quinta-feira, 16 de julho de 2026

De que precisa o nosso hospital?

PRIORIDADES DO HOSPITAL  O nosso hospital precisa urgentemente de ser ampliado, devendo a câmara municipal, para esse efeito, não só pressionar oportuna e inoportunamente este governo ou outros que lhe sucederem, mas também dispor-se a participar com meios financeiros nessa ampliação. Também a construção de um hospital de cuidados continuados junto dele (há terrenos a norte) para libertar camas do hospital é muito importante. Como importante é colocar à disposição de médicos, enfermeiros e outro pessoal hospitalar habitações com rendas acessíveis. Ainda é de todo o interesse facilitar o acesso ao hospital, dando prioridade às ambulâncias e outros veículos (e não a todos) que a ele se dirijam, a partir da Avenida 9 de Julho.

PRIORIDADES DA CÂMARA  Isso seria seguramente o que faria um governo municipal com visão. Mas não o temos. A câmara municipal o que acha natural é colocar, junto do hospital, uma superfície comercial, abrindo para o efeito uma espécie de avenida (de pouco mais de 100 metros) e afogando de trânsito a zona que cerca o hospital e que já está saturada. (E andamos há mais de 25 anos para resolver a necessária ligação da urbanização Talvai e Santo Adrião ao centro da cidade!)

ELEVAÇÃO A CIDADE  Vila Nova de Famalicão pode comemorar a elevação a cidade quando entender, mas importa ter presente que a nossa terra foi elevada a cidade a 14 de Agosto de 1985, pela Lei n.º 40/85 dessa data. No mesmo dia foram elevadas a cidade mais dez vilas, a saber: Águeda, Amarante, Montijo, Olhão da Restauração, Peso da Régua, Ponte de Sor, Rio Maior, Santo Tirso, Torres Novas e Vila da Feira, que passou a denominar-se Santa Maria da Feira.

ELEVAÇÃO A CONCELHO  Também a elevação de Famalicão a concelho não ocorreu em 1835 como está "oficialmente" divulgado, mas antes por Decreto de 6 de Novembro de 1836,  da responsabilidade de Passos Manuel. Passos Manuel que nem sequer tem uma rua importante na nossa cidade.

TSF  A TSF esteve no dia 9 de Julho de 2026 na Casa das Artes, participando nas comemoração da elevação de Vila Nova de Famalicão a cidade. Ouvi e retive as intervenções do professor João Cerejeira e de Dora Gaspar, diretora-geral da TECMEAT – Centro Tecnológico. Gostaria de referi-las.

POLÉMICA  Vive-se em Famalicão uma polémica à volta de uma proposta de homenagem aos dois presidentes de câmara municipal (Agostinho Fernandes e Armindo Costa) que mais tempo geriram o nosso concelho desde a sua fundação em 1836. O único que se aproxima e que dirigiu o nosso concelho durante cerca de 12 anos foi Álvaro Marques (1945-1957). Essa polémica está devidamente contada no Jornal de Famalicão de 9 de Julho de 2026. A meu ver, é preciso mais distanciamento para apreciar o que se passou e levou à recusa dessa homenagem por parte da maioria da câmara municipal e à aprovação de proposta alternativa.

NOMEAÇÕES  Não bastava a troca de lugares na administração dos hospitais subsequente à entrada em funções do Governo da AD. Agora ficamos a saber que também 15 das 18 cadeiras distritais da Segurança Social foram agora ocupadas por militantes do PSD. Não é coisa que o PS não tenha feito de modo semelhante no tempo em que foi governo. Mas um erro não justifica outro. E o PSD cometeu-o escandalosamente.

(Em Jornal de Famalicão, 16/07/26)

quinta-feira, 2 de julho de 2026

Urbanização da cidade, superfícies comerciais e hospital

URBANIZAÇÃO – Foi publicado n' O Povo Famalicense de 24 de Junho de 2026 (pp. 11, 12 e 13) um estudo que merece toda a atenção, da autoria do Dr. Daniel Ribeiro de Faria, intitulado "Vila Nova de Famalicão sem os incêndios de 1952: a urbe que poderia ter chegado mais cedo ao futuro". Deste ensaio, que aborda vários temas de muito interesse, destaco a elaboração e aprovação, em 1952, de um anteplano de urbanização (era a designação de então) para a nossa então vila, que resultou da larga visão do presidente da câmara da época, que foi Álvaro Marques.

DESORDENAMENTO – Nunca mais tivemos um presidente de câmara preocupado com o plano de urbanização da nossa cidade. Conviveram todos, até hoje, muito bem com um crescimento da cidade ao sabor dos interesses particulares e assim com o desordenamento que está aí perante os nossos olhos.

A LEI – E tudo isto apesar de a lei actualmente em vigor dizer que "nas sedes do concelho e nas áreas urbanas com mais de 25.000 habitantes, o regime do uso do solo deve ser previsto, preferencialmente, em plano de urbanização municipal" (artigo 98.º, n.º 3, do Decreto-Lei n.º 80/2015, de 14 de Maio). Ainda está para aparecer a câmara e o respectivo presidente que tenham capacidade para fazer um tal plano.

URBANIZAÇÃO DO VINHAL – Entretanto vai ser urbanizado mais um pedaço da cidade, num lugar mais do que discutível e que merecia uma ampla discussão pública. Têm mesmo consciência do que estão a aprovar?

PROLIFERAÇÃO DE SUPERFÍCIES COMERCIAIS – A nossa cidade parece ter, segundo os responsáveis do município, uma clara falta de superfícies comerciais e hipermercados. Dentro do perímetro da cidade há "apenas" seis (6) e por isso a câmara considera desejável uma nova superfície junto do cemitério municipal e outra junto do hospital . Ao menos estas duas, pela sua situação, ficarão muito bem acompanhadas…

NOVO CARTAZ – E bem pode a câmara mandar fazer e divulgar mais um cartaz publicitário, dizendo: "Famalicão, lugar das superfícies comerciais!"

HOSPITAL – A vinda a Famalicão da ministra da Saúde, Ana Paula Martins, no dia 23 de Junho de 2026 não mereceu a atenção e os comentários devidos. Não já quanto à atenção dada à inauguração propriamente dita da Unidade de Saúde Familiar (USF) de Calendário (São Miguel-o-Anjo), mas à interpelação feita pelo presidente da câmara municipal, Mário Passos. Disse este: precisamos de um hospital com capacidade, reabilitado, ampliado com mais serviços e estacionamento. Acrescentou que para isso existe uma solução que considera relativamente barata (entre 20 e 25 milhões de euros), dando execução ao Plano Director Hospitalar.

MINISTRA NÃO SE COMPROMETE – Sobre essa intervenção, a ministra da Saúde declarou que a requalificação e ampliação do Hospital de Vila Nova de Famalicão é uma das prioridades do Governo, mas lembrou que há muitas prioridades e que o Governo não pode dar andamento a todas.

ATITUDE – Será que a câmara e a assembleia municipal vão deixar esquecer este assunto? Devem, a nosso ver, oportuna e inoportunamente lembrar este nosso problema junto do Governo. Assim farão? O tempo o dirá.

SUBURBANOS – Sabem os leitores que há um comboio suburbano Braga-Famalicão-Braga? Os comboios deveriam merecer melhor atenção nossa. A estação e sua envolvente não está à altura da nossa cidade.

MEMÓRIA HISTÓRICA – Voltando aos antigos Paços do Concelho devorado pelos incêndios de 1952, importa dizer que ainda há famalicenses que bem se devem lembrar deles por dentro e por fora. São os que têm mais de 90 anos e boa memória. Era interessante recolher o seu depoimento.

(Em Jornal de Famalicão, 02/07/26)

sexta-feira, 26 de junho de 2026

Pneus, festas e oposição

18.000.000 de PNEUS  Li recentemente uma informação proveniente da Continental (uma multinacional) que lembrava que em Lousado se produz pneus desde 1946 (há 80 anos) e que desde a integração, em 1990, na Continental, a fábrica cresceu de tal modo que hoje tem "uma capacidade anual de produção superior a 18 milhões de pneus e é um dos maiores empregadores da região de Vila Nova de Famalicão, contando com cerca de 3.200 colaboradores".

50.000 PNEUS POR DIA – Correndo o risco de ser polémico, estes dados não me entusiasmam e antes me preocupam. Será que é assim tão bom do ponto de vista ambiental (e não só do ambiente do nosso território, mas do ambiente em geral) que tenhamos uma fábrica capaz de produzir 50.000 pneus por dia? Já se atentou bem no que isso significa em termos de transporte desde Lousado para o destino, que não pode ser naturalmente o nosso país e no lixo que esses pneus vão a prazo causar?

PIB  Claro que se vai dizer que isso não é problema, que a produção de pneus está ambientalmente sustentada, que nenhum perigo existe e o que importa é crescer cada vez mais. Porém, para quem acredita, como acredito, que o crescimento incessante do PIB (Produto Interno Bruto) não é bom para os seres humanos e que ele produz graves perigos a prazo, essa argumentação não convence.

FAMALICÃO EXPORTADOR  E muito menos convence dizer que isso é bom para Famalicão, pois assim (com esta e outras indústrias) é o terceiro município exportador do país, o que deve ser motivo de orgulho. Preferia, como famalicense, ter orgulho por outras razões que não esta.

HERESIA POLÍTICA  Tenho consciência da heresia que esta opinião representa num país e num mundo onde o crescimento económico, medido pelo PIB, é a razão de ser de qualquer país que se queira desenvolvido.

DECRESCIMENTO  Sou adepto desde há muito do decrescimento. Uma corrente política que olha para a relação do homem com a natureza de modo muito diferente. Podemos viver muito melhor com muitos menos pneus e quem diz pneus diz tantos bens que em vez de nos darem mais liberdade e felicidade nos aprisionam no consumo.

HISTÓRIA  Um apontamento mais. Bem podia a informação sobre os 80 anos da produção de pneus em Lousado celebrada pela multinacional incluir uma breve história da fábrica que se chamava Mabor. Mas que interessa a história para uma multinacional?

FESTAS ANTONINAS  Acabaram as Festas Antoninas e assim se terá gasto um milhão de euros, mas não é disso que o povo gosta? Satisfazer o povo é o lema de quem governa, mesmo que se ignorem tantas coisas, bem importantes, de que o povo precisa.

OPOSIÇÃO  Pelo que me foi dado ler e ver, a oposição PS famalicense não está contente pelo facto de receber uma convocatória para a reunião quinzenal da câmara acompanhada por centenas de páginas dois dias antes da data da reunião e assim, na altura da votação de assuntos importantes que exigem leitura e estudo, vota contra ou abstém-se com forte desagrado da maioria. Mas poderia a oposição votar de outro modo? Não se pode votar a favor de algo de que não se tem conhecimento bem fundamentado.

(Em Jornal de Famalicão, 26/06/26)

quinta-feira, 28 de maio de 2026

Parques de estacionamento e meios de comunicação social locais

PROMESSA DE HÁ MAIS DE VINTE ANOS – Em Janeiro de 2004, o presidente da câmara Armindo Costa anunciava numa sessão da Assembleia Municipal na "Informação do Presidente" o propósito firme de fazer da estação e de toda a sua envolvente um "exemplo de qualidade e excelência, num autêntico processo de requalificação e dinamização urbana". Sobre isto escrevi uma palavra apenas: "óptimo. É disso que precisamos!”. Escrevi ainda com base nessa informação do presidente: "Assinale-se também a criação de um interface rodoferroviário e estacionamento público coberto, distribuído por dois pisos e dotado de 380 lugares, com ligação inferior à estação e suas plataformas de embarque". E acrescentava: "O interface rodoviário é essencial e o estacionamento coberto com a dimensão apresentada é um projecto arrojado, merecendo ambos aplauso". (*)

MAIS DE 22 ANOS DEPOIS – Já passaram mais de 22 anos (25 da Coligação PSD/CDS) e nem a requalificação da zona da estação, nem o  parque de 380 lugares. Apenas uma simples promessa há dias, no fim de uma reunião camarária, de que esse parque de estacionamento está em estudo (!) e vai avançar. Não sabemos  se vai ser uma concretização deste projecto por cima (mais arrojado ainda, como devia) ou por baixo ou ainda nada.  Tentaremos acompanhar, embora o mais provável será a câmara ficar-se mais uma vez pelas palavras. 

O PARQUINHO DO CENTRO DE SAÚDE – Entretanto, num vídeo bem elaborado, o jornal digital Cidade Hoje diz-nos que a câmara municipal vai abrir um concurso público para um parque de estacionamento de automóveis junto do centro de saúde e muito perto da estação ferroviária. Só que o vídeo não nos diz nem o preço, nem a quantidade de lugares. Procurei informação noutro lado (Jornal de Notícias e Notícias de Famalicão digital). O valor da empreitada é de mais 2 milhões e 600 mil euros para 79 lugares, dos quais 48 cobertos. Fazendo as contas, cada lugar vai custar mais de 32.500 . E se fizermos as contas só aos lugares cobertos temos um custo de mais de 50.000  por cada lugar. Um bocado caro, não é? A oposição PS votou contra. Não basta! É preciso explicar aos famalicenses que não se gasta assim o nosso dinheiro. Se for preciso publicar e divulgar um pequeno folheto impresso, contribuo para o custear. É que há  alternativas muito melhores e muito mais baratas.

ANTÓNIO JOAQUIM – Luís Paulo Rodrigues no Notícias de Famalicão e o Dr. João Afonso Machado neste Jornal de Famalicão, de 21 de Maio de 2026, evocavam a memória de António Joaquim de  Miranda  Pinto da Silva, recentemente falecido, enaltecendo as suas qualidades de investigador da nossa história local: "o maior conhecedor da história de Famalicão", nas palavras  de João Afonso. Não lidei de perto com o Dr. António Joaquim, mas nas vezes que conversei com ele no Arquivo Municipal impressionou-me, para além do conhecimento que tinha da história de Famalicão, a sua modéstia. Não se vangloriava do seu saber, que era muito. 

MEIOS DE COMUNICAÇÃO SOCIAL LOCAIS – Porventura a lista não é completa nem rigorosa, mas entre os meios de comunicação social locais temos: o Cidade Hoje (jornal e rádio), O Povo Famalicense (jornal semanal impresso gratuito), Editave (jornal Opinião Pública, Rádio Digital e FamaTV), Famalicão Canal (jornal e TV), A Nossa Terra (Ribeirão – jornal impresso), Notícias de Famalicão (jornal digital) e o decano de todos eles, Jornal de Famalicão (jornal semanal impresso).

CONTROLO DOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO SOCIAL – A câmara municipal controla ou tenta controlar os meios de comunicação social locais. Tenho-o dito e mantenho. Prova disso é, por exemplo, o montante dos gastos com o apoio às empresas que são proprietárias desses meios de comunicação social que não primam pela isenção e que a câmara municipal esconde. Bem se pergunta quanto gastou efectivamente, de forma bem discriminada e fácil de entender, com cada uma dessas empresas locais em 2024 e em 2025 e a Câmara "torce-se toda" e não informa correctamente. 

OUTROS ASSUNTOS – São tantos os assuntos do nosso município que precisam de ser tratados que não podemos sequer mencioná-los aqui. Entre os mais recentes destaca-se a derrapagem de 3 milhões e 500 mil euros em obras municipais. Cabe aos meios de comunicação social locais e às oposições fazer esse trabalho. Meios de comunicação social locais que não escrutinem o poder são meras cópias, com outro formato, do efe.

ÁRVORES VERDES – A minha rua só tem árvores escuras. Uma delas secou e outras estão tortas e mal tratadas. Em vez delas ponham lá árvores de folhas verdes, imploro!

(*) Jornal Opinião Pública, 19/01/04, transcrito no meu livro As Assembleias Municipais Precisam de Reforma – Diário da Assembleia Municipal de Vila Nova de Famalicão – 2002 a 2005, pp. 205-206, editado em 2006.

(Em Jornal de Famalicão, 28/05/26)

quinta-feira, 14 de maio de 2026

O “efe" e a Feira Grande (ignorada) de maio

A RAZÃO DO PRESIDENTE DA CÂMARA MUNICIPAL  O presidente da câmara municipal tem razão: publicações de propaganda como o efe não existem só em Vila Nova de Famalicão, elas estão espalhadas por todo o país.

BOLETINS DE PROPAGANDA – No entanto, porque são boletins de propaganda do presidente da câmara, são condenáveis. São um claro abuso do poder. Os presidentes de câmara não foram eleitos para serem diretores de publicações de exaltação dos seus feitos à custa dos dinheiros dos munícipes.

EFE 2 – Depois do efe 1, a "nova publicação" do município de Vila Nova de Famalicão surgida em Fevereiro deste ano, apareceu o efe 2, o velho boletim de propaganda da câmara municipal, recuperando agora o nome de "boletim municipal" com data de Abril.

DIRETIVA DA ERC – Esta publicação híbrida que aparenta ser um jornal, mas não é, que se apresenta agora como boletim municipal, sem ser um verdadeiro boletim municipal, viola as regras da Diretiva n.º 1/2008, de 24 de Setembro, da ERC, que está disponível no respectivo site, e que, para além de muito mais, estabelece que publicações como o efe encontram-se obrigadas a veicular a expressão das diferentes forças e sensibilidades políticas que integram os órgãos autárquicos.

DIA 8 DE MAIO – Há um ditado popular que diz "Sol nas Cruzes, chuva na Feira Grande". As Cruzes são as Festas de Barcelos que têm o ponto alto no dia 3 de Maio; a Feira Grande é a feira de 8 de Maio em Famalicão. Assim sucedeu este ano. Depois do sol nas Cruzes, o dia 8 de Maio amanheceu com chuva que se prolongou até ao fim da manhã, passando a sol e fortes luzernas da parte de tarde.

FEIRA GRANDE – Passei junto da Feira Grande e deu para ver que tivemos uma feira muito pequena. A Feira Grande de Maio foi ignorada no programa da Festa da Flor.

AGRICULTURA E PECUÁRIA – Isto diz bem do abandono a que o nosso governo municipal vota a atividade agrícola, pecuária e florestal. Famalicão, que tem na sua génese uma forte atividade económica no sector primário, está a abandoná-la e com ela a sua cada vez mais diminuta soberania alimentar. É cada vez mais residual o que produzimos para a nossa alimentação. Vivemos dependentes, somos pedintes. Pagamos, é certo, o que pedimos, mas se não houver, por uma qualquer razão internacional grave, produtos para vender, passamos fome.

SENHORA DOS REMÉDIOS – A Festa da Senhora dos Remédios na Freguesia de Calendário fez-se no dia 10 de Maio sem que a chuva a impedisse.

PLÁTANOS – Temos ao longo da Avenida 25 de Abril, desde a estação ferroviária, uma frondosa avenida de plátanos que enriquecem a nossa cidade. Precisamos de cuidar deles, fazendo as podas e outras intervenções necessárias, mas preservando-os. Aliás, depois dos plátanos e no sentido nascente, temos a Avenida das Tílias (Av. Narciso Ferreira) e a Avenida do Brasil com árvores muito especiais (Ginkgo biloba, jugo), mas que devem ser bem acolhidas. Todas estas árvores e as demais da cidade devem ser cuidadosamente tratadas, o que nem sempre vemos.

REGIMENTO – O regimento da nossa assembleia municipal não é um problema interno dos seus membros. Temos o direito de acompanhar de perto a sua elaboração, pois está em causa não só a intervenção do público (esta nunca deve ser desvalorizada), mas o apoio aos grupos municipais (instalações, pessoal e meios financeiros), a existência de comissões permanentes sectoriais e eventuais e tantos outros assuntos que nos interessam. Os deputados municipais se querem cumprir bem o seu mandato devem ouvir a opinião dos munícipes.

REORGANIZAÇÃO DOS SERVIÇOS – Não interessa uma qualquer reorganização dos serviços do nosso município. Essa reorganização que acaba de ser aprovada deve ser bem justificada e explicada. Caso tal não suceda, as dúvidas e as suspeições surgem. Onde podemos consultar o relatório detalhado que a justifica?

(Em Jornal de Famalicão, 14/05/26)

sábado, 2 de maio de 2026

As gaiolas dos vereadores

"GABINETES" DOS VEREADORES – Fui visitar um dia destes os "gabinetes" dos vereadores situados no Centro Comercial Vinova junto dos Paços do Concelho. É difícil encontrá-los, pois estão escondidos e não há nenhuma sinalização desde a entrada do centro até à porta. Os gabinetes em questão são duas gaiolas, uma maior, outra mais pequena, podendo o leitor ver a única ligação que a maior tem com o exterior pela foto junta a este texto. Custa saber que é assim que a câmara trata vereadores eleitos e custa também verificar como eles se sujeitam a uma tal humilhação. Por quanto tempo? E, entretanto, não lutam, oportuna e inoportunamente, por gabinetes decentes?

FERIADOS NACIONAIS – Os feriados nacionais são para celebrar e não para trabalhar, salvo serviços essenciais ou serviços que contribuam para uma melhor celebração. Custa ver nos feriados nacionais (25 de Abril e 1.º de Maio) tantos estabelecimentos privados abertos, enquanto a função pública está fechada. Não é justo!

BOA REGULADORA – É pena que o edifício da Boa Reguladora (junto da estação ferroviária) esteja em contínua degradação e ninguém se importe com isso. Uma câmara ciosa da valorização da nossa cidade agia e a oposição estava pronta para criticar essa falta de cuidado do executivo.

FESTA DA FLOR – Alguém me dizia e com razão que a melhor Festa da Flor que podíamos fazer era um concurso de jardins por todo o concelho com prémios para os melhores jardins públicos e privados que evidenciassem a beleza da Primavera. Alguns deles até já existem. Tratava-se agora de incentivar e premiar.

FESTA DA FLOR II – Em vez disso vão cortar-se milhares e milhares de flores para fazer um espectáculo que acaba com muito lixo no chão e muito dinheiro gasto com uma estrela da música. Quanto vai custar esta festa ao todo?

FESTA DA FLOR III – E já se reparou que o município meteu debaixo do tapete a Feira Grande de Maio (8 de Maio), que enaltecia o poder agrícola do nosso concelho? A agricultura está desprezada. Leia-se a este propósito o texto sobre a romã de Luís Paulo Rodrigues no jornal digital Notícias de Famalicão.

REORGANIZAÇÃO DOS SERVIÇOS – O que se passa com a reorganização dos serviços municipais? A informação é escassa e sabemos que, pelo menos, o PS votou contra na reunião de câmara.

BCG – O edifício do BCG junto da Universidade Lusíada (ladeia pelo lado esquerdo a Rua Ernesto Carvalho no sentido descendente) está em obras não se sabe desde quando nem quando terminam. Não há cartaz lá afixado que indique o princípio e o fim das mesmas. A ideia que fica é que as obras estão paradas, o que não se compreende. Faz muita falta este equipamento.

TAREFA DOS VEREADORES – Os vereadores da câmara municipal recebem a documentação das reuniões em que vão participar muito em cima da hora, de tal modo que não se podem preparar devidamente para intervir. Devem protestar sempre.

INFORMAÇÃO – Os vereadores têm o direito de obter informação sobre os assuntos do município, mas frequentemente solicitam-na e não a obtêm, apesar disso constituir uma violação clara da lei. Uma dessas informações é a despesa devidamente explicitada com a publicidade nos meios de comunicação social.

TRANSPARENCIA DAS SESSÕES DA AM – As reuniões da nossa assembleia municipal são felizmente transmitidas pela net, o que torna possível que, em casa, se possa seguir todas as reuniões e revê-las em qualquer altura. Faz falta uma divulgação mais ampla das datas das sessões ordinárias e extraordinárias, quer na página do município (primeira página), quer nos meios de comunicação social locais. É barato.

ANTES DA ORDEM DO DIA – Na reunião de segunda-feira (27 de Abril de 2026) o período "antes da ordem do dia" demorou cerca de 1h40. É excessivo! Uma hora deveria ser o máximo.

EFE Nenhum grupo municipal deixou passar em branco o boletim/jornal efe no período próprio da reunião que é o da "informação do presidente". Todos o criticaram, excepto, como era de prever, os dois grupos da maioria. Importa não deixar cair no esquecimento este boletim de propaganda.

ESPAÇO – É pena que os deputados e o público tenham de participar nas reuniões num espaço tão limitado como é o da antiga Sala de Audiências do Tribunal Judicial da Comarca. Vejam o que se passa nos concelhos limítrofes e comparem.

PLENÁRIO – Não se compreende que assuntos tão importantes como o plano de actividades e orçamento e o relatório de actividades e contas sigam diretamente da câmara para o plenário da assembleia municipal, sem passarem por uma comissão permanente da assembleia. O debate assim é muito mais pobre.

MOBIAVE – A grande maioria dos autocarros continua a circular praticamente sem passageiros. Ninguém liga?

(Em Jornal de Famalicão, 30/04/26)

sexta-feira, 17 de abril de 2026

Famalicão e os transportes públicos

TRANSPORTES PÚBLICOS  Por razões várias de todos bem conhecidas, é de fomentar o transporte público. Vejam, por exemplo, o que é uma ou duas pessoas transportarem de um lugar para outro uma carcaça que pesa em média mais de uma tonelada, gastando combustível ou electricidade e dificultando o trânsito, à procura de um lugar de estacionamento ou para entrar e sair de uma cidade. Mesmo assim vemos as estradas e as cidades entupidas com milhares de automóveis.

TRANSPORTES PÚBLICOS II – Para fomentar o transporte público e desincentivar transporte privado, é preciso organizar bem os transportes públicos. Famalicão está numa situação privilegiada para os utilizar nas viagens para as cidades e vilas que nos estão próximas. No entanto, vejamos o que acontece a quem quer utilizar transportes públicos a partir de Famalicão.

TRANSPORTES PÚBLICOS III – PORTO – Uma deslocação para o Porto pode ser feita de comboio, sendo pena que apenas haja comboios rápidos urbanos até Ermesinde, pois a partir desta cidade existe o famigerado estrangulamento de Ermesinde–Contumil e é, por outro lado, obrigatório parar em tudo o que é apeadeiro (chamam-lhe estações!) até Campanhã. Para o Porto a viagem pode ser feita também de autocarro, havendo vários que levam rapidamente as pessoas de Famalicão até à entrada do Porto. É a cidade com quem temos, apesar de tudo, melhores ligações.

TRANSPORTES PÚBLICOS IV – BRAGA – A deslocação para Braga pode ser feita facilmente por comboio até à estação de Braga. Pena é não haver autocarros rápidos entre Famalicão e Braga. Já houve e deveria haver de novo.

TRANSPORTES PÚBLICOS V – OUTRAS CIDADES – Mais difícil é a deslocação para Guimarães, pois os comboios são lentos e obrigam a um transbordo em Lousado e não há autocarros rápidos, mas apenas autocarros que param em dezenas de paragens e circulam numa estrada em mau estado. O mesmo se diga para Barcelos, pois há poucos comboios directos para Barcelos e não há autocarros rápidos. E ficando o mar tão próximo,, é pena que não haja autocarros rápidos entre Famalicão, Póvoa de Varzim e Vila do Conde (excepto no Verão). Temos autocarros sempre a parar e a linha férrea já foi, infelizmente, suprimida há algumas dezenas de anos.

TRANSPORTES PÚBLICOS VI – AGIR – Dentro deste quadro, muito há a fazer por parte do nosso município. Desde, logo lutar por autocarros rápidos para Braga, Guimarães, Barcelos e Póvoa de Varzim e Vila do Conde (durante todo o ano). E também por mais e melhores comboios para o trajecto Porto–Braga e vice-versa. Sabemos que entre Porto e Braga há comboios que circulam superlotados a certas horas do dia, mas esquecemos que andar em comboios superlotados e, assim, em pé, não constitui um incentivo para utilizar este meio de transporte.

MOBIAVE – Causa dó ver na cidade, mesmo em horas de ponta, autocarros vazios. Ninguém coloca este problema na agenda política? Pobre(s) oposição (ões).

REABILITAÇÃO DE PRÉDIOS – Fico contente sempre que acontece uma reabilitação de prédios no centro da cidade. Ao que parece, vai ser reabilitado o já velho (e feio) edifício do ex-BNU na Praça D.ª Maria II (antiga EN n.º 14 – Porto–Braga). Esperemos que tal suceda em breve e assim fique enriquecido o centro da cidade.

FALSAS REABILITAÇÕES DE PRÉDIOS – Pelo contrário, entristece ver prédios falsamente reabilitados. Vejam-se, por exemplo, o prédio na esquina da Rua Adriano Pinto Basto com a Avenida Narciso Ferreira, junto da Íris, e o prédio municipal da mesma rua Adriano, junto do Arquivo Municipal. Prédios pintados ou com paredes e tectos arranjados, mas vazios no miolo. São prédios sem utilização, que empobrecem a cidade.

COLABORAÇÃO QUINZENAL – Apenas por excepção quebrámos a anunciada publicação quinzenal neste semanário. Tencionamos voltar a ela.

(Em Jornal de Famalicão, 06/04/26)