quarta-feira, 5 de maio de 2021

O nosso urbanismo à prova

URBANISMO – A qualidade do urbanismo da nossa cidade vai ser posta à prova no projecto de edificação, situado na esquina da Rua Conselheiro Santos Viegas (a seguir ao Supermercado Bandeirinha) com a Rua Ana Plácido (rua com placa indicativa apagada), que está a ser apreciado pelos serviços de urbanismo. Tem um anúncio lá colocado que identifica o processo que está em curso e que apenas por falta de tempo e dificuldade em consultar não me permite dar mais detalhes. Trata-se da transformação de uma vivenda (já demolida e que há décadas foi padaria da família Varela) para um prédio que deverá compatibilizar o interesse privado do actual proprietário com o interesse da protecção do espaço público e da estética urbana. Não parece ser uma tarefa fácil principalmente se o município quiser defender o interesse público, como lhe compete. A experiência tem-nos dito que o interesse privado consegue quase sempre levar a melhor na balança dos interesses. Num país com regras de urbanismo mais avançadas e democráticas os vizinhos desta obra seriam convocados para uma reunião presencial (ou via Zoom, dada a pandemia) com a finalidade de serem informados e darem a sua opinião. Lá chegaremos com o aprofundamento da democracia local.

PLACAS – A falta de uma placa identificativa bem cuidada no início da Rua Ana Plácido e em tantas ruas e cruzamentos diz bem do desleixo que existe na cidade neste domínio, bem podendo explicar-se essa falha, em boa parte, por não termos junta de freguesia. Esperemos que com a lei-quadro que está em fase de aprovação possamos recuperar a freguesia que sempre tivemos e prestar maior atenção a um conjunto de problemas que cabe às freguesias cuidar, nos termos da lei.

PRAÇA OU MERCADO – Sempre nomeei de mercado municipal o edifício que por todo o lado se publicita como "Praça" e acaba de ser reabilitado e inaugurado. Reconheço que os dois nomes circulam e que para uns é a "Praça", para outros é o "Mercado". O nome é coisa de somenos. Mais importante é a qualidade da reabilitação do edifício. Ainda não o visitei com a atenção que merece. A impressão geral que os meios de comunicação transmitem é muito positiva. Há nele um aspecto que, a meu ver, merece toda a atenção e que é o da temperatura ambiente na parte coberta com vidro. Desejo vivamente que esteja bem resolvido, pois não é fácil.

(Em Opinião Pública, 05/05/21)

sexta-feira, 16 de abril de 2021

Apontamentos vários

9 DE ABRIL DE 1918, BATALHA DE LA LYS – No passado dia 9 de Abril de 2021 desloquei-me à Praça 9 de Abril para lembrar os mortos da Grande Guerra. A 9 de Abril de 1918 ocorreu a Batalha de La Lys, durante a qual morreram em França numerosos militares portugueses que não puderam resistir a uma violenta ofensiva alemã. Entre eles estavam militares famalicenses cujo nome está gravado no maior monumento da nossa cidade, junto da velha Igreja Matriz. Visitar o monumento nesse dia é um hábito que tenho há muitos anos.

INFORMAÇÃO RECEBIDA DA CÂMARA MUNICIPAL  Comecei a receber alguma da informação solicitada à câmara municipal. Assim, o nosso concelho, com 201 km² de superfície, tem uma área florestal de cerca de 64,5 km² e uma área agrícola de mais de 65,5 km². Sobram, pelas minhas contas, 70 km² de área urbanizada e para outros fins que gostaria de conhecer mais detalhadamente. De qualquer modo, temos uma área florestal e uma área agrícola muito significativas que importa enriquecer

ÁRVORES DO NOSSO CONCELHO  Pedi uma informação sobre o número de árvores do nosso concelho, informação que é possível obter por estimativa e que o Gabinete Técnico Florestal do município já deve ter ou pode obter, pois há cálculos para o efeito. O que interessa é aumentar o número de árvores e, dentro destas, as mais tradicionais do nosso país para compensar a enorme quantidade de eucaliptos. O meu colega de opinião neste jornal, Dr. Domingos Peixoto, diz e bem que a câmara não tem florestas para plantar árvores, mas tem, a nosso ver, o dever de fomentar a valorização da que existe no concelho, pondo à disposição dos proprietários árvores de qualidade, numa actuação bem concertada. Outros municípios assim o fazem. Acresce que a câmara pode e deve plantar árvores em ruas, avenidas, praças e parques, melhorando também desse modo o ambiente do nosso concelho.

PASSEIOS  Chegam frequentes queixas sobre o estado dos passeios da cidade. Dizem-nos e também temos visto que muitos estão muito mal cuidados, constituindo um perigo para quem os utiliza. Urge cuidar dos passeios num trabalho concertado entre o município e as freguesias. Veremos o que dirão os programas das listas para as eleições locais de Outubro de 2021 sobre esta matéria. Não interessam anúncios vagos de atenção pelos passeios, mas o modo concreto como vão agir para os melhorar.

(Em Opinião Pública, 16/04/21)

domingo, 11 de abril de 2021

Obras na EN n.º 14 no centro da cidade

Espanta a quantidade de canos e tubos que estão por baixo da antiga EN n.º 14 (hoje sem nome ou, pelo menos, sem placa a indicar) e que forma com o antigo campo da feira uma praça que tem o nome (julgo) de Praça D. Maria II. A este propósito ficava bem colocar uma placa bem visível próximo da Confeitaria Moderna (e no outro extremo) que indicasse não só o nome actual, como a indicação expressa de ter sido a EN n.º 14 PortoBraga. A falta de placa ali (e em muitas outras ruas da cidade) revela desleixo.

Esses canos e tubos colocados longitudinal e transversalmente são às dezenas e ficaram à vista com as obras que ali estão em curso nestes meses do início do ano de 2021. O que gostaria de saber, mas não tenho tempo para tal, era para que são tantos canos e tubos e se estão todos activos. Bem pedi a pessoa amiga para ilustrar este texto com uma fotografia, mas não foi possível. Haverá alguém que tenha uma? É que impressiona mesmo. (E certamente as outras ruas da cidade estão também assim.)

Neste momento, a estrada já está coberta e as obras continuam em bom ritmo. Obras que a opinião pública liga às eleições locais que terão lugar na parte final deste mesmo ano de 2021 e incluídas no projecto mais amplo que é o da Praça da Cidade, englobando também a recuperação do edifício do mercado municipal. Estamos a falar de oito milhões de euros, salvo erro. Permita-se-me que diga que é muito dinheiro que poderia ser gasto com mais proveito para os munícipes noutras coisas.

P.S.: Devemos lutar para que o nosso concelho não destoe no panorama dos casos da COVID-19 no nosso país, neste tempo de progressivo desconfinamento e em que cada concelho conta. As autoridades locais políticas (municípios e de freguesia) e de saúde devem estar atentas e actuar em boa colaboração. Não podemos facilitar. E nós, cidadãos e cidadãs, devemos dar exemplo de comportamento responsável.

(Em Opinião Pública, 11/04/21)

quarta-feira, 31 de março de 2021

Vacinas: má organização?

Este episódio vai contado sem nomes e sem outros dados mais concretos apenas porque o que interessa é contribuir para melhorar as coisas e não pedir responsabilidades. A tarefa que vem aí é muito exigente.

Do Centro de Saúde de Vila Nova de Famalicão (Alto da Vila) telefonaram para casa de uma pessoa com mais de 80 anos, residente no perímetro urbano da cidade, para ser vacinada. Responderam que já tinham recebido um telefonema do centro de saúde, algumas semanas antes, e quem atendeu (filha) repetiu que a pessoa em causa estava acamada há anos. Do centro de saúde insistiram e perguntaram se não poderia, mesmo assim, ir de automóvel e ser vacinada sem sair dele. Respondeu-lhe a filha que sim, que era complicado, mas que arranjava modo de a levar. Marcaram então o dia da vacina para dois dias depois, para o dia 25 de março de 2021 entre as 10h e as 12h. Perguntou ainda qual a melhor hora em concreto e disseram-lhe que pelas 11h.

Assim fez e apareceu até um pouco antes, para não falhar, no centro de vacinação da Didáxis/IPCA em São Cosme do Vale. À chegada foi atendida por duas pessoas que perguntaram a identificação e ao verem o nome disseram-lhe que a vacinação estava marcada para as 16h30 desse dia. Reagiu a filha e disse que fora informada que devia estar ali de manhã. Não faz mal, disseram. Disse também que lhe informaram que a mãe ia ser vacinada dentro do automóvel. Responderam que isso já não era da sua conta e que fosse para a fila receber a senha. Estavam à frente talvez umas 50 pessoas. Pouco depois das 11h recebeu a senha e disse, de novo, que a mãe estava no automóvel para ser vacinada.

Nós não vamos vacinar ao carro, responderam. "Já viu a quantidade de pessoas idosas que está aqui?" Agora tem a senha, espere a sua vez e quando tiver uma cadeira livre, utilize-a para trazer a mãe. Foi buscar a mãe, com a dificuldade de uma pessoa acamada, quando lhe arranjaram uma cadeira e esperou, esperou. Foi vacinada às 13h. Esperou mais meia hora dentro do pavilhão e tudo correu bem. Saiu às 13h30 e chegou a casa e deitou a mãe. Já era perto das 14h. Não se compreende. Mais de três horas no centro de vacinação para tomar uma vacina previamente agendada não é aceitável. Descoordenação e má organização é a conclusão que se pode tirar.

Não havia e deveria haver um responsável livre de outras tarefas para coordenar, informar devidamente e resolver problemas. O trabalho da task force vê-se nestes casos. Famalicão, com mais de 130.000 habitantes,  tem apenas um centro de vacinação. É preciso organizar tudo muito bem, pois casos como estes não são de admitir.

(Em Opinião Pública, 31/03/21)

quarta-feira, 24 de março de 2021

Lixo em Ribeirão: uma situação que não podemos aceitar

Podia ler-se na informação diária da Fama TV de 22/03/21: "A Fama TV esteve na zona florestal do Moinho de Vento, em Ribeirão, onde são cada vez mais frequentes as descargas de resíduos, urbanos e industriais". Em apenas 30 minutos, a Fama TV conseguiu detectar, com a ajuda dos moradores, mais de 10 grandes aglomerados de lixo logo após a entrada no local, sempre com a promessa de mais por parte dos moradores: "se continuar a avançar vai encontrar mais lixo".

Desde sanitas, a banheiras, sistemas de ar condicionado, colchões, garrafas e detritos provenientes de obras de construção civil foram encontrados. E podia ler-se ainda: "André Oliveira, um dos moradores que frequenta o Moinho de Vento nos seus passeios, é testemunha das novas descargas que vão ocorrendo, afirmando que todos os dias em que se desloca à zona do Moinho de Vento encontra 'novo lixo' amontoado junto aos caminhos desta área florestal que faz a ligação dentre Ribeirão e Fradelos". Sobre as horas a que ocorrem estas descargas, afirma que tanto podem ser de noite ou de dia, já que o isolamento do local proporciona o anonimato dos infractores.

Um grupo de outros moradores que se encontrava no local aparentava já saber o propósito da Fama TV naquele local. "Filmem tudo e mostrem esta vergonha", afirmou de imediato uma senhora".

Esta situação não é tolerável. Importa que a Junta de Freguesia de Ribeirão, a Câmara Municipal de Famalicão e os serviços regionais do Governo que tratam destes assuntos actuem rapidamente. E importa que todos nós, desde a imprensa aos munícipes, não abandonemos este assunto até à sua solução ou impossibilidade de solução, sabendo neste último caso as razões.

P.S.: Continuo sem receber informações que pedi à câmara municipal, nomeadamente sobre a área florestal e, já agora, sobre esta área florestal que é das maiores do município.