quarta-feira, 19 de abril de 2023

"Fui à vila" e encontrei o presidente

VAI À VILA – É uma iniciativa da câmara municipal largamente publicitada nos meios de comunicação social locais: "Vai à Vila – Famalicão – Praça D. Maria II aos fins-de-semana" e lia-se na página oficial do município, num texto alusivo, as seguintes palavras do presidente da câmara Mário Passos: "Vai à Vila é uma iniciativa que pretende reforçar os laços de pertença e chamar visitantes à nossa cidade". Fui à vila, ou seja, ao centro urbano da cidade no sábado, dia 15/04/2023, pouco antes do meio-dia, embora não particularmente interessado nos "mercados urbanos" ali a decorrer.

CENTRO URBANO – A finalidade que me animava, mesmo antes desta iniciativa camarária, era apreciar do ponto de vista arquitectónico e urbanístico o centro urbano da cidade depois das recentes obras e, por isso, pedi a ajuda de uma atenta arquitecta famalicense. A certa altura, vi o presidente da câmara em visita ao mercado urbano constituído por barracas de madeira, vendendo produtos regionais, e cumprimentei-o. Cumprimentei-o e falei com ele, pois sei que gosta de falar com as pessoas. Ouviu-me com amabilidade e com a atenção que a democracia exige.

ELOGIO – Comecei com um elogio pela simples razão de que acabava de comentar com a arquitecta o bom exemplo, pelo menos aparente, do restauro em curso do prédio que fica entre a agência de viagens Atlas e a loja Índole. Mas havia mais coisas para comentar e aproveitei a oportunidade.

CABOS DE FIOS – Chamei a atenção para os feixes de fios que circulam à altura de cerca de dois metros ao longo de quase toda a praça encostados aos prédios e que as recentes obras não retiraram como deviam. Julgo que muitas pessoas ainda não repararam nessa grave lacuna das obras (eu só reparei há algumas semanas).

VOLUMETRIA – Disse também quão feia ficou a nossa praça com os prédios de mais de seis pisos, que salpicam o antigo e secular campo da feira, assunto de que o presidente não tem a responsabilidade (são prédios com mais de 40 anos), mas que muito empobreceram o centro urbano.

HOTEL GARANTIA – Tive a oportunidade de chamar a atenção para a vergonha que constitui o estado do Hotel Garantia, dizendo o presidente que iria arrancar dentro de um mês a reabilitação daquele espaço, que tem a responsabilidade do arquitecto Noé Diniz. É necessário dizer, conferi depois, que as obras estão licenciadas desde Julho de 2020. Será desta?

HOSPITAL – Aproveitei para falar da necessidade de defender e alargar o nosso hospital e concordou que o Hospital São João de Deus tem largas possibilidades de crescer e muito. Disse também que pediu a um reconhecido técnico famalicense um estudo sobre aspectos a ele relativos. 

LUCRO RAZOÁVEL – Tivemos ainda uma breve troca de palavras sobre o direito ao lucro dos privados em que afirmei que os particulares têm direito ao lucro dos prédios que possuem, mas só a um lucro razoável e não a todo o lucro pretendido. Como é sabido, a câmara existe para defender o interesse público e por isso nem todo o lucro que o particular deseja é de aceitar. Há que encontrar um equilíbrio.

OUTROS ASSUNTOS – E de muitas outras coisas falaria se houvesse tempo. O presidente continuou a sua visita à vila com os acompanhantes e os meios de comunicação social que o rodeavam e nós (eu e a arquitecta) continuámos a visita atentos à Praça D.ª Maria II e ao mercado, tendo muito que contar, mas que não cabe neste espaço.

(Em Opinião Pública, 19/04/23)

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