sábado, 28 de julho de 2007

Um mapa de Famalicão de 1854

Como foi possível que um prestigiado advogado famalicense (terra de bons advogados) conseguisse obter um dos mapas mais antigos (porventura o mais antigo que existe) sobre a actual cidade de Vila Nova de Famalicão? Posso avançar a resposta. Quando um causídico toma os assuntos que tem no escritório a sério e faz a investigação histórica que esses assuntos muitas vezes exigem, gasta horas e horas, tem desilusões e incompreensões, mas encontra, por vezes, recompensa para o esforço feito. Recompensa não só por recolher elementos para melhor resolver a questão que tem em mãos, como por encontrar documentos que nem sequer se imaginava e que tem todo o interesse noutros domínios. Foi o que sucedeu neste caso.

Trata-se de um mapa curiosíssimo, feito em 1854, encontrado num arquivo, que vai prender a atenção dos famalicenses que gostam da sua terra e vai permitir verificar não só como era a vila de Famalicão em meados do século XIX, como a evolução que poderia ter tido, pois nessa altura tudo estava praticamente em aberto. Voltaremos a falar disso, pois ainda há muito a dizer. Entretanto, os famalicenses irão saber mais, mas não me cabe revelar o mapa. Tal tarefa cabe à câmara municipal que o fará, certamente, de modo adequado, pois já o tem em seu poder.

(Em O Povo Famalicense, 17/07/07 – texto revisto depois de publicado)


Eixo Atlântico

A entrada do nosso município no Eixo Atlântico merece inteiro aplauso. É provável que muitos leitores não conheçam esta associação fundada em 1991, mas vale a pena começar a saber algo mais sobre ela, pois junta as mais importantes cidades da região Norte de Portugal e da Galiza. Vejamos algumas: Porto, Braga, Vila Nova de Gaia, Guimarães, Chaves, Bragança, Viana do Castelo, Ourense, Vigo, Pontevedra, Santiago de Compostela, Lugo, La Coruña e Ferrol. 

Até agora estávamos de fora. Entrámos há alguns dias, por ocasião de uma reunião havida em Gaia, com algumas outras mais. Ainda bem! Importa que esta associação de desenvolvimento e cooperação transfronteiriça tenha forte dinamismo e que Famalicão contribua também para isso, através de iniciativas concretas.

(Em O Povo Famalicense, 10 de Julho de 2007)

Edifício Shell

Houve uma sessão de apresentação (para convidados e sem debate?) da segunda cidade desportiva da cidade, no Auditório da Casa de Camilo, em Seide, na passada quarta-feira. Espero mais informação na comunicação social para falar sobre esse projecto.

Entretanto, chamo a atenção dos leitores para o edifício da Shell (onde estava a antiga bomba de gasolina), junto do novo Posto de Turismo. Ele é ilustração da política de urbanismo da actual câmara ou esta jura que não tem nada a ver com aquilo, apesar de ser uma construção muito recente? Era bom saber. Seja de quem for a responsabilidade, vejam os leitores como cresce a nossa cidade: o promotor quer, a câmara obedece. Ainda que a obra seja feita num bico de terreno.

(Em O Povo Famalicense, 03/07/07)


Polícia Municipal

A Polícia Municipal não anda bem. Vive uma crise que, em boa parte, a transcende. Das duas uma: ou a polícia municipal conquista a população, porque é encarada como um serviço que aumenta a sua segurança, ou é rejeitada por ela, porque é vista como uma despesa inútil.

Nós não precisamos de uma polícia municipal só para passar multas ou para abrir o caminho de desfiles ou procissões. Precisamos principalmente de uma polícia que, em colaboração com as forças de segurança, proteja efectivamente os munícipes. Será que tal sucede ou poderá vir ainda a suceder? O debate de quarta-feira na ACIF andará à volta disto. Participe!

P.S.: Se o tempo o permitir, olhem para o lado do mar e contemplem ao entardecer, e até cerca da meia-noite, a Estrela da Tarde. E, já agora, descubram outra "estrela", igualmente brilhante, no lado poente-sul. E têm apreciado o cheiro agradabilíssimo das dezenas de tílias da nossa cidade? Ou nem deram por ela?

(Em O Povo Famalicense, 26/06/07)

Passageiros na estação de Famalicão

Obtive da CP a informação de que o movimento de passageiros na estação de Famalicão foi o seguinte: em 2002, 350.000; em 2003, 357.000; em 2004 (ano em que foi inaugurada a remodelação da Linha Porto-Braga , 429.000; em 2005, 517.000 e em 2006, 590.000 (estes e outros dados foram já publicados num artigo publicado no Jornal de Notícias, mas não foram lidos em boa parte do município de Famalicão).

Tem havido assim, principalmente depois de 2004, um aumento significativo de transporte de passageiros. Estou certo de que o movimento seria ainda muito maior se houvesse adequada ligação entre a cidade e a estação e esta fosse objecto da atenção que lhe é devida e não é dada. 

Aumentariam também os passageiros se os comboios para o Porto e para Braga não fossem, por causa das inúmeras paragens, tão lentos. A demora de 1h15 (1 hora nos comboios mais rápidos) na viagem entre Famalicão e Porto–São Bento é um modo de afastar utentes. Esta viagem não deveria demorar mais de 30 minutos (e mesmo assim seria uma média pouco superior a 60 km/h).

Soube também que, em finais de 2005, a CP fez "contactos com a Arriva, empresa proprietária dos TUF, para se estudar a possibilidade de ligação a autocarros na estação de Famalicão", sem resultados práticos. Pelo que se depreende, a câmara de Famalicão nada tem feito (se fez, que o diga!) para fomentar o transporte de passageiros pelo comboio.

Para quem pretenda dizer algo sobre o transporte na Linha Porto–Braga tem à disposição o endereço electrónico comboios@jn.pt. Importa que os interessados se manifestem.

(Em O Povo Famalicense, 19/06/07)

quarta-feira, 13 de junho de 2007

Ecopista na gaveta

A notícia vinha no Público do dia 10 de Junho e titulava: "Presidente da Câmara da Póvoa de Varzim pediu desculpa à REFER por causa da ecopista".

Fica-se a saber pela leitura do conteúdo que o presidente da câmara da Póvoa atirou à REFER culpas que esta não tinha. Com efeito, a REFER, acusada de nada fazer, teria enviado um estudo feito por uma empresa de arquitectura paisagística para os municípios da Póvoa de Varzim e de Famalicão a 17 de Julho de 2006. Pergunto: quem conhece esse estudo? Não temos todos o direito a conhecê-lo?

Diz ainda a notícia, no que respeita a Famalicão, que as "obras ainda não arrancaram, apesar de terem sido uma promessa eleitoral do presidente da câmara, Armindo Costa". O que a notícia do Público não diz é que, para a Câmara de Famalicão, o que apenas importa é a cidade desportiva, como se pode deduzir do Jornal de de 5 de Junho de 2007, estando prometida a apresentação do novo estádio (a erguer em local, ainda secreto, mas ao alcance do pé), para o dia 27, na Casa das Artes, pelas 21h30.

Vai ser uma apresentação, imagina-se, com pompa e circunstância, prevendo-se a presença de grandes atracções, mantidas também em segredo até ao último momento.
António Cândido de Oliveira

(Em O Povo Famalicense, 12/06/07 – texto revisto depois de publicado)

sexta-feira, 8 de junho de 2007

É tempo de oposição!

Apresentar um projecto de cidade desportiva sem antes apresentar um projecto de cidade é fazer as coisas às avessas. Mas é isso mesmo que a Câmara de Famalicão se prepara para fazer. Ela tem uma cidade desportiva para anunciar publicamente e não anuncia – nem se lhe conhece – um projecto de cidade. Da oposição, de preferência unida, esperam os famalicenses uma atitude à altura deste comportamento. Ela pode fazer muito mais do que se pensa, se tiver capacidade para o fazer. Pelo contrário, se tiver o mesmo nível que tem a actual maioria, nada fará.

Damos apenas alguns exemplos do que poderá fazer. Pode convocar, pois tem o direito de o fazer, uma reunião extraordinária da assembleia municipal (artigo 50.º da Lei n.º 169/99), tendo exactamente como tema a cidade, para exigir da actual maioria que diga qual o projecto concreto de cidade que tem, se é que tem algum. Pode, se a resposta não for satisfatória, apresentar uma moção de censura à câmara pela sua actuação (artigo 53.º da mesma Lei). 

Ao contrário do que se imagina, uma moção de censura não deve ser apresentada apenas quando se tem a certeza que se vai ganhar. Avança-se com uma moção de censura para dizer que algo está mal, para alertar a opinião pública e para que esta fique com a certeza de que alguém protestou. A moção de censura é preparar o caminho para o futuro. O silêncio, nestas coisas, significa cumplicidade.

(Em O Povo Famalicense, 05/06/07)