terça-feira, 4 de agosto de 2009

O boletim oficial de propaganda de 2009

Já era de esperar que isto acontecesse, mas mesmo assim não podemos deixar passar em branco. A câmara municipal de Vila Nova de Famalicão, num habitual e despudorado acto de campanha eleitoral, acaba de distribuir uma publicação de propaganda a que chama "Boletim Municipal", com a data "Julho 2009", tiragem de 45.000 exemplares e distribuição gratuita. Este boletim, que deveria ser de informação e isento, contém um pequeno suplemento a preto e branco com decisões da câmara municipal de Janeiro a Setembro de 2008 e da assembleia municipal de Junho de 2008 a Janeiro de 2009! Ou seja, a informação está desactualizada e a preto e branco; a propaganda, actualizadíssima e a cores.

A propaganda mostra-se no facto de, ao longo das 62 páginas do boletim, não haver lugar para "informação" sobre coisas que correram menos bem. Tudo são coisas boas, feitos "notáveis" da câmara ou à volta dela.

E a capa é uma maravilha! "Cidade verde" é o título para um concelho (e para uma cidade) onde urbanizar significa desarborizar e mesmo quando se procura à pressa e sem regras fazer um parque da cidade mete-se lá construção até mais não. (Coisa, aliás, que lá se omite, pois um boletim de propaganda tem de ser coerente). Este boletim é absolutamente censurável do ponto de vista político e pisa claramente o direito das autarquias locais em vigor no nosso país.

(Em Notícias de Famalicão, 04/08/09)

terça-feira, 28 de julho de 2009

Cedências e contrapartidas

O que se pretende debater na próxima sessão das Quartas do Povo, dia 29 de Julho, pelas 21h15, é isto: É permitido a uma câmara municipal fazer um negócio urbanístico que consiste em receber terrenos para fins de interesse público e dar em contrapartida capacidade construtiva para além da que pode ser dada ao dono ou donos desses terrenos? 

Repare-se que não se trata de dar aos proprietários a capacidade construtiva permitida pelas leis e regulamentos em vigor. Por essa, os proprietários não fazem cedências de terrenos, como é natural. O que leva os proprietários a ceder sem receber dinheiro é a garantia de que vão obter uma capacidade construtiva acima da permitida (por exemplo, construir mais pisos do que aqueles que permite o PDM ou construir em zona verde), comprometendo-se a câmara a arranjá-la. Se tal não acontecer, os proprietários ficam com o direito de obter do município uma indemnização já calculada no próprio negócio. Esta é uma prática que, ao que parece, alguns municípios fazem e que o nosso também segue. O problema é saber se isso é legal. O debate será assim fundamentalmente jurídico, mas em termos acessíveis para que qualquer cidadão possa perceber o que está em causa e fazer perguntas. Será convidado um jurista qualificado nesta matéria e será bom que esteja também presente um jurista do município.

P.S.: Do Dr. Nuno Abreu Fonseca de Carvalho pode dizer-se quase tudo numa palavra: viveu! E lembra-nos: "Até é Vida a própria Morte/Quando se crê no Futuro".

(Em Notícias de Famalicão, 28/07/09)

terça-feira, 21 de julho de 2009

Opinião pública

Precisamos em Famalicão de uma opinião pública forte e activa, mas não a vemos. Há em todo o território do nosso município famalicenses com grande valor, muitos deles jovens, tendo muito para dar à comunidade. Pena que sejam esquecidos ou que não surjam a ocupar o lugar a que têm direito por mérito na sociedade e na vida local. Nós, mais velhos, temos muita culpa nessa situação.

P.S.: Tenho assuntos interessantes (a meu ver) para tratar, mas não tenho tempo.

P.P.S.: Parabéns ao FAC por ter o Dr. Gouveia Ferreira como presidente!

(Em Notícias de Famalicão, 21/07/09)

terça-feira, 14 de julho de 2009

Somos réus!

Como disse na semana passada, intentaram contra nós famalicenses, que integramos o município de Vila Nova de Famalicão, uma acção exigindo que paguemos à autora, uma sociedade de construção civil e actividades imobiliárias de Braga denominada Urbanização de Talvai, uma quantia de mais de três milhões de euros acrescida de juros legais até integral pagamento.

Prometi contar a história e cumpro, ainda que em traços largos e poucas palavras. Uma senhora bem conhecida, mas cujo nome omitimos fundamentalmente porque já faleceu , proprietária dos prédios que constituíam a Quinta da Vila de Baixo da Poça da Vila, com 83.000 m², e também da Bouça de Talvai, situados na parte norte da freguesia de Vila Nova de Famalicão, cedeu gratuitamente a nós famalicenses 38.875 m² da quinta para construção das instalações da Universidade Lusíada (CEUL).

Como estas cedências não se fazem por generosidade, mas por comércio, nós famalicenses, como contrapartida, obrigámo-nos, através de contrato que para o efeito foi celebrado no Salão Nobre da Universidade Lusíada, em 26 de Janeiro de 1996, a licenciar nos terrenos sobrantes pertencentes àquela senhora a construção de várias habitações e blocos habitacionais, através da câmara de então, conforme planta que ficou a fazer parte do contrato, havendo o cuidado de estabelecer o número de pisos de tais construções. Como se imagina, o número de pisos não era pequeno e de tal modo que a dona dos prédios e quem a aconselhou tomaram as devidas precauções.

Assim, para o caso de não ser possível por razões imputáveis a nós famalicenses a construção de qualquer dos blocos previstos no contrato, obrigámo-nos a indemnizar a dona dos prédios ou quem deles fosse proprietário ao tempo da reclamação da indemnização com a quantia de três mil contos, moeda de então, por cada 130 m² de construção não autorizada.

No mesmo contrato, nós famalicenses, obrigámo-nos a ceder o direito de superfície sobre os tais 38.875 m² à Lusíada (CEUL) para construção das suas instalações. Coisa que, como é sabido, a Lusíada nunca fez, mas verdade seja dita, também não estava obrigada a fazer, pois o pior que lhe podia acontecer era entregar ao município o terreno cedido.

Pois então veio agora, há menos de um ano, a proprietária dos terrenos, que já não é a senhora cujo nome omitimos, mas a sociedade Urbanização de Talvai, colocar-nos em tribunal, dizendo que não pode construir o que pretende e ficou acordado, pois o nosso PDM não permite e isso por culpa nossa que não o modificamos ("arredando as limitações construtivas") de modo a poder construir-se o que a tal sociedade pretende.

E a sociedade fez as contas e concluiu que só pode construir 24.727 m² dos 45.336 m² a que pelo contrato tinha direito. E continuando a fazer as contas ao prejuízo que nós, famalicenses, lhes causamos pede aos senhores juízes que nos condene a pagar uma indemnização de três milhões, trezentos e vinte e um mil quatrocentos e quarenta e cinco euros e noventa e oito cêntimos, acrescidos dos juros legais. E é nisto que estamos: réus em tribunal para pagar esta quantia, sem instalações definitivas para a universidade e sem qualquer plano de urbanização!

P.S.: Decorreu, com uma participação fora do comum, a apresentação do livro A Rua Direita, de Álvaro Rocha Vasconcelos. Combinei com o autor fazer-lhe algumas perguntas a partir deste local para responder, se assim o entender, no número seguinte deste jornal. A pergunta desta semana versa a troca de correspondência literária que ocorreu na imprensa local em 1917 e 1918 a partir das crónicas de um tal Samuel. Do que se tratou afinal?

(Em Notícias de Famalicão, 14/07/09)

terça-feira, 7 de julho de 2009

Réus

Não sei se os leitores sabem, mas nós, famalicenses, somos réus numa acção intentada por uma sociedade de construção civil e actividades imobiliárias que corre seus termos no Tribunal Administrativo e Fiscal de Braga. Nessa acção, a sociedade pede ao juiz que nos condene a pagar mais de três milhões de euros por prejuízos causados. Ela exige-nos essa quantia acrescida de juros legais, pois nós, através de um contrato celebrado em 1996, prometemos-lhes uma determinada capacidade construtiva em troca da cedência gratuita de terrenos para a sede da Universidade Lusíada (que nunca mais foi construída) e não lha demos. Como imaginam, essa capacidade construtiva não era permitida, mas nós comprometemo-nos a fazer o que fosse necessário para permitir. Fizemos um contrato ruinoso, subscrito por quem nos representava na altura e agora estamos a sofrer as consequências. Tenciono contar esta e outras histórias relacionadas nas próximas semanas.

P.S.: Agradeço ao Dr. Camilo Freitas as referências amigas que me fez, juntamente a outros famalicenses, num texto recente do Cidade Hoje. Permita-me que recorde outro famalicense que se destaca em Braga: Armando Varela, empresário, dono de uma das melhores padarias do Minho, oferecendo aos clientes a qualidade do pão tradicional. Visitem Moinho de Pão, junto ao Tribunal Judicial de Braga. Vale a pena!

P.P.S.: Tem lugar hoje à noite a apresentação do livro do Dr. Álvaro Vasconcelos sobre a Rua Direita, na própria Rua Direita. Não deixem de passar por lá.

(Em Notícias de Famalicão, 07/07/09)

terça-feira, 23 de junho de 2009

Urbanização à volta do parque: o chouriço e o porco

A sessão do dia 17 de Junho sobre o parque da cidade, de que este jornal dará seguramente nota, foi muito concorrida e teve bastante interesse. O tempo é que foi pouco para debater devidamente o tema. Se os 27 hectares do parque verde são um importante enriquecimento para a cidade, importa verificar agora se as urbanizações à volta dele não o vão "estragar". É matéria que só por si justifica outro debate. É preciso que fique claro para toda a gente que os donos dos terrenos não deram à câmara – ao contrário do que se vai dizendo – um chouriço, tendo recebido em troca um porco. Estes negócios devem ficar muito bem esclarecidos no interesse de todos. Mais sobre o parque: para consultar o mais importante documento sobre o parque.

P.S.: A cidade nos meses de Maio e Junho tem um cheiro a tília muito agradável. Que pena não haver mais tílias!

(Em Notícias de Famalicão, 23/06/09)

sábado, 20 de junho de 2009

O comércio da cidade

Devemos comprar, de preferência, no comércio tradicional. Pode não ajudar muito a resolver a crise profunda que afecta este sector da nossa vida económica, mas ajuda alguma coisa. E muito do que a nossa cidade e o nosso concelho hoje são, devem-no ao comércio tradicional. É ainda, por isso e de certo modo, o cumprimento de uma dívida de gratidão.