sexta-feira, 13 de março de 2026

efe – um lamentável boletim de propaganda!

Há momentos em que são precisas atitudes que choquem a opinião pública e a suspensão temporária da edição impressa exactamente do jornal Opinião Pública é uma delas.

Diz-se que a suspensão foi apenas um pretexto, pois o jornal impresso ia acabar mais dia menos dia. Porém, mesmo que tenha sido um pretexto – e está por provar –, a Editave, proprietária do jornal, aproveitou-o bem.

E isso vê-se na reacção da câmara municipal através do comunicado que distribuiu à imprensa e que está escondido no meio da página oficial do município. Quando a câmara municipal se vê obrigada a defender-se e a defender a publicação do jornal efe algo de grave se passa.

Lamenta a câmara municipal "que esta decisão de suspender um título semanal com mais de três décadas de existência esteja a ser justificada com a recente edição do renovado boletim municipal – o efe –, que foi lançado há nem uma semana e que será editado de dois em dois meses". Ora, o que a câmara municipal devia lamentar é a infeliz publicação do dito "renovado boletim municipal". Desde logo, porque não se trata de um boletim municipal, mas de um boletim de propaganda da maioria liderada pelo presidente da câmara que ocupa nele o lugar cimeiro.

Se fosse um verdadeiro boletim municipal, seria objectivo e publicava regularmente as actas da câmara e da assembleia, bem como as deliberações e despachos com eficácia externa do município e nada mais do que isso e divulgá-lo-ia electronicamente para poupar dinheiro. Era uma espécie de Diário da República local de que serve de exemplo o do município do Porto (e não só).

Mas mesmo que se entenda que um boletim municipal pode ir mais longe e publicar outra informação e notícias, então deveria ser um boletim da responsabilidade da câmara municipal (toda) e da assembleia municipal (toda) e não um boletim do presidente da câmara e seus amigos da vereação.

Infelizmente, o efe é mesmo e apenas um boletim/jornal onde o presidente da câmara mete o que bem entende e o que ele entende são os feitos gloriosos da câmara que dirige e outros igualmente gloriosos que estão para vir. Para disfarçar mete também outras coisas igualmente boas que não são mérito seu (êxitos de pessoas ou de empresas famalicenses, por exemplo), mas que ficam bem num boletim de propaganda.

Ora, nem é preciso lei, embora exista, para dizer que isto não se pode fazer. O Senhor Presidente da Câmara, ilustre director da coisa e seus cúmplices da vereação (e ainda eventualmente da assembleia municipa)l não podem utilizar dinheiros públicos para fazer propaganda. Se a quiserem fazer, arranjem um jornal, distribuam-no gratuitamente e paguem-no do seu bolso, pois as pessoas não costumam pagar propaganda. É uma questão de decência.

Dir-me-ão que estes boletins de propaganda existem em muitos outros municípios e em Famalicão já têm mais de 40 anos (década de 80). É verdade, mas não é por isso que se justificam e estou particularmente à-vontade nesta matéria, porque sempre os critiquei, viessem de onde viessem.

Agora está à prova a força da oposição – melhor, das oposições – em Famalicão. Veremos se elas são também cúmplices desta publicação. E serão se se calarem até aparecer o novo efe, que sairá dentro em breve (é bimestral), em vez de utilizarem todos os meios ao seu alcance, e são vários, para pôr fim a este claro ataque aos valores da democracia.

Importa lembrar que a câmara tem uma boa saída para esta situação que a enobrecerá: acabar com a publicação do efe, passando a editar um verdadeiro boletim municipal electrónico e apoiando seriamente, com transparência e equidade, toda a imprensa famalicense reconhecida na ERC. Não é difícil!

(Em Jornal de Famalicão, 12/03/26)

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