A crítica em qualquer organização, e mais ainda num município, faz falta. Não é que quem critica tenha sempre razão, mas ela obriga, quem decide, a pensar e isso interessa sempre. E quando os decisores ignoram as críticas, os resultados estão à vista. Veja-se o caso da nossa estação de comboios, que já foi da CP, da REFER e agora é gerida pela IP (Infraestruturas de Portugal). Por ocasião do Euro 2004, em que se electrificou, duplicou e renovou a linha Ermesinde–Braga, Famalicão não teve a capacidade de fazer o que devia, acompanhando o enorme melhoramento da linha férrea.
Nós temos, ainda hoje, um larguinho em frente da estação que mal permite a circulação de autocarros. Temos também, do lado de Braga, um pequeníssimo parque de estacionamento; temos ainda um pequeno parque do lado do Porto (ambos da responsabilidade da então REFER) e um parque mal amanhado à saída da estação (lado direito) da responsabilidade do nosso município.
Em vez disso deveríamos ter – e nessa altura havia essa possibilidade e foi defendido – um amplo largo em frente da estação, pois existia espaço livre de um e outro lado e um parque de estacionamento para centenas de automóveis.
Nada disso sucedeu. Do lado de Braga, a câmara municipal vendeu terreno seu, que tinha expropriado (Quinta do Louredo), e licenciou o prédio que agora lá está, atrofiando o Largo da Estação. Do lado do Porto, depois de desocupado o terreno onde vivia, num fundo, em péssimas condições, uma comunidade cigana, fez-se um arremedo de parque, quando deveria construir-se, conforme o prometido, um parque para 300 veículos com ligação subterrânea directa à estação. Acresce que a remodelação da estação em si foi muito mal negociada com a IP, não se conseguindo sequer colocar elevadores para pessoas com dificuldades de mobilidade.
Para ver o que se poderia fazer e não se fez, basta comparar a estação que temos com a do município da Trofa, perante a qual a nossa faz figura de apeadeiro melhorado, apesar de ter muitíssimo mais movimento. Mas o pior é não fazer nada agora e conformarmo-nos com a situação que temos. Apesar dos erros cometidos, ainda é possível fazer o prometido parque de estacionamento, ampliar o largo e negociar com a IP a transformação do apeadeiro numa estação condigna. Basta ter visão e capacidade de negociação. Haverá?
Nota – A atenção dada à estação nesta semana (e mais há para dizer), impede-me, por falta de espaço, de dar conta das observações que me chegaram sobre o centro de convívio sénior, sobre a extinção da Universidade Sénior e ainda das preocupações dos lesados do Talvai. E de abordar tantos outros assuntos. Problemas a precisarem de ser resolvidos não faltam na nossa terra!