quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

A igualdade faz parte da democracia

NATAL – O Natal faz-me lembrar muito a sociedade desigual em que vivemos. Uns com muito, demasiado. Outros com pouco, demasiado pouco. Uns, esbanjando comida, outros, pouco tendo para comer. Isto é assim ao nível da nossa terra e do nosso país, mas também a nível universal. Precisamos de lutar por uma cada vez maior igualdade. A igualdade faz parte da democracia. Não há democracia numa sociedade com profundas desigualdades. A democracia exige que todos tenham o suficiente para viver dignamente (alimentação, casa, cuidados de saúde, entre outros bens).

MOBIAVE – Continuo a ver autocarros vazios na cidade. Muitos, mas cheios de lugares vagos. E não sou só eu. É preciso ver o que se passa. O transporte público é importante e deve ser fomentado. Deveria haver uma informação pelo menos mensal do número de passageiros que os autocarros deviam transportar e quantos transportam realmente. Só assim se tem uma ideia do que está a acontecer e da evolução. Os vereadores e os membros da assembleia municipal devem estar atentos para bem do transporte público.

JUMBO/AUCHAN – Está a ser feita uma grande ampliação do hipermercado Jumbo/Auchan (saída para Guimarães). Deveria haver uma informação detalhada na página do município sobre o que se está a fazer ali, mas não há. A falta de informação do costume.

HOTEL – Lembram-se que se anunciou há anos para junto do Jumbo, agora Auchan, um grande hotel com uma boa piscina também pública? Parece que tudo se esfumou. E nós em Famalicão não temos um hotel com essas características e deveríamos ter. Engrandeceria muito mais a cidade do que uma ampliação do hipermercado.

FAMALICÃO, LUGAR DOS HIPERMERCADOS – Anuncia-se Famalicão como lugar do Natal, mas é mais adequado dizer Famalicão, lugar dos hipermercados.

PUBLICIDADE CAMARÁRIA – Os Vereadores do PS requereram, e bem, informação sobre o gasto da Câmara com a publicidade na imprensa local. Ao que parece vão ter de esperar muito, porque dá muito trabalho fazer esse levantamento…

DOUTORAMENTO HONORIS CASUSA – O ISCTE (Instituto Universitário de Lisboa) atribuiu a Isabel Furtado o título de Doutora Honoris Causa e na fundamentação dessa atribuição pode ler-se na página oficial, para além do mais, o seguinte: "Isabel Furtado nasceu em 1961 em Vila Nova de Famalicão. É CEO da TMG Automotive, uma empresa familiar que nasce pelas mãos do seu avô, mas que hoje chega à China e aos EUA, tendo-se tornado líder europeia na produção de interiores para a indústria automóvel. Actualmente, é também presidente do Conselho de Administração da Casa da Música" (…). Estamos de parabéns por este reconhecimento dado a uma famalicense e que este jornal bem destacou.

SONDAGENS PRESIDENCIAIS – Gostaria que as sondagens se enganassem. O motivo é simples. Aborrece-me ver a nossa vontade eleitoral ser determinada por sondagens e não por eleições. Não gosto de chegar à conclusão de que um dia não será preciso eleições, basta haver sondagens bem feitas.

terça-feira, 23 de dezembro de 2025

Esperança, apesar de tudo

PUBLICIDADE I  A publicidade é alimento de um jornal e o Jornal de Famalicão precisa muito dela. A publicidade hoje compreende várias funções: a primeira e mais antiga é a de atrair clientes; mas a publicidade serve também para memória futura e, passadas algumas décadas, as pessoas ficarão a saber, ao fazer-se história, que em Famalicão existiam, pujantes, estas empresas e estabelecimentos; e serve ainda para demonstrar, por parte dos anunciantes, apoio à imprensa local.

PUBLICIDADE II  Foi agradável ver, no número da semana passada (18/12/25) deste jornal, um bom conjunto de anúncios de empresas famalicenses. Permitam-me os eleitores que, sem menosprezo pelos restantes, mencione de modo muito sucinto aqueles estabelecimentos que melhor conheço. Desde logo, o muito conhecido Bom Gosto, pastelaria, salão de chá e não só, que vai a caminho de 70 anos de actividade intensa; também é bom lembrar Amândio Carvalho S.A., uma importante sociedade com mais de 60 anos a construir solidamente, com a boa marca do seu fundador; tem décadas, por sua vez, a Escola de Condução Rolante, a formar automobilistas e não só; o restaurante Casa Pêga é uma referência da gastronomia no concelho; a Pastelaria Famidoce está muito bem situada e é muito procurada; a Confeitaria Moderna, uma das mais antigas da cidade e sempre actual, com o Sr. Luís a dirigi-la com sabedoria e sempre preocupado em bem servir os clientes; e a Farmácia de Gavião, mostrando uma larga equipa dirigida pelo Dr. Figueiredo, colocando-se em primeiro plano neste sector e a informar que faz entregas ao domicílio.

PUBLICIDADE III  Fecha a publicidade com saudações natalícias uma página inteira do município, o que é sempre uma boa surpresa para o JF. O município pode e deve apoiar a imprensa local com equidade, independentemente de o seu conteúdo ser mais ou menos do seu agrado. Aliás, várias leis indicam o dever de publicidade nos órgãos de comunicação social.

LOTARIA – Mas a lotaria da publicidade camarária saiu mais uma vez ao Cidade Hoje, impresso mensalmente. Vejam o número de 17 de Dezembro de 2025: duas páginas inteiras e seis editais. Parabéns!

PARALELOS NAS RUAS – A pavimentação com paralelos existe em várias ruas do centro da nossa cidade e deve manter-se. Os paralelos de granito podem durar séculos e permeabilizam o solo, ao contrário do alcatrão. O que precisam é ser devidamente cuidados e não são. É ver, por exemplo, a Rua Conselheiro Santos Viegas. Se não houver uma intervenção urgente, os paralelos podem sair do lugar.

CIDADE HOJE  O jornal online Cidade Hoje (13/12/25) informa que abre, nas próximas semanas, um "Bar do grupo Classe" no cêntrico e histórico edifício que foi da Caixa Geral de Depósitos, junto do agora reabilitado prédio do "ex-Hotel Garantia". Não sei bem o que é isso, mas parece ser uma boa notícia e, pelo que se nota em obras que estão à vista, vai abrir mesmo.

DIA 21 DE DEZEMBRO – O dia mais pequeno do ano. Pôr do sol às 17h06. Praticamente noite às 17h30. Agora sempre a crescer até ao S. João. Foi um dia muito frio e chuvoso. O rio Este veio mais uma vez cá fora. A neve cobre as terras altas do interior.

UCRÂNIA, PALESTINA E NÃO SÓ – Nós precisamos de paz. A guerra na Ucrânia invadida e a vingança israelita sobre a Palestina têm assumido formas tão violentas que arrepia quem tem um pouco de humanidade. O mesmo sucede noutras partes do globo e, desde logo, em África. A paz é precisa, mas é difícil. Quem tem armas e poder quer a rendição do outro, não um acordo. E, infelizmente, não temos na ordem mundial um poder que sirva de árbitro nestas guerras. A ONU já não serve para os nossos dias, pelo menos enquanto houver o poder de veto das grandes potências. Mas continuemos a lutar pela paz, esperando que a barbárie não triunfe. Tenhamos Esperança!

NATAL – Como gostaria que o Natal fosse o que foi: a alegria do nascimento do menino Jesus, que, 30 anos mais tarde, nos anunciou a Boa Nova, na qual hoje continuamos a acreditar.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2025

Melhorar a nossa terra

LATINO – O prédio conhecido por Café Latino à saída da Rotunda Bernardino Machado, para Guimarães, tapa a ligação entre o Parque da Devesa e o Parque de Sinçães e não devia. A Câmara Municipal, se tiver visão, adquire aquele prédio por negócio amigável ou expropriação (aquisição que já deveria ter sido feita há muito tempo) para fazer a ligação, ainda que seja apenas visual, entre os dois parques. Aliás, um bom arquitecto paisagista saberá fazer bem isso.

COIMBRA – A presidente da câmara municipal de Coimbra trouxe para a ordem do dia o problema dos prédios urbanos que nas cidades (e não só) se degradam e desmoronam, como sucedeu há dias naquela cidade.

DEVERES DOS PROPRIETÁRIOS – Os proprietários de prédios urbanos têm, para além de direitos, que incluem, entre outros, os de os vender e arrendar, deveres e, desde logo, o dever de cuidar dos mesmos.

OBRIGAÇÕES LEGAIS DOS PROPRIETÁRIOS – Para além do dever de pagar o IMI e de prestação de condomínio, quando for caso disso, é da maior importância o dever de fazer obras de conservação pelo menos uma vez em cada período de oito anos e, mais do que isso, realizar todas as obras necessárias à manutenção da segurança dos  prédios, a salubridade e arranjo estético. Dito doutro modo, o proprietário não tem o direito de deixar arruinar os seus prédios. Se o fizer, deve entrar em acção a câmara municipal para, por sua iniciativa ou a requerimento de qualquer interessado, determinar a execução das obras necessárias à correção de más condições de segurança, à insalubridade ou promover as obras de conservação necessárias à melhoria do arranjo estético. A câmara municipal pode ir mais longe e ordenar a demolição total ou parcial das construções que ameacem ruína ou ofereçam perigo para a saúde pública e para a segurança das pessoas (artigo 89.º do Decreto-Lei n.º 555/99, de 16 de Dezembro – Regime Jurídico da Urbanização e Edificação).

BOM SENSO – Claro que estes meios devem ser utilizados com bom senso e não se pode confundir um prédio mal pintado ou com algumas deficiências de um prédio abandonado pelo proprietário que não se importa que ele se degrade e cause até perigo para as pessoas que circulem junto dele. Nestes casos, a câmara tem de ser firme.

MURAL – Está a ser restaurado o mural do Jardim dos Paços do Concelho. É de perguntar porque é preciso restaurar já um mural que tem pouco mais de 20 anos. Por outro lado, está a desperdiçar-se a oportunidade de o colocar em sítio mais adequado. No lugar em que está continua a ser um "espanta-casamentos" e de outros eventos, pois não há fotógrafo que queira tirar ali fotografias tendo como pano de fundo o edifício dos Paços do Concelho, quando de permeio está algo que estraga todas as fotografias. O mural naquele sítio não enriqueceu o jardim, empobreceu-o. E havia um bom lugar para o colocar: junto do lago que fica perto da torre da câmara. E, já agora, quanto custa a restauração?

(I)MIGRANTES – Procuro saber quantos imigrantes temos no concelho. Tive a sorte de encontrar quem, com amabilidade, me informou. Teremos cerca de 12.000, vindos do Brasil, dos PALOP (muitos na construção civil), indianos e paquistaneses (particularmente na indústria) e de outros países da América do Sul (Venezuela e Argentina). Para muitos deles, aprender a nossa língua é problema prioritário. Existe uma formação em Português Língua de Aprendizagem (PLA). Esperamos dar informação mais detalhada sobre este assunto, através do Centro Local de Apoio à Integração Migrante que funciona perto do edifício dos Paços do Concelho.

FAMALICENSES – A secção "Famalicenses" deste jornal, que inclui quem aqui nasceu, quem aqui vive e quem aqui trabalha, tem continuação neste número e o testemunho do famalicense abre deste modo bem singular: "A terra de um homem é onde ele desenvolve persistentemente e de forma habitual o seu labor. Dito de outra forma mais resumida: a Terra de um homem é onde ele trabalha".

quinta-feira, 4 de dezembro de 2025

Porque não elogio a câmara

ELOGIO DA CÂMARA Não elogio a câmara municipal porque ela não precisa de elogios. Tem a sua máquina de informação e propaganda bem montada e dos seus feitos dão conta os jornais locais, regionais e até nacionais. E não só…

PÁGINA OFICIAL – Um dos meios mais eficazes de publicidade e propaganda da câmara municipal é a página oficial que deveria ser do município, mas é apenas da câmara e cheia de coisas boas que ela faz. A oposição nem lá tem lugar e devia ter. Em França, como temos dito repetidamente, uma página destas é proibida, por não dar espaço à oposição.

ESCRUTÍNIO – Do que a câmara precisa é de escrutínio e disso me vou encarregando, dentro dos meus limites. Ao fazer a crítica também estou a contribuir para o bom governo do município, pois as críticas acertadas serão certamente tomadas em conta (serão?) e as que não forem aceites, por diferença de opinião ou outro motivo, ficarão registadas e, depois, o tempo dirá quem tem razão. Tenho a humildade de saber que ao criticar nem sempre tenho razão, embora muitas vezes tal suceda por não ter a informação correcta. E quanto à informação de que se precisa para escrever, a câmara é perita em escondê-la. Os jornalistas que o digam…

CABOS ATADOS ÀS PAREDES OU A VOAR – Muitas pessoas não reparam, mas quem estiver atento verifica que estão agarrados às paredes dos prédios da urbe, a uma altura de à volta de dois metros, feixes de cabos da mais variada espécie (telefónicos, operadoras de telemóveis, eléctricos e talvez outros), boa parte deles inactivos. É feio e nunca deveriam estar ali. Para isso devem existir canais subterrâneos (por baixo dos passeios ou pavimentos) devidamente arranjados. Acresce que há também feixes desses nos quintais dos prédios de certas ruas e também aí desfeiam e podem causar prejuízos. Desde há muito que tenho criticado a inacção da câmara.

CABOS NO CENTRO URBANO – Vejo agora pela imprensa local e até regional (por exemplo, o jornal O Minho) que a câmara emitiu um comunicado, informando que vão ser retirados esses cabos do centro urbano para os colocar (os que estiverem activos) em infraestruturas subterrâneas. Ainda bem! Só que fica uma pergunta: porque não foram retirados esses cabos quando se levantou todo o pavimento da Praça D. Maria II e Mouzinho de Albuquerque para fazer o arranjo artístico do centro urbano que custou milhões de euros? Não era a altura apropriada e não ficaria muito mais barato? E só vai retirar nesses lugares? Veja-se a Rua Adriano Pinto Basto, entre outras.

CHEIRO NAUSEABUNDO – Um famalicense chamou-me a atenção para o seguinte facto: na quarta-feira, dia 26 de Novembro de 2025, da parte de tarde, na urbanização do Vinhal, o ribeiro que ali passa no sentido poente-nascente (vindo de Brufe) deitou um cheiro nauseabundo, durante horas, proveniente de restos de uma qualquer pocilga. E perguntava: os guarda-rios que andam a fazer? Moradores daquela zona testemunham que estas situações se repetem frequentemente e têm pena, pois aquela linha de água tem vida e peixes.

LUÍS VALES – Ao novo conselho de administração da União Local de Saúde do Médio Ave, que inclui o Hospital São João de Deus, desejamos, como é óbvio, um bom exercício do mandato, pois será bom não só para o novo conselho, liderado pelo Dr. Luís Vales, como para nós. E insistimos em querer ouvir a sua opinião sobre o futuro do Hospital São João de Deus. Os famalicenses devem-lhe muito, querem honrar a memória e a visão de quem o ergueu e desejam-no bem ampliado e apetrechado. Tem espaço para tal, quer seu, quer à sua volta disponível.

IRIS – O edifício da IRIS pertence à história da nossa cidade. Precisamos de valorizar aquele local bem central e o melhor seria que desse lugar a um bom restaurante, recordando o de enorme qualidade que ali existiu com aquele nome. Temos bons restaurantes na cidade e arredores tão mal instalados! O resto do prédio, o que fica mais dentro da Avenida 25 de Abril, bem poderá enriquecer a habitação e algum comércio na cidade.

HELENA FREITAS – A imprensa local deu o devido relevo – e bem – à atribuição do Grande Prémio Ciência Viva 2025 à famalicense Helena Freitas, bióloga e Professora Catedrática da Universidade de Coimbra. O Jornal de Famalicão foi bem exemplo disso. Estamos todos de parabéns!