quinta-feira, 22 de outubro de 2026

Rodovia e ferrovia

12 MIL AUTOCARROS POR MÊS – A nossa estação rodoviária tem um bom aspecto, é interiormente espaçosa e o jornal O Povo Famalicense titulava recentemente que "12 mil autocarros por mês mantêm Famalicão ligado ao país". Isto significa uma média de 400 autocarros por dia, o que não deixa de impressionar e pode dizer-se que, em geral, nas ligações ao país, a rodovia serve muito melhor do que a ferrovia.

AUTOCARROS DE FAMALICÃO PARA AS CIDADES VIZINHAS – No entanto, não temos boas ligações rodoviárias com cidades vizinhas. Boas ligações significa ligações rápidas que concorram com o automóvel e se elas existem de Famalicão para o Porto (autoestrada), já não existem para Braga, Barcelos, Guimarães (só pela EN em mau estado e com muitas paragens), Póvoa (só no Verão) e Santo Tirso. Uma deslocação rápida para estas cidades só de automóvel particular. De notar, no entanto, boas ligações ferroviárias para Braga e Porto (melhor, Ermesinde).

BRAGA–FAMALICÃO–PORTO – Já tivemos em tempos boas ligações rodoviárias para Braga e para o Porto (centro da cidade) com autocarros que paravam em Famalicão. Será que desapareceram com a chegada da autoestrada? Se assim foi, Famalicão ficou muito prejudicada.

ORÇAMENTO DO ESTADO: 63,44 MILHÕES DE EUROS – O Diário do Minho do passado domingo, dia 11 de Outubro, informava que a câmara e freguesias de Vila Nova de Famalicão vão receber 63,44 milhões de euros do Orçamento do Estado para 2027. É uma boa quantia para integrar o próximo orçamento se tivermos em conta que o orçamento de 2026 foi de 256 milhões de euros, o maior da história da autarquia. Importa saber, no que respeita ao município, como e onde vai ser gasto. O debate, que deverá ter lugar certamente, esclarecerá.

ILUMINAÇÕES DE NATAL – No princípio desta semana, a 12 dias do fim do mês de Outubro, já estão a ser colocadas nas árvores iluminações que devem ser para o Natal. Faltam ainda mais de dois meses, mas isso que interessa?

TOPONÍMIA – Cabe às juntas de freguesia cuidar da sinalização das avenidas, ruas e praças dentro do seu território. Trata-se de colocar placas bem visíveis e nos lugares certos. Em Famalicão, isso está longe de acontecer, pelo menos na cidade.

BNU – Ainda há que se lembre do Banco Nacional Ultramarino (BNU), em frente à Fundação Cupertino de Miranda? Aquele prédio negro está desocupado há décadas. Porquê? Não há nada a fazer por parte da câmara?

ÓPTICAS – Na Rua Adriano Pinto Basto do lado esquerdo, no sentido Braga–Porto, há três estabelecimentos de óculos seguidos e muitos outros há na cidade. Não é um exagero? Qual a explicação? Certamente haverá, mas desconheço-a.

VETERANOS DE GUERRA – Chegam-me frequentemente informações e pedidos de atenção para assuntos diversos. Procuro dar-lhes atenção, mas nem sempre isso é possível, pois o tempo é escasso. Recebi, há algumas semanas, através da caixa de correio do JF, informações de um veterano de guerra, Francisco Castro, alertando para os problemas dos ex-combatentes que não vêem tidos em conta os seus direitos. Considero que aqueles que foram mobilizados para combater nas duras guerras de Angola, Guiné e Moçambique, muitos deles sofrendo desgaste e traumas que perduram, deveriam ser atentamente ouvidos e atendidos.

HUMANIZAÇÃO DOS HOSPITAIS – Recebi recentemente um livro da Fundação Francisco Manuel dos Santos que abordava a desumanização que se verifica nos hospitais em Portugal. Os doentes frequentemente são mais uma pulseira do que uma pessoa.

(Em Jornal de Famalicão, 22/10/26)

quinta-feira, 24 de setembro de 2026

Um passeio a pé pelo centro da cidade (EN n.º 14) que muito revela

COMEÇO DO PASSEIO – Os Paços do Concelho são o emblema da cidade, estando situados junto à Estrada Nacional n.º 14 – Porto–Braga. Convido o leitor, depois de apreciar o edifício de Januário Godinho, a fazer um passeio a pé, começando junto ao canteiro central do jardim.

LADO SUL – Se seguir para o lado do Porto, passeará por uma rua relativamente bem cuidada denominada rua Adriano Pinto Basto. Atravessará a Avenida 25 de Abril, continuará pela mesma rua, terá pena ao ver o estado em que se encontra a Íris, verá diversos estabelecimentos comerciais de um e outro lado da rua e apreciará o Museu Bernardino Machado. Verificará, mais abaixo, que o prédio do ex-Hotel Garantia foi reabilitado e chegará à Praça Dona Maria II, onde se gastaram recentemente mais de quatro milhões de euros (4.000.000€) para a embelezar. Verá depois o edifício da Fundação Cupertino de Miranda e, continuando pela antiga EN n.º 14, apreciará do lado direito estabelecimentos e cafés e do lado esquerdo uma zona arborizada, um pequeno parque infantil e repuxos luminosos. Não faltou dinheiro para gastar ali.

LADO NORTE – Se começar pelo lado de Braga, observará, no entanto, outra cidade, dentro da cidade. Terá pela frente a mal desenhada e maltratada Praceta Lino Lima, entrará na rua Conselheiro Santos Viegas e reparará no péssimo estado do pavimento da rua e num edifício emblemático (onde chegou a funcionar transitoriamente a câmara municipal nos anos 50 do século passado) em ruínas, passará pelo Supermercado Bandeirinha e depois de atravessar o cruzamento com as ruas Cupertino de Miranda e Ana Plácido entrará na rua Sousa Fernandes, com um passeio do lado direito onde as pessoas têm de circular em fila indiana (!!!) e do lado esquerdo terá um passeio pouco mais largo com um prédio de seis andares, várias vivendas e uma clínica veterinária. Chegará à rotunda de Santo António, que é um perigo para os peões que queiram seguir em frente para o lado de Braga, devendo ter muito cuidado com a "pista" 9 de Julho e a "pista" Carlos Bacelar, e entrará na renovada e bem cuidada Avenida Eng. Pinheiro Braga, muito mal ladeada. Verá do lado esquerdo o parque de estacionamento do E.Leclerc e do lado direito da avenida contemplará dois largos parques de estacionamento de latas circulantes para servir o Lidl e o Continente e findará o passeio no bem feio edifício do Tribunal.

CONCLUSÃO – Vejam os passeantes a diferença entre o lado sul e o lado norte da cidade. Ela é bem o retrato de como é maltratada a nossa cidade do ponto de vista urbanístico. Nem houve adequado planeamento e o lado norte, na parte mais alta, é claramente desprezado. Bem poderia ser a cidade nova e é um mar de latas de transporte de passageiros para apoio a superfícies comerciais. E nem sequer é bem tratada a partir dos Paços do Concelho. É a política urbanística que temos!

ASSUNTOS NÃO FALTAM – E não resta espaço para tratar de muitos outros assuntos da cidade e do concelho. Como bem disse o Dr. Agostinho Fernandes em recente carta, é "escassa comunicação social ainda existente em V. N. Famlicão". Tantos temas e tanto escrutínio que não são objecto de atenção e deviam!

CALOR – Digitalizo estas linhas na terça-feira, dia 22 de Setembro, num dia de muito calor (36º). Calor que já vem de dias (semanas) anteriores e está acompanhado de incêndios rurais por aqui perto. Em contraposição, quem entrar no interior da ampla estação rodoviária corre o risco de sentir um choque térmico, tal o frio que o ar condicionado ali provoca.

(Em Jornal de Famalicão, 24/09/26)

quinta-feira, 17 de setembro de 2026

As festas e romarias no concelho

FESTAS NO CONCELHO – Não deve haver nenhuma das 49 freguesias do nosso concelho que não tenha uma ou mais festas religiosas durante o ano (Mouquim será excepção?). Elas começam logo em Janeiro e vão até Dezembro, tendo o ponto mais alto no Verão. Pena é que não haja um levantamento dessas festas e romarias para termos uma informação delas correcta e detalhada. Estou certo que o município apoiaria. De qualquer modo, não deverá ser um qualquer levantamento, mas antes feito cuidadosamente por pessoa competente.

ANTONINAS – Estas festas não se confundem com as Festas Antoninas, que são fundamentalmente organizadas pela câmara municipal, muitíssimo caras e com uma parte religiosa claramente secundarizada. Pelo contrário, as festas que se realizam pelas freguesias do concelho são, em regra, de iniciativa local, com uma comissão de festas e certamente com algum apoio da câmara municipal.

FESTAS DE SANTO ADRIÃO – Nos dias 12 e 13 de Setembro de 2026 realizaram-se as festas de Santo Adrião, uma festa genuína com uma comissão de festas local. Assisti à passagem da procissão, que saiu da Matriz Nova da cidade no domingo, dia 13, pelas 10h, com os escuteiros e as guias à frente, seguindo-se vários andores, figurantes, o pálio e acompanhantes. Uma procissão bem típica!

ESCUTEIROS – Uma riqueza do nosso concelho são os agrupamentos de escuteiros, que em Famalicão são numerosos e nos fazem recordar o Pe. Manuel Costa Rego e a dedicação que lhes deu. Mas também desfilaram as guias, merecendo igual referência.

CAPELA DE SANTO ADRIÃO – No dia 12 visitei a Capela de Santo Adrião, bem arranjada, e sobre ela muito se falou em conversa. Já foi igreja da paróquia? Foi deslocada para o actual lugar por ocasião da construção da linha dos caminhos de ferro? Tinha um cemitério próximo, mais junto da actual Avenida 9 de Julho? Muitas perguntas, muitas opiniões e poucos documentos.

PADRE JOAQUIM MOREIRA – Vai regressar à Etiópia muito em breve o missionário comboniano Pe. Joaquim Moreira. Nos tempos de hoje é bom saber que há quem ainda vá integrar-se em comunidades de terras longínquas para as ajudar e dar a conhecer a Boa Nova.

RESPONSÁVEL POR ACESSO À INFORMAÇÃO (RAI) – A responsável pelo acesso à informação no concelho de Vila Nova de Famalicão é Telma Silva. Cabe-lhe, nos termos do artigo 9.º da Lei de Acesso aos Documentos Administrativos, organizar e promover as obrigações de divulgação activa a que está vinculado o município, acompanhar a tramitação dos pedidos de acesso a documentos em posse da câmara municipal e estabelecer a articulação necessária ao exercício das competências da Comissão de Acesso aos Documentos Administrativos (CADA). Tarefas de muita responsabilidade sobre as quais pretendo ter mais informação.

VESPA VELUTINA – A vespa asiática, como é vulgar ser designada, é o terror das nossas abelhas, que produzem o precioso mel. O combate contra elas deve ser constante e sem desânimo, pese a luta desigual. Fiquei a saber que no ano de 2025 foram destruídos 1845 ninhos de vespa velutina só no nosso concelho (Google, disse!). Perguntei, esperando resposta, quanto ninhos foram destruídos este ano (data do último registo).

VESPA VELUTINA II – Para informar os serviços de protecção civil do município, que têm a seu cargo a luta contra esta praga, deve ser utilizado o n.º 252 317 336. É um dever dar a conhecer a localização desses ninhos e é um direito esperar que eles sejam destruídos rapidamente.

PAVIMENTOS EM PARALELOS – Temos – e isso é bom – pavimentos nas ruas da cidade em paralelos de granito. Eles duram muito tempo e permitem a permeabilização dos solos, só que precisam de cuidados persistentes de modo a possibilitar uma circulação segura de veículos. Temos na cidade – e seguramente fora dela – vários pavimentos desses, em muito mau estado.

(Em Jornal de Famalicão, 17/09/26)

sexta-feira, 11 de setembro de 2026

A urbe famalicense

ARQUITECTO E URBANISTA – A inteligência artificial diz e a inteligência humana subscreve: a principal diferença entre um arquitecto e um urbanista está na escala e no enfoque do seu trabalho. O arquitecto está focado na escala do edifício e do ambiente construído, desenhando casas, prédios, interiores e detalhando a estética, os materiais e a funcionalidade de um espaço privado ou público. Por sua vez, o urbanista tem horizontes mais largos e está focado na escala macro, planeando cidades inteiras, bairros, o crescimento urbano, a mobilidade, o saneamento e as políticas públicas de ocupação territorial.

URBANISTA – Em Famalicão temos nos serviços da câmara municipal muitos arquitectos, mas não conheço um ou uma urbanista. Pode ser que exista, mas não é conhecido/a pela generalidade dos munícipes. E precisamos tanto de um(a) urbanista a tempo inteiro de elevada qualidade que planeie e comunique connosco!

CIDADE – A nossa cidade cresce desordenadamente. Devíamos ter no centro dela  habitação, comércio e serviços públicos. Em vez disso, damos prioridade a várias  superfícies comerciais. E anuncia-se mais uma para junto do hospital. Estão de parabéns os governantes de turno…

PISTA CARLOS BACELAR – Entrar na Avenida (?) Carlos Bacelar para quem sai da Rua Ana Plácido é um risco. A visibilidade para o lado da Póvoa é muito limitada. Para quando a construção da prometida rotunda (esperemos que simples) que facilite a circulação naquele local? Importa que a Carlos Bacelar deixe de ser uma pista para passar a ser uma avenida. E importa que haja possibilidade de fácil acesso ao Parque de Sinçães para quem mora do lado poente deste.

efe – Saiu mais um número do efe (Agosto 2026). A propaganda PSD/CDS continua. Opinião? Só uma, a do presidente e director Mário Passos. E nós continuamos a pagar!

OPOSIÇÃO – Não temos oposição à altura. Longe disso. É pena! Quem sofre é o concelho.

REABILITAÇÃO URBANA – Sempre que se opera uma reabilitação de prédios no centro da cidade ficamos contentes. Estão em curso algumas, mas há ainda tanto por fazer! 

PARQUE NORTE DE SINÇÃES – Dói ver a quantidade de dinheiro que se está a gastar no Parque de Sinçães Norte quando o que se precisava é de fazer a ligação deste parque com o de Sinçães e deste com o Parque da Devesa. A cidade ficaria enriquecida com os três parques ligados. Para isso era preciso um/a urbanista à altura, mas não temos. Nem urbanista, nem câmara com capacidade para tal.

HOSPITAL PRIVADO – É de lamentar que não haja em Famalicão um hospital privado de qualidade tal como acontece em Braga (3), Guimarães, Póvoa/Vila do Conde e Trofa. É certo que temos um hospital privado Trofa Saúde, mas em instalações inaceitáveis. 

RAI – Sabem os leitores que temos, como manda a lei, uma RAI (Responsável de Acesso à Informação) no nosso município? Daremos notícia mais detalhada depois de obter mais informação.

(Em Jornal de Famalicão, 10/09/26)

domingo, 6 de setembro de 2026

Uma vitória política em toda a linha de Mário Passos

Não sou jornalista, mas sou titular do poder político no município de Vila Nova em Famalicão juntamente e em pé de igualdade com os mais de 130.000 eleitores do meu concelho. Sim! São os munícipes (todos os munícipes) os titulares do poder político do concelho a que pertencem, sendo os órgãos eleitos (câmara e assembleia municipal) representantes dos titulares do poder e não donos.

É nessa qualidade de titular do poder político que escrevo estas linhas neste jornal, pois no meu município não há jornais impressos em Agosto. Assisti recentemente aos actos políticos que se descrevem sucintamente. O Partido Socialista de Famalicão apresentou, em reunião de câmara, uma proposta de homenagem a dois ex-presidentes de câmara (um do PS, outro do PSD) que exerceram funções durante mais de uma década, através do nome de um, dado a um parque, e do nome de outro, dado a uma casa de espectáculos.

O presidente da câmara, Mário Passos, manifestamente não gostou da ideia e rejeitou a proposta em reunião extraordinária da câmara municipal no mês de Julho (dia 3) depois de algumas peripécias nada abonatórias do dever de agendamento e aprovando, ao mesmo tempo, uma proposta alternativa de homenagem muito mais alargada.

A Comissão Política Concelhia do PSD, que tinha manifestado concordância com a proposta do PS, reagiu de imediato, criticou publicamente essa rejeição e foi mais longe: retirou a 16 de Julho a confiança política do PSD a Mário Passos e aos outros membros da câmara eleitos pelo PSD.

Mário Passos ficou numa situação delicada. Foi eleito pelo PSD, mas o PSD deixou de confiar politicamente nele. Chuva de pouca dura. O PSD a nível nacional e distrital movimentou-se e fez uma reunião alargada para resolver este problema no dia 20 de Julho. Não foi uma reunião qualquer, pois nela participaram o Secretário-Geral da Comissão Política Nacional, o Coordenador Autárquico Nacional, o Presidente da Comissão Política Distrital de Braga, o Presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão e o Presidente da Comissão Política Concelhia do PSD de Vila Nova de Famalicão.

Na sequência dessa reunião saiu, no dia 1 de Agosto de 2026, um comunicado da Comissão Política concelhia do PSD em que o PSD nacional e concelhio manifestam incondicional apoio a Mário Passos, quer na recusa da proposta de homenagem apresentada pelo PS, considerada redutora, quer na acção desenvolvida pela câmara considerada excelente. Vitória em toda a linha de Mário Passos e derrota completa da Comissão Política Concelhia de Vila Nova de Famalicão do PSD. Derrota que, em condições normais, levaria a uma digna demissão por parte desta Comissão. Nada disso aconteceu. Mário Passos ganhou esta luta e a Comissão Concelhia ajoelhou politicamente perante o Presidente. Está de parabéns, Mário Passos!

P.S.: Será que isto ficará por aqui? Só o tempo o dirá.

(Em Diário do Minho, 06/08/26 - também publicado no blogue Democracia Local)

sexta-feira, 31 de julho de 2026

Gerir o município de Famalicão

GERIR FAMALICÃO – Temos dito e repetido que gerir o município de Famalicão não é tarefa fácil, pois é um dos mais populosos municípios do país, ocupando o lugar 19.º entre os 20 municípios mais populosos. Portugal tem no total 308 municípios, mas por ser difícil gerir o município, mais exigentes devemos ser. É opinião muito divulgada afirmar que não temos actualmente um governo municipal à altura, mas ao mesmo tempo dizer que não temos uma alternativa credível.

QUE FAZER? – Nestas circunstâncias, que fazer? A nosso ver, preparando desde já para as eleições de 2029 duas boas listas. Dizemos duas, porque, seja qual for a que vença, o concelho ficará sempre a ganhar. De onde devem elas surgir? Tendo em conta o nosso histórico, devem surgir do PSD/CDS, ultrapassando a crise que esta coligação atravessa, e do PS, que tem de compreender que atravessa também uma crise e não pequena. Mas há ainda outra possibilidade, que é a de se constituir um movimento de independentes que ultrapasse a incapacidade dos dois principais partidos do nosso concelho para gerar o governo municipal de que precisamos.

efe – Saiu o n.º 3 do mentiroso boletim municipal que dá pelo nome de efe. É mentiroso, porque se fosse um boletim municipal teria de cumprir a lei e assim cumprir o artigo 56.º, n.º 1, da Lei n.º 75/2013, de 12 de Setembro (Lei das Autarquias Locais), que ordena a publicação no boletim "das deliberações dos órgãos das autarquias locais, bem como as decisões dos respectivos titulares destinada a ter eficácia externa" e cumprir o artigo 10.º, n.º 5, da Lei n.º 24/98, de 26 de Maio (Estatuto do Direito de Oposição),  que manda publicar no boletim municipal o relatório de avaliação do grau de observância do respeito pelos direitos e garantias da oposição que a câmara tem obrigação de elaborar até ao fim de Março do ano subsequente àquele a que se refira, ou seja, deveria publicar no boletim de Maio-Junho de 2026, acabado de sair, o relatório de 2025. Mas que importa a lei para o efe?

TROTINETAS – As trotinetas constituem um perigo para quem circula nos passeios da nossa cidade. Os peões julgam que circulam em segurança e de repente elas surgem, muitas vezes com uma velocidade muito elevada que nos ultrapassam (são as mais perigosas), ou surgem na nossa frente. É preciso pôr fim a este abuso.

INCÊNDIOS RURAIS – O nosso concelho foi atingido recentemente por sérios incêndios rurais (primeira metade do mês de Julho). "Inferno de Dante", chamou-lhes Mário Martins n' O Povo Famalicense. Sobre eles falta informação. Qual a área ardida? A câmara tem esses números? Deveriam ser notícia.

ÁREA METROPOLITANA DO MINHO – Os jornais noticiam movimentações para a criação de uma área metropolitana do Minho. Lideram esse projecto os municípios de Braga e Guimarães, a que se juntaram os municípios de Famalicão, Barcelos e Viana do Castelo. Tenho muitas reservas quanto a este projecto, que precisa de um amplo debate público. Que se pretende com esta organização? Rivalizar com as áreas metropolitanas de Lisboa e Porto, que são "grandes áreas urbanas"? Mas a agora proposta não tem população que se lhes compare. Mas pior ainda: será que vão deixar de fora os municípios do resto do Minho e, nomeadamente, do Alto Minho? E que dizer dos municípios que ficam a leste de Guimarães e vários são? E os municípios dos distritos de Vila Real e de Bragança vão ser secundarizados? Há muito que debater e explicar.

FEIRA DE ARTESANATO E GASTRONOMIA – A Feira de Artesanato e Gastronomia, com despesa orçamentada de quase meio milhão de euros (a despesa efectiva será seguramente superior),  é a promoção do artesanato e de restaurantes de fora do concelho. Mais um exemplo de má gestão do nosso dinheiro. Uma boa gestão apoiaria fortemente o nosso artesanato e os nossos restaurantes. E mesmo assim sobraria dinheiro para termos atracções de fora, mas nada disso. Nem apoio, nem lugar na feira! Felizmente o PS votou contra!

IMPRENSA LOCAL – O mês de Agosto é o mês do fecho para férias da imprensa local escrita. É pena. Nem um? Bem poderia haver um acordo para ser publicado pelo menos um jornal, sem prejuízo das férias. Temos de ler jornais regionais (Diário do Minho e Correio do Minho) ou nacionais (Jornal de Notícias) para sabermos notícias de Famalicão através da imprensa. Entretanto, na despedida para férias, a câmara municipal inundou de publicidade dois jornais impressos (não o Jornal de Famalicão). E a câmara continua a recusar dizer com clareza quanto gastou em 2025 com a publicidade na imprensa local. Pudera! Há despesas que é melhor esconder.

(Em Jornal de Famalicão, 30/07/26)

quinta-feira, 16 de julho de 2026

De que precisa o nosso hospital?

PRIORIDADES DO HOSPITAL – O nosso hospital precisa urgentemente de ser ampliado, devendo a câmara municipal, para esse efeito, não só pressionar oportuna e inoportunamente este governo ou outros que lhe sucederem, mas também dispor-se a participar com meios financeiros nessa ampliação. Também a construção de um hospital de cuidados continuados junto dele (há terrenos a norte) para libertar camas do hospital é muito importante. Como importante é colocar à disposição de médicos, enfermeiros e outro pessoal hospitalar habitações com rendas acessíveis. Ainda é de todo o interesse facilitar o acesso ao hospital, dando prioridade às ambulâncias e outros veículos (e não a todos) que a ele se dirijam, a partir da Avenida 9 de Julho.

PRIORIDADES DA CÂMARA – Isso seria seguramente o que faria um governo municipal com visão. Mas não o temos. A câmara municipal o que acha natural é colocar, junto do hospital, uma superfície comercial, abrindo para o efeito uma espécie de avenida (de pouco mais de 100 metros) e afogando de trânsito a zona que cerca o hospital e que já está saturada. (E andamos há mais de 25 anos para resolver a necessária ligação da urbanização Talvai e Santo Adrião ao centro da cidade!)

ELEVAÇÃO A CIDADE – Vila Nova de Famalicão pode comemorar a elevação a cidade quando entender, mas importa ter presente que a nossa terra foi elevada a cidade a 14 de Agosto de 1985, pela Lei n.º 40/85 dessa data. No mesmo dia foram elevadas a cidade mais dez vilas, a saber: Águeda, Amarante, Montijo, Olhão da Restauração, Peso da Régua, Ponte de Sor, Rio Maior, Santo Tirso, Torres Novas e Vila da Feira, que passou a denominar-se Santa Maria da Feira.

ELEVAÇÃO A CONCELHO – Também a elevação de Famalicão a concelho não ocorreu em 1835 como está "oficialmente" divulgado, mas antes por Decreto de 6 de Novembro de 1836, da responsabilidade de Passos Manuel. Passos Manuel que nem sequer tem uma rua importante na nossa cidade.

TSF – A TSF esteve no dia 9 de Julho de 2026 na Casa das Artes, participando nas comemoração da elevação de Vila Nova de Famalicão a cidade. Ouvi e retive as intervenções do professor João Cerejeira e de Dora Gaspar, diretora-geral da TECMEAT – Centro Tecnológico. Gostaria de referi-las.

POLÉMICA – Vive-se em Famalicão uma polémica à volta de uma proposta de homenagem aos dois presidentes de câmara municipal (Agostinho Fernandes e Armindo Costa) que mais tempo geriram o nosso concelho desde a sua fundação em 1836. O único que se aproxima e que dirigiu o nosso concelho durante cerca de 12 anos foi Álvaro Marques (1945-1957). Essa polémica está devidamente contada no Jornal de Famalicão de 9 de Julho de 2026. A meu ver, é preciso mais distanciamento para apreciar o que se passou e levou à recusa dessa homenagem por parte da maioria da câmara municipal e à aprovação de proposta alternativa.

NOMEAÇÕES – Não bastava a troca de lugares na administração dos hospitais subsequente à entrada em funções do Governo da AD. Agora ficamos a saber que também 15 das 18 cadeiras distritais da Segurança Social foram agora ocupadas por militantes do PSD. Não é coisa que o PS não tenha feito de modo semelhante no tempo em que foi governo. Mas um erro não justifica outro. E o PSD cometeu-o escandalosamente.

(Em Jornal de Famalicão, 16/07/26)