terça-feira, 28 de julho de 2009

CEDÊNCIAS E CONTRAPARTIDAS

 O que se pretende debater na próxima sessão das 4ªs do Povo, dia 29 de Julho, pelas 21,15h é isto:

É permitido a uma câmara municipal fazer um negócio urbanístico que consiste em receber terrenos para fins de interesse público e dar em contrapartida capacidade construtiva para além da que pode ser dada ao dono ou donos desses terrenos?
Repare-se que não se trata de dar aos proprietários a capacidade construtiva permitida pelas leis e regulamentos em vigor. Por essa, os proprietários não fazem cedências de terrenos, como é natural.
O que leva os proprietários a ceder sem receber dinheiro é a garantia de que vão obter uma capacidade construtiva acima da permitida (p. ex. construir mais pisos do que aqueles que permite o PDM ou construir em zona verde) , comprometendo-se a câmara a arranjá-la. Se tal não acontecer, os proprietários ficam com o direito de obter do município uma indemnização já calculada no próprio negócio.
Esta é uma prática que, ao que parece, alguns municípios fazem e que o nosso também segue.
O problema é saber se isso é legal. O debate será assim fundamentalmente jurídico, mas em termos acessíveis para que qualquer cidadão possa perceber o que está em causa e fazer perguntas.
Será convidado um jurista qualificado nesta matéria e será bom que esteja também presente um jurista do município.
António Cândido de Oliveira
PS – Do Dr. Nuno Abreu Fonseca de Carvalho pode dizer-se quase tudo numa palavra - Viveu!
E lembra-nos: “ Até é Vida a própria Morte/Quando se crê no Futuro”

28.7.2009
Notícias de Famalicão

terça-feira, 21 de julho de 2009

OPINIÃO PÚBLICA

 Precisamos em Famalicão de uma opinião pública forte e activa, mas não a vemos.

Há em todo o território do nosso município famalicenses com grande valor, muitos deles jovens, tendo muito para dar à comunidade. Pena que sejam esquecidos ou que não surjam a ocupar o lugar a que têm direito por mérito na sociedade e na vida local.
Nós, mais velhos, temos muita culpa nessa situação.
António Cândido de Oliveira
PS – Tenho assuntos interessantes (a meu ver) para tratar, mas não tenho tempo.
PPS – Parabéns ao FAC por ter o Dr. Gouveia Ferreira como Presidente!

21.7.09
Notícias de Famalicão

terça-feira, 14 de julho de 2009

SOMOS RÉUS!

 14.7.09

Notícias de Famalicão

Como disse na semana passada, intentaram contra nós famalicenses, que integramos o município de Vila Nova de Famalicão, uma acção exigindo que paguemos à autora, uma sociedade de construção civil e actividades imobiliárias de Braga, denominada “Urbanização de Talvai”, uma quantia de mais de três milhões de euros acrescida de juros legais até integral pagamento.
Prometi contar a história e cumpro, ainda que em traços largos e poucas palavras.
Uma senhora bem conhecida, mas cujo nome omitimos fundamentalmente porque jáfaleceu, proprietária dos prédios que constituíam a "Quinta da Vila de Baixo da Poça da Vila",com 83.000 metros quadrados e também da "Bouça de Talvai", situados na parte Norte da freguesia de Vila Nova de Famalicão, cedeu gratuitamente a nós famalicenses 38.875 metros quadrados da quinta para construção das instalações da Universidade Lusíada (CEUL).
Como estas cedências não se fazem por generosidade mas por comércio, nós famalicenses, como contrapartida, obrigámo-nos, através de contrato que para o efeito foi celebrado no Salão Nobre da Universidade Lusíada, em 26 de Janeiro de 1996, a licenciar nos terrenos sobrantes pertencentes àquela senhora, a construção de várias habitações e blocos habitacionais, através da Câmara de então, conforme planta que ficou a fazer parte do contrato, havendo o cuidado de estabelecer o número de pisos de tais construções.
Como se imagina, o número de pisos não era pequeno e de tal modo que a dona dos prédios e quem a aconselhou tomaram as devidas precauções.
Assim, para o caso de não ser possível por razões imputáveis a nós famalicenses, a construção de qualquer dos blocos previstos no contrato, obrigámo-nos a indemnizar a dona dos prédios ou quem deles fosse proprietário ao tempo da reclamação da indemnização com a quantia de três mil contos, moeda de então, por cada 130 metros quadrados de construção não autorizada.
No mesmo contrato, nós famalicenses, obrigámo-nos a ceder o direito de superfície sobre os tais 38.875 metros quadrados à Lusíada (CEUL) para construção das suas instalações. Coisa que, como é sabido, a Lusíada nunca fez, mas verdade seja dita, também não estava obrigada a fazer, pois o pior que lhe podia acontecer era entregar ao município o terreno cedido.
Pois então veio agora, há menos de um ano, a proprietária dos terrenos que já não é a senhora cujo nome omitimos mas a sociedade Urbanização de Talvai colocar-nos em tribunal, dizendo que não pode construir o que pretende e ficou acordado, pois o nosso PDM não permite e isso por culpa nossa que não o modificamos ("arredando as limitações construtivas") de modo a poder construir-se o que a tal sociedade pretende.
E a sociedade fez as contas e concluiu que só pode construir 24.727 metros quadrados dos 45.336 metros quadrados a que pelo contrato tinha direito. E continuando a fazer as contas ao prejuízo que nós, famalicenses, lhes causamos pede aos senhores juízes que nos condene a pagar uma indemnização de três milhões, trezentos e vinte e um mil quatrocentos e quarenta e cinco euros e noventa e oito cêntimos acrescidos dos juros legais.

E é nisto que estamos: Réus em tribunal para pagar esta quantia, sem instalações definitivas para a Universidade e sem qualquer plano de urbanização!
António Cândido de Oliveira
PS – Decorreu, com uma participação fora do comum, a apresentação do livro “ A Rua Direita” de Álvaro Rocha Vasconcelos. Combinei com o autor fazer-lhe algumas perguntas a partir deste local para responder, se assim o entender, no número seguinte deste jornal. A pergunta desta semana versa a troca de correspondência literária que ocorreu na imprensa local em 1917 e 1918 a partir das crónicas de um tal Samuel. Do que se tratou afinal?

terça-feira, 7 de julho de 2009

RÉUS!

Não sei se os leitores sabem, mas nós famalicenses somos réus numa acção intentada por uma sociedade de construção civil e actividades imobiliárias que corre seus termos no Tribunal Administrativo e Fiscal de Braga.

Nessa acção a sociedade pede ao juiz que nos condene a pagar mais de três milhões de euros por prejuízos causados
Ela exige-nos essa quantia acrescida de juros legais, pois nós, através de um contrato celebrado em 1996, prometemos-lhes uma determinada capacidade construtiva em troca da cedência gratuita de terrenos para a sede da Universidade Lusíada (que nunca mais foi construída) e não lha demos. Como imaginam essa capacidade construtiva não era permitida, mas nós comprometemo-nos a fazer o que fosse necessário para permitir.
Fizemos um contrato ruinoso, subscrito por quem nos representava na altura e agora estamos a sofrer as consequências.
Tenciono contar esta e outras histórias relacionadas nas próximas semanas.
António Cândido de Oliveira
PS – Agradeço ao Dr. Camilo Freitas as referências amigas que me fez, juntamente a outros famalicenses, num texto recente do Cidade Hoje. Permita-me que recorde outro famalicense que se destaca em Braga: Armando Varela, empresário, dono de uma das melhores padarias do Minho, oferecendo aos clientes a qualidade do pão tradicional. Visitem “Moinho de Pão” junto ao Tribunal Judicial de Braga. Vale a pena!
PPS – Tem lugar hoje à noite a apresentação do livro do Dr. Álvaro Vasconcelos sobre a Rua Direita, na própria Rua Direita. Não deixem de passar por lá.

7.7.09
Notícias de Famalicão