quinta-feira, 26 de junho de 2025

Eleições locais e tílias

ELEIÇÕES LOCAIS – As eleições locais estão à porta. São pouco mais de três meses que correm depressa e, ainda por cima, incluem o mês de Agosto. Neste momento já deveríamos saber não só o nome dos principais candidatos aos órgãos dos municípios (os candidatos a presidente de câmara já sabemos), mas também quem são os candidatos a vereadores/as e, pelo menos, os/as candidatos/as a presidente da assembleia municipal e a líder do respectivo grupo municipal. É estranho que ainda não saibamos tais nomes.

ELEIÇÕES LOCAIS II – Também deveríamos saber o programa das listas, desde logo das principais (entendendo por principais as que costumam ganhar as eleições municipais). Julgo que não está ainda elaborado ou, pelo menos, bem divulgado.

OBRAS CAMARÁRIAS – Sempre que a câmara faz obras públicas, quer sejam a construção de uma rotunda, o arranjo de um espaço público ou a reabilitação de um edifício camarário deve colocar junto uma explicação detalhada do que vai fazer. É uma obrigação que tem para com os munícipes.

EDIFICIO DA RUA ADRIANO – No edifício que foi do Senador Sousa Fernandes com os n.º 49-51-53-55 da Rua Adriano Pinto Basto foram colados na semana que agora terminou (21/06/25) andaimes na parte da frente que fazem prever obras. Não se sabe que obras se vão fazer ou o que ali vai ocorrer, porque a câmara municipal que obriga, e bem, os particulares a informar, nos termos da lei, o que fazem ou pretendem fazer, não aplica a si esse dever quando deveria dar o exemplo, como acima dissemos, mesmo que a isso não seja legalmente obrigada.

FAMALICENSES – O Jornal de Famalicão (JF) tem uma secção dedicada a famalicenses que se têm destacado de algum modo nos mais diversos domínios. Até ao momento, a atenção tem sido dirigida a famalicenses da "diáspora", ou seja, pessoas que, tendo nascido em Famalicão, daqui saíram. É difícil perante a quantidade e qualidade de famalicenses nesta situação fazer escolhas que não mereçam críticas. O JF deu-me liberdade de agir e apenas peço compreensão e ajuda dos leitores. Tempo virá, entretanto, em que a atenção se deslocará para famalicenses que, por naturalidade ou residência, se têm destacado dentro do concelho. Escolha também muito difícil, pois a riqueza humana do nosso município é enorme.

VALINHAS – Os famalicenses com mais idade recordam certamente o Senhor José Valinhas, enfermeiro com atendimento em antigo edifício da esquina da Rua Conselheiro Santos Viegas com a Rua São João de Deus. Era uma pessoa com jeito especial para cuidar de problemas de saúde de pessoas que, provocando nelas sofrimento, não exigiam cuidados médicos ou hospitalares, caso em que ele tinha a preocupação de encaminhar para o lugar próprio. Conheci-o e recordá-lo é um dever de gratidão que cumpro como famalicense.

OBRAS DE CAMILO – O Doutor José Manuel Ribeiro de Oliveira tem-nos dado a conhecer melhor Camilo Castelo Branco no bicentenário do seu nascimento nas páginas deste jornal. É um trabalho difícil, pois é feito em textos necessariamente breves, mas o autor tem sabido transmitir em linguagem acessível as muitas facetas da personalidade de Camilo, dando-lhe a palavra e, principalmente, convocando os leitores para a leitura das suas obras. Obrigado!

MÁRIO PASSOS – Vi a apresentação da candidatura de Mário Passos à câmara de Famalicão na Fama TV, na Cidade Hoje TV e na Iris TV. A apresentação fez-se no Mercado Municipal e, como refere uma das televisões, com a "casa cheia". Viam-se muitas bandeiras com o nome MÁRIO PASSOS, uma ou outra do PSD, nenhuma do CDS. Uma festa muito bem organizada, a que as televisões locais deram relevo, mas sem dar atenção devida a certos pormenores que bem mereciam. Estas reportagens mereciam entrevistas na hora e não as vi. Lapso meu?

TÍLIAS – Já cheiram muito bem as tílias espalhadas por algumas avenidas e praças da nossa cidade. Podiam e deviam ser mais. Aproveitem estas breves semanas de floração ao passearem pela cidade, especialmente à noite.

(Em Jornal de Famalicão, 26/06/25)

quinta-feira, 19 de junho de 2025

O boletim de progranda do candidato

BOLETIM MUNICIPAL DE FAMALICÃO – Quando a oposição (oposições) do nosso município não tem força para pôr termo ou, pelo menos, denunciar veementemente nos lugares próprios o abuso que é a publicação regular de um boletim de propaganda, sob a designação de boletim municipal, por uma coligação que vai concorrer às eleições deste ano, utilizando o dinheiro de todos nós, como se pode esperar que ganhe, ou sequer dispute com seriedade, essas eleições?

BOLETIM MUNICIPAL DE FAMALICÃO II – A desfaçatez é tão grande que a publicação acabada de sair (Junho de 2025) é dirigida pelo próprio candidato a presidente, tem uma tiragem gratuita de 61.750 exemplares (!) e 74 páginas profusamente ilustradas.

BOLETIM MUNICIPAL DE FAMALICÃO III – O conteúdo é preenchido apenas com coisas boas (ou que a coligação considera boas), ocultando coisas más, porque estas não existem.

BOLETIM MUNICIPAL DE FAMALICÃO IV – Vejam-se algumas passagens desse conteúdo propagandístico. "O apoio e o investimento nas freguesias é uma das grandes marcas da governação do executivo municipal liderado por Mário Passos" (p. 7); "O surgimento de novos espaços dedicados à cultura e ao convívio em todo o território é uma das apostas do executivo municipal liderado por Mário Passos" (p. 9); "Muito em breve, Famalicão contará com dois novos parques verdes à entrada da cidade: o Sinçães Norte […] e, mais a sul, o Parque do Pelhe, no lugar dos Queimados" (p.10). A página 11 tem uma bonita fotografia de um parque que não existe! Sobre água (a cobertura de rede de água chega aos 100% – p. 14) e saneamento lê-se: "É um momento histórico porque já há dezenas de anos que a população ansiava por este investimento – Mário Passos – Presidente da Câmara Municipal" (p. 15).

BOLETIM MUNICIPAL DE FAMALICÃO V – Cansado de se referir a si próprio, o director/candidato parece mudar de táctica e passa, a partir da p. 18, a enumerar apenas os feitos da coligação que dirige. "Em 2024, o município de Vila Nova de Famalicão registou uma redução histórica de 11% da água não facturada, atingindo agora o valor mais baixo de sempre - 36%" (p.19). "Mais de 20 milhões de euros – Valor investido pela câmara municipal desde 2022 na melhoria da rede viária concelhia" (p. 21). Mas ainda aqui, o director/candidato não resiste e sobre estradas escreve e assina: "Este é daqueles temas que está permanentemente em aberto. Há sempre novas necessidades e há sempre mais a fazer para dar melhores condições de segurança e conforto, quer aos automobilistas, quer aos peões – Mário Passos – Presidente da Câmara Municipal" (p. 21). E ainda: "As estradas que estão sob a alçada da Administração Central têm também merecido toda a atenção do executivo liderado por Mário Passos" (p. 22).

BOLETIM MUNICIPAL VI – E ainda não chegámos a um terço das páginas do boletim de propaganda e falta-nos espaço e paciência para continuar com detalhe. As páginas seguintes exaltam os feitos da coligação na saúde (mas nem uma palavra sobre o hospital…), no desporto, nas escolas, nos transportes, nas hortas urbanas, na construção de casas (mais de 200 fogos habitacionais), na cultura, no apoio às instituições sociais, na residência universitária, na cidade inteligente e, finalmente, ficámos a saber que temos um concelho que funciona numa "lógica de total transparência" (p. 68). Não sabia?

BOLETIM MUNICIPAL VII – Importa dizer que estes boletins são ilegais, pois os boletins municipais destinam-se, nos termos da lei, a dar publicidade às deliberações e decisões dos órgãos do município com eficácia externa (ver os exemplos dos boletins municipais de Lisboa, Porto e Oeiras).

MISSA CAMPAL – Resta-nos pouco espaço e aproveitamos para referir como um ponto alto das Festas Antoninas (será preciso lembrar que estas festas são dedicadas a Santo António?) a missa campal, na Praça D.ª Maria II, presidida pelo bispo auxiliar D. Delfim Gomes, que teve muita participação. A praça estava cheia e, na homília, D. Delfim "enalteceu a vida e obra do santo português" que "dedicou a sua vida e a sua pregação à defesa dos pobres" (Diário do Minho de 14/06/25) .

IRONIA – Pouca gente, porventura, tem consciência de que esta missa campal foi celebrada a poucos metros do lugar onde antes existia uma bela capela que foi demolida há 100 anos (ver Jornal de Famalicão da semana passada).

(Em Jornal de Famalicão, 19/06/25)

quinta-feira, 12 de junho de 2025

Dia de Portugal, Festas Antoninas e não só

10 DE JUNHO – Dia de Portugal. A escritora Lídia Jorge fez hoje de manhã, em Lagos, uma intervenção que merece ser lida e assimilada. Retiro uma passagem apenas, por brevidade: "Por alguma razão, os cidadãos hoje regrediram à subtil designação de seguidores e os seus ídolos são fantasmas".

DE QUE LADO ESTAMOS? – Nós, seres humanos, somos capazes do melhor e do pior. O Dia de Portugal deve ter servido para reflectir também sobre isso. De que lado estamos?

FAMALICENSES DE OUTROS TEMPOS – Lembro-me de um dia, era eu muito novo ainda, ter acordado com uma forte dor no pescoço (torcicolo). Uma tia minha levou-me a casa de uma senhora (família de Paulo Moreira?) que morava na Avenida Narciso Ferreira do lado direito, no sentido de Guimarães, que com uma pomada e um movimento de mãos no pescoço rapidamente me resolveu o problema. Anos mais tarde, andava eu a estudar em Coimbra na Faculdade de Direito e um colega de Medicina, já adiantado no curso, teve a mesma dor. A verdade é que andou dias a sofrer sem que lhe resolvessem o problema nos hospitais da universidade. Como me lembrei então da senhora que me curou e lhe disse a ele como era fácil a cura com uma ida a Famalicão.

OUTROS FAMALICENSES – É um dever lembrar famalicenses de origem humilde, mas que se distinguiram pelo bem que fizeram. Estou a lembrar-me neste momento de dois. O Senhor José Valinhas, enfermeiro, com atendimento na esquina da Rua Conselheiro Santos Viegas com a Rua São João de Deus e do também enfermeiro Manuel Alves de Sá (natural do Louro) com estabelecimento onde hoje é a sede da Caixa de Crédito Agrícola. Merecem também referência em momento oportuno.

CAPELA DE SANTO ANTÓNIO ANTIGA – Na Capela de Santo António está ao dispor de quem a visita um "folheto", bem concebido, sobre a história da Capela de Santo António. Quem o ler com atenção verifica como se pode empobrecer uma vila (hoje cidade). Basta comparar a gravura da capela actual com a gravura da capela que estava situada no antigo Campo da Feira, construída em 1775 e que foi demolida em 1924. Que diferença, para pior, com a mudança.

JORNAL DE FAMALICÃO E ANTONINAS – O Jornal de Famalicão fez o que nenhum outro fez. Tendo recebido apenas uma página inteira de publicidade das Festas Antoninas, fê-la rodear do programa das Festas, no que gastou três páginas igualmente inteiras que nada custaram à câmara municipal. É bonito, não é? Bem se pode dizer neste caso, e com propriedade, que "desamor" com amor se paga. Amor por Famalicão, claro!

ELEIÇÕES – É minha opinião que Famalicão merecia uma lista independente forte para a candidatura aos órgãos do município. As listas que se anunciam nos maiores partidos não estão, a meu ver, à altura do que merece o nosso concelho. É, repito, a minha opinião.

SUGESTÕES DE CAMPANHA – Será que os partidos que se apresentarão a eleições este ano vão meter no seu programa a requalificação da nossa estação ferroviária? Precisa de um grande parque de estacionamento coberto, de ligações directas dessa parte à estação, de elevadores e de bons acessos. Quem tem visão para lutar por isso? Tentarei dar regularmente outras sugestões para os programas dos partidos. 

IRIS – Tal como sucedeu com a demolição da velha Capela de Santo António acima referida, o centro da cidade ficou mais pobre quando a Iris deixou de ser um restaurante de grande qualidade para passar a ser um mero espaço de exposição de automóveis que poderia ter lugar em qualquer outra parte. Dificilmente uma exposição vulgar de automóveis pode enriquecer o centro de uma cidade.

(Em Jornal de Famalicão, 12/06/25)

quinta-feira, 5 de junho de 2025

Publicidade camarária, funcionário e PDM

PUBLICIDADE CAMARÁRIA – É chocante o favoritismo que a nossa câmara demonstra, em termos de publicidade, no que respeita à imprensa local. Veja-se o que se passou na semana passada. Um jornal famalicense, que surge impresso apenas mensalmente, recebeu duas páginas inteiras de publicidade e um conjunto de editais camarários (publicidade muito apetecida, porque bem paga) que corresponde, no todo, a mais de duas páginas inteiras, ou seja, MAIS DE QUATRO PÁGINAS de publicidade camarária num só numero desse jornal. Por sua vez, este semanário (Jornal de Famalicão) nada recebeu de publicidade camarária. ISTO É INACEITÁVEL! E não é uma página de publicidade dada esta semana a este jornal que limpa a sujidade deste comportamento da câmara.

FUNCIONÁRIOS MUNICIPAIS – Tentei saber junto da câmara municipal o número total de "funcionários municipais" (pessoas que estão ao serviço dos famalicenses, na forma de trabalho pago) . Ao contrário do que é costume, recebi resposta rápida conforme tinha pedido – o que registo com muito agrado – e da qual transcrevo este excerto, que é o de maior interesse: "em 31 de Dezembro de 2024, o município de Vila Nova de Famalicão detinha 1834 trabalhadores em regime de contrato de trabalho em funções públicas e 118 colaboradores em regime de prestação de serviço, o que perfaz um total de 1952 colaboradores. Nestes 1952 colaboradores encontram-se contabilizados os colaboradores a tempo parcial, designadamente os técnicos que prestam AEC's". AEC, são, julgo saber, os professores e outros profissionais que actuam nas Atividades de Enriquecimento Curricular (AEC).

1952 FUNCIONÁRIOS MUNICIPAIS – Cerca de 2.000 trabalhadores ao nosso serviço é muita gente e importa saber o que fazem e como são dirigidos. Tarefa que exige informação mais detalhada que procurarei obter.

DIREITO À INFORMAÇÃO – Importa dizer e repetir insistentemente: os munícipes têm o direito de ser informados sobre os assuntos de interesse público e os órgãos municipais têm o dever de informar. O acesso à informação deve ser fácil e completo. Sabemos, no entanto, como é, em regra, difícil e a informação dada incompleta. Há que insistir e às vezes surgem boas surpresas, como acima referimos.

PLANO DIRECTOR MUNICIPAL (PDM) – Todos devíamos conhecer bem o nosso PDM, instrumento da maior importância para o bom governo municipal e para a protecção e enriquecimento das gerações futuras, mas não conhecemos. Não há o cuidado de dar do seu conteúdo uma informação clara e não meramente técnica. Sabemos, além disso, que a revisão em curso do nosso PDM está atrasada. Deveríamos estar mais atentos, acompanhar os trabalhos de revisão e exigir informação detalhada. Infelizmente, somos cidadãos pouco exigentes.

PDM E ORDENAMENTO DO TERRITÓRIO – "Um modelo coerente de ordenamento do território deve assegurar a coesão territorial e a concreta classificação do solo, invertendo-se a tendência, predominante nas última décadas de transformação excessiva e arbitrária do solo rural em solo urbano. Com efeito, pretende-se contrariar a especulação urbanística, o crescimento excessivo dos perímetros urbanos e o aumento incontrolado dos preços do imobiliário, designadamente através da alteração do estatuto jurídico do solo". Este é um extracto do preâmbulo do Decreto-Lei n.º 80/2015, de 14 de Maio, que aprova a revisão do Regime Jurídico dos Instrumentos de Gestão Territorial, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 380/99, de 22 de Setembro).

AFETRA – Sigam os leitores a actividade desta dinâmica associação (Famalicão em Transição) que reúne famalicenses activos e preocupados com a qualidade de vida e a protecção da nossa casa comum. O fim-de-semana "Transição na Prática", organizado nos dias 31 de Maio e 1 Junho de 2025, é disso bom exemplo.

quarta-feira, 28 de maio de 2025

Rotundas, festas, desleixo e lixo

ROTUNDAS – A nossa câmara é rica. Esbanja dinheiro em festas na cidade, mas, não contente com isso, resolve esbanjar dinheiro em rotundas. Exemplo disso é a rotunda da Avenida Marechal Humberto Delgado para a central de camionagem. Está em construção, mas já se vê pela pedra de granito e por outros arranjos que está ali muito dinheiro. Gastar muito dinheiro nas rotundas significa ter prioridades que não se compreendem. Em vez de rotundas caras não seria melhor, por exemplo, cuidar do piso das ruas e dos passeios?

ILUMINAÇÕES ANTONINAS – Desde o fim da semana passada (24/05/25) que o centro da cidade está inundado com as iluminações das Festas Antoninas. Vamos ter três semanas com gasto de luz, todas as noites. E para quê? São dias a mais e, ainda por cima, para praticamente ninguém ver, salvo nos fins-de-semana. Passem por lá e verifiquem. (E pede-se para poupar electricidade nas nossas casas!)

CANTEIROS DESOCUPADOS – A câmara municipal foi rápida a tirar árvores e arbustos da Rua Luís de Camões colocados em canteiros de árvores, desocupados  desde há anos, por cidadãos inofensivos. Porém, não tem nenhuma pressa em plantar árvores nesses mesmos canteiros e noutros igualmente desocupados da cidade. O desleixo abunda.

150 ANOS DE CAMINHOS DE FERRO – A abertura à exploração pública do troço entre Porto Campanhã e Nine ocorreu há 150 anos, mais concretamente no dia 21 de Maio de 1875. Nesse mesmo dia foi aberta à exploração pública o ramal de Braga (NineBraga). O nosso concelho não deu a esta efeméride a atenção devida e devia. Essa desatenção expressa bem o nosso alheamento da importância deste acontecimento e diz muito do pouco cuidado que continuamos a ter, por exemplo, com as modestas instalações das nossas estações de Famalicão e de Nine.

PAVILHÕES – Pululam pavilhões industriais ou afins por muitas partes do concelho. Parece que nascem como cogumelos. Haverá razões para tal, mas bem gostaria que não prejudicassem o ordenamento do território do nosso concelho e parece não haver esse cuidado.

SMART CITIES n.º 46 – A revista SMART CITIES – Cidades Sustentadas, n.º 46, merece particular atenção. A capa tem o título "Transição Alimentar  Comer Local para Semear a Mudança". Vale a pena ler o artigo que desenvolve este título (pp. 10-18). Mas há muitos outros textos desta revista com muito interesse. Pode lê-la gratuitamente na Biblioteca Municipal Camilo Castelo Branco da nossa cidade, que tem, aliás, como temos dito, jornais e revistas nacionais e locais à espera de serem lidas.

OBRAS NO PRÉDIO MUNICIPAL JUNTO DO EX-GARANTIA – Parece que começaram obras junto do edifício da Rua Adriano Pinto Basto, n.os 53-55-57. O que se vai lá fazer? Apenas algumas obras de fachada? Porque não se divulga nas páginas do município o que se pretende fazer ali?

EMBALAGENS – Já repararam na quantidade de embalagens que há numa qualquer superfície comercial? São embalagens cujo destino é o lixo. Embalagens tantas vezes para quantidades e para volumes muito pequenos. Embalagens até para comprar fruta, legumes ou pão. Seria preciso fazer tanto lixo? Não poderemos começar a diminuir? Pela minha parte, já levo várias vezes o mesmo saco para fazer compras e sempre que posso dispensar mais um, dispenso. Felizmente, outras pessoas já fazem o mesmo, desde há muito tempo.

JUSTIÇA CAMARÁRIA – A câmara municipal é muito justa na distribuição de publicidade pelos semanários locais. A um, dá uma página inteira de publicidade da Casa das Artes e vários editais de publicidade obrigatória; a outro, a mesma página inteira da Casa das Artes e editais de alteração ao trânsito; ainda a outro, que só aparece no fim do mês, publicidade das Antoninas e da Casa das Artes (páginas inteiras) e uma mão cheia de editais; finalmente, ao Jornal de Famalicão, nada,  ZERO. Justiça camarária!

(Em Jornal de Famalicão, 29/05/25)

quarta-feira, 21 de maio de 2025

Eleições legislativas e eleições locais

VENTURA OU MUJICA? – Precisávamos em Portugal da inspiração de um Mujica; saiu-nos um Ventura. Se não ouviu falar do Presidente Mujica, muito recentemente falecido, leia o discurso dele na ONU ou, também de muito fácil acesso, leia o texto publicado no jornal 7Margens, ambos disponíveis gratuitamente na net. Pode começar por este último. Vale bem a pena, a nosso ver!

RESULTADOS DAS ELEIÇÕES LEGISLATIVAS – Realizaram-se no passado domingo, dia 18/05/25, as eleições para a Assembleia da República. No território nacional (continente e ilhas) estavam inscritos 9.265.493 eleitores, tendo votado 5.965.446 (64,38%). Destes, 1.914.913 votaram AD (32,1%); 1.394.501 votaram PS (23,38%); 1.345.689 votaram CHEGA (22,56%) e 330.149 votaram Iniciativa Liberal (5.43%). Os restantes votos foram repartidos por outros partidos com menor expressão eleitoral e por votos brancos (1,44%)  e nulos (0,99).  A percentagem de abstenção foi, pois, de cerca de 36%.

RESULTADOS ELEITORAIS EM FAMALICÃO – Em Vila Nova de Famalicão estavam inscritos 121.257 eleitores, tendo votado 87.755 (72,37%). Votaram na AD 31.754 eleitores (36%), votaram no PS 21.556 eleitores (24,5%), votaram no CHEGA 19.242 eleitores (22%) e votaram na Iniciativa Liberal 5.516 eleitores(6,29%). Deste modo, a participação no nosso concelho foi, como de costume, muito mais alta do que no resto do país, situando-se a abstenção apenas em cerca de 28%. A repartição dos votos seguiu a repartição nacional com pequenas diferenças. Quem pretender saber com pormenor o que se passou no concelho basta pesquisar "cne resultados eleitorais 2025" ou clicar neste endereço.

APONTAMENTO – Os partidos que os famalicenses ao longo de 50 anos escolheram para manter o nosso sistema democrático que se cuidem, não deixando  de lutar e defender os valores que representam: a democracia baseada na dignidade da pessoa, procurando construir "uma sociedade livre, justa e solidária", como muito bem decreta o artigo 1.º da Constituição da República Portuguesa.

ELEIÇÕES LOCAIS – As eleições locais para os municípios e freguesias aproximam-se velozmente e é necessário que se apresentem bons candidatos para os respectivos órgãos. A este propósito importa dizer que não se podem transpor resultados das eleições nacionais para as eleições locais, mas aquelas são um elemento importante de reflexão. Onde há um bom número de votantes num partido ou coligação haverá mais possibilidade de eleger, no mesmo sentido, a nível local. Só tal não sucede quando os candidatos não estão à altura do partido que representam ou o partido não tem organização local. E atenção às listas de independentes, quando as houver.

PRAZOS – Até 55 dias antes da data das eleições devem ser apresentadas as listas para as eleições dos órgãos das autarquias locais. Estas deverão decorrer, nos termos da lei, entre 22 de Setembro e 14 de Outubro de 2025 e, por isso, as listas têm de estar prontas pelo menos até fins de Julho, princípios de Agosto. Se bem repararmos, restam pouco mais de dois meses para se preparam e apresentarem as listas. E para além do trabalho político que deve ser feito, há também muito trabalho burocrático para fazer.

(Em Jornal de Famalicão, 22/05/25)

quarta-feira, 14 de maio de 2025

Câmara e publicidade

DISCRIMINAÇÃO NEGATIVA – O director deste jornal deu-me conta da satisfação e alegria por ter recebido um anúncio de página inteira da câmara municipal sobre a Festa da Flor (a que, aliás, o Jornal de Famalicão já tinha feito referência destacada). Disse-lhe que não tinha razão para ficar tão contente, pois os jornais impressos da cidade receberam não só igual publicidade da Festa da Flor, mas também a da Casa das Artes (página inteira) e ainda mais um conjunto de editais, publicidade que é sempre muito apetecida. O Jornal de Famalicão foi discriminado negativamente mais uma vez, senhor director e senhora câmara!

FESTA DA FLOR – Decorreu com bom tempo, e muita gente, o cortejo da Festa da Flor no passado domingo. As ruas foram rapidamente limpas das centenas de milhar de pétalas que foram utilizadas e ficaram no chão. Não pude deixar de pensar nas abelhas e nos apicultores. Nas abelhas, que precisam das flores para o seu incansável trabalho, e nos apicultores. Sem prejuízo da festa, importa que a câmara municipal reserve uma parte do muito dinheiro gasto para apoiar os apicultores famalicenses que enfrentam tantas dificuldades para produzir mel. Como está a apicultura famalicense? Quantos apicultores temos? E como está a luta contra a vespa velutina? Alguém tem esta informação?

VALE A PENA – Vale pena, já o dissemos e agora repetimos, visitar a Biblioteca Municipal Camilo Castelo Branco (Parque de Sinçães) para ver e ler os jornais e revistas nacionais e locais que estão ao dispor dos leitores, no piso de entrada da biblioteca, gratuitamente e sem formalidades. Se tem algum tempo livre, não deixe de passar por lá. Comece a ter esse hábito.

JORNAIS DE 1985 – Também na mesma biblioteca e no mesmo piso, mas do lado direito de quem entra, está ao dispor, ainda que com algumas formalidades,  o denominado Fundo Local, constituído essencialmente por obras de autores famalicenses e pela colecção dos jornais concelhios. Consultei há dias, por vários motivos, estes jornais que se publicavam em 1985: A Voz de Famalicão e o Vila Nova, quinzenários entretanto findos; o Notícias de Famalicão, semanário  impresso, também findo; e, claro, o Jornal de Famalicão, semanário que se mantém vivo. Encontrei neles este curioso anúncio da câmara municipal de então:  "Se você pensa que tem o direito de criticar, engana-se… Tem o dever. Envie críticas e sugestões para a Câmara Municipal". Isto foi há 40 anos. A câmara municipal de hoje está de acordo? Faria um anúncio semelhante?

LAGO DE GODOS – Foi muito má a ideia da câmara municipal de, junto do lado sul do Parque de Sinçães, muito próximo da biblioteca municipal, gastar milhares de euros para fazer um lago de godos de praia com uns esguichos de água. E é triste, ao mesmo tempo, ver, do  lado poente-sul do mesmo lugar do parque e, numa extensão de 100 metros, apenas uma árvore plantada.

CONTENTORES DO LIXO  Já tinha reparado, mas chamaram-me mais uma vez  a atenção para o lixo que se acumula à volta dos contentores (ecopontos) na cidade e, certamente, fora dela. Na verdade, não tem sentido que não se cuide de atalhar o desleixo e, porventura, má informação dos cidadãos. A câmara tem pessoal (ou deve ter) para, por um lado, dar formação aos cidadãos sobre a separação dos lixos e, por outro, para retirar aquele que se vai acumulando fora dos contentores. Acresce que nesta cidade e concelho não se trata devidamente do problema da recolha dos resíduos dificilmente catalogáveis, muitos deles volumosos.

OBRAS DE CAMILO – Estejam os leitores atentos aos textos sobre as obras de Camilo Castelo Branco que o Doutor José Manuel Oliveira publica quinzenalmente neste semanário. Merecem leitura atenta.

(Em Jornal de Famalicão, 15/05/25)