segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Cenários para Famalicão: jardim botânico, hotel, turismo religioso e não só

Não existe entre nós o hábito de pensar e debater os problemas do nosso concelho e da sua sede a partir de uma perspectiva ampla. Por isso, apesar de tudo, tem todo o interesse ler o Plano Estratégico do Município de Vila Nova de Famalicão 2007-2013, publicado na página oficial do concelho. Transcrevemos um pequeno texto dele retirado. Leiam com atenção e vejam se ao lado de coisas que merecem inteira concordância não há outras que assustam ou merecem sérias reservas, sem esquecer as que nele não são mencionadas:

A evolução e o desenvolvimento do concelho vão depender da gestão, mas Vila Nova de Famalicão tem de aproveitar o facto de estar "no centro de tudo" e criar um concelho diferente, que se distinga através do desenvolvimento de várias apostas estratégicas. Assim, a evolução do concelho nos próximos anos deveria assentar:

  • Na aposta no turismo (nomeadamente no turismo religioso) e na promoção dos equipamentos turísticos e culturais existentes, designadamente da Casa das Artes;
  • Na criação de infra-estruturas desportivas de excelência (numa vertente turística, com capacidade de chamar desportistas e equipas desportivas de fora);
  • Na criação de um centro comercial moderno (com cinemas);
  • Na resolução da questão dos transportes público: aumentar a sua frequência e as condições e criar uma cultura de utilização de transportes públicos;
  • Na construção de um parque tecnológico, associado ao parque industrial: "a existência destas duas infraestruturas seria uma riqueza extraordinária para VNF";
  • Na criação de um pavilhão multiusos;
  • Na existência de um parque da cidade (com centro comercial, jardim botânico, circuitos de manutenção;
  • Na aposta na segurança e na limpeza;
  • Na criação de um hotel;
  • Na aprovação da carta educativa e parque escolar terminado;
  • Na aposta no Lago Discount como zona de lazer;
  • No desenvolvimento da ecopista Famalicão–Póvoa do Varzim;
  • Na aposta nas crianças e na juventude: parques para crianças e equipamentos e pontos de encontro para os jovens;
  • Na criação de alternativas de emprego ao clássico têxtil.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Estação ferroviária da Trofa

Já compararam a estação ferroviária da Trofa à de Famalicão? Ainda não tive a oportunidade de a visitar, mas do que já vi dá para ver a diferença entre um pequeno município que soube lidar com a REFER e outro (o nosso) que agiu desastradamente. Mas, como já temos dito, temos o que merecemos.

P.S.: A propósito, a comunidade cigana já mudou para as instalações que acabaram de ser construídas? Não era em Agosto que tal deveria acontecer?

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Mini-parque da cidade

Neste tempo quente mais se sente a falta de um parque da cidade à altura do concelho de mais de 120.000 habitantes que somos. Um bom parque permitiria a milhares de famalicenses encontrar um espaço agradável e fresco especialmente necessário para aqueles que não têm a possibilidade ou a facilidade de se deslocar para fora da cidade. A notícia da criação do Parque da Devesa, largamente anunciada, não será, infelizmente, a solução. Trata-se, na verdade, de um mini-parque, na adequada expressão de Amândio Carvalho, concebido sem visão de futuro. E o pior é que, salvo uma ou outra voz isolada, ninguém se preocupa muito com isso. Paciência, teremos o que merecemos.

(Em O Povo Famalicense)

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Um voto que faz a diferença

Os leitores já viram em grandes cartazes um anúncio chamando a atenção para www.vilanovadefamalicao.org? Esta deveria ser a página oficial do nosso município, mas acaba por ser, como de costume, uma página de propaganda das actividades da câmara. Em vez de dar notícias sobre os principais assuntos do nosso concelho (e eles são, neste momento, como toda a gente sabe, a tão falada parceria público-privada e o parque da cidade), a página oferece-nos com destaque O Dia Mundial dos Avós (dia 27 de Julho) e outras notícias mais antigas de interesse municipal secundário.

Por outro lado, este novo figurino da página do município atirou para local secundário a assembleia municipal. Nem sequer lá tem em lugar bem visível o nome de todos os membros. Para a câmara eles valem pouco. Trata-os como uns coitados que julgam que contam para alguma coisa, mas não contam.

Mas por vezes engana-se e surge um membro a trocar as voltas. Neste caso foi exactamente o secretário da mesa da AM (na realidade, o verdadeiro presidente, pois o que foi eleito como tal pouco liga à assembleia) a votar contra a proposta da câmara e com uma declaração de voto que não deixa dúvidas. Vota contra porque, como muitos outros famalicenses, lhe parecem "sumptuários" nestes tempos difíceis a construção de uma cidade desportiva e de um pavilhão multiusos. Trata-se de um voto que pode não agradar ao presidente da câmara, que parece estar demasiado comprometido com este projecto, mas agrada a muitos famalicenses e, por estranho que pareça, favorece o PSD. Se houver dúvidas quanto a esta última parte, explicarei. Mas julgo que não é preciso.

(Em O Povo Famalicense)

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Coragem!

É preciso ter coragem para enfrentar o poder municipal que, através da Câmara Municipal, decide um concurso que envolve muito dinheiro. Normalmente, quem perde injustamente fica furioso, mas cala-se. Cala-se porque podem surgir outros concursos e poderá ser contemplado. Pelo contrário, se leva o município a tribunal, corre sério risco de ser mal-visto e ter dificuldades acrescidas noutras oportunidades.

É bom que o concurso relativo à parceria público-privada que está para ser adjudicado (há hoje uma assembleia municipal extraordinária convocada para tratar disso) seja bem esclarecido. Esperemos que os membros da assembleia municipal estejam à altura do que se lhes pede como representantes dos munícipes e que não se esqueçam de que está pendente uma providência cautelar com importantes efeitos jurídicos. Sobre esta matéria, O Povo Famalicense organizou, na passada quarta-feira, uma sessão que teve muito interesse e um nível muito elevado. Participaram nela o Dr. Pedro Cruz e Silva, advogado e Mestre em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade Católica Portuguesa (Lisboa) e o Dr. Paulo Cunha, vereador da câmara municipal de Vila Nova de Famalicão.

Pelo que se pôde aperceber do debate que ocorreu, o problema maior da parceria é saber se no plano das prioridades do município, neste tempo de crise em que as decisões precisam de ser muito bem pensadas, deve estar na primeira linha um pacote de investimentos que inclui, salvo erro, a construção de uma cidade desportiva, um pavilhão multi-usos, duas piscinas e três pavilhões desportivos. Trata-se de um investimento de 50 milhões de euros. No debate, que teve a participação, entre outros, de Carlos Sousa, João Casimiro e Dr. Camilo Freitas (partidário de uma execução escalonada destes investimentos), estas e outras dúvidas foram levantadas.

P.S.: Tem-se estranhado o facto de o sr. presidente da câmara não ter participado, ao que parece, nas votações relativas a este assunto. O que se passa? Surgem logo rumores e suspeitas e isso é mau. Pelo contrário, uma explicação convincente tudo clarifica.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

A informação que falta

É de espantar mas já ninguém se espanta. O município tem uma página na internet bem cuidada e que tem seguramente pessoal pago para trabalhar nela diariamente. Essa página deveria dar aos famalicenses a informação a que têm direito sobre os assuntos municipais. Um dos assuntos mais importantes do momento é a Parceira Público-Privada que está actualmente em fase de adjudicação. Ela envolve 50 milhões de euros e diz respeito a um conjunto de obras. Pois bem, a página não tem como deveria ter uma informação detalhada sobre este tema, com chamada de atenção, bem visível logo, em primeira página. Em vez disso, temos em destaque o discurso integral de 9 de Julho do presidente da câmara. E assim andamos!

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Camilo e não só

A Associação Amigos de Famalicão organizou no auditório da Fundação Cupertino de Miranda uma interessante sessão sobre Camilo e Unamuno a cargo do Professor Luis Andrés Marcos da Universidade Católica de Salamanca. É de saudar a capacidade de mobilização da AAVNF num sábado de manhã. 

À margem, em conversa informal com um participante, tive a oportunidade de abordar dois problemas que deviam merecer mais atenção dos famalicenses. Trata-se de situações em que interesses particulares estão a pôr em causa o interesse público e o bom nome de Famalicão. O primeiro é o diferendo com uma associação em Seide que impede que se completem as obras de arranjo da zona envolvente da Casa Museu de Camilo. O segundo é a ocupação indevida, porque contra o interesse público, do Museu Bernardino Machado por uma companhia de seguros. Como é possível que continuem sem resolver, anos sobre anos, estes problemas?

Já que não se respeita a câmara, não poderia a Associação de Amigos de Famalicão ter aí uma acção de mediação para bem do município?