quinta-feira, 14 de maio de 2026

O “efe" e a Feira Grande (ignorada) de maio

A RAZÃO DO PRESIDENTE DA CÂMARA MUNICIPAL  O presidente da câmara municipal tem razão: publicações de propaganda como o efe não existem só em Vila Nova de Famalicão, elas estão espalhadas por todo o país.

BOLETINS DE PROPAGANDA – No entanto, porque são boletins de propaganda do presidente da câmara, são condenáveis. São um claro abuso do poder. Os presidentes de câmara não foram eleitos para serem diretores de publicações de exaltação dos seus feitos à custa dos dinheiros dos munícipes.

EFE 2 – Depois do efe 1, a "nova publicação" do município de Vila Nova de Famalicão surgida em Fevereiro deste ano, apareceu o efe 2, o velho boletim de propaganda da câmara municipal, recuperando agora o nome de "boletim municipal" com data de Abril.

DIRETIVA DA ERC – Esta publicação híbrida que aparenta ser um jornal, mas não é, que se apresenta agora como boletim municipal, sem ser um verdadeiro boletim municipal, viola as regras da Diretiva n.º 1/2008, de 24 de Setembro, da ERC, que está disponível no respectivo site, e que, para além de muito mais, estabelece que publicações como o efe encontram-se obrigadas a veicular a expressão das diferentes forças e sensibilidades políticas que integram os órgãos autárquicos.

DIA 8 DE MAIO – Há um ditado popular que diz "Sol nas Cruzes, chuva na Feira Grande". As Cruzes são as Festas de Barcelos que têm o ponto alto no dia 3 de Maio; a Feira Grande é a feira de 8 de Maio em Famalicão. Assim sucedeu este ano. Depois do sol nas Cruzes, o dia 8 de Maio amanheceu com chuva que se prolongou até ao fim da manhã, passando a sol e fortes luzernas da parte de tarde.

FEIRA GRANDE – Passei junto da Feira Grande e deu para ver que tivemos uma feira muito pequena. A Feira Grande de Maio foi ignorada no programa da Festa da Flor.

AGRICULTURA E PECUÁRIA – Isto diz bem do abandono a que o nosso governo municipal vota a atividade agrícola, pecuária e florestal. Famalicão, que tem na sua génese uma forte atividade económica no sector primário, está a abandoná-la e com ela a sua cada vez mais diminuta soberania alimentar. É cada vez mais residual o que produzimos para a nossa alimentação. Vivemos dependentes, somos pedintes. Pagamos, é certo, o que pedimos, mas se não houver, por uma qualquer razão internacional grave, produtos para vender, passamos fome.

SENHORA DOS REMÉDIOS – A Festa da Senhora dos Remédios na Freguesia de Calendário fez-se no dia 10 de Maio sem que a chuva a impedisse.

PLÁTANOS – Temos ao longo da Avenida 25 de Abril, desde a estação ferroviária, uma frondosa avenida de plátanos que enriquecem a nossa cidade. Precisamos de cuidar deles, fazendo as podas e outras intervenções necessárias, mas preservando-os. Aliás, depois dos plátanos e no sentido nascente, temos a Avenida das Tílias (Av. Narciso Ferreira) e a Avenida do Brasil com árvores muito especiais (Ginkgo biloba, jugo), mas que devem ser bem acolhidas. Todas estas árvores e as demais da cidade devem ser cuidadosamente tratadas, o que nem sempre vemos.

REGIMENTO – O regimento da nossa assembleia municipal não é um problema interno dos seus membros. Temos o direito de acompanhar de perto a sua elaboração, pois está em causa não só a intervenção do público (esta nunca deve ser desvalorizada), mas o apoio aos grupos municipais (instalações, pessoal e meios financeiros), a existência de comissões permanentes sectoriais e eventuais e tantos outros assuntos que nos interessam. Os deputados municipais se querem cumprir bem o seu mandato devem ouvir a opinião dos munícipes.

REORGANIZAÇÃO DOS SERVIÇOS – Não interessa uma qualquer reorganização dos serviços do nosso município. Essa reorganização que acaba de ser aprovada deve ser bem justificada e explicada. Caso tal não suceda, as dúvidas e as suspeições surgem. Onde podemos consultar o relatório detalhado que a justifica?

(Em Jornal de Famalicão, 14/05/26)

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