sexta-feira, 11 de setembro de 2026

A urbe famalicense

ARQUITECTO E URBANISTA  A inteligência artificial diz e a inteligência humana subscreve: a principal diferença entre um arquitecto e um urbanista está na escala e no enfoque do seu trabalho. O arquitecto está focado na escala do edifício e do ambiente construído, desenhando casas, prédios, interiores e detalhando a estética, os materiais e a funcionalidade de um espaço privado ou público. Por sua vez, o urbanista tem horizontes mais largos e está focado na escala macro, planeando cidades inteiras, bairros, o crescimento urbano, a mobilidade, o saneamento e as políticas públicas de ocupação territorial.

URBANISTA  Em Famalicão temos nos serviços da câmara municipal muitos arquitectos, mas não conheço um ou uma urbanista. Pode ser que exista, mas não é conhecido/a pela generalidade dos munícipes. E precisamos tanto de um(a) urbanista a tempo inteiro de elevada qualidade que planeie e comunique connosco!

CIDADE  A nossa cidade cresce desordenadamente. Devíamos ter no centro dela  habitação, comércio e serviços públicos. Em vez disso, damos prioridade a várias  superfícies comerciais. E anuncia-se mais uma para junto do hospital. Estão de parabéns os governantes de turno…

PISTA CARLOS BACELAR  Entrar na Avenida (?) Carlos Bacelar para quem sai da Rua Ana Plácido é um risco. A visibilidade para o lado da Póvoa é muito limitada. Para quando a construção da prometida rotunda (esperemos que simples) que facilite a circulação naquele local? Importa que a Carlos Bacelar deixe de ser uma pista para passar a ser uma avenida. E importa que haja possibilidade de fácil acesso ao Parque de Sinçães para quem mora do lado poente deste.

efe  Saiu mais um número do efe (Agosto 2026). A propaganda PSD/CDS continua. Opinião? Só uma, a do presidente e director Mário Passos. E nós continuamos a pagar!

OPOSIÇÃO – Não temos oposição à altura. Longe disso. É pena! Quem sofre é o concelho.

REABILITAÇÃO URBANA  Sempre que se opera uma reabilitação de prédios no centro da cidade ficamos contentes. Estão em curso algumas, mas há ainda tanto por fazer! 

PARQUE NORTE DE SINÇÃES  Dói ver a quantidade de dinheiro que se está a gastar no Parque de Sinçães Norte quando o que se precisava é de fazer a ligação deste parque com o de Sinçães e deste com o Parque da Devesa. A cidade ficaria enriquecida com os três parques ligados. Para isso era preciso um/a urbanista à altura, mas não temos. Nem urbanista, nem câmara com capacidade para tal.

HOSPITAL PRIVADO  É de lamentar que não haja em Famalicão um hospital privado de qualidade tal como acontece em Braga (3), Guimarães, Póvoa/Vila do Conde e Trofa. É certo que temos um hospital privado Trofa Saúde, mas em instalações inaceitáveis. 

RAI  Sabem os leitores que temos, como manda a lei, uma RAI (Responsável de Acesso à Informação) no nosso município? Daremos notícia mais detalhada depois de obter mais informação.

(Em Jornal de Famalicão, 10/09/26)

domingo, 6 de setembro de 2026

Uma vitória política em toda a linha de Mário Passos

Não sou jornalista, mas sou titular do poder político no município de Vila Nova em Famalicão juntamente e em pé de igualdade com os mais de 130.000 eleitores do meu concelho. Sim! São os munícipes (todos os munícipes) os titulares do poder político do concelho a que pertencem, sendo os órgãos eleitos (câmara e assembleia municipal) representantes dos titulares do poder e não donos.

É nessa qualidade de titular do poder político que escrevo estas linhas neste jornal, pois no meu município não há jornais impressos em Agosto. Assisti recentemente aos actos políticos que se descrevem sucintamente. O Partido Socialista de Famalicão apresentou, em reunião de câmara, uma proposta de homenagem a dois ex-presidentes de câmara (um do PS, outro do PSD) que exerceram funções durante mais de uma década, através do nome de um, dado a um parque, e do nome de outro, dado a uma casa de espectáculos.

O presidente da câmara, Mário Passos, manifestamente não gostou da ideia e rejeitou a proposta em reunião extraordinária da câmara municipal no mês de Julho (dia 3) depois de algumas peripécias nada abonatórias do dever de agendamento e aprovando, ao mesmo tempo, uma proposta alternativa de homenagem muito mais alargada.

A Comissão Política Concelhia do PSD, que tinha manifestado concordância com a proposta do PS, reagiu de imediato, criticou publicamente essa rejeição e foi mais longe: retirou a 16 de Julho a confiança política do PSD a Mário Passos e aos outros membros da câmara eleitos pelo PSD.

Mário Passos ficou numa situação delicada. Foi eleito pelo PSD, mas o PSD deixou de confiar politicamente nele. Chuva de pouca dura. O PSD a nível nacional e distrital movimentou-se e fez uma reunião alargada para resolver este problema no dia 20 de Julho. Não foi uma reunião qualquer, pois nela participaram o Secretário-Geral da Comissão Política Nacional, o Coordenador Autárquico Nacional, o Presidente da Comissão Política Distrital de Braga, o Presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão e o Presidente da Comissão Política Concelhia do PSD de Vila Nova de Famalicão.

Na sequência dessa reunião saiu, no dia 1 de Agosto de 2026, um comunicado da Comissão Política concelhia do PSD em que o PSD nacional e concelhio manifestam incondicional apoio a Mário Passos, quer na recusa da proposta de homenagem apresentada pelo PS, considerada redutora, quer na acção desenvolvida pela câmara considerada excelente. Vitória em toda a linha de Mário Passos e derrota completa da Comissão Política Concelhia de Vila Nova de Famalicão do PSD. Derrota que, em condições normais, levaria a uma digna demissão por parte desta Comissão. Nada disso aconteceu. Mário Passos ganhou esta luta e a Comissão Concelhia ajoelhou politicamente perante o Presidente. Está de parabéns, Mário Passos!

P.S.: Será que isto ficará por aqui? Só o tempo o dirá.

(Em Diário do Minho, 06/08/26 - também publicado no blogue Democracia Local)

sexta-feira, 31 de julho de 2026

Gerir o município de Famalicão

GERIR FAMALICÃO  Temos dito e repetido que gerir o município de Famalicão não é tarefa fácil, pois é um dos mais populosos municípios do país, ocupando o lugar 19.º entre os 20 municípios mais populosos. Portugal tem no total 308 municípios, mas por ser difícil gerir o município, mais exigentes devemos ser. É opinião muito divulgada afirmar que não temos actualmente um governo municipal à altura, mas ao mesmo tempo dizer que não temos uma alternativa credível.

QUE FAZER?  Nestas circunstâncias, que fazer? A nosso ver, preparando desde já para as eleições de 2029 duas boas listas. Dizemos duas, porque, seja qual for a que vença, o concelho ficará sempre a ganhar. De onde devem elas surgir? Tendo em conta o nosso histórico, devem surgir do PSD/CDS, ultrapassando a crise que esta coligação atravessa, e do PS, que tem de compreender que atravessa também uma crise e não pequena. Mas há ainda outra possibilidade, que é a de se constituir um movimento de independentes que ultrapasse a incapacidade dos dois principais partidos do nosso concelho para gerar o governo municipal de que precisamos.

efe  Saiu o n.º 3 do mentiroso boletim municipal que dá pelo nome de efe. É mentiroso, porque se fosse um boletim municipal teria de cumprir a lei e assim cumprir o artigo 56.º, n.º 1, da Lei n.º 75/2013, de 12 de Setembro (Lei das Autarquias Locais), que ordena a publicação no boletim "das deliberações dos órgãos das autarquias locais, bem como as decisões dos respectivos titulares destinada a ter eficácia externa" e cumprir o artigo 10.º, n.º 5, da Lei n.º 24/98, de 26 de Maio (Estatuto do Direito de Oposição),  que manda publicar no boletim municipal o relatório de avaliação do grau de observância do respeito pelos direitos e garantias da oposição que a câmara tem obrigação de elaborar até ao fim de Março do ano subsequente àquele a que se refira, ou seja, deveria publicar no boletim de Maio-Junho de 2026, acabado de sair, o relatório de 2025. Mas que importa a lei para o efe?

TROTINETAS  As trotinetas constituem um perigo para quem circula nos passeios da nossa cidade. Os peões julgam que circulam em segurança e de repente elas surgem, muitas vezes com uma velocidade muito elevada que nos ultrapassam (são as mais perigosas), ou surgem na nossa frente. É preciso pôr fim a este abuso.

INCÊNDIOS RURAIS  O nosso concelho foi atingido recentemente por sérios incêndios rurais (primeira metade do mês de Julho). "Inferno de Dante", chamou-lhes Mário Martins n' O Povo Famalicense. Sobre eles falta informação. Qual a área ardida? A câmara tem esses números? Deveriam ser notícia.

ÁREA METROPOLITANA DO MINHO  Os jornais noticiam movimentações para a criação de uma área metropolitana do Minho. Lideram esse projecto os municípios de Braga e Guimarães, a que se juntaram os municípios de Famalicão, Barcelos e Viana do Castelo. Tenho muitas reservas quanto a este projecto, que precisa de um amplo debate público. Que se pretende com esta organização? Rivalizar com as áreas metropolitanas de Lisboa e Porto, que são "grandes áreas urbanas"? Mas a agora proposta não tem população que se lhes compare. Mas pior ainda: será que vão deixar de fora os municípios do resto do Minho e, nomeadamente, do Alto Minho? E que dizer dos municípios que ficam a leste de Guimarães e vários são? E os municípios dos distritos de Vila Real e de Bragança vão ser secundarizados? Há muito que debater e explicar.

FEIRA DE ARTESANATO E GASTRONOMIA  A Feira de Artesanato e Gastronomia, com despesa orçamentada de quase meio milhão de euros (a despesa efectiva será seguramente superior),  é a promoção do artesanato e de restaurantes de fora do concelho. Mais um exemplo de má gestão do nosso dinheiro. Uma boa gestão apoiaria fortemente o nosso artesanato e os nossos restaurantes. E mesmo assim sobraria dinheiro para termos atracções de fora, mas nada disso. Nem apoio, nem lugar na feira! Felizmente o PS votou contra!

IMPRENSA LOCAL  O mês de Agosto é o mês do fecho para férias da imprensa local escrita. É pena. Nem um? Bem poderia haver um acordo para ser publicado pelo menos um jornal, sem prejuízo das férias. Temos de ler jornais regionais (Diário do Minho e Correio do Minho) ou nacionais (Jornal de Notícias) para sabermos notícias de Famalicão através da imprensa. Entretanto, na despedida para férias, a câmara municipal inundou de publicidade dois jornais impressos (não o Jornal de Famalicão). E a câmara continua a recusar dizer com clareza quanto gastou em 2025 com a publicidade na imprensa local. Pudera! Há despesas que é melhor esconder.

(Em Jornal de Famalicão, 30/07/26)

quinta-feira, 16 de julho de 2026

De que precisa o nosso hospital?

PRIORIDADES DO HOSPITAL – O nosso hospital precisa urgentemente de ser ampliado, devendo a câmara municipal, para esse efeito, não só pressionar oportuna e inoportunamente este governo ou outros que lhe sucederem, mas também dispor-se a participar com meios financeiros nessa ampliação. Também a construção de um hospital de cuidados continuados junto dele (há terrenos a norte) para libertar camas do hospital é muito importante. Como importante é colocar à disposição de médicos, enfermeiros e outro pessoal hospitalar habitações com rendas acessíveis. Ainda é de todo o interesse facilitar o acesso ao hospital, dando prioridade às ambulâncias e outros veículos (e não a todos) que a ele se dirijam, a partir da Avenida 9 de Julho.

PRIORIDADES DA CÂMARA – Isso seria seguramente o que faria um governo municipal com visão. Mas não o temos. A câmara municipal o que acha natural é colocar, junto do hospital, uma superfície comercial, abrindo para o efeito uma espécie de avenida (de pouco mais de 100 metros) e afogando de trânsito a zona que cerca o hospital e que já está saturada. (E andamos há mais de 25 anos para resolver a necessária ligação da urbanização Talvai e Santo Adrião ao centro da cidade!)

ELEVAÇÃO A CIDADE – Vila Nova de Famalicão pode comemorar a elevação a cidade quando entender, mas importa ter presente que a nossa terra foi elevada a cidade a 14 de Agosto de 1985, pela Lei n.º 40/85 dessa data. No mesmo dia foram elevadas a cidade mais dez vilas, a saber: Águeda, Amarante, Montijo, Olhão da Restauração, Peso da Régua, Ponte de Sor, Rio Maior, Santo Tirso, Torres Novas e Vila da Feira, que passou a denominar-se Santa Maria da Feira.

ELEVAÇÃO A CONCELHO – Também a elevação de Famalicão a concelho não ocorreu em 1835 como está "oficialmente" divulgado, mas antes por Decreto de 6 de Novembro de 1836, da responsabilidade de Passos Manuel. Passos Manuel que nem sequer tem uma rua importante na nossa cidade.

TSF – A TSF esteve no dia 9 de Julho de 2026 na Casa das Artes, participando nas comemoração da elevação de Vila Nova de Famalicão a cidade. Ouvi e retive as intervenções do professor João Cerejeira e de Dora Gaspar, diretora-geral da TECMEAT – Centro Tecnológico. Gostaria de referi-las.

POLÉMICA – Vive-se em Famalicão uma polémica à volta de uma proposta de homenagem aos dois presidentes de câmara municipal (Agostinho Fernandes e Armindo Costa) que mais tempo geriram o nosso concelho desde a sua fundação em 1836. O único que se aproxima e que dirigiu o nosso concelho durante cerca de 12 anos foi Álvaro Marques (1945-1957). Essa polémica está devidamente contada no Jornal de Famalicão de 9 de Julho de 2026. A meu ver, é preciso mais distanciamento para apreciar o que se passou e levou à recusa dessa homenagem por parte da maioria da câmara municipal e à aprovação de proposta alternativa.

NOMEAÇÕES – Não bastava a troca de lugares na administração dos hospitais subsequente à entrada em funções do Governo da AD. Agora ficamos a saber que também 15 das 18 cadeiras distritais da Segurança Social foram agora ocupadas por militantes do PSD. Não é coisa que o PS não tenha feito de modo semelhante no tempo em que foi governo. Mas um erro não justifica outro. E o PSD cometeu-o escandalosamente.

(Em Jornal de Famalicão, 16/07/26)

quinta-feira, 2 de julho de 2026

Urbanização da cidade, superfícies comerciais e hospital

URBANIZAÇÃO – Foi publicado n' O Povo Famalicense de 24 de Junho de 2026 (pp. 11, 12 e 13) um estudo que merece toda a atenção, da autoria do Dr. Daniel Ribeiro de Faria, intitulado "Vila Nova de Famalicão sem os incêndios de 1952: a urbe que poderia ter chegado mais cedo ao futuro". Deste ensaio, que aborda vários temas de muito interesse, destaco a elaboração e aprovação, em 1952, de um anteplano de urbanização (era a designação de então) para a nossa então vila, que resultou da larga visão do presidente da câmara da época, que foi Álvaro Marques.

DESORDENAMENTO – Nunca mais tivemos um presidente de câmara preocupado com o plano de urbanização da nossa cidade. Conviveram todos, até hoje, muito bem com um crescimento da cidade ao sabor dos interesses particulares e assim com o desordenamento que está aí perante os nossos olhos.

A LEI – E tudo isto apesar de a lei actualmente em vigor dizer que "nas sedes do concelho e nas áreas urbanas com mais de 25.000 habitantes, o regime do uso do solo deve ser previsto, preferencialmente, em plano de urbanização municipal" (artigo 98.º, n.º 3, do Decreto-Lei n.º 80/2015, de 14 de Maio). Ainda está para aparecer a câmara e o respectivo presidente que tenham capacidade para fazer um tal plano.

URBANIZAÇÃO DO VINHAL – Entretanto vai ser urbanizado mais um pedaço da cidade, num lugar mais do que discutível e que merecia uma ampla discussão pública. Têm mesmo consciência do que estão a aprovar?

PROLIFERAÇÃO DE SUPERFÍCIES COMERCIAIS – A nossa cidade parece ter, segundo os responsáveis do município, uma clara falta de superfícies comerciais e hipermercados. Dentro do perímetro da cidade há "apenas" seis (6) e por isso a câmara considera desejável uma nova superfície junto do cemitério municipal e outra junto do hospital . Ao menos estas duas, pela sua situação, ficarão muito bem acompanhadas…

NOVO CARTAZ – E bem pode a câmara mandar fazer e divulgar mais um cartaz publicitário, dizendo: "Famalicão, lugar das superfícies comerciais!"

HOSPITAL – A vinda a Famalicão da ministra da Saúde, Ana Paula Martins, no dia 23 de Junho de 2026 não mereceu a atenção e os comentários devidos. Não já quanto à atenção dada à inauguração propriamente dita da Unidade de Saúde Familiar (USF) de Calendário (São Miguel-o-Anjo), mas à interpelação feita pelo presidente da câmara municipal, Mário Passos. Disse este: precisamos de um hospital com capacidade, reabilitado, ampliado com mais serviços e estacionamento. Acrescentou que para isso existe uma solução que considera relativamente barata (entre 20 e 25 milhões de euros), dando execução ao Plano Director Hospitalar.

MINISTRA NÃO SE COMPROMETE – Sobre essa intervenção, a ministra da Saúde declarou que a requalificação e ampliação do Hospital de Vila Nova de Famalicão é uma das prioridades do Governo, mas lembrou que há muitas prioridades e que o Governo não pode dar andamento a todas.

ATITUDE – Será que a câmara e a assembleia municipal vão deixar esquecer este assunto? Devem, a nosso ver, oportuna e inoportunamente lembrar este nosso problema junto do Governo. Assim farão? O tempo o dirá.

SUBURBANOS – Sabem os leitores que há um comboio suburbano Braga-Famalicão-Braga? Os comboios deveriam merecer melhor atenção nossa. A estação e sua envolvente não está à altura da nossa cidade.

MEMÓRIA HISTÓRICA – Voltando aos antigos Paços do Concelho devorado pelos incêndios de 1952, importa dizer que ainda há famalicenses que bem se devem lembrar deles por dentro e por fora. São os que têm mais de 90 anos e boa memória. Era interessante recolher o seu depoimento.

(Em Jornal de Famalicão, 02/07/26)

sexta-feira, 26 de junho de 2026

Pneus, festas e oposição

18.000.000 de PNEUS  Li recentemente uma informação proveniente da Continental (uma multinacional) que lembrava que em Lousado se produz pneus desde 1946 (há 80 anos) e que desde a integração, em 1990, na Continental, a fábrica cresceu de tal modo que hoje tem "uma capacidade anual de produção superior a 18 milhões de pneus e é um dos maiores empregadores da região de Vila Nova de Famalicão, contando com cerca de 3.200 colaboradores".

50.000 PNEUS POR DIA – Correndo o risco de ser polémico, estes dados não me entusiasmam e antes me preocupam. Será que é assim tão bom do ponto de vista ambiental (e não só do ambiente do nosso território, mas do ambiente em geral) que tenhamos uma fábrica capaz de produzir 50.000 pneus por dia? Já se atentou bem no que isso significa em termos de transporte desde Lousado para o destino, que não pode ser naturalmente o nosso país e no lixo que esses pneus vão a prazo causar?

PIB  Claro que se vai dizer que isso não é problema, que a produção de pneus está ambientalmente sustentada, que nenhum perigo existe e o que importa é crescer cada vez mais. Porém, para quem acredita, como acredito, que o crescimento incessante do PIB (Produto Interno Bruto) não é bom para os seres humanos e que ele produz graves perigos a prazo, essa argumentação não convence.

FAMALICÃO EXPORTADOR  E muito menos convence dizer que isso é bom para Famalicão, pois assim (com esta e outras indústrias) é o terceiro município exportador do país, o que deve ser motivo de orgulho. Preferia, como famalicense, ter orgulho por outras razões que não esta.

HERESIA POLÍTICA  Tenho consciência da heresia que esta opinião representa num país e num mundo onde o crescimento económico, medido pelo PIB, é a razão de ser de qualquer país que se queira desenvolvido.

DECRESCIMENTO  Sou adepto desde há muito do decrescimento. Uma corrente política que olha para a relação do homem com a natureza de modo muito diferente. Podemos viver muito melhor com muitos menos pneus e quem diz pneus diz tantos bens que em vez de nos darem mais liberdade e felicidade nos aprisionam no consumo.

HISTÓRIA  Um apontamento mais. Bem podia a informação sobre os 80 anos da produção de pneus em Lousado celebrada pela multinacional incluir uma breve história da fábrica que se chamava Mabor. Mas que interessa a história para uma multinacional?

FESTAS ANTONINAS  Acabaram as Festas Antoninas e assim se terá gasto um milhão de euros, mas não é disso que o povo gosta? Satisfazer o povo é o lema de quem governa, mesmo que se ignorem tantas coisas, bem importantes, de que o povo precisa.

OPOSIÇÃO  Pelo que me foi dado ler e ver, a oposição PS famalicense não está contente pelo facto de receber uma convocatória para a reunião quinzenal da câmara acompanhada por centenas de páginas dois dias antes da data da reunião e assim, na altura da votação de assuntos importantes que exigem leitura e estudo, vota contra ou abstém-se com forte desagrado da maioria. Mas poderia a oposição votar de outro modo? Não se pode votar a favor de algo de que não se tem conhecimento bem fundamentado.

(Em Jornal de Famalicão, 26/06/26)

quinta-feira, 28 de maio de 2026

Parques de estacionamento e meios de comunicação social locais

PROMESSA DE HÁ MAIS DE VINTE ANOS – Em Janeiro de 2004, o presidente da câmara Armindo Costa anunciava numa sessão da Assembleia Municipal na "Informação do Presidente" o propósito firme de fazer da estação e de toda a sua envolvente um "exemplo de qualidade e excelência, num autêntico processo de requalificação e dinamização urbana". Sobre isto escrevi uma palavra apenas: "óptimo. É disso que precisamos!”. Escrevi ainda com base nessa informação do presidente: "Assinale-se também a criação de um interface rodoferroviário e estacionamento público coberto, distribuído por dois pisos e dotado de 380 lugares, com ligação inferior à estação e suas plataformas de embarque". E acrescentava: "O interface rodoviário é essencial e o estacionamento coberto com a dimensão apresentada é um projecto arrojado, merecendo ambos aplauso". (*)

MAIS DE 22 ANOS DEPOIS – Já passaram mais de 22 anos (25 da Coligação PSD/CDS) e nem a requalificação da zona da estação, nem o  parque de 380 lugares. Apenas uma simples promessa há dias, no fim de uma reunião camarária, de que esse parque de estacionamento está em estudo (!) e vai avançar. Não sabemos  se vai ser uma concretização deste projecto por cima (mais arrojado ainda, como devia) ou por baixo ou ainda nada.  Tentaremos acompanhar, embora o mais provável será a câmara ficar-se mais uma vez pelas palavras. 

O PARQUINHO DO CENTRO DE SAÚDE – Entretanto, num vídeo bem elaborado, o jornal digital Cidade Hoje diz-nos que a câmara municipal vai abrir um concurso público para um parque de estacionamento de automóveis junto do centro de saúde e muito perto da estação ferroviária. Só que o vídeo não nos diz nem o preço, nem a quantidade de lugares. Procurei informação noutro lado (Jornal de Notícias e Notícias de Famalicão digital). O valor da empreitada é de mais 2 milhões e 600 mil euros para 79 lugares, dos quais 48 cobertos. Fazendo as contas, cada lugar vai custar mais de 32.500 . E se fizermos as contas só aos lugares cobertos temos um custo de mais de 50.000  por cada lugar. Um bocado caro, não é? A oposição PS votou contra. Não basta! É preciso explicar aos famalicenses que não se gasta assim o nosso dinheiro. Se for preciso publicar e divulgar um pequeno folheto impresso, contribuo para o custear. É que há  alternativas muito melhores e muito mais baratas.

ANTÓNIO JOAQUIM – Luís Paulo Rodrigues no Notícias de Famalicão e o Dr. João Afonso Machado neste Jornal de Famalicão, de 21 de Maio de 2026, evocavam a memória de António Joaquim de  Miranda  Pinto da Silva, recentemente falecido, enaltecendo as suas qualidades de investigador da nossa história local: "o maior conhecedor da história de Famalicão", nas palavras  de João Afonso. Não lidei de perto com o Dr. António Joaquim, mas nas vezes que conversei com ele no Arquivo Municipal impressionou-me, para além do conhecimento que tinha da história de Famalicão, a sua modéstia. Não se vangloriava do seu saber, que era muito. 

MEIOS DE COMUNICAÇÃO SOCIAL LOCAIS – Porventura a lista não é completa nem rigorosa, mas entre os meios de comunicação social locais temos: o Cidade Hoje (jornal e rádio), O Povo Famalicense (jornal semanal impresso gratuito), Editave (jornal Opinião Pública, Rádio Digital e FamaTV), Famalicão Canal (jornal e TV), A Nossa Terra (Ribeirão – jornal impresso), Notícias de Famalicão (jornal digital) e o decano de todos eles, Jornal de Famalicão (jornal semanal impresso).

CONTROLO DOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO SOCIAL – A câmara municipal controla ou tenta controlar os meios de comunicação social locais. Tenho-o dito e mantenho. Prova disso é, por exemplo, o montante dos gastos com o apoio às empresas que são proprietárias desses meios de comunicação social que não primam pela isenção e que a câmara municipal esconde. Bem se pergunta quanto gastou efectivamente, de forma bem discriminada e fácil de entender, com cada uma dessas empresas locais em 2024 e em 2025 e a Câmara "torce-se toda" e não informa correctamente. 

OUTROS ASSUNTOS – São tantos os assuntos do nosso município que precisam de ser tratados que não podemos sequer mencioná-los aqui. Entre os mais recentes destaca-se a derrapagem de 3 milhões e 500 mil euros em obras municipais. Cabe aos meios de comunicação social locais e às oposições fazer esse trabalho. Meios de comunicação social locais que não escrutinem o poder são meras cópias, com outro formato, do efe.

ÁRVORES VERDES – A minha rua só tem árvores escuras. Uma delas secou e outras estão tortas e mal tratadas. Em vez delas ponham lá árvores de folhas verdes, imploro!

(*) Jornal Opinião Pública, 19/01/04, transcrito no meu livro As Assembleias Municipais Precisam de Reforma – Diário da Assembleia Municipal de Vila Nova de Famalicão – 2002 a 2005, pp. 205-206, editado em 2006.

(Em Jornal de Famalicão, 28/05/26)