quinta-feira, 22 de outubro de 2026

Rodovia e ferrovia

12 MIL AUTOCARROS POR MÊS – A nossa estação rodoviária tem um bom aspecto, é interiormente espaçosa e o jornal O Povo Famalicense titulava recentemente que "12 mil autocarros por mês mantêm Famalicão ligado ao país". Isto significa uma média de 400 autocarros por dia, o que não deixa de impressionar e pode dizer-se que, em geral, nas ligações ao país, a rodovia serve muito melhor do que a ferrovia.

AUTOCARROS DE FAMALICÃO PARA AS CIDADES VIZINHAS – No entanto, não temos boas ligações rodoviárias com cidades vizinhas. Boas ligações significa ligações rápidas que concorram com o automóvel e se elas existem de Famalicão para o Porto (autoestrada), já não existem para Braga, Barcelos, Guimarães (só pela EN em mau estado e com muitas paragens), Póvoa (só no Verão) e Santo Tirso. Uma deslocação rápida para estas cidades só de automóvel particular. De notar, no entanto, boas ligações ferroviárias para Braga e Porto (melhor, Ermesinde).

BRAGA–FAMALICÃO–PORTO – Já tivemos em tempos boas ligações rodoviárias para Braga e para o Porto (centro da cidade) com autocarros que paravam em Famalicão. Será que desapareceram com a chegada da autoestrada? Se assim foi, Famalicão ficou muito prejudicada.

ORÇAMENTO DO ESTADO: 63,44 MILHÕES DE EUROS – O Diário do Minho do passado domingo, dia 11 de Outubro, informava que a câmara e freguesias de Vila Nova de Famalicão vão receber 63,44 milhões de euros do Orçamento do Estado para 2027. É uma boa quantia para integrar o próximo orçamento se tivermos em conta que o orçamento de 2026 foi de 256 milhões de euros, o maior da história da autarquia. Importa saber, no que respeita ao município, como e onde vai ser gasto. O debate, que deverá ter lugar certamente, esclarecerá.

ILUMINAÇÕES DE NATAL – No princípio desta semana, a 12 dias do fim do mês de Outubro, já estão a ser colocadas nas árvores iluminações que devem ser para o Natal. Faltam ainda mais de dois meses, mas isso que interessa?

TOPONÍMIA – Cabe às juntas de freguesia cuidar da sinalização das avenidas, ruas e praças dentro do seu território. Trata-se de colocar placas bem visíveis e nos lugares certos. Em Famalicão, isso está longe de acontecer, pelo menos na cidade.

BNU – Ainda há que se lembre do Banco Nacional Ultramarino (BNU), em frente à Fundação Cupertino de Miranda? Aquele prédio negro está desocupado há décadas. Porquê? Não há nada a fazer por parte da câmara?

ÓPTICAS – Na Rua Adriano Pinto Basto do lado esquerdo, no sentido Braga–Porto, há três estabelecimentos de óculos seguidos e muitos outros há na cidade. Não é um exagero? Qual a explicação? Certamente haverá, mas desconheço-a.

VETERANOS DE GUERRA – Chegam-me frequentemente informações e pedidos de atenção para assuntos diversos. Procuro dar-lhes atenção, mas nem sempre isso é possível, pois o tempo é escasso. Recebi, há algumas semanas, através da caixa de correio do JF, informações de um veterano de guerra, Francisco Castro, alertando para os problemas dos ex-combatentes que não vêem tidos em conta os seus direitos. Considero que aqueles que foram mobilizados para combater nas duras guerras de Angola, Guiné e Moçambique, muitos deles sofrendo desgaste e traumas que perduram, deveriam ser atentamente ouvidos e atendidos.

HUMANIZAÇÃO DOS HOSPITAIS – Recebi recentemente um livro da Fundação Francisco Manuel dos Santos que abordava a desumanização que se verifica nos hospitais em Portugal. Os doentes frequentemente são mais uma pulseira do que uma pessoa.

(Em Jornal de Famalicão, 22/10/26)

quinta-feira, 8 de outubro de 2026

Vespa velutina ou vespa asiática

VESPA VELUTINA – Dizia-me um amigo que era importante no combate à vespa asiática fazer uma campanha bem feita por parte do município, no sentido de as populações das freguesias informarem a câmara municipal (serviços de protecção civil) da existência e localização de ninhos. Acrescentava eu que era bom que houvesse brigadas do município, devidamente identificadas pelo equipamento, que, ao mesmo tempo que exterminavam os ninhos, fizessem também essa campanha. O que não pode acontecer é que haja ninhos activos e ninguém faça nada. Por outro lado, deveria haver preocupação de descobrir aqueles que não estão facilmente à vista e informar a câmara municipal (protecção civil) da sua existência. Solicitei e obtive informação da câmara municipal sobre esta matéria.

VESPA VELUTINA II – 1370 NINHOS – Assim, ficámos a saber que, até ao dia 21 de Setembro deste ano de 2026, foram intervencionados, no concelho de Vila Nova de Famalicão, um total de 1.370 ninhos de vespa velutina. Mais ficámos a saber que, actualmente, "a grande maioria dos ninhos comunicados é intervencionada no dia seguinte à sua comunicação, sendo que, sempre que as condições o permitem, a intervenção pode ocorrer no próprio dia. Apenas em situações excepcionais, nomeadamente quando existem constrangimentos de acesso ou por indisponibilidade ou conveniência dos proprietários dos locais onde se encontram os ninhos, a intervenção poderá ocorrer posteriormente. De um modo geral, o município assegura, assim, uma resposta célere às comunicações, com tempos de intervenção reduzidos".

VESPA VELUTINA III – 15 NINHOS POR DIA – Ainda com mais detalhe, recebemos a informação de que, em média, são comunicados cerca de 15 ninhos por dia no concelho. Há uma maior concentração de comunicações no início da semana, particularmente às segundas e terças-feiras, "situação que poderá estar relacionada com o facto de, durante o fim de semana, existir uma maior permanência da população nas suas habitações e uma maior realização de actividades de lazer e ao ar livre, aumentando a probabilidade de detecção e comunicação de ninhos".

VESPA VELUTINA IV – 252 317 336 – O contacto telefónico para comunicação de ocorrências é o número 252 317 336 (Proteção Civil Municipal), encontrando-se disponível "24 horas por dia, 7 dias por semana, para a recepção de comunicações relacionadas com esta matéria".

MEL – APICULTORES – Qual a produção de mel anual no concelho? Quantos apicultores temos? Que apoios lhes tem sido dado pelo município para enfrentar a grave crise provocada por esta praga?

EMBALAGENS – DESPERDÍCIO – Impressiona a quantidade de embalagens, principalmente de papel, cartão e plásticos que todos os dias se acumulam e são distribuídas pelos consumidores nas lojas e superfícies comerciais. E a reciclagem, principalmente por parte dos consumidores, está longe de ser a que devia. Muito trabalho há a fazer para reduzir ao mínimo este desperdício. Torna-se necessária.

PUBLICIDADE MUNICIPAL NA IMPRENSA – Fechou recentemente um concurso público que muito interessa à imprensa concelhia. Não sabemos pormenores. Importa estarmos todos atentos e ser devidamente informados.

(Em Jornal de Famalicão, 08/10/26)

quinta-feira, 24 de setembro de 2026

Um passeio a pé pelo centro da cidade (EN n.º 14) que muito revela

COMEÇO DO PASSEIO – Os Paços do Concelho são o emblema da cidade, estando situados junto à Estrada Nacional n.º 14 – Porto–Braga. Convido o leitor, depois de apreciar o edifício de Januário Godinho, a fazer um passeio a pé, começando junto ao canteiro central do jardim.

LADO SUL – Se seguir para o lado do Porto, passeará por uma rua relativamente bem cuidada denominada rua Adriano Pinto Basto. Atravessará a Avenida 25 de Abril, continuará pela mesma rua, terá pena ao ver o estado em que se encontra a Íris, verá diversos estabelecimentos comerciais de um e outro lado da rua e apreciará o Museu Bernardino Machado. Verificará, mais abaixo, que o prédio do ex-Hotel Garantia foi reabilitado e chegará à Praça Dona Maria II, onde se gastaram recentemente mais de quatro milhões de euros (4.000.000€) para a embelezar. Verá depois o edifício da Fundação Cupertino de Miranda e, continuando pela antiga EN n.º 14, apreciará do lado direito estabelecimentos e cafés e do lado esquerdo uma zona arborizada, um pequeno parque infantil e repuxos luminosos. Não faltou dinheiro para gastar ali.

LADO NORTE – Se começar pelo lado de Braga, observará, no entanto, outra cidade, dentro da cidade. Terá pela frente a mal desenhada e maltratada Praceta Lino Lima, entrará na rua Conselheiro Santos Viegas e reparará no péssimo estado do pavimento da rua e num edifício emblemático (onde chegou a funcionar transitoriamente a câmara municipal nos anos 50 do século passado) em ruínas, passará pelo Supermercado Bandeirinha e depois de atravessar o cruzamento com as ruas Cupertino de Miranda e Ana Plácido entrará na rua Sousa Fernandes, com um passeio do lado direito onde as pessoas têm de circular em fila indiana (!!!) e do lado esquerdo terá um passeio pouco mais largo com um prédio de seis andares, várias vivendas e uma clínica veterinária. Chegará à rotunda de Santo António, que é um perigo para os peões que queiram seguir em frente para o lado de Braga, devendo ter muito cuidado com a "pista" 9 de Julho e a "pista" Carlos Bacelar, e entrará na renovada e bem cuidada Avenida Eng. Pinheiro Braga, muito mal ladeada. Verá do lado esquerdo o parque de estacionamento do E.Leclerc e do lado direito da avenida contemplará dois largos parques de estacionamento de latas circulantes para servir o Lidl e o Continente e findará o passeio no bem feio edifício do Tribunal.

CONCLUSÃO – Vejam os passeantes a diferença entre o lado sul e o lado norte da cidade. Ela é bem o retrato de como é maltratada a nossa cidade do ponto de vista urbanístico. Nem houve adequado planeamento e o lado norte, na parte mais alta, é claramente desprezado. Bem poderia ser a cidade nova e é um mar de latas de transporte de passageiros para apoio a superfícies comerciais. E nem sequer é bem tratada a partir dos Paços do Concelho. É a política urbanística que temos!

ASSUNTOS NÃO FALTAM – E não resta espaço para tratar de muitos outros assuntos da cidade e do concelho. Como bem disse o Dr. Agostinho Fernandes em recente carta, é "escassa comunicação social ainda existente em V. N. Famlicão". Tantos temas e tanto escrutínio que não são objecto de atenção e deviam!

CALOR – Digitalizo estas linhas na terça-feira, dia 22 de Setembro, num dia de muito calor (36º). Calor que já vem de dias (semanas) anteriores e está acompanhado de incêndios rurais por aqui perto. Em contraposição, quem entrar no interior da ampla estação rodoviária corre o risco de sentir um choque térmico, tal o frio que o ar condicionado ali provoca.

(Em Jornal de Famalicão, 24/09/26)

quinta-feira, 17 de setembro de 2026

As festas e romarias no concelho

FESTAS NO CONCELHO – Não deve haver nenhuma das 49 freguesias do nosso concelho que não tenha uma ou mais festas religiosas durante o ano (Mouquim será excepção?). Elas começam logo em Janeiro e vão até Dezembro, tendo o ponto mais alto no Verão. Pena é que não haja um levantamento dessas festas e romarias para termos uma informação delas correcta e detalhada. Estou certo que o município apoiaria. De qualquer modo, não deverá ser um qualquer levantamento, mas antes feito cuidadosamente por pessoa competente.

ANTONINAS – Estas festas não se confundem com as Festas Antoninas, que são fundamentalmente organizadas pela câmara municipal, muitíssimo caras e com uma parte religiosa claramente secundarizada. Pelo contrário, as festas que se realizam pelas freguesias do concelho são, em regra, de iniciativa local, com uma comissão de festas e certamente com algum apoio da câmara municipal.

FESTAS DE SANTO ADRIÃO – Nos dias 12 e 13 de Setembro de 2026 realizaram-se as festas de Santo Adrião, uma festa genuína com uma comissão de festas local. Assisti à passagem da procissão, que saiu da Matriz Nova da cidade no domingo, dia 13, pelas 10h, com os escuteiros e as guias à frente, seguindo-se vários andores, figurantes, o pálio e acompanhantes. Uma procissão bem típica!

ESCUTEIROS – Uma riqueza do nosso concelho são os agrupamentos de escuteiros, que em Famalicão são numerosos e nos fazem recordar o Pe. Manuel Costa Rego e a dedicação que lhes deu. Mas também desfilaram as guias, merecendo igual referência.

CAPELA DE SANTO ADRIÃO – No dia 12 visitei a Capela de Santo Adrião, bem arranjada, e sobre ela muito se falou em conversa. Já foi igreja da paróquia? Foi deslocada para o actual lugar por ocasião da construção da linha dos caminhos de ferro? Tinha um cemitério próximo, mais junto da actual Avenida 9 de Julho? Muitas perguntas, muitas opiniões e poucos documentos.

PADRE JOAQUIM MOREIRA – Vai regressar à Etiópia muito em breve o missionário comboniano Pe. Joaquim Moreira. Nos tempos de hoje é bom saber que há quem ainda vá integrar-se em comunidades de terras longínquas para as ajudar e dar a conhecer a Boa Nova.

RESPONSÁVEL POR ACESSO À INFORMAÇÃO (RAI) – A responsável pelo acesso à informação no concelho de Vila Nova de Famalicão é Telma Silva. Cabe-lhe, nos termos do artigo 9.º da Lei de Acesso aos Documentos Administrativos, organizar e promover as obrigações de divulgação activa a que está vinculado o município, acompanhar a tramitação dos pedidos de acesso a documentos em posse da câmara municipal e estabelecer a articulação necessária ao exercício das competências da Comissão de Acesso aos Documentos Administrativos (CADA). Tarefas de muita responsabilidade sobre as quais pretendo ter mais informação.

VESPA VELUTINA – A vespa asiática, como é vulgar ser designada, é o terror das nossas abelhas, que produzem o precioso mel. O combate contra elas deve ser constante e sem desânimo, pese a luta desigual. Fiquei a saber que no ano de 2025 foram destruídos 1845 ninhos de vespa velutina só no nosso concelho (Google, disse!). Perguntei, esperando resposta, quanto ninhos foram destruídos este ano (data do último registo).

VESPA VELUTINA II – Para informar os serviços de protecção civil do município, que têm a seu cargo a luta contra esta praga, deve ser utilizado o n.º 252 317 336. É um dever dar a conhecer a localização desses ninhos e é um direito esperar que eles sejam destruídos rapidamente.

PAVIMENTOS EM PARALELOS – Temos – e isso é bom – pavimentos nas ruas da cidade em paralelos de granito. Eles duram muito tempo e permitem a permeabilização dos solos, só que precisam de cuidados persistentes de modo a possibilitar uma circulação segura de veículos. Temos na cidade – e seguramente fora dela – vários pavimentos desses, em muito mau estado.

(Em Jornal de Famalicão, 17/09/26)

sexta-feira, 11 de setembro de 2026

A urbe famalicense

ARQUITECTO E URBANISTA – A inteligência artificial diz e a inteligência humana subscreve: a principal diferença entre um arquitecto e um urbanista está na escala e no enfoque do seu trabalho. O arquitecto está focado na escala do edifício e do ambiente construído, desenhando casas, prédios, interiores e detalhando a estética, os materiais e a funcionalidade de um espaço privado ou público. Por sua vez, o urbanista tem horizontes mais largos e está focado na escala macro, planeando cidades inteiras, bairros, o crescimento urbano, a mobilidade, o saneamento e as políticas públicas de ocupação territorial.

URBANISTA – Em Famalicão temos nos serviços da câmara municipal muitos arquitectos, mas não conheço um ou uma urbanista. Pode ser que exista, mas não é conhecido/a pela generalidade dos munícipes. E precisamos tanto de um(a) urbanista a tempo inteiro de elevada qualidade que planeie e comunique connosco!

CIDADE – A nossa cidade cresce desordenadamente. Devíamos ter no centro dela  habitação, comércio e serviços públicos. Em vez disso, damos prioridade a várias  superfícies comerciais. E anuncia-se mais uma para junto do hospital. Estão de parabéns os governantes de turno…

PISTA CARLOS BACELAR – Entrar na Avenida (?) Carlos Bacelar para quem sai da Rua Ana Plácido é um risco. A visibilidade para o lado da Póvoa é muito limitada. Para quando a construção da prometida rotunda (esperemos que simples) que facilite a circulação naquele local? Importa que a Carlos Bacelar deixe de ser uma pista para passar a ser uma avenida. E importa que haja possibilidade de fácil acesso ao Parque de Sinçães para quem mora do lado poente deste.

efe – Saiu mais um número do efe (Agosto 2026). A propaganda PSD/CDS continua. Opinião? Só uma, a do presidente e director Mário Passos. E nós continuamos a pagar!

OPOSIÇÃO – Não temos oposição à altura. Longe disso. É pena! Quem sofre é o concelho.

REABILITAÇÃO URBANA – Sempre que se opera uma reabilitação de prédios no centro da cidade ficamos contentes. Estão em curso algumas, mas há ainda tanto por fazer! 

PARQUE NORTE DE SINÇÃES – Dói ver a quantidade de dinheiro que se está a gastar no Parque de Sinçães Norte quando o que se precisava é de fazer a ligação deste parque com o de Sinçães e deste com o Parque da Devesa. A cidade ficaria enriquecida com os três parques ligados. Para isso era preciso um/a urbanista à altura, mas não temos. Nem urbanista, nem câmara com capacidade para tal.

HOSPITAL PRIVADO – É de lamentar que não haja em Famalicão um hospital privado de qualidade tal como acontece em Braga (3), Guimarães, Póvoa/Vila do Conde e Trofa. É certo que temos um hospital privado Trofa Saúde, mas em instalações inaceitáveis. 

RAI – Sabem os leitores que temos, como manda a lei, uma RAI (Responsável de Acesso à Informação) no nosso município? Daremos notícia mais detalhada depois de obter mais informação.

(Em Jornal de Famalicão, 10/09/26)

domingo, 6 de setembro de 2026

Uma vitória política em toda a linha de Mário Passos

Não sou jornalista, mas sou titular do poder político no município de Vila Nova em Famalicão juntamente e em pé de igualdade com os mais de 130.000 eleitores do meu concelho. Sim! São os munícipes (todos os munícipes) os titulares do poder político do concelho a que pertencem, sendo os órgãos eleitos (câmara e assembleia municipal) representantes dos titulares do poder e não donos.

É nessa qualidade de titular do poder político que escrevo estas linhas neste jornal, pois no meu município não há jornais impressos em Agosto. Assisti recentemente aos actos políticos que se descrevem sucintamente. O Partido Socialista de Famalicão apresentou, em reunião de câmara, uma proposta de homenagem a dois ex-presidentes de câmara (um do PS, outro do PSD) que exerceram funções durante mais de uma década, através do nome de um, dado a um parque, e do nome de outro, dado a uma casa de espectáculos.

O presidente da câmara, Mário Passos, manifestamente não gostou da ideia e rejeitou a proposta em reunião extraordinária da câmara municipal no mês de Julho (dia 3) depois de algumas peripécias nada abonatórias do dever de agendamento e aprovando, ao mesmo tempo, uma proposta alternativa de homenagem muito mais alargada.

A Comissão Política Concelhia do PSD, que tinha manifestado concordância com a proposta do PS, reagiu de imediato, criticou publicamente essa rejeição e foi mais longe: retirou a 16 de Julho a confiança política do PSD a Mário Passos e aos outros membros da câmara eleitos pelo PSD.

Mário Passos ficou numa situação delicada. Foi eleito pelo PSD, mas o PSD deixou de confiar politicamente nele. Chuva de pouca dura. O PSD a nível nacional e distrital movimentou-se e fez uma reunião alargada para resolver este problema no dia 20 de Julho. Não foi uma reunião qualquer, pois nela participaram o Secretário-Geral da Comissão Política Nacional, o Coordenador Autárquico Nacional, o Presidente da Comissão Política Distrital de Braga, o Presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão e o Presidente da Comissão Política Concelhia do PSD de Vila Nova de Famalicão.

Na sequência dessa reunião saiu, no dia 1 de Agosto de 2026, um comunicado da Comissão Política concelhia do PSD em que o PSD nacional e concelhio manifestam incondicional apoio a Mário Passos, quer na recusa da proposta de homenagem apresentada pelo PS, considerada redutora, quer na acção desenvolvida pela câmara considerada excelente. Vitória em toda a linha de Mário Passos e derrota completa da Comissão Política Concelhia de Vila Nova de Famalicão do PSD. Derrota que, em condições normais, levaria a uma digna demissão por parte desta Comissão. Nada disso aconteceu. Mário Passos ganhou esta luta e a Comissão Concelhia ajoelhou politicamente perante o Presidente. Está de parabéns, Mário Passos!

P.S.: Será que isto ficará por aqui? Só o tempo o dirá.

(Em Diário do Minho, 06/08/26 - também publicado no blogue Democracia Local)

sexta-feira, 31 de julho de 2026

Gerir o município de Famalicão

GERIR FAMALICÃO – Temos dito e repetido que gerir o município de Famalicão não é tarefa fácil, pois é um dos mais populosos municípios do país, ocupando o lugar 19.º entre os 20 municípios mais populosos. Portugal tem no total 308 municípios, mas por ser difícil gerir o município, mais exigentes devemos ser. É opinião muito divulgada afirmar que não temos actualmente um governo municipal à altura, mas ao mesmo tempo dizer que não temos uma alternativa credível.

QUE FAZER? – Nestas circunstâncias, que fazer? A nosso ver, preparando desde já para as eleições de 2029 duas boas listas. Dizemos duas, porque, seja qual for a que vença, o concelho ficará sempre a ganhar. De onde devem elas surgir? Tendo em conta o nosso histórico, devem surgir do PSD/CDS, ultrapassando a crise que esta coligação atravessa, e do PS, que tem de compreender que atravessa também uma crise e não pequena. Mas há ainda outra possibilidade, que é a de se constituir um movimento de independentes que ultrapasse a incapacidade dos dois principais partidos do nosso concelho para gerar o governo municipal de que precisamos.

efe – Saiu o n.º 3 do mentiroso boletim municipal que dá pelo nome de efe. É mentiroso, porque se fosse um boletim municipal teria de cumprir a lei e assim cumprir o artigo 56.º, n.º 1, da Lei n.º 75/2013, de 12 de Setembro (Lei das Autarquias Locais), que ordena a publicação no boletim "das deliberações dos órgãos das autarquias locais, bem como as decisões dos respectivos titulares destinada a ter eficácia externa" e cumprir o artigo 10.º, n.º 5, da Lei n.º 24/98, de 26 de Maio (Estatuto do Direito de Oposição),  que manda publicar no boletim municipal o relatório de avaliação do grau de observância do respeito pelos direitos e garantias da oposição que a câmara tem obrigação de elaborar até ao fim de Março do ano subsequente àquele a que se refira, ou seja, deveria publicar no boletim de Maio-Junho de 2026, acabado de sair, o relatório de 2025. Mas que importa a lei para o efe?

TROTINETAS – As trotinetas constituem um perigo para quem circula nos passeios da nossa cidade. Os peões julgam que circulam em segurança e de repente elas surgem, muitas vezes com uma velocidade muito elevada que nos ultrapassam (são as mais perigosas), ou surgem na nossa frente. É preciso pôr fim a este abuso.

INCÊNDIOS RURAIS – O nosso concelho foi atingido recentemente por sérios incêndios rurais (primeira metade do mês de Julho). "Inferno de Dante", chamou-lhes Mário Martins n' O Povo Famalicense. Sobre eles falta informação. Qual a área ardida? A câmara tem esses números? Deveriam ser notícia.

ÁREA METROPOLITANA DO MINHO – Os jornais noticiam movimentações para a criação de uma área metropolitana do Minho. Lideram esse projecto os municípios de Braga e Guimarães, a que se juntaram os municípios de Famalicão, Barcelos e Viana do Castelo. Tenho muitas reservas quanto a este projecto, que precisa de um amplo debate público. Que se pretende com esta organização? Rivalizar com as áreas metropolitanas de Lisboa e Porto, que são "grandes áreas urbanas"? Mas a agora proposta não tem população que se lhes compare. Mas pior ainda: será que vão deixar de fora os municípios do resto do Minho e, nomeadamente, do Alto Minho? E que dizer dos municípios que ficam a leste de Guimarães e vários são? E os municípios dos distritos de Vila Real e de Bragança vão ser secundarizados? Há muito que debater e explicar.

FEIRA DE ARTESANATO E GASTRONOMIA – A Feira de Artesanato e Gastronomia, com despesa orçamentada de quase meio milhão de euros (a despesa efectiva será seguramente superior),  é a promoção do artesanato e de restaurantes de fora do concelho. Mais um exemplo de má gestão do nosso dinheiro. Uma boa gestão apoiaria fortemente o nosso artesanato e os nossos restaurantes. E mesmo assim sobraria dinheiro para termos atracções de fora, mas nada disso. Nem apoio, nem lugar na feira! Felizmente o PS votou contra!

IMPRENSA LOCAL – O mês de Agosto é o mês do fecho para férias da imprensa local escrita. É pena. Nem um? Bem poderia haver um acordo para ser publicado pelo menos um jornal, sem prejuízo das férias. Temos de ler jornais regionais (Diário do Minho e Correio do Minho) ou nacionais (Jornal de Notícias) para sabermos notícias de Famalicão através da imprensa. Entretanto, na despedida para férias, a câmara municipal inundou de publicidade dois jornais impressos (não o Jornal de Famalicão). E a câmara continua a recusar dizer com clareza quanto gastou em 2025 com a publicidade na imprensa local. Pudera! Há despesas que é melhor esconder.

(Em Jornal de Famalicão, 30/07/26)

quinta-feira, 16 de julho de 2026

De que precisa o nosso hospital?

PRIORIDADES DO HOSPITAL – O nosso hospital precisa urgentemente de ser ampliado, devendo a câmara municipal, para esse efeito, não só pressionar oportuna e inoportunamente este governo ou outros que lhe sucederem, mas também dispor-se a participar com meios financeiros nessa ampliação. Também a construção de um hospital de cuidados continuados junto dele (há terrenos a norte) para libertar camas do hospital é muito importante. Como importante é colocar à disposição de médicos, enfermeiros e outro pessoal hospitalar habitações com rendas acessíveis. Ainda é de todo o interesse facilitar o acesso ao hospital, dando prioridade às ambulâncias e outros veículos (e não a todos) que a ele se dirijam, a partir da Avenida 9 de Julho.

PRIORIDADES DA CÂMARA – Isso seria seguramente o que faria um governo municipal com visão. Mas não o temos. A câmara municipal o que acha natural é colocar, junto do hospital, uma superfície comercial, abrindo para o efeito uma espécie de avenida (de pouco mais de 100 metros) e afogando de trânsito a zona que cerca o hospital e que já está saturada. (E andamos há mais de 25 anos para resolver a necessária ligação da urbanização Talvai e Santo Adrião ao centro da cidade!)

ELEVAÇÃO A CIDADE – Vila Nova de Famalicão pode comemorar a elevação a cidade quando entender, mas importa ter presente que a nossa terra foi elevada a cidade a 14 de Agosto de 1985, pela Lei n.º 40/85 dessa data. No mesmo dia foram elevadas a cidade mais dez vilas, a saber: Águeda, Amarante, Montijo, Olhão da Restauração, Peso da Régua, Ponte de Sor, Rio Maior, Santo Tirso, Torres Novas e Vila da Feira, que passou a denominar-se Santa Maria da Feira.

ELEVAÇÃO A CONCELHO – Também a elevação de Famalicão a concelho não ocorreu em 1835 como está "oficialmente" divulgado, mas antes por Decreto de 6 de Novembro de 1836, da responsabilidade de Passos Manuel. Passos Manuel que nem sequer tem uma rua importante na nossa cidade.

TSF – A TSF esteve no dia 9 de Julho de 2026 na Casa das Artes, participando nas comemoração da elevação de Vila Nova de Famalicão a cidade. Ouvi e retive as intervenções do professor João Cerejeira e de Dora Gaspar, diretora-geral da TECMEAT – Centro Tecnológico. Gostaria de referi-las.

POLÉMICA – Vive-se em Famalicão uma polémica à volta de uma proposta de homenagem aos dois presidentes de câmara municipal (Agostinho Fernandes e Armindo Costa) que mais tempo geriram o nosso concelho desde a sua fundação em 1836. O único que se aproxima e que dirigiu o nosso concelho durante cerca de 12 anos foi Álvaro Marques (1945-1957). Essa polémica está devidamente contada no Jornal de Famalicão de 9 de Julho de 2026. A meu ver, é preciso mais distanciamento para apreciar o que se passou e levou à recusa dessa homenagem por parte da maioria da câmara municipal e à aprovação de proposta alternativa.

NOMEAÇÕES – Não bastava a troca de lugares na administração dos hospitais subsequente à entrada em funções do Governo da AD. Agora ficamos a saber que também 15 das 18 cadeiras distritais da Segurança Social foram agora ocupadas por militantes do PSD. Não é coisa que o PS não tenha feito de modo semelhante no tempo em que foi governo. Mas um erro não justifica outro. E o PSD cometeu-o escandalosamente.

(Em Jornal de Famalicão, 16/07/26)

quinta-feira, 2 de julho de 2026

Urbanização da cidade, superfícies comerciais e hospital

URBANIZAÇÃO – Foi publicado n' O Povo Famalicense de 24 de Junho de 2026 (pp. 11, 12 e 13) um estudo que merece toda a atenção, da autoria do Dr. Daniel Ribeiro de Faria, intitulado "Vila Nova de Famalicão sem os incêndios de 1952: a urbe que poderia ter chegado mais cedo ao futuro". Deste ensaio, que aborda vários temas de muito interesse, destaco a elaboração e aprovação, em 1952, de um anteplano de urbanização (era a designação de então) para a nossa então vila, que resultou da larga visão do presidente da câmara da época, que foi Álvaro Marques.

DESORDENAMENTO – Nunca mais tivemos um presidente de câmara preocupado com o plano de urbanização da nossa cidade. Conviveram todos, até hoje, muito bem com um crescimento da cidade ao sabor dos interesses particulares e assim com o desordenamento que está aí perante os nossos olhos.

A LEI – E tudo isto apesar de a lei actualmente em vigor dizer que "nas sedes do concelho e nas áreas urbanas com mais de 25.000 habitantes, o regime do uso do solo deve ser previsto, preferencialmente, em plano de urbanização municipal" (artigo 98.º, n.º 3, do Decreto-Lei n.º 80/2015, de 14 de Maio). Ainda está para aparecer a câmara e o respectivo presidente que tenham capacidade para fazer um tal plano.

URBANIZAÇÃO DO VINHAL – Entretanto vai ser urbanizado mais um pedaço da cidade, num lugar mais do que discutível e que merecia uma ampla discussão pública. Têm mesmo consciência do que estão a aprovar?

PROLIFERAÇÃO DE SUPERFÍCIES COMERCIAIS – A nossa cidade parece ter, segundo os responsáveis do município, uma clara falta de superfícies comerciais e hipermercados. Dentro do perímetro da cidade há "apenas" seis (6) e por isso a câmara considera desejável uma nova superfície junto do cemitério municipal e outra junto do hospital . Ao menos estas duas, pela sua situação, ficarão muito bem acompanhadas…

NOVO CARTAZ – E bem pode a câmara mandar fazer e divulgar mais um cartaz publicitário, dizendo: "Famalicão, lugar das superfícies comerciais!"

HOSPITAL – A vinda a Famalicão da ministra da Saúde, Ana Paula Martins, no dia 23 de Junho de 2026 não mereceu a atenção e os comentários devidos. Não já quanto à atenção dada à inauguração propriamente dita da Unidade de Saúde Familiar (USF) de Calendário (São Miguel-o-Anjo), mas à interpelação feita pelo presidente da câmara municipal, Mário Passos. Disse este: precisamos de um hospital com capacidade, reabilitado, ampliado com mais serviços e estacionamento. Acrescentou que para isso existe uma solução que considera relativamente barata (entre 20 e 25 milhões de euros), dando execução ao Plano Director Hospitalar.

MINISTRA NÃO SE COMPROMETE – Sobre essa intervenção, a ministra da Saúde declarou que a requalificação e ampliação do Hospital de Vila Nova de Famalicão é uma das prioridades do Governo, mas lembrou que há muitas prioridades e que o Governo não pode dar andamento a todas.

ATITUDE – Será que a câmara e a assembleia municipal vão deixar esquecer este assunto? Devem, a nosso ver, oportuna e inoportunamente lembrar este nosso problema junto do Governo. Assim farão? O tempo o dirá.

SUBURBANOS – Sabem os leitores que há um comboio suburbano Braga-Famalicão-Braga? Os comboios deveriam merecer melhor atenção nossa. A estação e sua envolvente não está à altura da nossa cidade.

MEMÓRIA HISTÓRICA – Voltando aos antigos Paços do Concelho devorado pelos incêndios de 1952, importa dizer que ainda há famalicenses que bem se devem lembrar deles por dentro e por fora. São os que têm mais de 90 anos e boa memória. Era interessante recolher o seu depoimento.

(Em Jornal de Famalicão, 02/07/26)

sexta-feira, 26 de junho de 2026

Pneus, festas e oposição

18.000.000 de PNEUS – Li recentemente uma informação proveniente da Continental (uma multinacional) que lembrava que em Lousado se produz pneus desde 1946 (há 80 anos) e que desde a integração, em 1990, na Continental, a fábrica cresceu de tal modo que hoje tem "uma capacidade anual de produção superior a 18 milhões de pneus e é um dos maiores empregadores da região de Vila Nova de Famalicão, contando com cerca de 3.200 colaboradores".

50.000 PNEUS POR DIA – Correndo o risco de ser polémico, estes dados não me entusiasmam e antes me preocupam. Será que é assim tão bom do ponto de vista ambiental (e não só do ambiente do nosso território, mas do ambiente em geral) que tenhamos uma fábrica capaz de produzir 50.000 pneus por dia? Já se atentou bem no que isso significa em termos de transporte desde Lousado para o destino, que não pode ser naturalmente o nosso país e no lixo que esses pneus vão a prazo causar?

PIB – Claro que se vai dizer que isso não é problema, que a produção de pneus está ambientalmente sustentada, que nenhum perigo existe e o que importa é crescer cada vez mais. Porém, para quem acredita, como acredito, que o crescimento incessante do PIB (Produto Interno Bruto) não é bom para os seres humanos e que ele produz graves perigos a prazo, essa argumentação não convence.

FAMALICÃO EXPORTADOR – E muito menos convence dizer que isso é bom para Famalicão, pois assim (com esta e outras indústrias) é o terceiro município exportador do país, o que deve ser motivo de orgulho. Preferia, como famalicense, ter orgulho por outras razões que não esta.

HERESIA POLÍTICA – Tenho consciência da heresia que esta opinião representa num país e num mundo onde o crescimento económico, medido pelo PIB, é a razão de ser de qualquer país que se queira desenvolvido.

DECRESCIMENTO – Sou adepto desde há muito do decrescimento. Uma corrente política que olha para a relação do homem com a natureza de modo muito diferente. Podemos viver muito melhor com muitos menos pneus e quem diz pneus diz tantos bens que em vez de nos darem mais liberdade e felicidade nos aprisionam no consumo.

HISTÓRIA – Um apontamento mais. Bem podia a informação sobre os 80 anos da produção de pneus em Lousado celebrada pela multinacional incluir uma breve história da fábrica que se chamava Mabor. Mas que interessa a história para uma multinacional?

FESTAS ANTONINAS – Acabaram as Festas Antoninas e assim se terá gasto um milhão de euros, mas não é disso que o povo gosta? Satisfazer o povo é o lema de quem governa, mesmo que se ignorem tantas coisas, bem importantes, de que o povo precisa.

OPOSIÇÃO – Pelo que me foi dado ler e ver, a oposição PS famalicense não está contente pelo facto de receber uma convocatória para a reunião quinzenal da câmara acompanhada por centenas de páginas dois dias antes da data da reunião e assim, na altura da votação de assuntos importantes que exigem leitura e estudo, vota contra ou abstém-se com forte desagrado da maioria. Mas poderia a oposição votar de outro modo? Não se pode votar a favor de algo de que não se tem conhecimento bem fundamentado.

(Em Jornal de Famalicão, 26/06/26)

quinta-feira, 28 de maio de 2026

Parques de estacionamento e meios de comunicação social locais

PROMESSA DE HÁ MAIS DE VINTE ANOS – Em Janeiro de 2004, o presidente da câmara Armindo Costa anunciava numa sessão da Assembleia Municipal na "Informação do Presidente" o propósito firme de fazer da estação e de toda a sua envolvente um "exemplo de qualidade e excelência, num autêntico processo de requalificação e dinamização urbana". Sobre isto escrevi uma palavra apenas: "óptimo. É disso que precisamos!”. Escrevi ainda com base nessa informação do presidente: "Assinale-se também a criação de um interface rodoferroviário e estacionamento público coberto, distribuído por dois pisos e dotado de 380 lugares, com ligação inferior à estação e suas plataformas de embarque". E acrescentava: "O interface rodoviário é essencial e o estacionamento coberto com a dimensão apresentada é um projecto arrojado, merecendo ambos aplauso". (*)

MAIS DE 22 ANOS DEPOIS – Já passaram mais de 22 anos (25 da Coligação PSD/CDS) e nem a requalificação da zona da estação, nem o  parque de 380 lugares. Apenas uma simples promessa há dias, no fim de uma reunião camarária, de que esse parque de estacionamento está em estudo (!) e vai avançar. Não sabemos  se vai ser uma concretização deste projecto por cima (mais arrojado ainda, como devia) ou por baixo ou ainda nada.  Tentaremos acompanhar, embora o mais provável será a câmara ficar-se mais uma vez pelas palavras. 

O PARQUINHO DO CENTRO DE SAÚDE – Entretanto, num vídeo bem elaborado, o jornal digital Cidade Hoje diz-nos que a câmara municipal vai abrir um concurso público para um parque de estacionamento de automóveis junto do centro de saúde e muito perto da estação ferroviária. Só que o vídeo não nos diz nem o preço, nem a quantidade de lugares. Procurei informação noutro lado (Jornal de Notícias e Notícias de Famalicão digital). O valor da empreitada é de mais 2 milhões e 600 mil euros para 79 lugares, dos quais 48 cobertos. Fazendo as contas, cada lugar vai custar mais de 32.500 €. E se fizermos as contas só aos lugares cobertos temos um custo de mais de 50.000 € por cada lugar. Um bocado caro, não é? A oposição PS votou contra. Não basta! É preciso explicar aos famalicenses que não se gasta assim o nosso dinheiro. Se for preciso publicar e divulgar um pequeno folheto impresso, contribuo para o custear. É que há  alternativas muito melhores e muito mais baratas.

ANTÓNIO JOAQUIM – Luís Paulo Rodrigues no Notícias de Famalicão e o Dr. João Afonso Machado neste Jornal de Famalicão, de 21 de Maio de 2026, evocavam a memória de António Joaquim de  Miranda  Pinto da Silva, recentemente falecido, enaltecendo as suas qualidades de investigador da nossa história local: "o maior conhecedor da história de Famalicão", nas palavras  de João Afonso. Não lidei de perto com o Dr. António Joaquim, mas nas vezes que conversei com ele no Arquivo Municipal impressionou-me, para além do conhecimento que tinha da história de Famalicão, a sua modéstia. Não se vangloriava do seu saber, que era muito. 

MEIOS DE COMUNICAÇÃO SOCIAL LOCAIS – Porventura a lista não é completa nem rigorosa, mas entre os meios de comunicação social locais temos: o Cidade Hoje (jornal e rádio), O Povo Famalicense (jornal semanal impresso gratuito), Editave (jornal Opinião Pública, Rádio Digital e FamaTV), Famalicão Canal (jornal e TV), A Nossa Terra (Ribeirão – jornal impresso), Notícias de Famalicão (jornal digital) e o decano de todos eles, Jornal de Famalicão (jornal semanal impresso).

CONTROLO DOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO SOCIAL – A câmara municipal controla ou tenta controlar os meios de comunicação social locais. Tenho-o dito e mantenho. Prova disso é, por exemplo, o montante dos gastos com o apoio às empresas que são proprietárias desses meios de comunicação social que não primam pela isenção e que a câmara municipal esconde. Bem se pergunta quanto gastou efectivamente, de forma bem discriminada e fácil de entender, com cada uma dessas empresas locais em 2024 e em 2025 e a Câmara "torce-se toda" e não informa correctamente. 

OUTROS ASSUNTOS – São tantos os assuntos do nosso município que precisam de ser tratados que não podemos sequer mencioná-los aqui. Entre os mais recentes destaca-se a derrapagem de 3 milhões e 500 mil euros em obras municipais. Cabe aos meios de comunicação social locais e às oposições fazer esse trabalho. Meios de comunicação social locais que não escrutinem o poder são meras cópias, com outro formato, do efe.

ÁRVORES VERDES – A minha rua só tem árvores escuras. Uma delas secou e outras estão tortas e mal tratadas. Em vez delas ponham lá árvores de folhas verdes, imploro!

(*) Jornal Opinião Pública, 19/01/04, transcrito no meu livro As Assembleias Municipais Precisam de Reforma – Diário da Assembleia Municipal de Vila Nova de Famalicão – 2002 a 2005, pp. 205-206, editado em 2006.

(Em Jornal de Famalicão, 28/05/26)

quinta-feira, 14 de maio de 2026

O “efe" e a Feira Grande (ignorada) de maio

A RAZÃO DO PRESIDENTE DA CÂMARA MUNICIPAL – O presidente da câmara municipal tem razão: publicações de propaganda como o efe não existem só em Vila Nova de Famalicão, elas estão espalhadas por todo o país.

BOLETINS DE PROPAGANDA – No entanto, porque são boletins de propaganda do presidente da câmara, são condenáveis. São um claro abuso do poder. Os presidentes de câmara não foram eleitos para serem diretores de publicações de exaltação dos seus feitos à custa dos dinheiros dos munícipes.

EFE 2 – Depois do efe 1, a "nova publicação" do município de Vila Nova de Famalicão surgida em Fevereiro deste ano, apareceu o efe 2, o velho boletim de propaganda da câmara municipal, recuperando agora o nome de "boletim municipal" com data de Abril.

DIRETIVA DA ERC – Esta publicação híbrida que aparenta ser um jornal, mas não é, que se apresenta agora como boletim municipal, sem ser um verdadeiro boletim municipal, viola as regras da Diretiva n.º 1/2008, de 24 de Setembro, da ERC, que está disponível no respectivo site, e que, para além de muito mais, estabelece que publicações como o efe encontram-se obrigadas a veicular a expressão das diferentes forças e sensibilidades políticas que integram os órgãos autárquicos.

DIA 8 DE MAIO – Há um ditado popular que diz "Sol nas Cruzes, chuva na Feira Grande". As Cruzes são as Festas de Barcelos que têm o ponto alto no dia 3 de Maio; a Feira Grande é a feira de 8 de Maio em Famalicão. Assim sucedeu este ano. Depois do sol nas Cruzes, o dia 8 de Maio amanheceu com chuva que se prolongou até ao fim da manhã, passando a sol e fortes luzernas da parte de tarde.

FEIRA GRANDE – Passei junto da Feira Grande e deu para ver que tivemos uma feira muito pequena. A Feira Grande de Maio foi ignorada no programa da Festa da Flor.

AGRICULTURA E PECUÁRIA – Isto diz bem do abandono a que o nosso governo municipal vota a atividade agrícola, pecuária e florestal. Famalicão, que tem na sua génese uma forte atividade económica no sector primário, está a abandoná-la e com ela a sua cada vez mais diminuta soberania alimentar. É cada vez mais residual o que produzimos para a nossa alimentação. Vivemos dependentes, somos pedintes. Pagamos, é certo, o que pedimos, mas se não houver, por uma qualquer razão internacional grave, produtos para vender, passamos fome.

SENHORA DOS REMÉDIOS – A Festa da Senhora dos Remédios na Freguesia de Calendário fez-se no dia 10 de Maio sem que a chuva a impedisse.

PLÁTANOS – Temos ao longo da Avenida 25 de Abril, desde a estação ferroviária, uma frondosa avenida de plátanos que enriquecem a nossa cidade. Precisamos de cuidar deles, fazendo as podas e outras intervenções necessárias, mas preservando-os. Aliás, depois dos plátanos e no sentido nascente, temos a Avenida das Tílias (Av. Narciso Ferreira) e a Avenida do Brasil com árvores muito especiais (Ginkgo biloba, jugo), mas que devem ser bem acolhidas. Todas estas árvores e as demais da cidade devem ser cuidadosamente tratadas, o que nem sempre vemos.

REGIMENTO – O regimento da nossa assembleia municipal não é um problema interno dos seus membros. Temos o direito de acompanhar de perto a sua elaboração, pois está em causa não só a intervenção do público (esta nunca deve ser desvalorizada), mas o apoio aos grupos municipais (instalações, pessoal e meios financeiros), a existência de comissões permanentes sectoriais e eventuais e tantos outros assuntos que nos interessam. Os deputados municipais se querem cumprir bem o seu mandato devem ouvir a opinião dos munícipes.

REORGANIZAÇÃO DOS SERVIÇOS – Não interessa uma qualquer reorganização dos serviços do nosso município. Essa reorganização que acaba de ser aprovada deve ser bem justificada e explicada. Caso tal não suceda, as dúvidas e as suspeições surgem. Onde podemos consultar o relatório detalhado que a justifica?

(Em Jornal de Famalicão, 14/05/26)

sábado, 2 de maio de 2026

As gaiolas dos vereadores

"GABINETES" DOS VEREADORES – Fui visitar um dia destes os "gabinetes" dos vereadores situados no Centro Comercial Vinova junto dos Paços do Concelho. É difícil encontrá-los, pois estão escondidos e não há nenhuma sinalização desde a entrada do centro até à porta. Os gabinetes em questão são duas gaiolas, uma maior, outra mais pequena, podendo o leitor ver a única ligação que a maior tem com o exterior pela foto junta a este texto. Custa saber que é assim que a câmara trata vereadores eleitos e custa também verificar como eles se sujeitam a uma tal humilhação. Por quanto tempo? E, entretanto, não lutam, oportuna e inoportunamente, por gabinetes decentes?

FERIADOS NACIONAIS – Os feriados nacionais são para celebrar e não para trabalhar, salvo serviços essenciais ou serviços que contribuam para uma melhor celebração. Custa ver nos feriados nacionais (25 de Abril e 1.º de Maio) tantos estabelecimentos privados abertos, enquanto a função pública está fechada. Não é justo!

BOA REGULADORA – É pena que o edifício da Boa Reguladora (junto da estação ferroviária) esteja em contínua degradação e ninguém se importe com isso. Uma câmara ciosa da valorização da nossa cidade agia e a oposição estava pronta para criticar essa falta de cuidado do executivo.

FESTA DA FLOR – Alguém me dizia e com razão que a melhor Festa da Flor que podíamos fazer era um concurso de jardins por todo o concelho com prémios para os melhores jardins públicos e privados que evidenciassem a beleza da Primavera. Alguns deles até já existem. Tratava-se agora de incentivar e premiar.

FESTA DA FLOR II – Em vez disso vão cortar-se milhares e milhares de flores para fazer um espectáculo que acaba com muito lixo no chão e muito dinheiro gasto com uma estrela da música. Quanto vai custar esta festa ao todo?

FESTA DA FLOR III – E já se reparou que o município meteu debaixo do tapete a Feira Grande de Maio (8 de Maio), que enaltecia o poder agrícola do nosso concelho? A agricultura está desprezada. Leia-se a este propósito o texto sobre a romã de Luís Paulo Rodrigues no jornal digital Notícias de Famalicão.

REORGANIZAÇÃO DOS SERVIÇOS – O que se passa com a reorganização dos serviços municipais? A informação é escassa e sabemos que, pelo menos, o PS votou contra na reunião de câmara.

BCG – O edifício do BCG junto da Universidade Lusíada (ladeia pelo lado esquerdo a Rua Ernesto Carvalho no sentido descendente) está em obras não se sabe desde quando nem quando terminam. Não há cartaz lá afixado que indique o princípio e o fim das mesmas. A ideia que fica é que as obras estão paradas, o que não se compreende. Faz muita falta este equipamento.

TAREFA DOS VEREADORES – Os vereadores da câmara municipal recebem a documentação das reuniões em que vão participar muito em cima da hora, de tal modo que não se podem preparar devidamente para intervir. Devem protestar sempre.

INFORMAÇÃO – Os vereadores têm o direito de obter informação sobre os assuntos do município, mas frequentemente solicitam-na e não a obtêm, apesar disso constituir uma violação clara da lei. Uma dessas informações é a despesa devidamente explicitada com a publicidade nos meios de comunicação social.

TRANSPARENCIA DAS SESSÕES DA AM – As reuniões da nossa assembleia municipal são felizmente transmitidas pela net, o que torna possível que, em casa, se possa seguir todas as reuniões e revê-las em qualquer altura. Faz falta uma divulgação mais ampla das datas das sessões ordinárias e extraordinárias, quer na página do município (primeira página), quer nos meios de comunicação social locais. É barato.

ANTES DA ORDEM DO DIA – Na reunião de segunda-feira (27 de Abril de 2026) o período "antes da ordem do dia" demorou cerca de 1h40. É excessivo! Uma hora deveria ser o máximo.

EFE – Nenhum grupo municipal deixou passar em branco o boletim/jornal efe no período próprio da reunião que é o da "informação do presidente". Todos o criticaram, excepto, como era de prever, os dois grupos da maioria. Importa não deixar cair no esquecimento este boletim de propaganda.

ESPAÇO – É pena que os deputados e o público tenham de participar nas reuniões num espaço tão limitado como é o da antiga Sala de Audiências do Tribunal Judicial da Comarca. Vejam o que se passa nos concelhos limítrofes e comparem.

PLENÁRIO – Não se compreende que assuntos tão importantes como o plano de actividades e orçamento e o relatório de actividades e contas sigam diretamente da câmara para o plenário da assembleia municipal, sem passarem por uma comissão permanente da assembleia. O debate assim é muito mais pobre.

MOBIAVE – A grande maioria dos autocarros continua a circular praticamente sem passageiros. Ninguém liga?

(Em Jornal de Famalicão, 30/04/26)

sexta-feira, 17 de abril de 2026

Famalicão e os transportes públicos

TRANSPORTES PÚBLICOS – Por razões várias de todos bem conhecidas, é de fomentar o transporte público. Vejam, por exemplo, o que é uma ou duas pessoas transportarem de um lugar para outro uma carcaça que pesa em média mais de uma tonelada, gastando combustível ou electricidade e dificultando o trânsito, à procura de um lugar de estacionamento ou para entrar e sair de uma cidade. Mesmo assim vemos as estradas e as cidades entupidas com milhares de automóveis.

TRANSPORTES PÚBLICOS II – Para fomentar o transporte público e desincentivar transporte privado, é preciso organizar bem os transportes públicos. Famalicão está numa situação privilegiada para os utilizar nas viagens para as cidades e vilas que nos estão próximas. No entanto, vejamos o que acontece a quem quer utilizar transportes públicos a partir de Famalicão.

TRANSPORTES PÚBLICOS III – PORTO – Uma deslocação para o Porto pode ser feita de comboio, sendo pena que apenas haja comboios rápidos urbanos até Ermesinde, pois a partir desta cidade existe o famigerado estrangulamento de Ermesinde–Contumil e é, por outro lado, obrigatório parar em tudo o que é apeadeiro (chamam-lhe estações!) até Campanhã. Para o Porto a viagem pode ser feita também de autocarro, havendo vários que levam rapidamente as pessoas de Famalicão até à entrada do Porto. É a cidade com quem temos, apesar de tudo, melhores ligações.

TRANSPORTES PÚBLICOS IV – BRAGA – A deslocação para Braga pode ser feita facilmente por comboio até à estação de Braga. Pena é não haver autocarros rápidos entre Famalicão e Braga. Já houve e deveria haver de novo.

TRANSPORTES PÚBLICOS V – OUTRAS CIDADES – Mais difícil é a deslocação para Guimarães, pois os comboios são lentos e obrigam a um transbordo em Lousado e não há autocarros rápidos, mas apenas autocarros que param em dezenas de paragens e circulam numa estrada em mau estado. O mesmo se diga para Barcelos, pois há poucos comboios directos para Barcelos e não há autocarros rápidos. E ficando o mar tão próximo,, é pena que não haja autocarros rápidos entre Famalicão, Póvoa de Varzim e Vila do Conde (excepto no Verão). Temos autocarros sempre a parar e a linha férrea já foi, infelizmente, suprimida há algumas dezenas de anos.

TRANSPORTES PÚBLICOS VI – AGIR – Dentro deste quadro, muito há a fazer por parte do nosso município. Desde, logo lutar por autocarros rápidos para Braga, Guimarães, Barcelos e Póvoa de Varzim e Vila do Conde (durante todo o ano). E também por mais e melhores comboios para o trajecto Porto–Braga e vice-versa. Sabemos que entre Porto e Braga há comboios que circulam superlotados a certas horas do dia, mas esquecemos que andar em comboios superlotados e, assim, em pé, não constitui um incentivo para utilizar este meio de transporte.

MOBIAVE – Causa dó ver na cidade, mesmo em horas de ponta, autocarros vazios. Ninguém coloca este problema na agenda política? Pobre(s) oposição (ões).

REABILITAÇÃO DE PRÉDIOS – Fico contente sempre que acontece uma reabilitação de prédios no centro da cidade. Ao que parece, vai ser reabilitado o já velho (e feio) edifício do ex-BNU na Praça D.ª Maria II (antiga EN n.º 14 – Porto–Braga). Esperemos que tal suceda em breve e assim fique enriquecido o centro da cidade.

FALSAS REABILITAÇÕES DE PRÉDIOS – Pelo contrário, entristece ver prédios falsamente reabilitados. Vejam-se, por exemplo, o prédio na esquina da Rua Adriano Pinto Basto com a Avenida Narciso Ferreira, junto da Íris, e o prédio municipal da mesma rua Adriano, junto do Arquivo Municipal. Prédios pintados ou com paredes e tectos arranjados, mas vazios no miolo. São prédios sem utilização, que empobrecem a cidade.

COLABORAÇÃO QUINZENAL – Apenas por excepção quebrámos a anunciada publicação quinzenal neste semanário. Tencionamos voltar a ela.

(Em Jornal de Famalicão, 06/04/26)

sexta-feira, 10 de abril de 2026

Páscoa e Primavera

PÁSCOA DO CONSUMO – A  Páscoa é um tempo espiritualmente forte que revive todos os anos o julgamento, a morte e a ressurreição de Jesus Cristo. No entanto, transformamos a Páscoa num tempo de férias e de consumo desmesurado que atinge um momento alto no almoço do próprio domingo de Páscoa. A Páscoa não é isto, mas tornou-se nisto. 

TAXA DE PLÁSTICO – A taxa sobre os sacos de plástico foi introduzida a 15 de Fevereiro de 2015 pelo famalicense Jorge Moreira da Silva, então ministro do Ambiente, que fixou o valor de 10 cêntimos (8 cêntimos + IVA) por saco leve, com o objetivo de reduzir o seu consumo e promover a sustentabilidade, resultando numa queda drástica na utilização destes sacos. As pessoas ainda se lembram do tempo em que os hiper e supermercados ofereciam a cada cliente um saco que era uma forma de publicidade. Precisamos agora de actualizar essa taxa e aplicá-la também a outros sacos de plástico que até agora a ela não estão sujeitos, nomeadamente de fruta e outros produtos

EMBALAGENS VOLTA – Veremos os efeitos do "Volta" a partir do dia 10 de Abril  de 2026. Trata-se, segundo percebi, de um mecanismo nacional que permite recolher e reciclar embalagens de bebidas não reutilizáveis, estando abrangidas garrafas e latas de plástico ou metal que contenham no rótulo o símbolo Volta.

UBANIZAÇÃO E PARQUE DO VINHAL – Fiz há dias mais uma visita guiada à Urbanização do Vinhal (lado poente do hospital), dando especial atenção ao regato que a atravessa e ao parque que a integra. Aquela zona residencial é muito valorizada pelas árvores e pelo  curso de água que desagua no rio Pelhe e depois segue para o  rio Ave. Só que há por ali muito desleixo que começa logo pela intermitente poluição do regato, que impede a vida que ele deveria ter. Preciso de fazer uma visita guiada com responsáveis da nossa autarquia local para dizer algo mais.

QUERCUS – Dizíamos, há quinze dias, que o majestoso carvalho (Quercus) junto dos Paços do Concelho (lado norte) estava despido, sendo a imagem do Inverno. Pois, como prevíamos, já está outro, enriquecido de ramos e folhas, marcando a sua soberania no jardim dos Paços do Concelho.

CEREJEIRAS DE FLORES – Quase não vemos no nosso concelho cerejeiras a produzir cerejas (embora as haja), mas vemos cerejeiras muito bonitas cheias de flores. Elas estão não só no jardim dos Paços do Concelho, plantada por José Saramago (assisti a essa plantação – 21/03/19), mas também junto da recentemente encerrada Padaria Celeste e ainda ao longo da Avenida Eng.º Pinheiro Braga (a merecer mais cuidada atenção), e em muitos jardins particulares  das nossas freguesias. Mas as mais bonitas vi-as na semana passada em Vilarinho de Samardã (Vila Real)

GLICÍNIAS – Mas não são só as cerejeiras que animam uma Primavera especialmente bela  neste ano de 2026. Há muitas outras flores exuberantes nesta estação e não se podem esquecer, entre outras, as glicínias que abundam no nosso concelho. 

CIDADE DO PELHE – O Senhor Juiz Conselheiro Pedro Soares, no seu texto de hoje neste jornal, chama a Famalicão a "cidade do Pelhe". Nunca tinha visto desse modo a nossa terra, mas tem razão. O rio Pelhe, afluente do Ave, atravessa o Parque da Devesa e este parque tornou-se uma marca da cidade. De um curso de água pequeno (20 quilómetros), nascido numa ponta do concelho (Portela) e desaguando noutra ponta do mesmo (Lousado), temos o dever de fazer dele um exemplo de cuidado com a natureza e  um habitat natural de muitos peixes e outra fauna e também flora própria. Podemos fazer deste pequeno rio um grande  exemplo de cuidado ambiental a nível nacional. É um belo desafio! Somos capazes?

OPINIÃO PÚBLICA (ESCLARECIMENTO) – Tudo o que tenho escrito sobre o boletim/jornal efe mantenho. Importa, no entanto, esclarecer que a  suspensão da publicação por tempo indeterminado do jornal Opinião Pública (OP) não pode fundamentar-se na concorrência provocada pela nova publicação municipal que se anuncia bimestral. Uma publicação  que surge seis vezes ao ano não concorre com uma publicação semanal por muito esforço que faça e por muito dinheiro nosso que gaste. Importa arranjar melhor argumento. A não ser que a administração do Opinião Pública não tenha outro melhor.

OPINIÃO PÚBLICA (FUNDAÇÃO) – O OP foi fundado há 34 anos por iniciativa de  Feliz Pereira, que reuniu uma equipa plural com um fim jornalístico e não político-partidário. Em recente reunião, Feliz Pereira dizia que o OP já passou por muitos tempos difíceis e ultrapassou-os. Seria bom que tal sucedesse mais uma vez. Sucederá? A actual administração da Editave está à prova. Poucos acreditam.

CHUVA – Abençoada chuva que chegou nesta terça-feira, dia 7 de Abril, depois de semanas quentes e secas. Esperemos apenas que não seja em excesso.

(Em Jornal de Famalicão, 09/04/26)

quinta-feira, 26 de março de 2026

Sobre os vereadores

VEREADORES – Há uma ideia muito difundida de que numa câmara municipal manda o presidente, sendo os vereadores, mesmo os da maioria, apenas  servidores do presidente, meros executores das ordens deste.

VEREADORES II – Não tenho essa ideia, nem ela resulta da Constituição ou da lei. Os vereadores dentro da câmara têm opinião própria sobre os assuntos do município e podem até, no fim, concordar com o presidente, mas não deixam de  exprimir e defender no seio da maioria o que pensam. Claro que não procedem assim nas reuniões formais (privadas ou públicas), mas fazem-no nas reuniões informais que precedem ou devem preceder as reuniões em que estão presentes todos os vereadores.

VEREADORES III – E se assim não procederem, quer porque não há essas reuniões informais, quer porque durante elas apenas ouvem o que o presidente diz nessas reuniões, não merecem ser vereadores. Um vereador tem direito a voto igual ao do presidente, apenas não tem voto de qualidade no caso de empate.

VEREADORES IV – É certo que o presidente da câmara tem o poder de lhes retirar pelouros sempre que assim entenda, mas um vereador que se preze tem, nesse caso, o poder de renunciar ao cargo ou de passar à situação de vereador independente. Pode ficar, na verdade, sem o vencimento que resulta de exercer a tempo inteiro ou meio tempo, mas mal de um vereador que continua no cargo apenas por causa do vencimento. Nesse caso não é vereador, é um empregado do patrão-presidente. Não preza a sua dignidade.

VEREADORES V – Desejo para os municípios do nosso país vereadores que tenham personalidade, que contribuam com a sua opinião para o bem comum do município. E quanto aos vereadores da oposição, devem eles também exprimir o que pensam nas reuniões formais, concordando com aquilo que entendem ser bom para o município respectivo, mas discordando e criticando o que consideram dever ser criticado. Se entram e saem das reuniões calados, se não fazem intervenções apropriadas, nem sequer merecem o exíguo valor das senhas de presença.

LOURO – Na freguesia do Louro, a Fraternidade de Nuno Álvares, associação privada de âmbito nacional, sem fins lucrativos, constituída por antigos filiados do Corpo Nacional de Escutas (CNE) teve a feliz ideia de dar vida à Escola Primária de Armental, reconstituindo uma sala de aulas do tempo do antigo regime. A inauguração, a que assistimos, ocorreu no passado sábado, dia 21/03/26, com muito interesse e participação e sobre ela esperamos dizer, oportunamente, algo mais.  

BOLETINS MUNICIPAIS – Já dissemos que o nosso boletim municipal (o agora "renovado" efe) é ilegal porque é um boletim de propaganda do presidente da câmara e da maioria que o acompanha, pago com o dinheiro de todos os famalicenses.

BOLETINS MUNICIPAIS II – Em França, há legislação, doutrina e jurisprudência expressa sobre a matéria, estipulando o artigo L. 2121-27-1 do Código Geral das Autarquias Locais que, nos municípios com 1.000 habitantes ou mais, quando o município publica um boletim informativo geral sobre as realizações e a gestão da câmara municipal, deve neles ser reservado um espaço para a expressão dos vereadores que não pertençam à maioria. Tencionamos voltar a este assunto.

QUERCUS E MAGNÓLIA – Enquanto a magnólia do jardim dos Paços do Concelho junto da Assembleia Municipal já perdeu as flores e exibe agora esplendorosa folhagem, o enorme carvalho (quercus) que lhe fica perto ainda exibe o Inverno, mas um dia destes desponta e torna-se a árvore mais frondosa do jardim. Estejam atentos.

FAMALICENSES – A secção "Famalicenses", que este jornal me deu liberdade de orientar, vai ter de novo continuidade regular com periodicidade quinzenal. Consideram-se famalicenses, para este efeito, as pessoas naturais do concelho, as que nele residem (1.ª ou 2.ª residência) e as que nele trabalham ou trabalharam. Dedica-se esta secção a famalicenses que, por alguma razão, se destacam ou destacaram. A escolha é, felizmente, difícil.  

(Em Jornal de Famalicão, 26/03/26)

sexta-feira, 13 de março de 2026

efe – um lamentável boletim de propaganda!

Há momentos em que são precisas atitudes que choquem a opinião pública e a suspensão temporária da edição impressa exactamente do jornal Opinião Pública é uma delas.

Diz-se que a suspensão foi apenas um pretexto, pois o jornal impresso ia acabar mais dia menos dia. Porém, mesmo que tenha sido um pretexto – e está por provar –, a Editave, proprietária do jornal, aproveitou-o bem.

E isso vê-se na reacção da câmara municipal através do comunicado que distribuiu à imprensa e que está escondido no meio da página oficial do município. Quando a câmara municipal se vê obrigada a defender-se e a defender a publicação do jornal efe algo de grave se passa.

Lamenta a câmara municipal "que esta decisão de suspender um título semanal com mais de três décadas de existência esteja a ser justificada com a recente edição do renovado boletim municipal – o efe –, que foi lançado há nem uma semana e que será editado de dois em dois meses". Ora, o que a câmara municipal devia lamentar é a infeliz publicação do dito "renovado boletim municipal". Desde logo, porque não se trata de um boletim municipal, mas de um boletim de propaganda da maioria liderada pelo presidente da câmara que ocupa nele o lugar cimeiro.

Se fosse um verdadeiro boletim municipal, seria objectivo e publicava regularmente as actas da câmara e da assembleia, bem como as deliberações e despachos com eficácia externa do município e nada mais do que isso e divulgá-lo-ia electronicamente para poupar dinheiro. Era uma espécie de Diário da República local de que serve de exemplo o do município do Porto (e não só).

Mas mesmo que se entenda que um boletim municipal pode ir mais longe e publicar outra informação e notícias, então deveria ser um boletim da responsabilidade da câmara municipal (toda) e da assembleia municipal (toda) e não um boletim do presidente da câmara e seus amigos da vereação.

Infelizmente, o efe é mesmo e apenas um boletim/jornal onde o presidente da câmara mete o que bem entende e o que ele entende são os feitos gloriosos da câmara que dirige e outros igualmente gloriosos que estão para vir. Para disfarçar mete também outras coisas igualmente boas que não são mérito seu (êxitos de pessoas ou de empresas famalicenses, por exemplo), mas que ficam bem num boletim de propaganda.

Ora, nem é preciso lei, embora exista, para dizer que isto não se pode fazer. O Senhor Presidente da Câmara, ilustre director da coisa e seus cúmplices da vereação (e ainda eventualmente da assembleia municipa)l não podem utilizar dinheiros públicos para fazer propaganda. Se a quiserem fazer, arranjem um jornal, distribuam-no gratuitamente e paguem-no do seu bolso, pois as pessoas não costumam pagar propaganda. É uma questão de decência.

Dir-me-ão que estes boletins de propaganda existem em muitos outros municípios e em Famalicão já têm mais de 40 anos (década de 80). É verdade, mas não é por isso que se justificam e estou particularmente à-vontade nesta matéria, porque sempre os critiquei, viessem de onde viessem.

Agora está à prova a força da oposição – melhor, das oposições – em Famalicão. Veremos se elas são também cúmplices desta publicação. E serão se se calarem até aparecer o novo efe, que sairá dentro em breve (é bimestral), em vez de utilizarem todos os meios ao seu alcance, e são vários, para pôr fim a este claro ataque aos valores da democracia.

Importa lembrar que a câmara tem uma boa saída para esta situação que a enobrecerá: acabar com a publicação do efe, passando a editar um verdadeiro boletim municipal electrónico e apoiando seriamente, com transparência e equidade, toda a imprensa famalicense reconhecida na ERC. Não é difícil!

(Em Jornal de Famalicão, 12/03/26)

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

Lutar pela paz na Ucrânia (4 anos de guerra)

UCRÂNIA – Utilizamos estas colunas do Jornal de Famalicão para tratar de assuntos locais. É essa a regra. No entanto, escrevemos estas linhas no dia 24 de Fevereiro de 2026 e passam nesta data quatro anos sobre a abominável invasão da Ucrânia pela Rússia. Lembro-me bem daquela enorme fila de viaturas militares que entraram pelo território ucraniano. Depois disso, a Rússia continua a mostrar o que é: um regime ditatorial que não tem nenhuns escrúpulos em matar a população civil (desde logo crianças e mulheres) da Ucrânia. A Ucrânia não tem possibilidade de se opor a esta ofensiva diabólica de uma potência nuclear. A meu ver não vale a pena continuar indefinidamente esta guerra. Faça-se um acordo que será sempre um mau acordo, mas é melhor que ver morrer pessoas indefesas. Depois disso, importa lutar com as "armas da não violência". Precisamos de seguir os exemplos de Gandhi, de Mandela e de Luther King. Corrida às armas, não!

EFE (efe) – Sabem o que é o jornal efe? Ainda não repararam nele? Tem uma tiragem de 61.750 exemplares, tem como director Mário Passos e é apenas o outro nome do anterior boletim municipal – melhor, do anterior boletim de propaganda da câmara. Merece uma referência mais detalhada que esperamos ter a oportunidade de fazer.

EFE (efe) II – Vi ontem, 4.ª feira de manhã, dia 25/02/26, que o jornal Opinião Pública, com capa de luto, titula a toda a largura da primeira página: "Jornal Opinião Pública suspende publicação em papel por tempo indeterminado", reagindo desse modo ao aparecimento do efe. É uma reacção firme e adequada. Por sua vez, o jornal Povo Famalicense, embora com uma posição muito mais branda, não deixa de titular em primeira página: "Município lança jornal efe, oposição censura".

EFE (efe) III – Importa dizer que esta publicação do nosso município é ilegal, pois a lei não permite que se utilizem dinheiros públicos para fazer propaganda camarária. Nada haveria a dizer se esta publicação fosse da responsabilidade do PSD/CDS, paga pelos partidos que a integram e distribuída pelos circuitos normais. Importa ver como reage a entidade de tutela que é actualmente a IGF.

EFE (efe) IV – Importante será saber também como vão reagir as oposições nos órgãos do município. Uma moção de censura da assembleia municipal à Câmara Municipal, mesmo não tendo êxito, dada a maioria neles existente, é a atitude que se espera. Ao lado disso, devem as oposições locais ter capacidade para tornar este um assunto nacional, pois é um ataque à democracia o que esta publicação, tal como as anteriores, representa.

PLANO DE URBANIZAÇÃO DA CIDADE – O artigo 98.º da Lei n.º 80/2015, de 14 de Maio, estabelece no seu n.º 3 que: "Nas sedes de concelho e nas áreas urbanas com mais de 25.000 habitantes, o regime do uso do solo deve ser previsto, preferencialmente, em plano de urbanização municipal". Isto diz a lei, mas infelizmente a nossa cidade continua sem um plano de urbanização ou sequer a preparação dele. A nossa cidade tem crescido muito, mas mal. Duvidam?

MAGNÓLIA – É bonita a árvore que floresce nos Paços do Concelho, junto da Assembleia Municipal. Nesta árvore exótica surgem primeiro belas flores, numa enorme quantidade, e só depois as folhas. Tem resistido à chuva e ao vento.

BANKÜ – O nome não me parece feliz (e tem trema!), mas isso não é o mais importante. O que interessa é que se consolide como um bar de qualidade.

EX-HOTEL GARANTIA – Está quase pronta a reabilitação do prédio que foi o Hotel Garantia. Os passeios já foram devolvidos aos cidadãos. Ainda bem. Este edifício não vai ser inaugurado? Merecia.

(Em Jornal de Famalicão, 26/02/26)

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Prioridades e prevenção

GERIR O MUNICÍPIO  – Como já dissemos, mais do que uma vez, gerir o município de Vila Nova de Famalicão não é tarefa fácil. É um grande município e são muitos os assuntos que precisam de ser resolvidos. A página oficial do município engana quando apresenta logo na abertura e com todo o destaque o assunto Carnaval.

PRIORIDADES – Não, o Carnaval não merece esse destaque, nem merece que se gaste com ele tanto dinheiro (mais de 200.000 euros). Bem se podia poupar aqui, gastando muito menos e utilizando o dinheiro restante em coisas mais necessárias. Qualquer leitor atento sabe bem disso. Podemos discordar nas prioridades, mas o Carnaval não é certamente uma. É má gestão dos dinheiros públicos.

CAPELA DE SANTO ANTÓNIO – Também não é prioridade, a nosso ver, o arranjo da entrada da Capela de Santo António. Não se põe em causa que fique melhor com este arranjo, o que se põe em causa é que seja uma prioridade, sabendo nós os muitos e graves problemas que existem.

PREVENÇÃO – Olhando para o que aconteceu na zona centro do país com o vendaval e as chuvas, é dever nosso cuidar da prevenção no nosso município para minimizar os efeitos que poderão advir de catástrofes semelhantes ou de outras igualmente graves. 

COMISSÃO MUNICIPAL DE PROTECÇÃO CIVIL  – Fui à procura da protecção civil no nosso concelho e encontrei na secção respectiva da página do município "O que procura?" um regulamento que diz que a Comissão Municipal de Protecção Civil é composta, nos termos da lei, pelo presidente da câmara municipal ou vereador com competência por ele delegada e mais 16 (dezasseis) elementos. Mas será uma tal comissão, que reúne ordinariamente uma vez por ano, eficaz? 

ELEMENTOS DA COMISSÃO – E quem são esses elementos? Sabemos que ela é presidida pelo presidente da câmara, mas isso chega para nos dar confiança? Não deveria ser do conhecimento geral  quem são os nomes da protecção civil que estão preparados para agir de imediato em caso de necessidade? Ou será que, no caso de catástrofe, irão ser convocados para uma reunião os 16 elementos que vão desde as corporações de bombeiros, à Santa Casa da Misericórdia  e à delegação de Ribeirão da Cáritas?

PLANO MUNICIPAL DE EMERGÊNCIA DE PROTECÇÃO CIVIL – Atenção! Existe um Plano Municipal de Emergência de Proteção Civil –  Vila Nova de Famalicão. Não o encontrei, pelo menos facilmente, na página do município, mas antes numa pesquisa no Google. Apareceu um documento de 2010 (versão provisória) com  mais de 100 (cem) páginas. Não tive ainda tempo de o ler e não sei se é este que está em vigor. Haverá tempo de saber.

AUTOMOBILISTAS DA MOBIAVE – Elogio os condutores dos autocarros da Mobiave que têm de percorrer as estradas e ruas do nosso concelho. Precisam de ter muita perícia para fazer o percurso que lhes foi destinado. Não seria de melhorar a circulação nessas vias para bem de todos?

ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS – Os eleitores do concelho de Vila Nova de Famalicão e de todas as suas freguesias deram uma muito expressiva vitória a António José Seguro nas eleições presidenciais (2.ª volta) do passado domingo, dia 8 de Fevereiro de 2026. No concelho, mais de 2/3 dos eleitores votaram no presidente eleito. Para isso muito contribuíram os eleitores de diferentes opções políticas que se uniram para defender a democracia tal como ela deve ser entendida, rejeitando aventuras políticas. Essa união foi bem visível em Famalicão e a sessão que decorreu na Fundação Cupertino Miranda do dia 5 de Fevereiro foi disso boa expressão.

(Em Jornal de Famalicão, 12/02/26)

quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Famalicão: lugar do Carnaval

FESTAS TRADICIONAIS DAS FREGUESIAS DO CONCELHO – Nas festas tradicionais das freguesias do concelho, que são na grande maioria religiosas, mas onde predomina o profano, faltou-me referir, na semana passada, o São Sebastião, que se celebra em Gondifelos, Oliveira de Santa Maria e Vilarinho. Profana é a Queima do Galheiro em Fradelos, festa também com larga tradição.

MAPA DAS FESTAS RELIGIOSAS – Tentei pesquisar o mapa das festas tradicionais na página oficial  do concelho, mas não tive sorte. Na secção "O que  procura?" encontrei 646 respostas para a pesquisa  "Festas tradicionais do concelho" e apenas apareceram, nas primeiras 50 respostas, as Festas Antoninas. Pesquisei depois "Festas tradicionais das freguesias do concelho" e recebi 872 respostas. No entanto, nas primeiras 50 nenhuma delas refere festas, nem sequer as antoninas. Assim, esta secção, aparentemente útil, não serve. É preciso modificá-la. E é preciso dar notícia destas festas que brotam da iniciativa dos famalicenses.

FAMALICÃO: LUGAR DO CARNAVAL – Na página oficial do concelho quando a abrimos aparece-nos com grande destaque um cartaz de "Carnaval (13-17 Fevereiro – Famalicão)". Festas é o que a câmara municipal tem para nos oferecer ao longo do ano. É o Carnaval, depois as Antoninas, a seguir a Feira de Artesanato e Gastronomia e, para fechar o ano, o Natal. Quatro festas municipais, pelo menos, e com elas muito mais de um milhão de euros.

RUTURAS DE ABASTECIMENTO DE ÁGUA – É bem verdade que "as condutas da rede citadina estão velhas e desgastadas", como se escrevia na semana passada. Neste domingo, dia 25/01/26, a conduta de água rebentou à entrada da Rua Conselheiro Santos Viegas, mais propriamente junto da Praceta Lino Lima. Liguei cerca das 17h para as avarias ( 252 317 454), tendo as pessoas que me atenderam tomado nota. Estranhei um pouco o atendimento, porque me pareceu que as pessoas que estavam do outro lado não conhecem bem a cidade.

ORÇAMENTO MUNICIPAL PARA 2026 – Duzentos e cinquenta e seis milhões de euros (256.000.000) é o valor da proposta de orçamento do município para 2026 aprovado na passada segunda-feira (dia 25/01/26) pela maioria da câmara municipal. O maior orçamento de sempre, uma vez que acolhe os investimentos do PRR.

DECLARAÇÃO DE VOTO – Numa bem elaborada declaração de voto, os vereadores do Partido Socialista na Câmara Municipal criticam vários aspectos da proposta de orçamento municipal para 2026 apresentado pela Câmara Municipal para aprovação, justificando a sua abstenção não prejudicar os investimentos que estão previstos, nomeadamente no âmbito da saúde e da educação. Nas críticas feitas chamou-nos a atenção, entre outros assuntos, a falta de implementação de um "regime de apoio garantido", os cuidados que merecem as pessoas de idade e as que padecem de outras vulnerabilidades e que não são devidamente atendidas no orçamento e os problemas não resolvidos da recolha de resíduos urbanos e outros no nosso concelho. É uma declaração de voto que merece ser lida e que foi feita nas condições difíceis em que trabalham os vereadores da oposição.

BIBLIOTECA MUNICIPAL – A nossa biblioteca municipal (Parque de Sinçães) renovada merece ser visitada e frequentada. É ampla, tem muito que ver e, especialmente da parte de tarde, tem muita gente, principalmente estudantes. Entretanto, num dia destes, enquanto esperava por umas pessoas na recepção, entrou um senhor que perguntou se podia ler os jornais. A pessoa que atendeu indicou de imediato o local, que é no piso de entrada do lado esquerdo ao fundo. Novidade também recentemente anunciada é a aposta no digital.

COLABORAÇÃO QUINZENAL – Bem gostaria de ter tempo para abordar semanalmente assuntos do nosso concelho, pois não faltam, mas o tempo é um bem escasso e, por isso, e por outros afazeres, a colaboração passará a ser quinzenal, com o acordo do director do Jornal de Famalicão.

(Em Jornal de Famalicão, 29/01/26)