As eleições locais dependem muito da estrutura local dos partidos ou grupos de cidadãos, em primeiro lugar, e dos respectivos líderes logo a seguir. Há aqui bem perto bons exemplos disso.
No município da Póvoa de Varzim, o PSD domina largamente e o PS faz uma triste figura, tendo obtido 21% de votos nas recentes eleições de 26 de Setembro de 2021. Em Vila do Conde, por sua vez, o PS, mesmo fracturado internamente, ganhou as eleições com 42% dos votos e o PSD não chegou a 14%. Dois municípios vizinhos com paços do concelho separados por menos de três quilómetros e com resultados tão díspares. A nossa região e o nosso país está cheio de exemplos semelhantes.
Isto significa que a nível local importa que os grandes partidos de expressão nacional estejam bem organizados e saibam encontrar líderes que mobilizem. Não é tarefa fácil, implicando muito trabalho.
Podemos voltar ao nosso município e encontrar justificação para os resultados locais. O PSD domina o concelho há 20 anos (não é possível saber o peso que tem o CDS na coligação, pois não se tem apresentado sozinho em nenhum lado) e isso fica a dever-se a um cuidado trabalho partidário, como resulta de já terem sido três os presidentes de câmara eleitos. Por sua vez, o PS desde há vinte anos que não consegue afirmar-se, apresentando sucessivos candidatos e sem uma organização interna e uma visibilidade mobilizadora. Os resultados de 2021 foram melhores do que os de 2017, mas ficaram aquém do que se espera de um partido como o Partido Socialista e de uma ocasião de mudança inesperada na liderança do PSD.É bom, a meu ver, para o nosso município, que os dois partidos mais fortes estejam em condições de ser uma boa alternativa de governo municipal. Assim o desejamos e poderemos ver se assim será, desde já. Entusiasmos de vésperas de eleições não é bom caminho.
(Em Opinião Pública, 13/10/21)
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