quinta-feira, 27 de novembro de 2025

Lutar pelo nosso hospital

HOSPITAL – Precisamos de olhar atentamente para o nosso hospital. Todos queremos que ele seja um lugar que possa atender com elevada qualidade e rapidez aqueles de nós que dele precisarmos quando menos pensamos. Ao que consta, ele corre o risco de se tornar um hospital secundário por falta da adequada atenção que lhe devemos dar. Todos: munícipes, instituições sociais locais, câmara e assembleia municipal e deputados à Assembleia da República precisamos de agir concertadamente para fazermos dele um hospital de primeira linha. Trata-se de o ampliar, de criar condições à sua volta que possibilitem atracção e engrandecimento. A luta pela Maternidade teve êxito, mas não é só dessa especialidade que precisamos e nem essa temos como certa. Será que andamos a dormir? A câmara municipal tem particular responsabilidade nesta matéria, bem como a assembleia municipal.

LUÍS VALES – Tomou posse recentemente (10 de Novembro de 2025) como presidente do Conselho de Administração da Unidade Local de Saúde do Médio Ave, o que inclui o Hospital São João de Deus, o Dr. Luís Vale, natural do Marco de Canaveses. Importa que a imprensa local o entreviste para que os famalicenses saibam o que pensa, nomeadamente sobre o futuro do nosso hospital.

REUNIÃO DE KICK-OFF – "A ULS Médio Ave realizou ontem, dia 18 de Novembro, a reunião de Kick-off do novo Conselho de Administração (CA), marcando o arranque formal de um ciclo estratégico orientado para a confiança, a reorganização rigorosa e a obtenção de resultados concretos, sempre com o cidadão como eixo central das decisões. A sessão serviu para apresentar a visão global do Conselho de Administração recém-nomeado para o seu mandato, estruturada em quatro áreas prioritárias (Pessoas, Infraestruturas e Modernização, Integração do Modelo ULS e Cuidados de Saúde de Excelência) e definir os princípios de liderança que irão orientar o futuro da instituição". Este texto consta da página oficial da ULS, o que se saúda, mas, de qualquer modo, nesta reunião de arranque (Kick-off) não consta uma palavra em concreto sobre o hospital. Aguardemos. O Conselho de Administração cessante falava da necessidade de ampliação do hospital. Que pensa o novo Conselho de Administração?

OPOSIÇÃO – Em ditadura, a oposição é ignorada ou quando não pode ser ignorada é perseguida. Em democracia, a oposição é respeitada e valorizada. Como é em Famalicão?

ASSEMBLEIA MUNICIPAL – Estamos na expectativa da organização e funcionamento da nossa assembleia municipal. Vamos ter as necessárias comissões permanentes sectoriais (urbanismo, finanças e saúde, por exemplo)? Vamos finalmente ter grupos municipais apoiados com recursos humanos e financeiros para bem exercer a sua missão? Ou a assembleia municipal vai continuar a ser um órgão secundário do nosso município? Bem gostaríamos que não fosse.

PONTE DA LAGONCINHA – Importa valorizar a Ponte da Lagoncinha, em Lousado. Ela deve ser restituída aos peões e apenas a estes, quanto antes. Não deve esperar-se sequer por uma nova ponte que, aliás, se deseja. O Opinião Pública da semana passada fez um bom trabalho jornalístico sobre este assunto. Ficamos a saber que a junta de freguesia e a sociedade civil local movimentam-se e isso é bom.

BOMBEIROS FAMALICENSES – Bombeiros Famalicenses é o nome que se vê em fardas e em viaturas da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários Famalicenses e bem! Os bombeiros do nosso tempo são, cada vez mais, membros de uma profissão que precisa de ser acarinhada e de ter uma carreira.

4.000.000 DE LUZES DE NATAL – Quanto custam as festas de Natal aos famalicenses? Não se trata de aplaudir ou criticar os gastos. Trata-se de satisfazer o direito que temos de saber quanto custam.

quinta-feira, 20 de novembro de 2025

Os vereadores leem os jornais?

OS VEREADORES LÊEM OS JORNAIS? – Os vereadores do nosso município (a começar pelo vereador presidente) lêem os jornais? Se não lêem, deviam! É sua obrigação. E se não tiverem tempo, têm quem leia por eles e lhes dê notícia.

VEREADOR DO AMBIENTE – Pedi uma reunião com o vereador que tem o pelouro do ambiente e, apesar de ter passado mais de uma semana, ainda não a marcou nem deu motivo para o atraso. A agenda que queria levar é a recolha selectiva de bioresíduos domésticos (compostagem) e mais amplamente a política de ambiente do município.

GABINETE DOS VEREADORES – Os vereadores do Partido Socialista pediram um gabinete adequado para trabalhar e receber os munícipes que com eles queiram falar. Mandaram-nos para o edifício Vinova, para uma sala que fica lá nos fundos. Os vereadores conformam-se? Saberão tirar partido desta humilhação? E que apoio lhes é dado, uma vez que são vereadores com os mesmos direitos e deveres que os outros, apenas sem pelouros?

IMPERMEABILIZAÇÃO DO PARQUE DE SINÇÃES – Não se percebe a continuada transformação e impermeabilização do Parque de Sinçães. Começou a sul pelo lago. transformado numa bacia de pedras (godos), continuou com um amplo parque de skate com o cimento que o acompanha e agora, como se não bastasse, mais cimento num "parque de fitness". Qualquer dia plantam lá um rinque de jogos, cimentado também. Árvores a sul-poente, junto à Avenida Carlos Bacelar, não existem. Que falta de respeito pelo Parque!

AVENIDA CARLOS BACELAR – A Avenida Carlos Bacelar, que liga a Rotunda de Santo António ao túnel da Rotunda Bernardino Machado, é uma pista perigosa para os peões. Importa que se coloquem uns semáforos ou uma rotunda na ligação que deve ser feita entre a Rua Ana Plácido e o Parque de Sinçães para travar a velocidade dos automóveis e facilitar a ligação para o Hospital e vice-versa. Não é preciso gastar muito dinheiro. Bastaria que a rotunda para a Estação Rodoviária fosse mais barata como devia.

BMCCB – Costumo visitar a Biblioteca Municipal Camilo Castelo Branco (BMCCB) no centro da cidade (Parque de Sinçães). Foi bom vê-la no dia 17/11/25 da parte de tarde (cerca das 17h) muito frequentada, quer na parte de cima (leitura), quer na parte de revistas, jornais e televisão (em baixo, à esquerda). Vale a pena frequentá-la.

LIVRARIA FONTENOVA – Lembro-me bem do início da Livraria Fontenova dirigida nos anos 60 por Virgínia Granja e marido (um espaço de liberdade num tempo em que ela não existia) e que, desde 1975, passou para as mãos do casal constituído pela D.ª Natércia e pelo Sr. António Melo. Fez agora 50 anos e continua viva e livre. É bom termos uma livraria na cidade agora dirigida pelo filho António (Tony) Melo. Parabéns!

LIVRARIA JÚLIO BRANDÃO – E da Livraria Júlio Brandão criada pelo Dr. António Macedo Varela (também ela um espaço de liberdade) junto do seu escritório, perto da Famidoce? Lembram-se?

VERÃO DE SÃO MARTINHO – O dia de São Martinho (dia 11 de Novembro) foi, neste ano de 2025, um dia muito chuvoso e assim continuou até ao domingo, dia 16, com uma tempestade pelo meio. Mas o bom tempo chegou e nos dias 17 e 18 e, ao que consta, durante toda esta semana vamos ter Verão de São Martinho. Ele acaba por visitar-nos sempre!

PUBLICIDADE – Reparei, no último jogo da selecção nacional no estádio do Futebol Clube do Porto (14/11/25), em algo que me impressionou. Como é possível brandir num estádio cheio uma "bandeira" que tem de um lado a bandeira nacional e do outro publicidade a uma empresa de telemóveis? Não se repara que ao movimentá-la, quem a empunha está a fazer meia publicidade a uma empresa e meio apoio à equipa nacional? Será a mesma coisa?

FAMALICENSES – O Jornal de Famalicão (JF) tem uma secção dedicada aos famalicenses que de algum modo se destacaram. Para nós, famalicenses não são apenas os que aqui nasceram. Para além destes, que são naturalmente muito queridos, há os que acidentalmente nasceram num hospital ou Casa de Saúde do Porto ou doutro município mais ou menos vizinhos e lá passaram um ou dois dias e depois voltaram a Famalicão, onde cresceram e deram os primeiros passos. Famalicenses são também os que tendo nascido e crescido fora do concelho aqui se radicaram e radicam por largos anos (não se escolhe o lugar onde se nasce, mas pode escolher-se o lugar onde se reside) e famalicenses são também os que trabalham ou trabalharam até à aposentação no nosso concelho, sendo bem conhecidos pelos famalicenses. O JF continuará a dar espaço a todos eles.

(Em Jornal de Famalicão, 20/11/25 – texto revisto depois de publicado)

quinta-feira, 13 de novembro de 2025

Diversos da cidade e do município

INFORMAÇÃO – Obter informação do município, especialmente da câmara municipal, é difícil. Trata-se de um direito dos munícipes a que corresponde um dever da câmara a que esta procura fugir. As telefonistas são amáveis e diligentes, mas quem deve responder está quase sempre em reunião ou põe a burocracia a funcionar, mesmo para coisas bem simples.

REUNIÕES DA CÂMARA MUNICIPAL – Os vereadores do Partido Socialista requereram a transmissão pública das reuniões públicas quinzenais – e só destas – da Câmara Municipal. Quem teme essa transmissão?

TENDA  Junto à Casa das Artes foi colocada uma enorme "tenda" que acolheu mais de mil médicos, nos dias 29 a 31 de Outubro de 2025, num Encontro Nacional de Internos de Medicina Geral e Familiar da Zona Norte. Veja-se como ficou aquele espaço verde, depois de desmontada aquela estrutura. E quanto custou? E quem pagou?

MOBIAVE I – Continuo a ver muitos autocarros no centro da cidade. São mesmo muitos. Às vezes, quase em fila. No entanto, circulam vazios ou quase, seja qual for a hora do dia ou o dia da semana. Julgo que há aqui nos transportes urbanos qualquer problema que importa resolver com urgência. Também defendo o transporte público, mas é preciso que ele esteja bem organizado e seja devidamente publicitado. Terá sido dada pouca atenção à divulgação?

MOBIAVE II – No meio de tantas dezenas de autocarros, alguns tão grandes que até na cidade circulam com dificuldade, fazem falta miniautocarros que façam o circuito do centro da cidade. Desde que bem organizados, teriam certamente êxito. Facilitariam a circulação das pessoas, favoreceriam o comércio local e retirariam da circulação muitos automóveis.

PLÁSTICOS – É enorme a quantidade de plásticos que se acumulam numa casa que tenha o cuidado de os guardar para efeito de recolha selectiva, pois não é bom colocá-los na recolha diária indiferenciada da cidade. Devemos ter o hábito de reutilizar, nomeadamente sacos de plástico, e a Câmara Municipal deve fazer um esforço para reduzir os montes deles. Sabe a câmara quantas toneladas de plástico se produzem anualmente no nosso concelho? Ou não faz ideia?

ULS MÉDIO AVE – Noticiou a imprensa local que a Administração da Unidade Local de Saúde (ULS) do Médio Ave vai ser substituída. Não se sabe ainda quem lhe vai suceder. E devia. Uma mudança destas deveria ser devidamente explicada e fundamentada. De outro modo fica a dúvida sobre os motivos.

RUI ARAÚJO – Corrigindo um erro gráfico da minha responsabilidade, reafirmo que conto com Rui Araújo, um famalicense, com loja no Shopping Town, que bem conhece a história da nossa cidade, para dar uma informação mais detalhada do edifício da ex-Tipografia Minerva. Entretanto, tive a oportunidade de conhecer acidentalmente o dono do prédio e da breve conversa que tive com ele deu para perceber que o preza, possuindo documentação do maior interesse e quer que, no edifício recuperado, fique a memória daquele que é um dos prédios mais emblemáticos da nossa urbe.

FOTOS ANTIGAS DA CIDADE – Em alguns estabelecimentos da cidade podem ver-se boas fotografias de Famalicão antiga. Lembro dois, pelo destaque que a elas é dado: o Restaurante Moutados e o Centro de Medicina – Clínica Médica (junto da Loja de Cidadão). Neste pode ver-se uma foto (sem data) da Rua Adriano Pinto Basto tirada do lado sul (certamente junto do que é hoje a Confeitaria Moderna). Consegue-se ver que o pavimento é de pedra pequena (não são ainda os paralelos de granito de agora). Nota-se, por sua vez, do lado esquerdo, um carro de bois e parte da Pensão Vilanovense (que daria lugar, mais tarde, em fins dos anos 40 do século passado ao Hotel Garantia). Do lado direito pode ver-se o prédio que mais tarde acolheu a Ourivesaria Cunha, uma pequena fonte de água e um poste de iluminação bem alto, naquilo que era o antigo Campo da Feira. É importante termos a memória da cidade.

(Em Jornal de Famalicão, 13/11/25)

quinta-feira, 6 de novembro de 2025

A difícil gestão do concelho

FAMALICÃO – Temos dito e não nos cansamos de repetir: Vila Nova de Famalicão é um grande município em população e território. Tem mais de 200 km² e mais de 160.000 habitantes. Um município destes exige um governo muito qualificado. E um governo muito qualificado é uma câmara e um presidente de câmara que a maioria dos cidadãos reconheça como competentes para governar o município. De igual modo, exige-se uma assembleia municipal com eleitos que sejam reconhecidos como capazes de bem deliberar sobre os principais assuntos do concelho, desde o orçamento, ao Plano Director Municipal e a tantos outros importantes assuntos que são da sua competência. Não basta para tal ganhar umas eleições e ocupar tais cargos, pois bem pode acontecer que se ganhem as eleições não por estar à altura da responsabilidade do governo do município, mas apenas porque não apareceu uma alternativa melhor.

CUIDAR DO TERRITÓRIO – Recentemente tive a oportunidade de percorrer uma pequena parte do concelho e deu para verificar como é rico e bonito o território do nosso concelho, mas ao mesmo tempo como está a ser maltratado. Nós precisamos de indústrias, mas não devemos instalar uma indústria em qualquer sítio, muitas vezes dentro de um belo campo agrícola e sem vias adequadas para os movimentos de camiões e automóveis que depois exigem. Quantas vezes se deixam instalar e só depois se arranjam as vias, mais uma vez à custa de bons terrenos agrícolas? Também precisamos de habitações, mas elas não podem nem devem ser permitidas em qualquer lugar onde haja um pouco de terra, frequentemente em cima de curvas de estrada (ver, por exemplo, a EN 14 – Famalicão Braga), mas em locais adequados e servidos por meios de transporte. São tarefas difíceis, mas por isso mesmo se torna necessário um governo capaz.

PARTIDO SOCIALISTA I – O Partido Socialista (PS) tem o dever de ter presente que a riqueza do partido não está apenas no número de militantes, mas principalmente no número dos seus simpatizantes e votantes. Eles são em grande número e nele votaram nas últimas eleições locais mais de 27.000 (33,5%) E se não teve mais votos, perdendo as eleições, deve interrogar-se porquê e não deitar a culpa ao povo (aos eleitores). Foi, como diz um comunicado de oito conhecidos elementos do PS, uma oportunidade desperdiçada, não tendo aproveitado nem o mau governo da AD ao longo de quatro anos, nem a conhecida e grave crise do PSD, principal parceiro da coligação AD.

PARTIDO SOCIALISTA II – Os problemas do PS de Famalicão devem ser debatidos amplamente dentro e fora do partido. Circunscrever o debate aos muros da sede e aos militantes é errado. Temos o direito de saber quem são e o que pensam os militantes que pretendem governar o município.

PARTIDO SOCIALISTA III – O PS deve pensar no futuro e fazer, desde já, uma oposição de qualidade e esta faz-se estudando os problemas do concelho, apresentando soluções e criticando sempre que for de criticar (e não faltarão motivos) a actuação do actual governo. Isso não se faz com gritaria, mas com argumentos.

CEMITÉRIOS I – No dia 1 de Novembro de 2025 (sábado), os cemitérios à volta de Famalicão (os que visitei depois das 15h) estavam cheios de carros e com muita gente. Era impressionante, mesmo em freguesias pequenas. Desisti de estacionar, por exemplo, em Brufe, tal era a confusão.

CEMITÉRIOS II – No dia seguinte, 2 de Novembro (domingo), os mesmos cemitérios estavam praticamente vazios à mesma hora (parte da tarde). Que contraste, apesar de ser domingo e dia dos Fiéis Defuntos!

CEMITÉRIOS III – No cemitério municipal de Famalicão foram cortados os cedros do lado Sul (o lado oposto à entrada principal) e ficou tudo cimento e mármore. Coloquem, ao menos, em vez dos cedros, árvores de folha perene, tais como oliveiras ou outras. Os cemitérios não devem ser um deserto de vegetação. Árvores são vida e são precisos sinais de vida nos cemitérios. Esses sinais têm um significado para os crentes e para os não crentes.

CEMITÉRIOS IV – Fiquei a saber que o primeiro cemitério ao ar livre de Vila Nova de Famalicão foi instalado em 1865 (30 anos depois da criação do nosso concelho), na rotunda da Avenida 25 de Abril (em frente à actual Escola Secundária D. Sancho). Um jazigo no actual cemitério municipal informa sobre esse facto e sobre o benemérito que o financiou.

TIPOGRAFIA MINERVA – O edifício da Tipografia Minerva, junto da Praça 9 de Abril, está a ser objecto de obras para consolidar a fachada principal, o que se saúda. Esperemos que este prédio tenha a atenção que merece. Os serviços de Cultura do município têm – ainda bem – uma descrição dele, mas incompleta. Conto com o Rui Araújo, um famalicense, com Loja no Shopping Town, que bem conhece a história da nossa cidade, para descrever melhor aquilo que, segundo parece, até chegou a ter cinema.

(Em Jornal de Famalicão, 06/11/25 – texto revisto depois de publicado)