quinta-feira, 21 de novembro de 2019

Gouveia Ferreira

FAMALICENSE EXEMPLAR  E é assim a vida! Estava a pensar escrever hoje sobre a sessão do passado sábado, dia 16, tendo como tema o "Poder Local" promovida pela Associação de Amigos de Famalicão, na Fundação Cupertino de Miranda, mas não posso esquecer o Dr. Manuel António Gouveia Ferreira. Partiu um famalicense exemplar. Exemplar, desde logo, pela dedicação aos outros.

FAMALICENSE ATLÉTICO CLUBE (FAC) – Fez um trabalho notável à frente do FAC, essa colectividade eclética que é a maior do nosso concelho em modalidades e em número de praticantes (e isso é o que mais conta). De uma dedicação enorme, não só nos assuntos maiores como nos mais rotineiros, como o pagamento das quotas. E a preocupação que tinha de colocar o recibo na caixa do correio, quando não encontrava o sócio que tinha pago…

BOMBEIROS – Não regateava tempo para o auxílio aos outros e assim se compreende que os Bombeiros Voluntários de Famalicão o tenham chamado para participar nos seus corpos gerentes.

GRUPO DE FADOS – O grupo de fados era algo que fazia parte da sua vida. Coimbra marcou-o muito. E quem viveu a época dele sabe o que significa o fado como sentimento, como resistência, como expressão de liberdade e como forma exprimir alegria de viver.

ADVOGADO – Importa lembrar também o Gouveia Ferreira advogado. Era a sua profissão. Exercia-a com a dignidade e seriedade que ela exige. Também aqui um exemplo.

JORNALISMO – Colaborador desde sempre do jornal Opinião Pública, os seus textos breves D’Esguelha eram lidos com muito agrado, pois neles se reflectia a sua preocupação por uma sociedade mais fraterna e mais livre.

MENSAGEM – Não, por acaso, quem o visitou na despedida recebia uma mensagem que ligava liberdade, "adeus a todos os que lutaram pela liberdade", e fraternidade, "Fica o meu eterno abraço".

(21/11/19)

quinta-feira, 7 de novembro de 2019

44 anos de democracia

ASSOCIAÇÃO AMIGOS DE FAMALICÃO (AAF)  Quando a AAF me convidou para proferir uma palestra no âmbito do seu plano de actividades sobre o poder local solicitou-me um título e encontrei este: 44 anos de democracia. Efectivamente, vivemos há 44 anos de democracia (tendo em conta as eleições para a Assembleia Constituinte em 25 de Abril de 1975) e bem sabe a diferença quem tem idade para ter conhecido os dois regimes ou, sendo novo, teve o cuidado de procurar saber.

DEMOCRACIA  A diferença é grande e assenta, entre muitas outras, em dois pilares importantes: por um lado, as eleições são sérias, assentando em cadernos eleitorais amplos e mesas de voto devidamente fiscalizadas e antes não eram; por outro lado, as pessoas têm liberdade de expressão e de associação (a censura governamental aos meios de comunicação desapareceu) e não são presas pela PIDE/DGS e levadas para uma cadeia por motivos meramente políticos.

DEMOCRACIA II  Muita gente antes de 1974 julgava que a democracia não era possível, que o país não estava preparado. Dizia-se que os portugueses não sabiam viver em democracia. Estes 44 anos provaram o contrário. Esta democracia tem defeitos? Muitos. Mas é uma democracia e não uma ditadura.

PARTIDOS POLÍTICOS  Como se manifestou ela, nomeadamente no nosso concelho? Pela criação de partidos políticos à luz do dia e com liberdade. O Partido Comunista pôde sair da clandestinidade e não tomou o poder como muitos temiam; o Partido Socialista desenvolveu-se e tornou-se um dos preferidos dos famalicenses; o mesmo se diga do Partido Popular Democrático, mais tarde também Partido Social Democrata; surgiu, pela mesma altura, o Partido do Centro Democrático Social, com muita força em Famalicão; o partido denominado Movimento Democrático Português tinha sede e conhecidos militantes. Tudo sem esquecer outros numerosos partidos da esquerda à direita.

JORNAIS – Outra manifestação da democracia foi a criação de jornais sem necessidade de autorização do governo. No domínio dos meios de comunicação social, mantiveram-se sem precisar de ir à censura ou ao visto prévio, os jornais existentes: Jornal de Famalicão, Notícias de Famalicão e Estrela da Manhã. Surgiu, mais tarde, a Democracia do Norte, jornal de âmbito regional, mas foi o Vila Nova o primeiro jornal famalicense nascido em democracia. Mais tarde surgiu a Cidade Hoje e pouco depois o Opinião Pública e O Povo Famalicense. Não estou seguro da ordem de fundação. E não devemos esquecer outros meios de comunicação social.

ASSOCIATIVISMO – No domínio associativo houve uma explosão de iniciativas e temos hoje cerca de 500 associações, desportivas, muitas delas, mas mistas a maior parte, juntando ao desporto a cultura e outras actividades.

E O FUTURO – A democracia parou aqui? Seguramente que não. Tem muito caminho para percorrer e principalmente para se aperfeiçoar. Gostaríamos de centrar a sessão de 16 de Novembro na Fundação Cupertino de Miranda neste aspecto. Devemos aperfeiçoar os partidos, melhorar os meios de comunicação social e valorizar as associações. Para isso precisamos do contributo de todos.

(07/11/19)