sexta-feira, 31 de julho de 2026

Gerir o município de Famalicão

GERIR FAMALICÃO  Temos dito e repetido que gerir o município de Famalicão não é tarefa fácil, pois é um dos mais populosos municípios do país, ocupando o lugar 19.º entre os 20 municípios mais populosos. Portugal tem no total 308 municípios, mas por ser difícil gerir o município, mais exigentes devemos ser. É opinião muito divulgada afirmar que não temos actualmente um governo municipal à altura, mas ao mesmo tempo dizer que não temos uma alternativa credível.

QUE FAZER?  Nestas circunstâncias, que fazer? A nosso ver, preparando desde já para as eleições de 2029 duas boas listas. Dizemos duas, porque, seja qual for a que vença, o concelho ficará sempre a ganhar. De onde devem elas surgir? Tendo em conta o nosso histórico, devem surgir do PSD/CDS, ultrapassando a crise que esta coligação atravessa, e do PS, que tem de compreender que atravessa também uma crise e não pequena. Mas há ainda outra possibilidade, que é a de se constituir um movimento de independentes que ultrapasse a incapacidade dos dois principais partidos do nosso concelho para gerar o governo municipal de que precisamos.

efe  Saiu o n.º 3 do mentiroso boletim municipal que dá pelo nome de efe. É mentiroso, porque se fosse um boletim municipal teria de cumprir a lei e assim cumprir o artigo 56.º, n.º 1, da Lei n.º 75/2013, de 12 de Setembro (Lei das Autarquias Locais), que ordena a publicação no boletim "das deliberações dos órgãos das autarquias locais, bem como as decisões dos respectivos titulares destinada a ter eficácia externa" e cumprir o artigo 10.º, n.º 5, da Lei n.º 24/98, de 26 de Maio (Estatuto do Direito de Oposição),  que manda publicar no boletim municipal o relatório de avaliação do grau de observância do respeito pelos direitos e garantias da oposição que a câmara tem obrigação de elaborar até ao fim de Março do ano subsequente àquele a que se refira, ou seja, deveria publicar no boletim de Maio-Junho de 2026, acabado de sair, o relatório de 2025. Mas que importa a lei para o efe?

TROTINETAS  As trotinetas constituem um perigo para quem circula nos passeios da nossa cidade. Os peões julgam que circulam em segurança e de repente elas surgem, muitas vezes com uma velocidade muito elevada que nos ultrapassam (são as mais perigosas), ou surgem na nossa frente. É preciso pôr fim a este abuso.

INCÊNDIOS RURAIS  O nosso concelho foi atingido recentemente por sérios incêndios rurais (primeira metade do mês de Julho). "Inferno de Dante", chamou-lhes Mário Martins n' O Povo Famalicense. Sobre eles falta informação. Qual a área ardida? A câmara tem esses números? Deveriam ser notícia.

ÁREA METROPOLITANA DO MINHO  Os jornais noticiam movimentações para a criação de uma área metropolitana do Minho. Lideram esse projecto os municípios de Braga e Guimarães, a que se juntaram os municípios de Famalicão, Barcelos e Viana do Castelo. Tenho muitas reservas quanto a este projecto, que precisa de um amplo debate público. Que se pretende com esta organização? Rivalizar com as áreas metropolitanas de Lisboa e Porto, que são "grandes áreas urbanas"? Mas a agora proposta não tem população que se lhes compare. Mas pior ainda: será que vão deixar de fora os municípios do resto do Minho e, nomeadamente, do Alto Minho? E que dizer dos municípios que ficam a leste de Guimarães e vários são? E os municípios dos distritos de Vila Real e de Bragança vão ser secundarizados? Há muito que debater e explicar.

FEIRA DE ARTESANATO E GASTRONOMIA  A Feira de Artesanato e Gastronomia, com despesa orçamentada de quase meio milhão de euros (a despesa efectiva será seguramente superior),  é a promoção do artesanato e de restaurantes de fora do concelho. Mais um exemplo de má gestão do nosso dinheiro. Uma boa gestão apoiaria fortemente o nosso artesanato e os nossos restaurantes. E mesmo assim sobraria dinheiro para termos atracções de fora, mas nada disso. Nem apoio, nem lugar na feira! Felizmente o PS votou contra!

IMPRENSA LOCAL  O mês de Agosto é o mês do fecho para férias da imprensa local escrita. É pena. Nem um? Bem poderia haver um acordo para ser publicado pelo menos um jornal, sem prejuízo das férias. Temos de ler jornais regionais (Diário do Minho e Correio do Minho) ou nacionais (Jornal de Notícias) para sabermos notícias de Famalicão através da imprensa. Entretanto, na despedida para férias, a câmara municipal inundou de publicidade dois jornais impressos (não o Jornal de Famalicão). E a câmara continua a recusar dizer com clareza quanto gastou em 2025 com a publicidade na imprensa local. Pudera! Há despesas que é melhor esconder.

(Em Jornal de Famalicão, 30/07/26)

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