domingo, 12 de fevereiro de 2012

Plano de Urbanização da Devesa – participação no debate público

Enviei no limite do prazo e escrito, sem revisão, o seguinte texto para participar no debate público sobre o Plano de Urbanização da Devesa (PUD):

"As sugestões que apresento têm por base a vontade de contribuir para o melhor Parque da Cidade possível, pois este plano vem muito atrasado e já dificilmente pode impedir a situação de sufoco em que o parque se encontra. No entanto, tudo deverá ser feito para o libertar dessa situação.

A fazer-se, como está prevista, a ligação poente (e, ao mesmo tempo, entrada principal) do parque com a cidade pela via que conduz à central de camionagem teremos um acesso pouco digno, pois ele deveria estar reservado fundamentalmente ao trânsito de peões e velocípedes e nunca de centenas de autocarros de transporte.

Acresce que é inaceitável que fique praticamente dentro do parque a central de camionagem. Só a falta de um adequado planeamento da cidade explica a instalação dessa central naquele local.

Também choca a debilidade manifesta da ligação do parque para Norte em direcção ao bem conhecido parque de Sinçães.

Acresce que um concelho com as dimensões do nosso merecia um maior parque e, infelizmente, ele vai ser "esmagado" do lado nascente por uma linha quase contínua de construções ( que podem ir até seis pisos), quando a construção prevista nos espaços assinalados a cor rosa (CE1 Devesa, CE1, CE2 e CE2 Cruzeiro) não deveria existir ou deveria ter uma expressão mínima. Pelo que me pude aperceber, a capacidade construtiva que lhes foi atribuída é a compensação que resulta da obtenção por parte do município de terrenos que doutro modo teria de pagar aos respectivos proprietários para fazer o parque.

A invocação da segurança através daquelas construções não procede. A segurança do parque depende de outros cuidados, nomeadamente vigilância, que tais construções, por si, não asseguram e podem até prejudicar.

Torna-se difícil perceber, por outro lado, que este plano venha depois, ou seja, já está aprovado e já está a construir-se o parque e agora aparece este plano.

Há qualquer coisa aqui que não joga bem. Primeiro deveria aprovar-se o plano que está em discussão e simultaneamente ou depois o parque. Não foi esse o caminho seguido e não se consegue uma explicação razoável para isso do ponto de vista urbanístico.

Habituado como estou a ver crescer a cidade de Vila Nova de Famalicão sem planeamento com os resultados que estão à vista de todos (enviarei à parte um texto sobre esse aspecto que deve ler-se juntamente com estas sugestões), não posso deixar de saudar, apesar de tudo, a apresentação a discussão pública deste plano, bem como manifestar agrado pela disponibilidade com que me foram fornecidos elementos sobre ele pelos serviços de urbanismo.

O desafio que a todos nos é colocado, desde os cidadãos, aos poderes públicos locais e centrais com tutela sobre o urbanismo, é fazer deste plano o melhor remédio possível para algo que, infelizmente, cresceu mal.

Pena tenho, como munícipe, de não poder fazer considerações mais extensas e fundamentadas sobre este projecto de plano. O tempo não me permitiu o estudo que era necessário. Cabe aos poderes públicos acima referidos defender, como lhes compete, o interesse público que tão maltratado tem sido”.

P.S.: Num supermercado desta cidade vi , na semana passada, para venda em lugar de destaque: uvas frescas da África do Sul, manga do Brasil, cerejas e ameixas do Chile e morangos de Espanha. Depois queixemo-nos do défice da nossa balança comercial…

(Em O Povo Famalicense, edição de 14 a 20/02/12)

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