quinta-feira, 16 de julho de 2026

De que precisa o nosso hospital?

PRIORIDADES DO HOSPITAL  O nosso hospital precisa urgentemente de ser ampliado, devendo a câmara municipal, para esse efeito, não só pressionar oportuna e inoportunamente este governo ou outros que lhe sucederem, mas também dispor-se a participar com meios financeiros nessa ampliação. Também a construção de um hospital de cuidados continuados junto dele (há terrenos a norte) para libertar camas do hospital é muito importante. Como importante é colocar à disposição de médicos, enfermeiros e outro pessoal hospitalar habitações com rendas acessíveis. Ainda é de todo o interesse facilitar o acesso ao hospital, dando prioridade às ambulâncias e outros veículos (e não a todos) que a ele se dirijam, a partir da Avenida 9 de Julho.

PRIORIDADES DA CÂMARA  Isso seria seguramente o que faria um governo municipal com visão. Mas não o temos. A câmara municipal o que acha natural é colocar, junto do hospital, uma superfície comercial, abrindo para o efeito uma espécie de avenida (de pouco mais de 100 metros) e afogando de trânsito a zona que cerca o hospital e que já está saturada. (E andamos há mais de 25 anos para resolver a necessária ligação da urbanização Talvai e Santo Adrião ao centro da cidade!)

ELEVAÇÃO A CIDADE  Vila Nova de Famalicão pode comemorar a elevação a cidade quando entender, mas importa ter presente que a nossa terra foi elevada a cidade a 14 de Agosto de 1985, pela Lei n.º 40/85 dessa data. No mesmo dia foram elevadas a cidade mais dez vilas, a saber: Águeda, Amarante, Montijo, Olhão da Restauração, Peso da Régua, Ponte de Sor, Rio Maior, Santo Tirso, Torres Novas e Vila da Feira, que passou a denominar-se Santa Maria da Feira.

ELEVAÇÃO A CONCELHO  Também a elevação de Famalicão a concelho não ocorreu em 1835 como está "oficialmente" divulgado, mas antes por Decreto de 6 de Novembro de 1836,  da responsabilidade de Passos Manuel. Passos Manuel que nem sequer tem uma rua importante na nossa cidade.

TSF  A TSF esteve no dia 9 de Julho de 2026 na Casa das Artes, participando nas comemoração da elevação de Vila Nova de Famalicão a cidade. Ouvi e retive as intervenções do professor João Cerejeira e de Dora Gaspar, diretora-geral da TECMEAT – Centro Tecnológico. Gostaria de referi-las.

POLÉMICA  Vive-se em Famalicão uma polémica à volta de uma proposta de homenagem aos dois presidentes de câmara municipal (Agostinho Fernandes e Armindo Costa) que mais tempo geriram o nosso concelho desde a sua fundação em 1836. O único que se aproxima e que dirigiu o nosso concelho durante cerca de 12 anos foi Álvaro Marques (1945-1957). Essa polémica está devidamente contada no Jornal de Famalicão de 9 de Julho de 2026. A meu ver, é preciso mais distanciamento para apreciar o que se passou e levou à recusa dessa homenagem por parte da maioria da câmara municipal e à aprovação de proposta alternativa.

NOMEAÇÕES  Não bastava a troca de lugares na administração dos hospitais subsequente à entrada em funções do Governo da AD. Agora ficamos a saber que também 15 das 18 cadeiras distritais da Segurança Social foram agora ocupadas por militantes do PSD. Não é coisa que o PS não tenha feito de modo semelhante no tempo em que foi governo. Mas um erro não justifica outro. E o PSD cometeu-o escandalosamente.

(Em Jornal de Famalicão, 16/07/26)

quinta-feira, 2 de julho de 2026

Urbanização da cidade, superfícies comerciais e hospital

URBANIZAÇÃO – Foi publicado n' O Povo Famalicense de 24 de Junho de 2026 (pp. 11, 12 e 13) um estudo que merece toda a atenção, da autoria do Dr. Daniel Ribeiro de Faria, intitulado "Vila Nova de Famalicão sem os incêndios de 1952: a urbe que poderia ter chegado mais cedo ao futuro". Deste ensaio, que aborda vários temas de muito interesse, destaco a elaboração e aprovação, em 1952, de um anteplano de urbanização (era a designação de então) para a nossa então vila, que resultou da larga visão do presidente da câmara da época, que foi Álvaro Marques.

DESORDENAMENTO – Nunca mais tivemos um presidente de câmara preocupado com o plano de urbanização da nossa cidade. Conviveram todos, até hoje, muito bem com um crescimento da cidade ao sabor dos interesses particulares e assim com o desordenamento que está aí perante os nossos olhos.

A LEI – E tudo isto apesar de a lei actualmente em vigor dizer que "nas sedes do concelho e nas áreas urbanas com mais de 25.000 habitantes, o regime do uso do solo deve ser previsto, preferencialmente, em plano de urbanização municipal" (artigo 98.º, n.º 3, do Decreto-Lei n.º 80/2015, de 14 de Maio). Ainda está para aparecer a câmara e o respectivo presidente que tenham capacidade para fazer um tal plano.

URBANIZAÇÃO DO VINHAL – Entretanto vai ser urbanizado mais um pedaço da cidade, num lugar mais do que discutível e que merecia uma ampla discussão pública. Têm mesmo consciência do que estão a aprovar?

PROLIFERAÇÃO DE SUPERFÍCIES COMERCIAIS – A nossa cidade parece ter, segundo os responsáveis do município, uma clara falta de superfícies comerciais e hipermercados. Dentro do perímetro da cidade há "apenas" seis (6) e por isso a câmara considera desejável uma nova superfície junto do cemitério municipal e outra junto do hospital . Ao menos estas duas, pela sua situação, ficarão muito bem acompanhadas…

NOVO CARTAZ – E bem pode a câmara mandar fazer e divulgar mais um cartaz publicitário, dizendo: "Famalicão, lugar das superfícies comerciais!"

HOSPITAL – A vinda a Famalicão da ministra da Saúde, Ana Paula Martins, no dia 23 de Junho de 2026 não mereceu a atenção e os comentários devidos. Não já quanto à atenção dada à inauguração propriamente dita da Unidade de Saúde Familiar (USF) de Calendário (São Miguel-o-Anjo), mas à interpelação feita pelo presidente da câmara municipal, Mário Passos. Disse este: precisamos de um hospital com capacidade, reabilitado, ampliado com mais serviços e estacionamento. Acrescentou que para isso existe uma solução que considera relativamente barata (entre 20 e 25 milhões de euros), dando execução ao Plano Director Hospitalar.

MINISTRA NÃO SE COMPROMETE – Sobre essa intervenção, a ministra da Saúde declarou que a requalificação e ampliação do Hospital de Vila Nova de Famalicão é uma das prioridades do Governo, mas lembrou que há muitas prioridades e que o Governo não pode dar andamento a todas.

ATITUDE – Será que a câmara e a assembleia municipal vão deixar esquecer este assunto? Devem, a nosso ver, oportuna e inoportunamente lembrar este nosso problema junto do Governo. Assim farão? O tempo o dirá.

SUBURBANOS – Sabem os leitores que há um comboio suburbano Braga-Famalicão-Braga? Os comboios deveriam merecer melhor atenção nossa. A estação e sua envolvente não está à altura da nossa cidade.

MEMÓRIA HISTÓRICA – Voltando aos antigos Paços do Concelho devorado pelos incêndios de 1952, importa dizer que ainda há famalicenses que bem se devem lembrar deles por dentro e por fora. São os que têm mais de 90 anos e boa memória. Era interessante recolher o seu depoimento.

(Em Jornal de Famalicão, 02/07/26)