Para perceber a novidade que constituiu o Opinião Pública em 1991, importa fazer uma brevíssima história da nossa imprensa. Ao chegar a Revolução de Abril de 1974, publicavam-se em Famalicão três semanários: o Jornal de Famalicão (o jornal do Rebelo, como era conhecido, e que tinha como director Francisco Rebelo Mesquita); o Estrela da Manhã, antigo Estrela do Minho, conhecido por jornal do Casimiro (era director José Casimiro da Silva); e o Notícias de Famalicão, o jornal da Igreja, conhecido por jornal dos padres, e de que era director o Pe. António Guimarães. Era uma imprensa limitada na liberdade de informação e opinião. Destes só perdura, honra lhe seja feita, o Jornal de Famalicão.
O primeiro jornal a exprimir as ideias do novo regime surgiu em 1976, fundado pelo ilustre advogado Joaquim da Silva Loureiro, seu proprietário e director. Embora com sede em Famalicão, procurava ter uma dimensão regional. Durou poucos anos.Em 1982, surgiu, ligado a uma associação cultural, o quinzenário Vila Nova, já mais centrado no concelho e que foi gerado também no velho escritório do Dr. Joaquim Loureiro (bem próximo do actual). Pese a declaração formal de independência, foi considerado um jornal próximo do Partido Socialista. Durou quase duas décadas.
Em 1985 surgiu A Voz de Famalicão situado ainda mais à esquerda, para alguns próximo do Partido Comunista Português, de que foi director o advogado Dr. Gouveia Ferreira, de quem os famalicenses guardam boa memória, e que mais tarde passou a colaborar regularmente no Opinião Pública. Durou alguns anos.Em 1986 surge o semanário Cidade Hoje, dirigido inicialmente por Maria de Lurdes Dinis, considerado ligado ao Partido Social Democrata e ao Centro Democrático Social e que ainda hoje perdura.
Em 1991 surge o Opinião Pública, a que dedicaremos ainda particular atenção por razões do 30.º aniversário.Em 1999, surge finalmente o Povo Famalicense, o primeiro jornal local de informação gratuito, surgido no país, fruto da iniciativa individual de Joaquim Ribeiro e Filomena Lamego, que ainda se publica.
Tive a boa ideia de guardar a colecção dos primeiros anos do OP devidamente encadernada e ela é preciosa para conhecer a vida do jornal e o nosso concelho na década de 90 do século passado. Bem gostaria, se tempo e espaço tivesse, de escrever sobre a sessão de apresentação do jornal "nascido a 17 de Julho", no Hotel Moutados, documentada por largas dezenas de fotografias e sobre a riqueza de opinião dos primeiros tempos da sua publicação, dirigida por Luís Paulo Rodrigues e Alexandrino Cosme. Espero ter a possibilidade de dizer algo sobre isso, porque bem merece.
Nos dias de hoje, o OP, que faz parte de um grupo empresarial na área da comunicação social que abrange também a rádio e a televisão, tem muito a ganhar se folhear essas páginas fundadoras para continuar a ser, como é, um jornal que tem, no âmbito local e regional, um lugar de primeiro plano.E importa não esquecer que a imprensa profissional, livre e independente é essencial para a consolidação da democracia local e para o enriquecimento do nosso concelho.
Sem comentários:
Enviar um comentário