18.000.000 de PNEUS – Li recentemente uma informação proveniente da Continental (uma multinacional) que lembrava que em Lousado se produz pneus desde 1946 (há 80 anos) e que desde a integração, em 1990, na Continental, a fábrica cresceu de tal modo que hoje tem "uma capacidade anual de produção superior a 18 milhões de pneus e é um dos maiores empregadores da região de Vila Nova de Famalicão, contando com cerca de 3.200 colaboradores".
50.000 PNEUS POR DIA – Correndo o risco de ser polémico, estes dados não me entusiasmam e antes me preocupam. Será que é assim tão bom do ponto de vista ambiental (e não só do ambiente do nosso território, mas do ambiente em geral) que tenhamos uma fábrica capaz de produzir 50.000 pneus por dia? Já se atentou bem no que isso significa em termos de transporte desde Lousado para o destino, que não pode ser naturalmente o nosso país e no lixo que esses pneus vão a prazo causar?
PIB – Claro que se vai dizer que isso não é problema, que a produção de pneus está ambientalmente sustentada, que nenhum perigo existe e o que importa é crescer cada vez mais. Porém, para quem acredita, como acredito, que o crescimento incessante do PIB (Produto Interno Bruto) não é bom para os seres humanos e que ele produz graves perigos a prazo, essa argumentação não convence.
FAMALICÃO EXPORTADOR – E muito menos convence dizer que isso é bom para Famalicão, pois assim (com esta e outras indústrias) é o terceiro município exportador do país, o que deve ser motivo de orgulho. Preferia, como famalicense, ter orgulho por outras razões que não esta.
HERESIA POLÍTICA – Tenho consciência da heresia que esta opinião representa num país e num mundo onde o crescimento económico, medido pelo PIB, é a razão de ser de qualquer país que se queira desenvolvido.
DECRESCIMENTO – Sou adepto desde há muito do decrescimento. Uma corrente política que olha para a relação do homem com a natureza de modo muito diferente. Podemos viver muito melhor com muitos menos pneus e quem diz pneus diz tantos bens que em vez de nos darem mais liberdade e felicidade nos aprisionam no consumo.
HISTÓRIA – Um apontamento mais. Bem podia a informação sobre os 80 anos da produção de pneus em Lousado celebrada pela multinacional incluir uma breve história da fábrica que se chamava Mabor. Mas que interessa a história para uma multinacional?
FESTAS ANTONINAS – Acabaram as Festas Antoninas e assim se terá gasto um milhão de euros, mas não é disso que o povo gosta? Satisfazer o povo é o lema de quem governa, mesmo que se ignorem tantas coisas, bem importantes, de que o povo precisa.
OPOSIÇÃO – Pelo que me foi dado ler e ver, a oposição PS famalicense não está contente pelo facto de receber uma convocatória para a reunião quinzenal da câmara acompanhada por centenas de páginas dois dias antes da data da reunião e assim, na altura da votação de assuntos importantes que exigem leitura e estudo, vota contra ou abstém-se com forte desagrado da maioria. Mas poderia a oposição votar de outro modo? Não se pode votar a favor de algo de que não se tem conhecimento bem fundamentado.
(Em Jornal de Famalicão, 26/06/26)