segunda-feira, 8 de agosto de 2011

A parte norte dos Paços do Concelho

A parte norte dos Paços do Concelho merece melhor atenção. Até há pouco tempo, ela foi destinada ao Tribunal Judicial, violando de certo modo o princípio da divisão dos poderes que manda separar o poder judicial do poder administrativo. Não deixa de ser interessante, a este propósito, lembrar que, há mais de 50 anos, em pleno período do Estado Novo, o ministro da Justiça de então via com reservas esta junção no mesmo edifício da câmara e do tribunal. A exposição que está patente no átrio dos Paços do Concelho, mas ainda não tive tempo de ver com cuidado, deve dar nota disso.

Voltando ao princípio, à atenção que deve merecer a parte norte, é de lamentar que as obras que nela se estão a fazer, adaptando ao serviço da administração o que até agora foi serviço judicial, não estejam devidamente explicadas e mostradas na tão propagandeada página da internet do município. Teríamos a possibilidade de apreciar o que lá está a ser feito há largos meses. Assim como teríamos a possibilidade de saber se nestas obras estão incluídas as do devido arranjo da zona envolvente.

Basta olhar bem para a fachada norte dos paços do Concelho para ver que esse arranjo é absolutamente necessário. O arquitecto Januário Godinho nunca pensou que um dia deitariam abaixo o prédio que ali existia e assim não cuidou como devia aquela fachada. Não é só a pesada porta verde de acesso aos calabouços, bem como as janelas gradeadas do rés-do-chão, é principalmente o acabamento envidraçado que divide ao meio a parte nascente da parte poente. Esse acabamento só se explica porque ficava nas traseiras do edifício, coberto pelo prédio deitado abaixo há cerca de 20 anos e de que sobra um pequeno mural. Acresce ainda que, para agravar o estado daquela fachada, foram feitas recentemente umas inestéticas obras, junto do centro paroquial, não se sabe bem para quê.

Para remediar a situação criada, um conjunto de boas árvores poderia ajudar muito, mas a câmara actual não gosta muito de árvores.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Bom governo municipal

Sabem os leitores porque passados mais de 35 anos de governo democrático do nosso município ainda não temos um plano de urbanização da cidade e, assim, uma forma devidamente pensada de a fazer desenvolver de modo harmonioso? Apenas porque ao longo deste período (apesar da estabilidade governativa, com mais de 19 anos de PS e 12 anos de PSD/CDS) não tivemos ninguém capaz de o fazer. Nenhuma vereação capaz de olhar para a cidade com futuro e planeamento! Assim, a cidade cresceu para o fundo (parte sul) e não para o alto (parte norte). Foi-se destruindo progressivamente o que estava destinado a Parque da Cidade (lembram-se da Silac?). E o centro do centro da cidade continua a degradar-se (olhem para o Hotel Garantia!). Quando teremos um bom governo municipal?

(Em O Povo Famalicense)

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Causas

Escrevi no número 1000 do jornal Opinião Pública que o jornalismo local deve ser um "jornalismo de causas" e não de casos. Causas de interesse relevante para a comunidade a quem se dirige. Infelizmente, não temos essa tradição. Fala-se na imprensa de um assunto de interesse e depois deixa-se cair sem o acompanhar até à desejada solução.

É claramente uma causa do maior relevo a luta por uma melhor estação ferroviária e zona envolvente. Causa perdida no seu aspecto mais relevante, é certo, pois a estação em si é o que é (comparem-na com a da Trofa ou a de Viana do Castelo), não tendo sequer um elevador. Mas há ainda por resolver o problema da zona envolvente. O estacionamento junto da Urbanização das Bétulas está cada vez mais degradado e o espaço onde estava alojada a comunidade cigana está fechado e não se sabe o que ali vai fazer-se. A câmara o que tem a dizer sobre isso? Se tivéssemos uma imprensa mais unida e mais atenta ao que é importante, a câmara teria mesmo que dar explicações claras e quanto antes. Quanto à assembleia municipal, que deveria estar bem atenta, nem vale a pena falar. Não conta...

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Stop! Aqui é Cruz!

Uma freguesia do Alto Minho acolhe, desde há décadas, amavelmente os automobilistas da EN n.º 13 deste modo: "Devagar, aqui começa Seixas!".

Santiago da Cruz resolveu acolher os automobilistas da EN n.º 14 com uns semáforos muito pouco amigos que não cessam de dizer: "Stop! Aqui é Cruz!". Como já tive a oportunidade de dizer, o problema nem são os semáforos em si (embora sejam os únicos entre Famalicão e Braga), o problema é o modo com funcionam. Estão constantemente a mandar parar e de tal modo que, por vezes, não deixam passar mais de dois ou três veículos que estão em fila de espera. Há qualquer coisa que não está bem!

O Presidente da Junta de Freguesia de Santiago da Cruz publicou na sema passada neste semanário um esclarecimento que agradeço e que convida – e muito bem – os automobilistas a terem respeito pelos peões. Nisso estamos todos de acordo!

P.S.: O Arquivo Municipal Alberto Sampaio já está em obras. O placard que as anuncia, como de costume, não tem a delicadeza de informar os munícipes da data do começo e do fim das obras.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Os semáforos de São Tiago da Cruz

Ao que parece, afinal não são só os semáforos de Cruz (São Tiago) que estão "loucos". Estão "loucos" também os responsáveis da freguesia, do município e, acima de todos eles, os responsáveis da gestão daquela estrada nacional (antigamente Direcção de Estradas, agora nem sei). Na verdade, se actuassem com sentido da responsabilidade, a junta de freguesia, juntamente com a câmara municipal, já teria dado uma explicação a quem por ali passa, sofrendo as consequências daquela sinalização e, ao mesmo tempo, teria feito as necessárias diligências junto de quem tem o poder de sinalizar a EN n.º 14.

Esta entidade de que não conheço o nome  e muito menos os responsáveis  actua com inteiro desrespeito pelas regras de boa circulação, contribuindo para formar filas de automóveis desnecessárias, para gastar gasolina e gasóleo e poluir o ar de São Tiago.

P.S.: Visitem o Museu Bernardino Machado na Rua Adriano Pinto Basto. Está lá uma exposição sobre Rafael Bordalo Pinheiro que merece ser vista.

P.P.S.: E tanta coisa que fica por dizer sobre os 50 anos dos Paços do Concelho (e sobre as obras em curso), sobre o novo Arquivo Municipal (quando assinalam devidamente o local?) e sobre o desfile das Confrarias nas Festas Antoninas (a ideia até era boa, mas precisava de ser muito mais bem trabalhada).

terça-feira, 7 de junho de 2011

Eleições e tílias

Um dia de eleições é sempre uma dia especial em Famalicão e tenho orgulho em pertencer a um concelho que vota sempre acima da média nacional. Assim sucedeu desta vez e enquanto a nível nacional a abstenção foi de 41,1%, em Famalicão foi apenas de 34,47%. (E nestas coisas da abstenção devemos ter em conta que os cadernos eleitorais estão inflacionados, pelo que a abstenção real é muito mais baixa, quer a nível nacional, quer a nível municipal).

É também interessante olhar para os resultados a nível nacional, distrital e concelhio. O Partido Social Democrata (PSD) teve, a nível nacional, 38,63% dos votos; a nível do distrito de Braga, 40,09%; e a nível do concelho de Famalicão, 39,13%. Já o Partido Socialista (PS), que a nível nacional teve 28,05%, a nível de Braga teve 32,85% e a nível de Famalicão, 35,9%, ou seja, um resultado claramente superior ao nacional. A diferença entre PSD e PS foi aqui de menos de 4%.Por sua vez, o CDS teve um resultado mais baixo a nível do concelho de Famalicão. A nível nacional teve 11,74%; a nível do distrito de Braga, 10,39%; e a nível de Famalicão, 9,91%. O PCP e o BE, finalmente, tiveram resultados muito mais baixos que no resto do país. O PCP, que a nível nacional teve 7, 94%, a nível de Famalicão teve 4,16% e o BE, que a nível nacional teve 5,19%, a nível de Famalicão teve 4,09%.

P.S.: A cidade de Famalicão tem, felizmente, muitas tílias e elas não só dão boa sombra como enchem, nesta altura, o ar de perfume. Pena é que não se colha a flor para fazer as bem apreciadas infusões. Era uma boa prenda, por exemplo, para entregar no posto de turismo aos turistas que nos visitam. Mas não é só na cidade que há tílias e ficou famoso o Largo das Tílias de Landim. Ainda existe?

(Em O Povo Famalicense)

domingo, 22 de maio de 2011

Com palavras se enganam as pessoas…

Eu não ligo muito ao futebol, mas já liguei e isso deixou marcas. Uma dessas marcas é o gosto de ver o Futebol Clube de Famalicão em bom lugar. Fiquei contente, por isso, com a subida para a 3.ª divisão nacional. Digo 3.ª divisão, embora os jornais digam, mentindo descaradamente por culpa dos responsáveis do futebol nacional, que o Famalicão subiu para a 2.ª divisão.

Dantes as coisas eram simples e verdadeiras: havia, a nível nacional, a 1.ª divisão; depois a 2.ª e, finalmente, a 3.ª divisão nacional, com várias séries. Quem não se aguentasse na 3.ª divisão nacional descia para os campeonatos distritais. Agora não são simples, nem verdadeiras. Seguramente, por razões comerciais, mudaram há alguns anos o nome às coisas, confundindo as pessoas. Fui consultar na net o jornal Record (o que melhor esclarece as coisas) e pude verificar o seguinte:

À antiga 1.ª divisão, onde militam, entre outros, o Porto, o Benfica, o Sporting e o Braga, chamam-lhe agora Liga Zon Sagres.

À antiga 2.ª divisão, em que este ano vão à frente o Varzim, o Feirense e o Gil Vicente, chamam-lhe agora Liga Orangina.

À antiga 3.ª divisão nacional, que tem agora 3 zonas (norte, centro e sul), chamam-lhe agora 2.ª divisão, o que, como é bom de ver, é mentira.

Por outro lado, os responsáveis pelo futebol criaram uma nova divisão nacional que é, naturalmente, a 4.ª divisão. Esta tem 8 séries, das quais 6 no continente (A, B, C, D, E, F), 1 nos Açores e outra na Madeira. Era aqui que estava o Famalicão, jogando na série B. Chamam-lhe oficialmente 3.ª divisão, mas, como se vê, é redonda mentira. Isto é uma boa prova de como com palavras se enganam as pessoas. Por isso, o Famalicão subiu para a 3.ª divisão e, já agora, desejo que consolide essa sua posição e passe dentro de algum tempo para a verdadeira 2.ª divisão (Liga Orangina). Já não seria nada mau e o concelho merece. Tudo sem as aventuras de má memória que o levaram em tempos à 1ª Divisão e depois o fizeram tombar por aí abaixo.

P.S.: Brufe em tempos (há mais de 15 anos) plantou largas dezenas de cerejeiras para dar proveito à fama de ser conhecida por "terra das cerejas". Pelo que soube, isso deu resultado e hoje há cerejeiras em Brufe. O problema é que não há cerejas, pois os pássaros, ao que parece, encarregam-se de as comer. Este assunto merecia mais desenvolvimento que aqui não posso dar. Tenho uma teoria sobre isso, mas gostaria de a confirmar junto de agricultores e proprietários.

P.P.S.: Estive hoje em Serralves. Quando vejo um parque amplo como aquele, em plena cidade do Porto, cada vez tenho mais pena da nossa curteza de vistas a nível municipal. Tínhamos possibilidade de fazer um grande parque em Famalicão, mas não fomos capazes disso. Vem-me à memória o Dr. Nuno Carvalho e a luta que travou por um grande parque.