mas de um boletim de propaganda da maioria liderada pelo presidente da câmara que ocupa nele o lugar cimeiro.

Se fosse um verdadeiro boletim municipal, seria objectivo e publicava regularmente as actas da câmara e da assembleia, bem como as deliberações e despachos com eficácia externa do município e nada mais do que isso e divulgá-lo-ia electronicamente para poupar dinheiro. Era uma espécie de Diário da República local de que serve de exemplo o do município do Porto (e não só).

Mas mesmo que se entenda que um boletim municipal pode ir mais longe e publicar outra informação e notícias, então deveria ser um boletim da responsabilidade da câmara municipal (toda) e da assembleia municipal (toda) e não um boletim do presidente da câmara e seus amigos da vereação.

Infelizmente, o efe é mesmo e apenas um boletim/jornal onde o presidente da câmara mete o que bem entende e o que ele entende são os feitos gloriosos da câmara que dirige e outros igualmente gloriosos que estão para vir. Para disfarçar mete também outras coisas igualmente boas que não são mérito seu (êxitos de pessoas ou de empresas famalicenses, por exemplo), mas que ficam bem num boletim de propaganda.

Ora, nem é preciso lei, embora exista, para dizer que isto não se pode fazer. O Senhor Presidente da Câmara, ilustre director da coisa e seus cúmplices da vereação (e ainda eventualmente da assembleia municipa)l não podem utilizar dinheiros públicos para fazer propaganda. Se a quiserem fazer, arranjem um jornal, distribuam-no gratuitamente e paguem-no do seu bolso, pois as pessoas não costumam pagar propaganda. É uma questão de decência.

Dir-me-ão que estes boletins de propaganda existem em muitos outros municípios e em Famalicão já têm mais de 40 anos (década de 80). É verdade, mas não é por isso que se justificam e estou particularmente à-vontade nesta matéria, porque sempre os critiquei, viessem de onde viessem.

Agora está à prova a força da oposição – melhor, das oposições – em Famalicão. Veremos se elas são também cúmplices desta publicação. E serão se se calarem até aparecer o novo efe, que sairá dentro em breve (é bimestral), em vez de utilizarem todos os meios ao seu alcance, e são vários, para pôr fim a este claro ataque aos valores da democracia.

Importa lembrar que a câmara tem uma boa saída para esta situação que a enobrecerá: acabar com a publicação do efe, passando a editar um verdadeiro boletim municipal electrónico e apoiando seriamente, com transparência e equidade, toda a imprensa famalicense reconhecida na ERC. Não é difícil!

(Em Jornal de Famalicão, 12/03/26)

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

Lutar pela paz na Ucrânia (4 anos de guerra)

UCRÂNIA – Utilizamos estas colunas do Jornal de Famalicão para tratar de assuntos locais. É essa a regra. No entanto, escrevemos estas linhas no dia 24 de Fevereiro de 2026 e passam nesta data quatro anos sobre a abominável invasão da Ucrânia pela Rússia. Lembro-me bem daquela enorme fila de viaturas militares que entraram pelo território ucraniano. Depois disso, a Rússia continua a mostrar o que é: um regime ditatorial que não tem nenhuns escrúpulos em matar a população civil (desde logo crianças e mulheres) da Ucrânia. A Ucrânia não tem possibilidade de se opor a esta ofensiva diabólica de uma potência nuclear. A meu ver não vale a pena continuar indefinidamente esta guerra. Faça-se um acordo que será sempre um mau acordo, mas é melhor que ver morrer pessoas indefesas. Depois disso, importa lutar com as "armas da não violência". Precisamos de seguir os exemplos de Gandhi, de Mandela e de Luther King. Corrida às armas, não!

EFE (efe) – Sabem o que é o jornal efe? Ainda não repararam nele? Tem uma tiragem de 61.750 exemplares, tem como director Mário Passos e é apenas o outro nome do anterior boletim municipal – melhor, do anterior boletim de propaganda da câmara. Merece uma referência mais detalhada que esperamos ter a oportunidade de fazer.

EFE (efe) II – Vi ontem, 4.ª feira de manhã, dia 25/02/26, que o jornal Opinião Pública, com capa de luto, titula a toda a largura da primeira página: "Jornal Opinião Pública suspende publicação em papel por tempo indeterminado", reagindo desse modo ao aparecimento do efe. É uma reacção firme e adequada. Por sua vez, o jornal Povo Famalicense, embora com uma posição muito mais branda, não deixa de titular em primeira página: "Município lança jornal efe, oposição censura".

EFE (efe) III – Importa dizer que esta publicação do nosso município é ilegal, pois a lei não permite que se utilizem dinheiros públicos para fazer propaganda camarária. Nada haveria a dizer se esta publicação fosse da responsabilidade do PSD/CDS, paga pelos partidos que a integram e distribuída pelos circuitos normais. Importa ver como reage a entidade de tutela que é actualmente a IGF.

EFE (efe) IV – Importante será saber também como vão reagir as oposições nos órgãos do município. Uma moção de censura da assembleia municipal à Câmara Municipal, mesmo não tendo êxito, dada a maioria neles existente, é a atitude que se espera. Ao lado disso, devem as oposições locais ter capacidade para tornar este um assunto nacional, pois é um ataque à democracia o que esta publicação, tal como as anteriores, representa.

PLANO DE URBANIZAÇÃO DA CIDADE – O artigo 98.º da Lei n.º 80/2015, de 14 de Maio, estabelece no seu n.º 3 que: "Nas sedes de concelho e nas áreas urbanas com mais de 25.000 habitantes, o regime do uso do solo deve ser previsto, preferencialmente, em plano de urbanização municipal". Isto diz a lei, mas infelizmente a nossa cidade continua sem um plano de urbanização ou sequer a preparação dele. A nossa cidade tem crescido muito, mas mal. Duvidam?

MAGNÓLIA – É bonita a árvore que floresce nos Paços do Concelho, junto da Assembleia Municipal. Nesta árvore exótica surgem primeiro belas flores, numa enorme quantidade, e só depois as folhas. Tem resistido à chuva e ao vento.

BANKÜ – O nome não me parece feliz (e tem trema!), mas isso não é o mais importante. O que interessa é que se consolide como um bar de qualidade.

EX-HOTEL GARANTIA – Está quase pronta a reabilitação do prédio que foi o Hotel Garantia. Os passeios já foram devolvidos aos cidadãos. Ainda bem. Este edifício não vai ser inaugurado? Merecia.

(Em Jornal de Famalicão, 26/02/26)

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Prioridades e prevenção

GERIR O MUNICÍPIO  – Como já dissemos, mais do que uma vez, gerir o município de Vila Nova de Famalicão não é tarefa fácil. É um grande município e são muitos os assuntos que precisam de ser resolvidos. A página oficial do município engana quando apresenta logo na abertura e com todo o destaque o assunto Carnaval.

PRIORIDADES – Não, o Carnaval não merece esse destaque, nem merece que se gaste com ele tanto dinheiro (mais de 200.000 euros). Bem se podia poupar aqui, gastando muito menos e utilizando o dinheiro restante em coisas mais necessárias. Qualquer leitor atento sabe bem disso. Podemos discordar nas prioridades, mas o Carnaval não é certamente uma. É má gestão dos dinheiros públicos.

CAPELA DE SANTO ANTÓNIO – Também não é prioridade, a nosso ver, o arranjo da entrada da Capela de Santo António. Não se põe em causa que fique melhor com este arranjo, o que se põe em causa é que seja uma prioridade, sabendo nós os muitos e graves problemas que existem.

PREVENÇÃO – Olhando para o que aconteceu na zona centro do país com o vendaval e as chuvas, é dever nosso cuidar da prevenção no nosso município para minimizar os efeitos que poderão advir de catástrofes semelhantes ou de outras igualmente graves. 

COMISSÃO MUNICIPAL DE PROTECÇÃO CIVIL  – Fui à procura da protecção civil no nosso concelho e encontrei na secção respectiva da página do município "O que procura?" um regulamento que diz que a Comissão Municipal de Protecção Civil é composta, nos termos da lei, pelo presidente da câmara municipal ou vereador com competência por ele delegada e mais 16 (dezasseis) elementos. Mas será uma tal comissão, que reúne ordinariamente uma vez por ano, eficaz? 

ELEMENTOS DA COMISSÃO – E quem são esses elementos? Sabemos que ela é presidida pelo presidente da câmara, mas isso chega para nos dar confiança? Não deveria ser do conhecimento geral  quem são os nomes da protecção civil que estão preparados para agir de imediato em caso de necessidade? Ou será que, no caso de catástrofe, irão ser convocados para uma reunião os 16 elementos que vão desde as corporações de bombeiros, à Santa Casa da Misericórdia  e à delegação de Ribeirão da Cáritas?

PLANO MUNICIPAL DE EMERGÊNCIA DE PROTECÇÃO CIVIL – Atenção! Existe um Plano Municipal de Emergência de Proteção Civil –  Vila Nova de Famalicão. Não o encontrei, pelo menos facilmente, na página do município, mas antes numa pesquisa no Google. Apareceu um documento de 2010 (versão provisória) com  mais de 100 (cem) páginas. Não tive ainda tempo de o ler e não sei se é este que está em vigor. Haverá tempo de saber.

AUTOMOBILISTAS DA MOBIAVE – Elogio os condutores dos autocarros da Mobiave que têm de percorrer as estradas e ruas do nosso concelho. Precisam de ter muita perícia para fazer o percurso que lhes foi destinado. Não seria de melhorar a circulação nessas vias para bem de todos?

ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS – Os eleitores do concelho de Vila Nova de Famalicão e de todas as suas freguesias deram uma muito expressiva vitória a António José Seguro nas eleições presidenciais (2.ª volta) do passado domingo, dia 8 de Fevereiro de 2026. No concelho, mais de 2/3 dos eleitores votaram no presidente eleito. Para isso muito contribuíram os eleitores de diferentes opções políticas que se uniram para defender a democracia tal como ela deve ser entendida, rejeitando aventuras políticas. Essa união foi bem visível em Famalicão e a sessão que decorreu na Fundação Cupertino Miranda do dia 5 de Fevereiro foi disso boa expressão.

(Em Jornal de Famalicão, 12/02/26)

quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Famalicão: lugar do Carnaval

FESTAS TRADICIONAIS DAS FREGUESIAS DO CONCELHO – Nas festas tradicionais das freguesias do concelho, que são na grande maioria religiosas, mas onde predomina o profano, faltou-me referir, na semana passada, o São Sebastião, que se celebra em Gondifelos, Oliveira de Santa Maria e Vilarinho. Profana é a Queima do Galheiro em Fradelos, festa também com larga tradição.

MAPA DAS FESTAS RELIGIOSAS – Tentei pesquisar o mapa das festas tradicionais na página oficial  do concelho, mas não tive sorte. Na secção "O que  procura?" encontrei 646 respostas para a pesquisa  "Festas tradicionais do concelho" e apenas apareceram, nas primeiras 50 respostas, as Festas Antoninas. Pesquisei depois "Festas tradicionais das freguesias do concelho" e recebi 872 respostas. No entanto, nas primeiras 50 nenhuma delas refere festas, nem sequer as antoninas. Assim, esta secção, aparentemente útil, não serve. É preciso modificá-la. E é preciso dar notícia destas festas que brotam da iniciativa dos famalicenses.

FAMALICÃO: LUGAR DO CARNAVAL – Na página oficial do concelho quando a abrimos aparece-nos com grande destaque um cartaz de "Carnaval (13-17 Fevereiro – Famalicão)". Festas é o que a câmara municipal tem para nos oferecer ao longo do ano. É o Carnaval, depois as Antoninas, a seguir a Feira de Artesanato e Gastronomia e, para fechar o ano, o Natal. Quatro festas municipais, pelo menos, e com elas muito mais de um milhão de euros.

RUTURAS DE ABASTECIMENTO DE ÁGUA – É bem verdade que "as condutas da rede citadina estão velhas e desgastadas", como se escrevia na semana passada. Neste domingo, dia 25/01/26, a conduta de água rebentou à entrada da Rua Conselheiro Santos Viegas, mais propriamente junto da Praceta Lino Lima. Liguei cerca das 17h para as avarias ( 252 317 454), tendo as pessoas que me atenderam tomado nota. Estranhei um pouco o atendimento, porque me pareceu que as pessoas que estavam do outro lado não conhecem bem a cidade.

ORÇAMENTO MUNICIPAL PARA 2026 – Duzentos e cinquenta e seis milhões de euros (256.000.000) é o valor da proposta de orçamento do município para 2026 aprovado na passada segunda-feira (dia 25/01/26) pela maioria da câmara municipal. O maior orçamento de sempre, uma vez que acolhe os investimentos do PRR.

DECLARAÇÃO DE VOTO – Numa bem elaborada declaração de voto, os vereadores do Partido Socialista na Câmara Municipal criticam vários aspectos da proposta de orçamento municipal para 2026 apresentado pela Câmara Municipal para aprovação, justificando a sua abstenção não prejudicar os investimentos que estão previstos, nomeadamente no âmbito da saúde e da educação. Nas críticas feitas chamou-nos a atenção, entre outros assuntos, a falta de implementação de um "regime de apoio garantido", os cuidados que merecem as pessoas de idade e as que padecem de outras vulnerabilidades e que não são devidamente atendidas no orçamento e os problemas não resolvidos da recolha de resíduos urbanos e outros no nosso concelho. É uma declaração de voto que merece ser lida e que foi feita nas condições difíceis em que trabalham os vereadores da oposição.

BIBLIOTECA MUNICIPAL – A nossa biblioteca municipal (Parque de Sinçães) renovada merece ser visitada e frequentada. É ampla, tem muito que ver e, especialmente da parte de tarde, tem muita gente, principalmente estudantes. Entretanto, num dia destes, enquanto esperava por umas pessoas na recepção, entrou um senhor que perguntou se podia ler os jornais. A pessoa que atendeu indicou de imediato o local, que é no piso de entrada do lado esquerdo ao fundo. Novidade também recentemente anunciada é a aposta no digital.

COLABORAÇÃO QUINZENAL – Bem gostaria de ter tempo para abordar semanalmente assuntos do nosso concelho, pois não faltam, mas o tempo é um bem escasso e, por isso, e por outros afazeres, a colaboração passará a ser quinzenal, com o acordo do director do Jornal de Famalicão.

(Em Jornal de Famalicão, 29/01/26)

segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

A democracia é um bem frágil

HÁ 50 ANOS – O Jornal de Famalicão da passada semana dava notícia de que no dia 19 de Janeiro de 1976 tomava posse a nova Comissão Administrativa da Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão, presidida por José Carlos Gomes Marinho, industrial, e da qual faziam parte José Garcia Carvalho de Azevedo, advogado; José Júlio Alves Coelho, agente de seguros; Antero Castro Martins, gerente industrial; Joaquim da Silva Loureiro, advogado; José Rodrigues Martins, operário têxtil; e Daniel Pinheiro Silva, professor do ensino básico. Esta nova comissão sucedeu à presidida pelo Eng.º António Pinheiro Braga na sequência do 25 de Abril de 1974. De notar ainda que José Carlos Marinho foi o primeiro presidente eleito por sufrágio universal directo e secreto em Vila Nova de Famalicão (12 de Dezembro de 2026). 

ESTÁDIO MUNICIPAL – O jornal Opinião Pública (OP) da semana passada titulava a toda a largura da primeira página "Concurso para Construção do Novo Estádio Municipal Ficou Vazio". Foi um concurso público internacional que não suscitou interessados. É de estranhar, sabendo nós como este concurso foi preparado. Será que ele defendia o interesse público pelo menos de modo suficiente e isso não agradava aos interesses particulares que naturalmente se movimentam à volta do estádio? Se assim foi, ainda bem. 

ALTERNATIVAS – E esperemos que as “alternativas” de que já fala a Câmara não seja a das costumeiras cedências a interesses privados. Devemos todos, meios de comunicação social e cidadãos, estar atentos a essas alternativas para que se encontre uma solução satisfatória. Cuidado com as decisões de gabinete!

CONDUTAS DE ÁGUA NO CENTRO DA CIDADE – "O problema está identificado: as condutas da rede citadina estão velhas e desgastadas, o que origina ruturas e a consequente falha no abastecimento para desespero de moradores e comerciantes". Ao mesmo tempo que escrevia isto, Cristina Azevedo dava nota, no OP de 14/01/2026, de um comunicado da câmara municipal,  informando que esta decidiu "avançar com carácter de urgência, com o processo de substituição integral da conduta instalada na Avenida 25 de Abril e na Avenida Narciso Ferreira e que abastece não só o centro urbano, como também algumas zonas periféricas da cidade”.

COMUNICADO DA CÂMARA – Fomos à procura desse comunicado na página do município, mas não tivemos sorte. Ele deve estar talvez num lugar escondido da página. Ainda pesquisamos em "O que procura?" e saíram 597 respostas. Nenhuma delas, ou pelo menos as primeiras, com essa informação. Assim não dá.

CARNAVAL 2026 – Podemos ter dificuldade em encontrar certa informação da câmara, mas outra está em "destaque" e isso diz muito. Pode ler-se na página do município: "O Carnaval de Famalicão é de todos e para todos e no dia 16 de Fevereiro ninguém vai querer perder aquela que é a noite mais animada do ano em Vila Nova de Famalicão". Esta preocupação com "festas" diz muito da prioridade camarária. E quanto custa? Foi votado desde já um pedido de autorização de despesa à câmara municipal de 200.000 euros. Mas não haverá outras despesas relacionadas com esta actividade?

FESTAS NO CONCELHO – Desde o início do ano que o concelho tem festas. Festas tradicionais, algumas de séculos. É o Santo Amaro (Arnoso Santa Eulália e Carreira), é o São Vicente (Sezures e Gavião), é a Senhora das Candeias (Landim) e muitas outras ao longo dos próximos meses. Deveria haver uma lista delas na página do município e a indicação do apoio que a câmara lhes dá. Não pesquisei.

SACOS DE PLÁSTICO PARA FRUTAS E LEGUMES – Sou claramente a favor da taxa pela utilização dos sacos de plástico nos estabelecimentos que vendem frutas e legumes. É preciso poupar na utilização do plástico. Pela minha parte, já costumo levar sacos usados, mas isso não resolve o problema. 

DEMOCRACIA E ELEIÇÕES – A democracia é um bem frágil. Não a deixemos nas mãos de demagogos.

(Em Jornal de Famalicão, 26/01/26)

quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Novos médicos na ULS do Médio Ave

59 NOVOS MÉDICOS – O Jornal de Famalicão titulava com destaque em primeira página e desenvolvimento no interior: “Unidade Local de Saúde do Médio Ave Acolhe 59 Novos Médicos”. Destes, 32 em formação geral e 27 em formação especializada. A formação geral tem a duração de um ano e a formação especializada entre quatro e seis anos, culminado com a atribuição do título de médico especialista.

ACOLHIMENTO  Estes médicos vêm de vários pontos do país. Que pena o nosso concelho não possuir casas para arrendar, pelo menos a  alguns  destes médicos, a preço razoável! Famalicão atrairia mais médicos e o nosso hospital ficaria mais valorizado e conceituado. E era tão fácil ter essas habitações, até junto do hospital. 

CRECHES – Temos falta de creches!  É a informação que  obtive junto de quem conhece bem o nosso concelho. Era importante saber quais as necessidades concretas que existem neste domínio. E, sempre que possível, as creches deveriam estar junto de locais onde a maioria dos pais trabalha. 

LARES – Segundo a mesma fonte, não faltam só creches, faltam também lares para idosos. Deveria haver aqui também a maior atenção. E deveríamos ser inovadores não só quanto ao tipo de lares (evitar os "armazéns" de idosos), como quanto à sua localização. Sempre que possível deveriam estar dentro das cidades e vilas. Quantos "lares" temos no concelho? Onde está essa informação? 

DOMINGO CHUVOSO – No dia 11 de Janeiro de 2026, apesar de ser domingo, as ruas da cidade estavam desertas. A chuva não foi intensa, mas o céu estava todo nublado e a visibilidade muito reduzida. Era dia de voto antecipado.

VOTO ANTECIPADO – Exerci o voto antecipado na antiga Escola Primária junto da Câmara Municipal. Tudo bem organizado. A enorme maioria dos inscritos para o voto antecipado, votaram. Havia cinco mesas. Na minha mesa de 280 inscritos, só faltavam votar 14 eleitores, cerca das 19h.

DIA DE ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS – No próximo dia 18/01/26 veremos se a nossa democracia está bem consolidada como desejamos ou se está em risco como alguns sinais fazem temer. Uma democracia consolidada é aquela em que todos (ou, pelo menos, uma grande maioria) lutam por uma "sociedade, livre, justa e solidária" como estabelece o excelente artigo 1.º da nossa Constituição. 

CORRUPÇÃO  São de combater aqueles que afirmam que somos um país de corruptos, porque não somos. Bem o diz o conceituado Juiz Conselheiro Mouraz Lopes, novo Presidente da Agência Nacional Anticorrupção em entrevista ao Público (08/1/26) que merece ser lida (está também em podcast). Há, é claro, corruptos na política e na sociedade, mas são uma minoria que devemos combater. E quantas vezes aqueles que se dizem incorruptíveis bem nos enganam!

TAPETES VERMELHOS – "Famalicão, lugar do Natal" cobriu os passeios do centro da cidade com largas centenas de metros (talvez mais de um quilómetro) de tapetes vermelhos para atrair clientes. O problema é que estes tapetes em muitos passeios são autênticos "tapa-buracos" e, na Rua Adriano Pinto Bastos, uma pessoa que seguia a meu lado, de repente tropeçou num desses buracos e caiu desamparada. Teve sorte, mas poderia ter ido para o Hospital com grave lesão. E teria sido a única que caiu? E nesta data (13/01/26) ainda não foram retirados.