Enviei no limite do prazo e escrito, sem revisão, o seguinte texto para participar no debate público sobre o Plano de Urbanização da Devesa (PUD):
“As sugestões que apresento têm por base a vontade de contribuir para o melhor parque da cidade possível, pois este plano vem muito atrasado e já dificilmente pode impedir a situação de sufoco em que o parque se encontra. No entanto, tudo deverá ser feito para o libertar dessa situação.
A fazer-se, como está prevista, a ligação poente (e ao mesmo tempo entrada principal) do parque com a cidade pela via que conduz à central de camionagem teremos um acesso pouco digno, pois ele deveria estar reservado fundamentalmente ao trânsito de peões e velocípedes e nunca de centenas de autocarros de transporte.
Acresce que é inaceitável que fique praticamente dentro do parque a central de camionagem. Só a falta de um adequado planeamento da cidade explica a instalação dessa central naquele local.
Também choca a debilidade manifesta da ligação do parque para Norte em direcção ao bem conhecido parque de Sinçães.
Acresce que um concelho com as dimensões do nosso merecia um maior parque e infelizmente ele vai ser "esmagado" do lado nascente por uma linha quase contínua de construções ( que podem ir até seis pisos), quando a construção prevista nos espaços assinalados a cor rosa (CE1 Devesa, CE1, CE2 e CE2 Cruzeiro) não deveria existir ou deveria ter uma expressão mínima. Pelo que me pude aperceber a capacidade construtiva que lhes foi atribuída é a compensação que resulta da obtenção por parte do município de terrenos que doutro modo teria de pagar aos respectivos proprietários para fazer o parque.
A invocação da segurança através daquelas construções não procede. A segurança do parque depende de outros cuidados, nomeadamente vigilância que tais construções, por si, não asseguram e podem até prejudicar.
Torna-se difícil perceber, por outro lado, que este plano venha depois, ou seja, já está aprovado e já está a construir-se o parque e agora aparece este plano.
Há qualquer coisa aqui que não joga bem. Primeiro deveria aprovar-se o plano que está em discussão e simultaneamente ou depois o parque. Não foi esse o caminho seguido e não se consegue uma explicação razoável para isso do ponto de vista urbanístico.
Habituado como estou a ver crescer a cidade de Vila Nova de Famalicão sem planeamento com os resultados que estão à vista de todos (enviarei à parte um texto sobre esse aspecto que deve ler-se juntamente com estas sugestões) não posso deixar de saudar, apesar de tudo, a apresentação a discussão pública deste plano, bem como manifestar agrado pela disponibilidade com que me foram fornecidos elementos sobre ele pelos serviços de urbanismo.
O desafio que a todos nos é colocado, desde os cidadãos, aos poderes públicos locais e centrais com tutela sobre o urbanismo é fazer deste plano o melhor remédio possível para algo que, infelizmente cresceu mal.
Pena tenho, como munícipe, de não poder fazer considerações mais extensas e fundamentadas sobre este projecto de plano. O tempo não me permitiu o estudo que era necessário. Cabe aos poderes públicos acima referidos defender, como lhes compete, o interesse público que tão maltratado tem sido”.
António Cândido de Oliveira
PS - Num supermercado desta cidade vi , na semana passada, para venda em lugar de destaque: uvas frescas da África do Sul, manga do Brasil, cerejas e ameixas do Chile e morangos de Espanha. Depois, queixemo-nos do défice da nossa balança comercial…
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