quinta-feira, 19 de junho de 2025

O boletim de progranda do candidato

BOLETIM MUNICIPAL DE FAMALICÃO – Quando a oposição (oposições) do nosso município não tem força para pôr termo ou, pelo menos, denunciar veementemente nos lugares próprios o abuso que é a publicação regular de um boletim de propaganda, sob a designação de boletim municipal, por uma coligação que vai concorrer às eleições deste ano, utilizando o dinheiro de todos nós, como se pode esperar que ganhe, ou sequer dispute com seriedade, essas eleições?

BOLETIM MUNICIPAL DE FAMALICÃO II – A desfaçatez é tão grande que a publicação acabada de sair (Junho de 2025) é dirigida pelo próprio candidato a presidente, tem uma tiragem gratuita de 61.750 exemplares (!) e 74 páginas profusamente ilustradas.

BOLETIM MUNICIPAL DE FAMALICÃO III – O conteúdo é preenchido apenas com coisas boas (ou que a coligação considera boas), ocultando coisas más, porque estas não existem.

BOLETIM MUNICIPAL DE FAMALICÃO IV – Vejam-se algumas passagens desse conteúdo propagandístico. "O apoio e o investimento nas freguesias é uma das grandes marcas da governação do executivo municipal liderado por Mário Passos" (p. 7); "O surgimento de novos espaços dedicados à cultura e ao convívio em todo o território é uma das apostas do executivo municipal liderado por Mário Passos" (p. 9); "Muito em breve, Famalicão contará com dois novos parques verdes à entrada da cidade: o Sinçães Norte […] e, mais a sul, o Parque do Pelhe, no lugar dos Queimados" (p.10). A página 11 tem uma bonita fotografia de um parque que não existe! Sobre água (a cobertura de rede de água chega aos 100% – p. 14) e saneamento lê-se: "É um momento histórico porque já há dezenas de anos que a população ansiava por este investimento – Mário Passos – Presidente da Câmara Municipal" (p. 15).

BOLETIM MUNICIPAL DE FAMALICÃO V – Cansado de se referir a si próprio, o director/candidato parece mudar de táctica e passa, a partir da p. 18, a enumerar apenas os feitos da coligação que dirige. "Em 2024, o município de Vila Nova de Famalicão registou uma redução histórica de 11% da água não facturada, atingindo agora o valor mais baixo de sempre - 36%" (p.19). "Mais de 20 milhões de euros – Valor investido pela câmara municipal desde 2022 na melhoria da rede viária concelhia" (p. 21). Mas ainda aqui, o director/candidato não resiste e sobre estradas escreve e assina: "Este é daqueles temas que está permanentemente em aberto. Há sempre novas necessidades e há sempre mais a fazer para dar melhores condições de segurança e conforto, quer aos automobilistas, quer aos peões – Mário Passos – Presidente da Câmara Municipal" (p. 21). E ainda: "As estradas que estão sob a alçada da Administração Central têm também merecido toda a atenção do executivo liderado por Mário Passos" (p. 22).

BOLETIM MUNICIPAL VI – E ainda não chegámos a um terço das páginas do boletim de propaganda e falta-nos espaço e paciência para continuar com detalhe. As páginas seguintes exaltam os feitos da coligação na saúde (mas nem uma palavra sobre o hospital…), no desporto, nas escolas, nos transportes, nas hortas urbanas, na construção de casas (mais de 200 fogos habitacionais), na cultura, no apoio às instituições sociais, na residência universitária, na cidade inteligente e, finalmente, ficámos a saber que temos um concelho que funciona numa "lógica de total transparência" (p. 68). Não sabia?

BOLETIM MUNICIPAL VII – Importa dizer que estes boletins são ilegais, pois os boletins municipais destinam-se, nos termos da lei, a dar publicidade às deliberações e decisões dos órgãos do município com eficácia externa (ver os exemplos dos boletins municipais de Lisboa, Porto e Oeiras).

MISSA CAMPAL – Resta-nos pouco espaço e aproveitamos para referir como um ponto alto das Festas Antoninas (será preciso lembrar que estas festas são dedicadas a Santo António?) a missa campal, na Praça D.ª Maria II, presidida pelo bispo auxiliar D. Delfim Gomes, que teve muita participação. A praça estava cheia e, na homília, D. Delfim "enalteceu a vida e obra do santo português" que "dedicou a sua vida e a sua pregação à defesa dos pobres" (Diário do Minho de 14/06/25) .

IRONIA – Pouca gente, porventura, tem consciência de que esta missa campal foi celebrada a poucos metros do lugar onde antes existia uma bela capela que foi demolida há 100 anos (ver Jornal de Famalicão da semana passada).

(Em Jornal de Famalicão, 19/06/25)

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