domingo, 20 de fevereiro de 2011

Sejam claros!

O que mais me chamou a atenção na resposta da câmara municipal à acusação feita pelo PS de que existe um documento que prova que a câmara tem um projecto urbanístico de grande dimensão para a zona do actual estádio municipal não foi a crítica dirigida ao Prof. Reis Campos nem à "desvitalização" do PS. O que estranhei muito foi que não exigisse do PS a exibição do documento que fundamentou a acusação. Era isso o que normalmente faria quem nada teme. Diria: Mostrem lá o documento! A câmara não o fez. Ficou a ideia que o teme. Mas, por outro lado, a acusação do PS só terá verdadeira força quando o documento for publicitado. Enquanto tal não suceder, fica apenas a suspeita.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Oposição: sinal de vida!

Na semana passada, o PS convocou uma conferência de imprensa no Estádio Municipal de Vila Nova de Famalicão para denunciar algo que a ser verdade é muito grave: a câmara prepara-se ou preparava-se para alteração a classificação do Plano Director Municipal no sentido de transformar a actual zona desportiva da cidade em zona de construção. Um grande negócio imobiliário, disse o líder do PS, Dr. Fernando Moniz, mostrando um mapa que andava escondido, como convém nestas coisas. Espero que a imprensa local esclareça melhor tudo isto, nomeadamente a ligação com a tão falada Parceria Público-Privada. Temos o direito de saber toda a verdade e certamente que veremos já esta semana a reacção da câmara e dos partidos que a suportam. 

O ataque da oposição é muito forte e das duas uma: ou tem fundamento e presta um serviço ao concelho ou não tem e desacredita-se. Uma nota ainda: não se compreende que o Partido Socialista de Famalicão não tenha uma página electrónica sua, devidamente actualizada, para dar a conhecer a actividade da oposição.

Como já temos dito, numa democracia, tão importante como o bom governo, é a boa oposição. E oposição que não se vê é má oposição.

P.S.: E, fica para depois um pequeno texto sobre as "saídas de Famalicão". Famalicão não tem só uma saída a merecer atenção, a de Guimarães. Tem mais quatro!

Orçamento para 2011

A câmara municipal e não sei se já a assembleia municipal aprovaram o orçamento para 2011. Estamos a falar de 94 milhões de euros. 94 milhões de euros de receitas previstas para serem gastas. Gostaria muito que um jornal local nos mostrasse de onde provêm as receitas e em que montante e para onde vai o dinheiro (despesas). Quanto se vai gastar em publicidade, por exemplo?

P.S.: A mudança da comunidade cigana para a Urbanização das Bétulas, que se saúda ocorre hoje e marca o fim de uma situação que já deveria ter sido resolvida há mais de 20 anos. Veremos agora quanto tempo vai demorar a fase de reabilitação daquela zona frente à Estação ferroviária. O tempo mais adequado passou, havia muito dinheiro e a Câmara deixou-o fugir.

P.P.S.: Recuperar o edifício do ex-Colégio Camilo Castelo Branco é um disparate. Limpar aquele espaço actualmente inútil e dar-lhe uma utilização escolar é urgente. Custa ver crianças em espaços tão limitados na nossa cidade.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Avenida do Brasil

Quando uma câmara não sabe ou não é capaz de fazer melhor, alarga uma avenida ou faz obra semelhante. A câmara municipal de Famalicão adjudicou, de acordo com a imprensa local, o alargamento da Avenida Brasil por um milhão e sessenta mil euros a uma empresa famalicense. A antiga estrada de Guimarães vai ficar – aparentemente bem – com quatro faixas de rodagem, separador central e nova rotunda.

Em acto público foi dito tratar-se de um "dia importante para Famalicão" e que a câmara quer "voltar-se agora para a cidade". O que não se disse é que ao longo destes mais de dez anos de mandato a CM ainda não teve capacidade para elaborar um plano relativo a toda a cidade. A câmara apenas faz intervenções isoladas, esquecendo que a cidade está cheia de buracos urbanísticos dos quais não cuida. Onde está a oposição?

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Gerir bem

Custódio de Oliveira, famalicense, responsável máximo da empresa de serviços Omnisinal, editou, com a colaboração de Alexandra Lima, Anabela Fernandes, António Araújo, António Rodrigues, Francisco Melo e Victor Mendes uma publicação do maior interesse intitulada Como Gerir Bem a Sua Instituição. É um livro dedicado às instituições do terceiro sector social, que são organizações privadas que têm por missão não a obtenção de lucros, mas a solidariedade (o bem comum). De qualquer modo. muito do que nele se diz se aplica a outras organizações e bem gerir é uma obrigação que deve pesar sobre todas elas.

Recomendo vivamente a sua leitura, pois existem largos milhares de organizações sem fins lucrativos (no nosso concelho seguramente mais de uma centena) e na grande maioria a gestão deixa, por vezes, muito a desejar. Gerir bem estas instituições é contribuir para o fortalecimento da sociedade civil, tarefa que tão necessária é.

P.S.: Já se reparou devidamente que Famalicão tem o hábito de votar sempre acima da média nacional? Ainda nas eleições para presidente da república o número de votantes foi superior a 55%. Agrada-me.

P.P.S.: Existe oposição local em Famalicão? Não a vejo e desagrada-me.

(Em O Povo Famalicense)

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

É preciso mudar!

O texto de Carlos de Sousa publicado há 15 dias merecia leitura e tratamento atento, bem como o de Edna Cardoso na semana passada. Porém, andamos todos sempre a correr de um lado para o outro e o que se escreve há 15 dias já não lembra a ninguém. 

Escrevia Carlos de Sousa que o nosso município deveria estar atento à situação que vivemos actualmente e, assim, criar uma unidade de missão municipal dedicada à "Economia e Novos Investimentos" e dar também uma atenção especial às instituições de solidariedade social (IPSS). Sugeria também, noutro contexto, a importância da abertura de um pólo ou extensão do IPCA (Instituto Politécnico do Cávado e do Ave).

Retomo esta sugestão do pólo do IPCA para dizer que uma das facetas mais negativas destes últimos 10 anos de administração municipal tem sido a perda de oportunidades e esta é uma delas. O nosso município teve a oportunidade (única) de ter ensino superior público e desperdiçou-a. A câmara municipal prejudicou Famalicão. Para não se perderem outras oportunidades e para mudar de política municipal era preciso trabalhar muito e desde já. Não se vê trabalho sério e continuado!

P.S.: É quase caricato: quando era necessário alargar a EN n.º 14, depois da rotunda de Santo António, em direcção a Braga, derrubando aquele velho muro de mais de 200 metros até ao Tribunal, o que se fez, nestes últimos dias, foi limpar as ervas que crescem junto dele!

P.S.: A entrevista feita pelo Jornal de Famalicão ao Monsenhor Joaquim Fernandes é, para além do mais, que não é pouco, uma lição de história local. Merece leitura atenta. E venha a continuação…

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Oposição, precisa-se!

O nosso concelho tem mais de 100.000 habitantes, dos quais cerca de 100 são membros da assembleia municipal e 10 são vereadores. Pois apesar disso, muito poucos manifestam por escrito, de uma forma regular, a sua opinião sobre a vida do concelho, os seus anseios e os seus problemas. É por isso de saudar que no princípio deste ano, dois colaboradores regulares deste semanário, Carlos de Sousa (deputado municipal) e Mário Martins (vereador), tenham dedicado a sua atenção ao nosso município.

Carlos de Sousa teve o cuidado de "alinhavar 11 sugestões para a melhoria da situação de Vila Nova de Famalicão e da comunidade famalicense". Mário Martins, por sua vez, fazendo uma reflexão, que também me tem ocupado, lembra que as "autárquicas de 2013 estão aí à porta" e que é preciso trabalhar desde já. São dois textos que merecem leitura atenta, mas como o meu tempo é pouco e porque não costumo escrever muito, vou hoje dar atenção ao texto de Mário Martins. Ele toma uma posição clara que assenta no seguinte: o Partido Socialista é o único partido que pode pretender disputar a liderança à coligação PSD/PP e deve actuar já, pondo no terreno o seu candidato ou candidata a presidente da câmara municipal. Estou inteiramente de acordo, acrescentando apenas um pormenor. O ter um ou uma candidata no terreno não significa apenas ter uma pessoa para disputar eleições, significa ter uma pessoa que nos convença que conhece bem os problemas do nosso concelho, que é capaz de fazer uma boa equipa e fazer uma oposição credível.

O actual governo do município merece muitas críticas que deveriam ser feitas pelo líder da oposição e isso não se vê. Se o Partido Socialista não percebe que fazer oposição de uma forma responsável é um dever durante o período de quatro anos que medeia entre eleições, então não percebe o que é a democracia e não merece ter sob a sua responsabilidade o governo do nosso município. Pela minha parte e como famalicense sem pretensão de exercer política activa, não deixarei de estar particularmente atento ao que se for passando. Espero que Mário Martins faça o mesmo e que possamos trocar, por este meio, alguns pontos de vista, pois o diálogo enriquece. Este desafio abrange também Carlos de Sousa e todos os que estejam dispostos a trabalhar pelo bem do nosso município.