sexta-feira, 17 de abril de 2026

Famalicão e os transportes públicos

TRANSPORTES PÚBLICOS  Por razões várias de todos bem conhecidas, é de fomentar o transporte público. Vejam, por exemplo, o que é uma ou duas pessoas transportarem de um lugar para outro uma carcaça que pesa em média mais de uma tonelada, gastando combustível ou electricidade e dificultando o trânsito, à procura de um lugar de estacionamento ou para entrar e sair de uma cidade. Mesmo assim vemos as estradas e as cidades entupidas com milhares de automóveis.

TRANSPORTES PÚBLICOS II – Para fomentar o transporte público e desincentivar transporte privado, é preciso organizar bem os transportes públicos. Famalicão está numa situação privilegiada para os utilizar nas viagens para as cidades e vilas que nos estão próximas. No entanto, vejamos o que acontece a quem quer utilizar transportes públicos a partir de Famalicão.

TRANSPORTES PÚBLICOS III – PORTO – Uma deslocação para o Porto pode ser feita de comboio, sendo pena que apenas haja comboios rápidos urbanos até Ermesinde, pois a partir desta cidade existe o famigerado estrangulamento de Ermesinde–Contumil e é, por outro lado, obrigatório parar em tudo o que é apeadeiro (chamam-lhe estações!) até Campanhã. Para o Porto a viagem pode ser feita também de autocarro, havendo vários que levam rapidamente as pessoas de Famalicão até à entrada do Porto. É a cidade com quem temos, apesar de tudo, melhores ligações.

TRANSPORTES PÚBLICOS IV – BRAGA – A deslocação para Braga pode ser feita facilmente por comboio até à estação de Braga. Pena é não haver autocarros rápidos entre Famalicão e Braga. Já houve e deveria haver de novo.

TRANSPORTES PÚBLICOS V – OUTRAS CIDADES – Mais difícil é a deslocação para Guimarães, pois os comboios são lentos e obrigam a um transbordo em Lousado e não há autocarros rápidos, mas apenas autocarros que param em dezenas de paragens e circulam numa estrada em mau estado. O mesmo se diga para Barcelos, pois há poucos comboios directos para Barcelos e não há autocarros rápidos. E ficando o mar tão próximo,, é pena que não haja autocarros rápidos entre Famalicão, Póvoa de Varzim e Vila do Conde (excepto no Verão). Temos autocarros sempre a parar e a linha férrea já foi, infelizmente, suprimida há algumas dezenas de anos.

TRANSPORTES PÚBLICOS VI – AGIR – Dentro deste quadro, muito há a fazer por parte do nosso município. Desde, logo lutar por autocarros rápidos para Braga, Guimarães, Barcelos e Póvoa de Varzim e Vila do Conde (durante todo o ano). E também por mais e melhores comboios para o trajecto Porto–Braga e vice-versa. Sabemos que entre Porto e Braga há comboios que circulam superlotados a certas horas do dia, mas esquecemos que andar em comboios superlotados e, assim, em pé, não constitui um incentivo para utilizar este meio de transporte.

MOBIAVE – Causa dó ver na cidade, mesmo em horas de ponta, autocarros vazios. Ninguém coloca este problema na agenda política? Pobre(s) oposição (ões).

REABILITAÇÃO DE PRÉDIOS – Fico contente sempre que acontece uma reabilitação de prédios no centro da cidade. Ao que parece, vai ser reabilitado o já velho (e feio) edifício do ex-BNU na Praça D.ª Maria II (antiga EN n.º 14 – Porto–Braga). Esperemos que tal suceda em breve e assim fique enriquecido o centro da cidade.

FALSAS REABILITAÇÕES DE PRÉDIOS – Pelo contrário, entristece ver prédios falsamente reabilitados. Vejam-se, por exemplo, o prédio na esquina da Rua Adriano Pinto Basto com a Avenida Narciso Ferreira, junto da Íris, e o prédio municipal da mesma rua Adriano, junto do Arquivo Municipal. Prédios pintados ou com paredes e tectos arranjados, mas vazios no miolo. São prédios sem utilização, que empobrecem a cidade.

COLABORAÇÃO QUINZENAL – Apenas por excepção quebrámos a anunciada publicação quinzenal neste semanário. Tencionamos voltar a ela.

(Em Jornal de Famalicão, 06/04/26)

sexta-feira, 10 de abril de 2026

Páscoa e Primavera

PÁSCOA DO CONSUMO – A  Páscoa é um tempo espiritualmente forte que revive todos os anos o julgamento, a morte e a ressurreição de Jesus Cristo. No entanto, transformamos a Páscoa num tempo de férias e de consumo desmesurado que atinge um momento alto no almoço do próprio domingo de Páscoa. A Páscoa não é isto, mas tornou-se nisto. 

TAXA DE PLÁSTICO – A taxa sobre os sacos de plástico foi introduzida a 15 de Fevereiro de 2015 pelo famalicense Jorge Moreira da Silva, então ministro do Ambiente, que fixou o valor de 10 cêntimos (8 cêntimos + IVA) por saco leve, com o objetivo de reduzir o seu consumo e promover a sustentabilidade, resultando numa queda drástica na utilização destes sacos. As pessoas ainda se lembram do tempo em que os hiper e supermercados ofereciam a cada cliente um saco que era uma forma de publicidade. Precisamos agora de actualizar essa taxa e aplicá-la também a outros sacos de plástico que até agora a ela não estão sujeitos, nomeadamente de fruta e outros produtos

EMBALAGENS VOLTA – Veremos os efeitos do "Volta" a partir do dia 10 de Abril  de 2026. Trata-se, segundo percebi, de um mecanismo nacional que permite recolher e reciclar embalagens de bebidas não reutilizáveis, estando abrangidas garrafas e latas de plástico ou metal que contenham no rótulo o símbolo Volta.

UBANIZAÇÃO E PARQUE DO VINHAL – Fiz há dias mais uma visita guiada à Urbanização do Vinhal (lado poente do hospital), dando especial atenção ao regato que a atravessa e ao parque que a integra. Aquela zona residencial é muito valorizada pelas árvores e pelo  curso de água que desagua no rio Pelhe e depois segue para o  rio Ave. Só que há por ali muito desleixo que começa logo pela intermitente poluição do regato, que impede a vida que ele deveria ter. Preciso de fazer uma visita guiada com responsáveis da nossa autarquia local para dizer algo mais.

QUERCUS – Dizíamos, há quinze dias, que o majestoso carvalho (Quercus) junto dos Paços do Concelho (lado norte) estava despido, sendo a imagem do Inverno. Pois, como prevíamos, já está outro, enriquecido de ramos e folhas, marcando a sua soberania no jardim dos Paços do Concelho.

CEREJEIRAS DE FLORES – Quase não vemos no nosso concelho cerejeiras a produzir cerejas (embora as haja), mas vemos cerejeiras muito bonitas cheias de flores. Elas estão não só no jardim dos Paços do Concelho, plantada por José Saramago (assisti a essa plantação – 21/03/19), mas também junto da recentemente encerrada Padaria Celeste e ainda ao longo da Avenida Eng.º Pinheiro Braga (a merecer mais cuidada atenção), e em muitos jardins particulares  das nossas freguesias. Mas as mais bonitas vi-as na semana passada em Vilarinho de Samardã (Vila Real)

GLICÍNIAS – Mas não são só as cerejeiras que animam uma Primavera especialmente bela  neste ano de 2026. Há muitas outras flores exuberantes nesta estação e não se podem esquecer, entre outras, as glicínias que abundam no nosso concelho. 

CIDADE DO PELHE – O Senhor Juiz Conselheiro Pedro Soares, no seu texto de hoje neste jornal, chama a Famalicão a "cidade do Pelhe". Nunca tinha visto desse modo a nossa terra, mas tem razão. O rio Pelhe, afluente do Ave, atravessa o Parque da Devesa e este parque tornou-se uma marca da cidade. De um curso de água pequeno (20 quilómetros), nascido numa ponta do concelho (Portela) e desaguando noutra ponta do mesmo (Lousado), temos o dever de fazer dele um exemplo de cuidado com a natureza e  um habitat natural de muitos peixes e outra fauna e também flora própria. Podemos fazer deste pequeno rio um grande  exemplo de cuidado ambiental a nível nacional. É um belo desafio! Somos capazes?

OPINIÃO PÚBLICA (ESCLARECIMENTO) – Tudo o que tenho escrito sobre o boletim/jornal efe mantenho. Importa, no entanto, esclarecer que a  suspensão da publicação por tempo indeterminado do jornal Opinião Pública (OP) não pode fundamentar-se na concorrência provocada pela nova publicação municipal que se anuncia bimestral. Uma publicação  que surge seis vezes ao ano não concorre com uma publicação semanal por muito esforço que faça e por muito dinheiro nosso que gaste. Importa arranjar melhor argumento. A não ser que a administração do Opinião Pública não tenha outro melhor.

OPINIÃO PÚBLICA (FUNDAÇÃO) – O OP foi fundado há 34 anos por iniciativa de  Feliz Pereira, que reuniu uma equipa plural com um fim jornalístico e não político-partidário. Em recente reunião, Feliz Pereira dizia que o OP já passou por muitos tempos difíceis e ultrapassou-os. Seria bom que tal sucedesse mais uma vez. Sucederá? A actual administração da Editave está à prova. Poucos acreditam.

CHUVA – Abençoada chuva que chegou nesta terça-feira, dia 7 de Abril, depois de semanas quentes e secas. Esperemos apenas que não seja em excesso.

(Em Jornal de Famalicão, 09/04/26)