quinta-feira, 24 de julho de 2025

Feira Grande de Setembro

INQUÉRITO INTERNO – A página oficial do município dizia a 19/11/24: "A réplica da velha Acácia do Jorge, árvore fronteira à Casa de Camilo, em Seide São Miguel, foi ontem alvo de uma intervenção desajustada e não autorizada por parte dos serviços municipais, que culminou com o seu derrube" e anunciava, ao mesmo tempo, a abertura de um rápido inquérito interno. Onde está esse inquérito? Como é possível a assembleia municipal deixar passar isto em branco? Como se explica que não tenha força para obrigar a câmara a dizer que não o fez? Ou pelo menos que não o publicou e porquê?

FEIRA GRANDE DE SETEMBRO – O dia 29 de Setembro é um dia de feira grande onde, por tradição, vinha ao de cima a produção agrícola e pecuária do nosso concelho. Não haverá o cuidado de anunciar nessa data qual a nossa produção agrícola e pecuária? Anunciar detalhadamente os diversos produtos e as quantidades produzidas, ainda que, porventura, mínimas? E não seria interessante comparar com a produção de há 50 e há 25 anos no concelho? Não seria difícil. Bastaria utilizar muito menos de 1% da verba que se vai gastar em comes e bebes e música na Feira do Artesanato e da Gastronomia (cerca de 500.000 €). É um dever dar atenção à nossa agricultura.

OPINIÃO – Um jornal local fazia recentemente um apelo à colaboração sob a forma de opinião, lembrando que tinha largo espaço para esse efeito. Há muito que faço esse apelo sem muito êxito. Continuam a escrever na imprensa local séniores (tal como eu) e muito poucas pessoas novas. Importa haver mais opinião nos meios de comunicação social locais (o Notícias deFamalicão digital é, em certa medida, uma excepção), pois os problemas a debater num dos maiores 20 concelhos do país (os de mais de 100.000 habitantes) são muitos. Cidadãos e cidadãs famalicenses de todas as idades são necessários.

ELEIÇÕES LOCAIS – Neste momento, a cerca de três meses das eleições municipais  e de freguesia (12 de Outubro de 2025) deveria haver já uma ampla discussão sobre os principais problemas do nosso município. Não há. Nota-se ainda uma corrida aos nomes para os lugares da câmara e da assembleia, o que revela má preparação deste importante acto. Há um ano que venho chamando a atenção para essa preparação.       

MOBIAVE – Continuo a ver os autocarros da Mobiave vazios ou praticamente vazios no centro da cidade e em horas de ponta. Ando com azar quanto aos autocarros que vejo ou algo de errado se passa?

SENHOR DOS AFLITOS – Uma das festas mais típica do concelho é a do São Tiago ou também conhecida por Senhor dos Aflitos em Cruz (São Tiago). Ocorre no dia 25 de Julho, o mesmo dia em que é feriado na Galiza, evocando São Tiago de Compostela.

MANUEL ALVES DE SÁ – Manuel Alves de Sá ou Alves Enfermeiro, como era correntemente conhecido, é um famalicense que marcou uma época na nossa terra, principalmente quando tinha o estabelecimento de enfermagem no edifício onde hoje funciona o Banco Crédito Agrícola. Merece uma referência ampla que esperamos fazer em momento oportuno.

(Em Jornal de Famalicão, 24/07/25)

quinta-feira, 17 de julho de 2025

Boletim cultural, publicidade e muito feio

BOLETIM CULTURAL – Foi publicado e apresentado há alguns dias o Boletim Cultural VI Série – n.º 5 – Ano 2024, editado pela câmara municipal e tendo como director Mário Passos, presidente da câmara municipal. Ele é dedicado, e bem, ao 25 de Abril de 1974 e tive pena de nele não colaborar, apesar de convidado. O tempo é escasso e teria gostado de escrever algo que me obrigasse a alguma investigação. Vou folhear com mais atenção e dizer algo sobre ele, espero.

EDITAIS  Impressiona o número de editais de publicidade obrigatória que a câmara municipal publicou nos jornais impressos da terra na semana passada e a distribuição que fez: Opinião Pública (6), Povo Famalicense (6), Jornal de Famalicão (0). O Cidade Hoje só se publica impresso uma vez por mês e é sempre muito bem municiado de publicidade camarária quando sai.

PESSOAL – Por falta de informação detalhada e acessível não temos uma ideia clara de como é dirigido o pessoal ao serviço do município. São quase 2.000 pessoas e há, pelo menos, um aspecto que diz muito. Temos no organograma cinco directores de departamento, que é o posto mais elevado do pessoal. Ora, apenas um deles está preenchido! Como é possível? O pessoal não presta? Está de castigo? Ou é mais importante gastar o nosso  dinheiro em festas contínuas?

MOBIAVE – Não tenho ainda elementos suficientes para fazer um juízo fundamentado sobre o serviço público de transportes de passageiros no concelho. No entanto, estranho ver muitos autocarros vazios (ou quase)  a circular na cidade. E fiquei a saber, há pouco, que a Mobiave não abrange todo o concelho de Santo Tirso, nem todo o da Trofa. Qual é a lógica? 

AMEIXOEIRAS BRAVAS – Em algumas ruas da nossa cidade plantaram-se ameixoeiras bravas sem consultar os moradores, prática habitual, infelizmente, em qualquer rua da cidade. As ameixoeiras só são bonitas em período muito curto, que é o da floração, em Fevereiro-Março. Agora, em pleno Verão, amadurecem e caem ameixas que sujam o chão por muito tempo. Nem sequer há o cuidado de limpar os passeios. Árvores na cidade? Sim e muitas, mas adequadas e bem tratadas.

COMPOSTAGEM – A recolha de resíduos domésticos para compostagem (bio resíduos) continua a fazer-se no centro da cidade a título experimental, ao que parece. É importante que se faça um balanço desta boa experiência e se informe dos passos seguintes. É necessário aumentar este serviço de recolha selectiva.

ELEVAÇÃO A CIDADE – Celebramos a data de elevação a cidade no dia 9 de Julho de cada ano, depois de 1985. No entanto, importa ter presente que a elevação da vila de Famalicão à categoria de cidade só ocorreu através da Lei n.º 40/85, de 14 de Agosto. É o dia 14 de Agosto o dia de aniversário da elevação da vila de Famalicão a cidade. Compreende-se que não se comemore o dia certo, mas apenas por ser uma data própria de férias.

A ROTUNDA MAIS BONITA  É de longe a mais simples, mas, a meu ver, a mais bonita rotunda da cidade, neste momento. Tem apenas uma árvore (arbusto grande?) com flores vermelhas. Até à noite chama a atenção, por causa da luz do painel que a ilumina. Está situada junto do hospital (lado poente) e da Igreja Matriz Nova, num cruzamento onde confluem quatro ruas. Vale a pena visitá-la. É o exemplo de como se pode ornamentar uma rotunda com muito pouco dinheiro, e fortalecendo, ao mesmo tempo, o ambiente.   

PLÁSTICOS – É impressionante a quantidade de plásticos, particularmente sacos, que entram nas nossas casas. Importa limitar o seu uso e reutilizá-los sempre que possível. São constantes os alertas para os problemas que provocam e são bem sérios.  

MUITO FEIO – Quando um jornal local põe outro em tribunal, imputando-lhe crimes, algo de muito estranho se passa. Um jornal não precisa dos tribunais para criticar o comportamento de um colega. É muito feio e mais ainda quando não tem razão nenhuma. Importa que este assunto venha rapidamente a público.

(Em Jornal de Famalicão, 17/07/25)

quarta-feira, 9 de julho de 2025

Eleições locais, festas e luta

ELEIÇÕES LOCAIS – Aproximam-se velozmente as eleições locais e prometem animação, desde logo, na união à força das freguesias de Famalicão e Calendário. Anunciam-se oitos listas, uma das quais, e pela primeira vez, um movimento de independentes. Há muita curiosidade em saber o que trazem de novo estas listas em pessoas e programas. E haverá alguma que tenha a coragem de afirmar que Famalicão e Calendário são freguesias grandes, amigas e próximas, mas distintas, cada qual com os seus problemas, havendo por isso o dever de, logo que possível, as separar para terem cada uma junta própria ao serviço da população respectiva?

FESTAS TODO O ANO – O concelho de Famalicão tem festas todo o ano nas suas 49 paróquias, mas isso nota-se principalmente no Verão e nos meses que, antes e depois, lhe estão mais próximos. Na cidade de Famalicão, especialmente no Verão, não há fim-de-semana que não anuncie, através de foguetes, a realização dessas festas. A dificuldade, por vezes, é a de identificar a freguesia de origem. Ouvem-se, na cidade, sessões de fogo de Calendário, Lemenhe, Louro, Santiago da Cruz, Esmeriz, Cabeçudos, Vilarinho das Cambas, Jesufrei, São Cosme do Vale e quantas outras. Destas festas, quase todas mais profanas do que religiosas, destaca-se, pela sua maior religiosidade, a do Santíssimo Sacramento de Brufe, que teve lugar no passado fim de semana.

500.000 € – Ao que parece, a câmara municipal vai gastar cerca de meio milhão de € (nunca gastou tanto) na Feira do Artesanato e Gastronomia de 2025 (ano de eleições) e ninguém se revolta. Como se o nosso dinheiro não fosse mais bem utilizado noutros fins, como se não houvesse outras prioridades….

ONDAS DE CALOR – Desde há semanas que assistimos a ondas de calor na cidade. Ainda hoje, terça-feira, dia 8 de Julho de 2025, o termómetro atingiu, e manteve-se durante horas, nos 35 graus e à noite, pelas 22h, marcava 28 graus. E sem vento. É muito desagradável.

LUÍS ANDRADE – Luís Andrade (LA), famalicense, natural de Cavalões, foi  atingido na sua adolescência por uma doença grave, muito comum na época, que o marcou psicologicamente, mas não lhe tirou o raciocínio, nem o espírito de luta. LA não queria que a velha Capela de São Gonçalo, muito danificada por um incêndio na primeira metade do século XX, fosse demolida para dar lugar a uma escola. Estava tudo encaminhado para a demolição, com o aval da junta de freguesia, da câmara municipal e do Governo de então (antes do 25 de Abril). Mas LA lutou sempre. Utilizou a imprensa da época, nomeadamente, se bem me lembro, o jornal A Capital, para chamar a atenção para uma capela que era do Século XVIII, que tinha claro valor patrimonial e não deveria ser demolida. E tanto lutou que venceu. A capela não foi demolida, foi restaurada e aí está a ser utilizada e a seu lado foi construída a Escola Primária de Cavalões, a funcionar também. Lição: vale sempre a pena lutar, mesmo quando a luta é desigual. Muitas vezes perde-se, mas perde-se sempre quando não se luta.

ASAE NO HOSPITAL – Por alegada falta de higiene no nosso hospital, a ASAE fez uma inspecção. O que se passou ou passa efectivamente? Ficámos apenas com uma notícia vaga. Temos direito a uma informação devidamente detalhada.

(Em Jornal de Famalicão, 10/07/25)

quinta-feira, 3 de julho de 2025

Urgências, fachadismo e não só

URGÊNCIAS  Informam-me que as urgências do nosso Hospital estão sobrelotadas. Que as pessoas ficam ali amontoadas em macas, esperando horas, em ansiedade e sofrimento, para serem atendidas. Tenho tido a sorte de não precisar de ir lá parar, mas não estou livre disso. E por mim e por todos os outros, que precisam ou vão precisar, importa lutar para que as urgências sejam alargadas e que haja médicos e enfermeiros necessários para um bom e rápido atendimento. Temos dito e repetido: isto é um problema em primeira linha do Governo e da administração do hospital, mas o município e até as freguesias devem preocupar-se com essa situação. Como? Por um lado, estando atentas e fazendo pressão sobre o Governo para encontrar soluções e, por outro, dando, por exemplo, condições a médicos e enfermeiros para se fixarem em Famalicão, de preferência junto do hospital. Uma câmara atenta muito poderia fazer neste domínio. Será preciso dizer-lhe o que pode e deve fazer?

FACHADISMO – Os edifícios degradados dentro da cidade (e não só) são em grande número. Não se conhece uma política municipal séria de reabilitação desses edifícios, o que é uma omissão grave da câmara. Por outro lado, há a tendência, na pouca reabilitação que se faz, para manter apenas as fachadas dos edifícios, fazendo desparecer o miolo, muitas vezes de enorme riqueza patrimonial. Temos exemplos bem conhecidos. O fachadismo vai ao ponto de cuidar das fachadas, ficando o miolo sem utilidade. Veja-se, a título de exemplo, o edifício da esquina da Rua Adriano com a Avenida Narciso Ferreira. E continuemos atentos ao prédio municipal da Rua Adriano Pinto Basto, com andaimes recentemente colocados.

MOBIAVE – Retirado da página oficial do nosso município: "Os municípios de Famalicão, Trofa e Santo Tirso passam a estar interligados por uma nova rede de transporte rodoviário - Mobiave, concessionada à empresa Transdev, num total de 90 linhas, servidas por mais de 100 autocarros, em cerca de 2700 paragens. No concelho famalicense, a entrada em vigor da nova rede representa um reforço da oferta rodoviária, num total de 67 linhas, 4.2 milhões de quilómetros anuais e 1514 paragens". Já está em vigor este sistema de transporte público de passageiros e aparentemente parece excelente. Mas será?

CANDIDATURA DO PAN – Assisti no passado sábado, dia 28/06/25, por convite, e com gosto, à apresentação da candidatura do partido PAN aos órgãos do nosso município. Apreciei a apresentação, em primeiro lugar, da candidata à assembleia municipal (Catarina Rocha), da apresentação com programa cuidado da candidata à câmara (Sandra Pimenta) e a presença da coordenadora do PAN (Inês de Sousa Real). Plateia jovem e maioritariamente feminina. Candidatura a merecer atenção.

AGOSTINHO FERNANDES – Por fim, mas não por acaso. Num recente artigo, publicado no jornal digital Notícias de Famalicão, intitulado "A coragem de pensar de outro modo", o Dr. Agostinho Fernandes teve a amabilidade de me fazer algumas referências simpáticas, que agradeço. O artigo, no entanto, vai muito para além disso, abordando problemas da democracia em geral e da democracia na nossa terra que merecem uma atenção que não cabe nos estreitos limites deste espaço semanal. Fiquei com vontade de uma conversa larga na companhia de um bom amigo comum a combinar para breve. Procurarei cuidar disso.

(Em Jornal de Famalicão, 03/07/25) 

quinta-feira, 26 de junho de 2025

Eleições locais e tílias

ELEIÇÕES LOCAIS – As eleições locais estão à porta. São pouco mais de três meses que correm depressa e, ainda por cima, incluem o mês de Agosto. Neste momento já deveríamos saber não só o nome dos principais candidatos aos órgãos dos municípios (os candidatos a presidente de câmara já sabemos), mas também quem são os candidatos a vereadores/as e, pelo menos, os/as candidatos/as a presidente da assembleia municipal e a líder do respectivo grupo municipal. É estranho que ainda não saibamos tais nomes.

ELEIÇÕES LOCAIS II – Também deveríamos saber o programa das listas, desde logo das principais (entendendo por principais as que costumam ganhar as eleições municipais). Julgo que não está ainda elaborado ou, pelo menos, bem divulgado.

OBRAS CAMARÁRIAS – Sempre que a câmara faz obras públicas, quer sejam a construção de uma rotunda, o arranjo de um espaço público ou a reabilitação de um edifício camarário deve colocar junto uma explicação detalhada do que vai fazer. É uma obrigação que tem para com os munícipes.

EDIFICIO DA RUA ADRIANO – No edifício que foi do Senador Sousa Fernandes com os n.º 49-51-53-55 da Rua Adriano Pinto Basto foram colados na semana que agora terminou (21/06/25) andaimes na parte da frente que fazem prever obras. Não se sabe que obras se vão fazer ou o que ali vai ocorrer, porque a câmara municipal que obriga, e bem, os particulares a informar, nos termos da lei, o que fazem ou pretendem fazer, não aplica a si esse dever quando deveria dar o exemplo, como acima dissemos, mesmo que a isso não seja legalmente obrigada.

FAMALICENSES – O Jornal de Famalicão (JF) tem uma secção dedicada a famalicenses que se têm destacado de algum modo nos mais diversos domínios. Até ao momento, a atenção tem sido dirigida a famalicenses da "diáspora", ou seja, pessoas que, tendo nascido em Famalicão, daqui saíram. É difícil perante a quantidade e qualidade de famalicenses nesta situação fazer escolhas que não mereçam críticas. O JF deu-me liberdade de agir e apenas peço compreensão e ajuda dos leitores. Tempo virá, entretanto, em que a atenção se deslocará para famalicenses que, por naturalidade ou residência, se têm destacado dentro do concelho. Escolha também muito difícil, pois a riqueza humana do nosso município é enorme.

VALINHAS – Os famalicenses com mais idade recordam certamente o Senhor José Valinhas, enfermeiro com atendimento em antigo edifício da esquina da Rua Conselheiro Santos Viegas com a Rua São João de Deus. Era uma pessoa com jeito especial para cuidar de problemas de saúde de pessoas que, provocando nelas sofrimento, não exigiam cuidados médicos ou hospitalares, caso em que ele tinha a preocupação de encaminhar para o lugar próprio. Conheci-o e recordá-lo é um dever de gratidão que cumpro como famalicense.

OBRAS DE CAMILO – O Doutor José Manuel Ribeiro de Oliveira tem-nos dado a conhecer melhor Camilo Castelo Branco no bicentenário do seu nascimento nas páginas deste jornal. É um trabalho difícil, pois é feito em textos necessariamente breves, mas o autor tem sabido transmitir em linguagem acessível as muitas facetas da personalidade de Camilo, dando-lhe a palavra e, principalmente, convocando os leitores para a leitura das suas obras. Obrigado!

MÁRIO PASSOS – Vi a apresentação da candidatura de Mário Passos à câmara de Famalicão na Fama TV, na Cidade Hoje TV e na Iris TV. A apresentação fez-se no Mercado Municipal e, como refere uma das televisões, com a "casa cheia". Viam-se muitas bandeiras com o nome MÁRIO PASSOS, uma ou outra do PSD, nenhuma do CDS. Uma festa muito bem organizada, a que as televisões locais deram relevo, mas sem dar atenção devida a certos pormenores que bem mereciam. Estas reportagens mereciam entrevistas na hora e não as vi. Lapso meu?

TÍLIAS – Já cheiram muito bem as tílias espalhadas por algumas avenidas e praças da nossa cidade. Podiam e deviam ser mais. Aproveitem estas breves semanas de floração ao passearem pela cidade, especialmente à noite.

(Em Jornal de Famalicão, 26/06/25)

quinta-feira, 19 de junho de 2025

O boletim de progranda do candidato

BOLETIM MUNICIPAL DE FAMALICÃO – Quando a oposição (oposições) do nosso município não tem força para pôr termo ou, pelo menos, denunciar veementemente nos lugares próprios o abuso que é a publicação regular de um boletim de propaganda, sob a designação de boletim municipal, por uma coligação que vai concorrer às eleições deste ano, utilizando o dinheiro de todos nós, como se pode esperar que ganhe, ou sequer dispute com seriedade, essas eleições?

BOLETIM MUNICIPAL DE FAMALICÃO II – A desfaçatez é tão grande que a publicação acabada de sair (Junho de 2025) é dirigida pelo próprio candidato a presidente, tem uma tiragem gratuita de 61.750 exemplares (!) e 74 páginas profusamente ilustradas.

BOLETIM MUNICIPAL DE FAMALICÃO III – O conteúdo é preenchido apenas com coisas boas (ou que a coligação considera boas), ocultando coisas más, porque estas não existem.

BOLETIM MUNICIPAL DE FAMALICÃO IV – Vejam-se algumas passagens desse conteúdo propagandístico. "O apoio e o investimento nas freguesias é uma das grandes marcas da governação do executivo municipal liderado por Mário Passos" (p. 7); "O surgimento de novos espaços dedicados à cultura e ao convívio em todo o território é uma das apostas do executivo municipal liderado por Mário Passos" (p. 9); "Muito em breve, Famalicão contará com dois novos parques verdes à entrada da cidade: o Sinçães Norte […] e, mais a sul, o Parque do Pelhe, no lugar dos Queimados" (p.10). A página 11 tem uma bonita fotografia de um parque que não existe! Sobre água (a cobertura de rede de água chega aos 100% – p. 14) e saneamento lê-se: "É um momento histórico porque já há dezenas de anos que a população ansiava por este investimento – Mário Passos – Presidente da Câmara Municipal" (p. 15).

BOLETIM MUNICIPAL DE FAMALICÃO V – Cansado de se referir a si próprio, o director/candidato parece mudar de táctica e passa, a partir da p. 18, a enumerar apenas os feitos da coligação que dirige. "Em 2024, o município de Vila Nova de Famalicão registou uma redução histórica de 11% da água não facturada, atingindo agora o valor mais baixo de sempre - 36%" (p.19). "Mais de 20 milhões de euros – Valor investido pela câmara municipal desde 2022 na melhoria da rede viária concelhia" (p. 21). Mas ainda aqui, o director/candidato não resiste e sobre estradas escreve e assina: "Este é daqueles temas que está permanentemente em aberto. Há sempre novas necessidades e há sempre mais a fazer para dar melhores condições de segurança e conforto, quer aos automobilistas, quer aos peões – Mário Passos – Presidente da Câmara Municipal" (p. 21). E ainda: "As estradas que estão sob a alçada da Administração Central têm também merecido toda a atenção do executivo liderado por Mário Passos" (p. 22).

BOLETIM MUNICIPAL VI – E ainda não chegámos a um terço das páginas do boletim de propaganda e falta-nos espaço e paciência para continuar com detalhe. As páginas seguintes exaltam os feitos da coligação na saúde (mas nem uma palavra sobre o hospital…), no desporto, nas escolas, nos transportes, nas hortas urbanas, na construção de casas (mais de 200 fogos habitacionais), na cultura, no apoio às instituições sociais, na residência universitária, na cidade inteligente e, finalmente, ficámos a saber que temos um concelho que funciona numa "lógica de total transparência" (p. 68). Não sabia?

BOLETIM MUNICIPAL VII – Importa dizer que estes boletins são ilegais, pois os boletins municipais destinam-se, nos termos da lei, a dar publicidade às deliberações e decisões dos órgãos do município com eficácia externa (ver os exemplos dos boletins municipais de Lisboa, Porto e Oeiras).

MISSA CAMPAL – Resta-nos pouco espaço e aproveitamos para referir como um ponto alto das Festas Antoninas (será preciso lembrar que estas festas são dedicadas a Santo António?) a missa campal, na Praça D.ª Maria II, presidida pelo bispo auxiliar D. Delfim Gomes, que teve muita participação. A praça estava cheia e, na homília, D. Delfim "enalteceu a vida e obra do santo português" que "dedicou a sua vida e a sua pregação à defesa dos pobres" (Diário do Minho de 14/06/25) .

IRONIA – Pouca gente, porventura, tem consciência de que esta missa campal foi celebrada a poucos metros do lugar onde antes existia uma bela capela que foi demolida há 100 anos (ver Jornal de Famalicão da semana passada).

(Em Jornal de Famalicão, 19/06/25)

quinta-feira, 12 de junho de 2025

Dia de Portugal, Festas Antoninas e não só

10 DE JUNHO – Dia de Portugal. A escritora Lídia Jorge fez hoje de manhã, em Lagos, uma intervenção que merece ser lida e assimilada. Retiro uma passagem apenas, por brevidade: "Por alguma razão, os cidadãos hoje regrediram à subtil designação de seguidores e os seus ídolos são fantasmas".

DE QUE LADO ESTAMOS? – Nós, seres humanos, somos capazes do melhor e do pior. O Dia de Portugal deve ter servido para reflectir também sobre isso. De que lado estamos?

FAMALICENSES DE OUTROS TEMPOS – Lembro-me de um dia, era eu muito novo ainda, ter acordado com uma forte dor no pescoço (torcicolo). Uma tia minha levou-me a casa de uma senhora (família de Paulo Moreira?) que morava na Avenida Narciso Ferreira do lado direito, no sentido de Guimarães, que com uma pomada e um movimento de mãos no pescoço rapidamente me resolveu o problema. Anos mais tarde, andava eu a estudar em Coimbra na Faculdade de Direito e um colega de Medicina, já adiantado no curso, teve a mesma dor. A verdade é que andou dias a sofrer sem que lhe resolvessem o problema nos hospitais da universidade. Como me lembrei então da senhora que me curou e lhe disse a ele como era fácil a cura com uma ida a Famalicão.

OUTROS FAMALICENSES – É um dever lembrar famalicenses de origem humilde, mas que se distinguiram pelo bem que fizeram. Estou a lembrar-me neste momento de dois. O Senhor José Valinhas, enfermeiro, com atendimento na esquina da Rua Conselheiro Santos Viegas com a Rua São João de Deus e do também enfermeiro Manuel Alves de Sá (natural do Louro) com estabelecimento onde hoje é a sede da Caixa de Crédito Agrícola. Merecem também referência em momento oportuno.

CAPELA DE SANTO ANTÓNIO ANTIGA – Na Capela de Santo António está ao dispor de quem a visita um "folheto", bem concebido, sobre a história da Capela de Santo António. Quem o ler com atenção verifica como se pode empobrecer uma vila (hoje cidade). Basta comparar a gravura da capela actual com a gravura da capela que estava situada no antigo Campo da Feira, construída em 1775 e que foi demolida em 1924. Que diferença, para pior, com a mudança.

JORNAL DE FAMALICÃO E ANTONINAS – O Jornal de Famalicão fez o que nenhum outro fez. Tendo recebido apenas uma página inteira de publicidade das Festas Antoninas, fê-la rodear do programa das Festas, no que gastou três páginas igualmente inteiras que nada custaram à câmara municipal. É bonito, não é? Bem se pode dizer neste caso, e com propriedade, que "desamor" com amor se paga. Amor por Famalicão, claro!

ELEIÇÕES – É minha opinião que Famalicão merecia uma lista independente forte para a candidatura aos órgãos do município. As listas que se anunciam nos maiores partidos não estão, a meu ver, à altura do que merece o nosso concelho. É, repito, a minha opinião.

SUGESTÕES DE CAMPANHA – Será que os partidos que se apresentarão a eleições este ano vão meter no seu programa a requalificação da nossa estação ferroviária? Precisa de um grande parque de estacionamento coberto, de ligações directas dessa parte à estação, de elevadores e de bons acessos. Quem tem visão para lutar por isso? Tentarei dar regularmente outras sugestões para os programas dos partidos. 

IRIS – Tal como sucedeu com a demolição da velha Capela de Santo António acima referida, o centro da cidade ficou mais pobre quando a Iris deixou de ser um restaurante de grande qualidade para passar a ser um mero espaço de exposição de automóveis que poderia ter lugar em qualquer outra parte. Dificilmente uma exposição vulgar de automóveis pode enriquecer o centro de uma cidade.

(Em Jornal de Famalicão, 12/06/25)