terça-feira, 29 de janeiro de 2008

O comércio em Famalicão

Não dá para entender! Está em preparação a instalação de duas grandes superfícies comerciais (nas antigas Vipral e Crump), mas não há à volta disso um debate público como deveria. Houve, é certo, uma sessão cheia de interesse – e muito concorrida – na semana passada por iniciativa deste jornal e da qual se poderá ler o relato, mas não chega! A sessão trouxe ao de cima muitos dos problemas que importa resolver. Desde logo, a falta de um "plano de ordenamento comercial" da cidade. Como é possível que ele não exista, nem haja a preocupação de o debater e aprovar antes de avançar com esses mega-projectos? Que andam a fazer a câmara e a assembleia municipal? Respondam!

(Em O Povo Famalicense, 29/01/08)

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Grandes superfícies comerciais

Tentei procurar na página web da câmara informação sobre a instalação das duas grandes superfícies comerciais na cidade. Não encontrei. Parece que não é nada connosco, pois doutro modo apareceria com o devido destaque. Pelo contrário, a página da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento da Região Norte dá uma informação detalhada de mais de 20 páginas sobre o projecto previsto para a antiga Crump (o projecto relativo à Vipral já deixou de figurar). Lá pode ler-se que se trata de um conjunto comercial com cerca de 36.370 m² de área bruta locável (ABL), integrando um hipermercado e respectiva área de apoio, bem como diversas unidades comerciais, prestação de serviços, estabelecimentos de bebidas e restauração, cinemas, respectivas zonas de armazém e de apoio. Ninguém parece importar-se com o impacto que isto poderá ter. O Povo Famalicense preocupa-se e organiza uma sessão aberta a todos na ACIF. E o leitor, importa-se?

(Em O Povo Famalicense, 23/01/08)

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Mais um boletim de propaganda

Está em distribuição o n.º 11 (Dezembro de 2007) do denominado Boletim Municipal, mas que é, na verdade, o Boletim Oficial de Propaganda do município. São 45.000 exemplares de distribuição gratuita.

Cada um deve ter custado um euro (despesa de 50 cêntimos para a impressão, a que se deve juntar o trabalho dos funcionários do município, o arranjo gráfico, as fotografias, o envio pelo correio, etc., etc.), o que dá aproximadamente 45.000 €. 45.000 € para dizer que no município de Vila Nova de Famalicão tudo está pelo melhor e que tem um grande líder exibido em largas dezenas de fotografias.É a democracia local tal como a deixamos ser.

Nota – Em França, este boletim não poderia ser publicado. Também lá a vontade de propaganda dos "maires" é grande, mas a lei francesa não permite publicações deste tipo pagas com dinheiro do município.

(Em O Povo Famalicense, 09/01/08)

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Congresso da cidade

A câmara municipal de Famalicão anunciou a realização, em 2007, de um congresso sobre a cidade. Este anúncio foi feito, com a devida antecedência, em meados de 2006 e sobre ele escrevi, nessa altura, no jornal Opinião Pública, que era uma ideia que merecia aplauso até porque se pretendia "que o Congresso da Cidade" fosse "um fórum de debate de ideias sobre aquilo que somos e aquilo que queremos ser. Só assim a cidade de Famalicão será um espaço de cidadania activa participada responsável" (palavras do presidente da câmara no dia 9 de Julho de 2006). No entanto, dizia eu, "não basta a ideia, é necessário concretizá-la e para isso é preciso, desde já preparar, esse congresso. Doutro modo…" As reticências queriam dizer que sem preparação o congresso não se realizava, como não realizou. Caberá aos famalicenses tomar agora a iniciativa, pois a ideia é boa. Haverá capacidade para isso?

(Em O Povo Famalicense, 03/01/08)

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Mais Plural

A primeira pedra da cooperativa Mais Plural foi lançada, no dia 15 de Dezembro, com a presença do Primeiro-Ministro, José Sócrates, ligado por laços de família a Famalicão, na freguesia de Gavião.

Trata-se, nas palavras da Professora Manuela Pinto, de um projecto cujo objectivo é servir, contribuir para a qualidade de vida e para o bem-estar de muita gente. É um investimento sério de quase 3.500.000 € e que abrange creche (66 crianças), jardim de infância (75), lar de idosos (30), centro de dia (30 idosos) e apoio domiciliário (30). É uma excelente notícia a fechar 2007. Parabéns aos promotores!

(Em O Povo Famalicense, 27/12/07)

sábado, 8 de dezembro de 2007

O Alfa Pendular e a estação

O último Alfa Pendular para Braga parte de Lisboa (Santa Apolónia) às 19h e chega a Famalicão às 22h18 (pouco mais do que três horas de viagem). A estação a essa hora está já fechada. A saída dos passageiros é pela porta lateral e não são muitos. A continuarem as coisas assim, por quanto tempo vai a CP anunciar que o Alfa pára em Famalicão? Queremos perder este benefício?

P.S.: Entretanto, e junto da Trofa, a linha não está duplicada (é uma via única que continua provisória desde 2004).

(Em O Povo Famalicense, 13/11/07)

Transportes: breves apontamentos sobre um debate

1. As sessões das "Quartas do Povo" que decorrem na última quarta-feira de cada mês não se esgotam no dia em que ocorrem. Elas chegam a milhares de leitores pelas notícias e, por vezes, comentários, que delas são dadas, no número seguinte de O Povo Famalicense.

2. A sessão do dia 31 de Outubro sobre transportes públicos foi particularmente rica e merece alguns comentários que faço, já não como moderador, mas como alguém que participou na sessão e dela também colheu ensinamentos.

3. A intervenção do docente da Universidade do Minho, Eng.º Paulo Ribeiro, fez o devido enquadramento da questão, sublinhando a importância do transporte público actualmente e no futuro. É preciso fomentar o transporte colectivo em detrimento do transporte individual. O trabalho do Eng.º Paulo Ribeiro devia ser publicado, dado o interesse que possui.

4. O Dr. Jorge Paulo Oliveira, vereador do pelouro dos transportes, é um político atento e participativo. Na minha opinião, é o mais qualificado membro da maioria na câmara e o que melhor conhece os problemas do concelho. Porventura, um culto excessivo do que entende ser a fidelidade partidária impede-o de dizer o que pensa sobre muitos problemas actuais do nosso concelho. Nesta sessão fez uma intervenção curta, como lhe foi pedido, mas com muita habilidade tentou devolver o problema dos transportes para a esfera nacional, lembrando a responsabilidade de sucessivos governos nacionais (independentemente da cor partidária) e minimizando a responsabilidade local. Mas, como sublinhou Paulo Ribeiro, a política nacional, que deve existir nesse âmbito, não exclui nem dispensa uma política local e nomeadamente municipal de transportes, nem a responsabilidade das empresas que actuam no sector.

5. O administrador delegado da Arriva, Manuel Oliveira, que dá a cara e sabe do que fala, sempre defendendo, como é natural, os interesses da sua empresa, chamou a atenção para diversos problemas, entre eles o de uma legislação obsoleta. Legislação ainda de 1948!

6. No debate muito animado que decorreu, Carlos Sá criticou certeiramente, a meu ver, a câmara de Famalicão por não investir o suficiente no transporte público. O exemplo oposto de Braga que indicou foi objecto de resposta contundente por parte do vereador Jorge Paulo. O tempo não permitiu um melhor esclarecimento deste ponto.

7. Ainda durante o debate, o presidente da junta de freguesia de Lousado, lutando pelos interesses da sua autarquia, questionou a falta de uma ligação dos TUF entre a sede do concelho e aquela freguesia. Não compreende essa falta e eu também não.

8. Também o Dr. Martins de Araújo, presidente de uma associação de pais, trouxe à discussão (aliás, viva) o modo como decorre o transporte escolar. Este é um problema a merecer só por si uma sessão do "Povo".

9. Outros participantes fizeram ainda intervenções que apenas por brevidade aqui omitimos. Vejamos ainda, de modo breve, alguns problemas que esta sessão pôs na mesa ou leva a reflectir, demonstrando que estas sessões são do maior interesse para o concelho. Podem não resolver problemas, mas impedem que sobre eles reine o silêncio e enriquecem, ao mesmo tempo, a nossa democracia participativa.

10. É preciso fazer a ligação contínua entre a estação da REFER e a estação rodoviária. Não basta fazer passar alguns TUFs pela estação da cidade, é preciso estabelecer um "serviço combinado com a CP", como dantes se dizia.

11. É preciso também que todos tenham consciência de que a falta na Avenida Humberto Delgado de uma ligação directa à central de camionagem obriga os veículos a ir à Rotunda da Paz e regressar, percorrendo anualmente mais de 120.000 km (!) de trajecto escusado.

12. A central rodoviária está hoje mal localizada e é, pela sua estrutura, mais uma paragem central de camionagem do que uma verdadeira estação.

13. A estação da REFER tal como está hoje envergonha os famalicenses e deveria envergonhar mais ainda os responsáveis pela administração do concelho que não tiveram asas para fazer dela uma grande "estação com vida", como a REFER pretendia. O PS e a actual maioria devem partilhar as responsabilidades por tal facto. O PS não teve visão, o PSD/PP muito menos. A estação da cidade é mais um apeadeiro do que uma verdadeira estação.

14. Era interessante conhecer as cartas entre a REFER e suas filiadas e a câmara de Famalicão sobre o projecto da estação. Onde estão elas? Podem ser divulgadas?

15. Não se compreende que os horários e trajectos dos TUF e das restantes empresas de transportes não sejam largamente divulgados e afixados em diversos locais e, desde logo, que não estejam no site do município.

16. Não houve oportunidade, pela falta de comparência do representante da CP, ainda que justificada, para falar de problemas do cada vez mais procurado transporte ferroviário. É assunto que não pode ser também esquecido.

17. E muito mais haveria a dizer, se o tempo e o espaço o permitissem.

(Em O Povo Famalicense, 06/11/07)