quarta-feira, 24 de janeiro de 2024

Carnaval e não só

CARNAVAL MUNICIPALIZADO – Escrevia há pouco que a câmara de Famalicão iria gastar três milhões (3.000.000) de euros até ao fim do mandato em festas na cidade e justificava a soma. É pouco. Calculei por baixo. A câmara vai gastar mais. Já começa no Carnaval com cerca de 180.000 € (174.000  orçamentados que vão derrapar, como é habitual), grande parte deles gastos na cidade. Há quem ache bem e até o Partido Socialista bate palmas. Tenho pena e julgo que não estou só. É que há outras prioridades, podendo e devendo tirar-se parte do que se gasta em festas.

PRIORIDADES – Para quem tem dúvidas onde gastar boa parte desse dinheiro retirado das festas atrevo-me a indicar algumas, sendo que outras poderá haver também e igualmente importantes. Se tivesse que decidir lutaria por utilizar esse dinheiro para fazer fortes campanhas de prevenção contra o tabagismo (muita gente que fuma gostaria de deixar ou atenuar esse vício), contra a obesidade (assusta o número crescente de obesos), contra o alcoolismo e outras drogas (cada vez mais perigosas). Não acabaríamos com esses males, mas poderíamos e deveríamos atenuá-los fortemente e preveni-los. Teria particular atenção com os jovens famalicenses. Seríamos um concelho com melhor qualidade de vida e gente pronta para festas com saúde.

PUBLICIDADE – Mas não é só com festas que a maioria da câmara municipal (auxiliada pela oposição) prepara as próximas eleições. A publicidade com o nosso dinheiro é outra arma utilizada: os boletins de propaganda que regularmente saem descaradamente com o nome de boletins municipais. Acresce a publicidade pendurada nos postes de iluminação da cidade e arredores e a que é feita por outras diversas formas.

MEDWAY – Não é pouca coisa o que a MEDWAY projecta para Lousado. Trata-se de um "porto-seco" ("porto" porque vão lá aparcar, especialmente por via ferroviária, milhares de contentores de materiais. como acontece nos portos de mar, e "seco" porque é em terra e não junto ao mar) de grandes dimensões. Dizem que será o maior da Península Ibérica, sendo imperioso verificar o impacto sobre o território e as populações do nosso concelho. Este assunto não pode andar escondido, devendo haver sobre ele a máxima publicidade desde já. Obrigado, vereadora Dr.ª Augusta Santos, pela insistência com que aborda este assunto.

LESADOS DO TALVAI – Não gosto de actuações cívicas anónimas, embora compreenda que em certas circunstâncias elas se utilizem. De qualquer modo, fui visitar o edifício BioTalvai e o que mais me impressionou foi a forma como se urbanizou e está a urbanizar o melhor território da nossa cidade (virado a sul e num ponto alto). Aquela urbanização reprova todas as câmaras eleitas desde 1976 até hoje. E a actual vai pelo mesmo caminho.

ACIDENTES NA CIDADE – São muitas as informações que chegam sobre acidentes graves com peões na cidade. Passadeiras mal iluminadas e sem semáforos. Passadeiras junto de obras sem especiais cuidados como é devido e outras situações. Há ao menos um registo anual do número de acidentes e suas consequências? É muito importante para avaliar da gravidade do problema e do modo de o solucionar. Que andam a fazer as oposições na câmara e na assembleia municipal?

PÚBLICO – A Assembleia Municipal acaba de actualizar o seu regimento e teimou em manter a participação do público nas sessões para o fim das mesmas, demonstrando assim que preza pouco a participação dos famalicenses nos órgãos eleitos. Importa dizer que em muitos municípios já não é assim e o público tem o direito de intervir no início das sessões, determinando o regimento o período máximo de tempo a ele destinado. Parabéns à CDU e ao PAN pela luta que travaram contra tal desprezo pelo público.

IMPRENSA E INFORMAÇÃO – Abrir um jornal local e encontrar com destaque informação que directa ou indirectamente favorece a câmara municipal é uma probabilidade de mais de 90%. Igual probabilidade, mas agora desfavorável ao Governo, existe ao abrir um jornal nacional. Uns exageram no elogio, outros na crítica. Algo está errado, não está?

(Em Opinião Pública, 24/01/24)

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