quinta-feira, 27 de novembro de 2025

Lutar pelo nosso hospital

HOSPITAL – Precisamos de olhar atentamente para o nosso hospital. Todos queremos que ele seja um lugar que possa atender com elevada qualidade e rapidez aqueles de nós que dele precisarmos quando menos pensamos. Ao que consta, ele corre o risco de se tornar um hospital secundário por falta da adequada atenção que lhe devemos dar. Todos: munícipes, instituições sociais locais, câmara e assembleia municipal e deputados à Assembleia da República precisamos de agir concertadamente para fazermos dele um hospital de primeira linha. Trata-se de o ampliar, de criar condições à sua volta que possibilitem atracção e engrandecimento. A luta pela Maternidade teve êxito, mas não é só dessa especialidade que precisamos e nem essa temos como certa. Será que andamos a dormir? A câmara municipal tem particular responsabilidade nesta matéria, bem como a assembleia municipal.

LUÍS VALES – Tomou posse recentemente (10 de Novembro de 2025) como presidente do Conselho de Administração da Unidade Local de Saúde do Médio Ave, o que inclui o Hospital São João de Deus, o Dr. Luís Vale, natural do Marco de Canaveses. Importa que a imprensa local o entreviste para que os famalicenses saibam o que pensa, nomeadamente sobre o futuro do nosso hospital.

REUNIÃO DE KICK-OFF – "A ULS Médio Ave realizou ontem, dia 18 de Novembro, a reunião de Kick-off do novo Conselho de Administração (CA), marcando o arranque formal de um ciclo estratégico orientado para a confiança, a reorganização rigorosa e a obtenção de resultados concretos, sempre com o cidadão como eixo central das decisões. A sessão serviu para apresentar a visão global do Conselho de Administração recém-nomeado para o seu mandato, estruturada em quatro áreas prioritárias (Pessoas, Infraestruturas e Modernização, Integração do Modelo ULS e Cuidados de Saúde de Excelência) e definir os princípios de liderança que irão orientar o futuro da instituição". Este texto consta da página oficial da ULS, o que se saúda, mas, de qualquer modo, nesta reunião de arranque (Kick-off) não consta uma palavra em concreto sobre o hospital. Aguardemos. O Conselho de Administração cessante falava da necessidade de ampliação do hospital. Que pensa o novo Conselho de Administração?

OPOSIÇÃO – Em ditadura, a oposição é ignorada ou quando não pode ser ignorada é perseguida. Em democracia, a oposição é respeitada e valorizada. Como é em Famalicão?

ASSEMBLEIA MUNICIPAL – Estamos na expectativa da organização e funcionamento da nossa assembleia municipal. Vamos ter as necessárias comissões permanentes sectoriais (urbanismo, finanças e saúde, por exemplo)? Vamos finalmente ter grupos municipais apoiados com recursos humanos e financeiros para bem exercer a sua missão? Ou a assembleia municipal vai continuar a ser um órgão secundário do nosso município? Bem gostaríamos que não fosse.

PONTE DA LAGONCINHA – Importa valorizar a Ponte da Lagoncinha, em Lousado. Ela deve ser restituída aos peões e apenas a estes, quanto antes. Não deve esperar-se sequer por uma nova ponte que, aliás, se deseja. O Opinião Pública da semana passada fez um bom trabalho jornalístico sobre este assunto. Ficamos a saber que a junta de freguesia e a sociedade civil local movimentam-se e isso é bom.

BOMBEIROS FAMALICENSES – Bombeiros Famalicenses é o nome que se vê em fardas e em viaturas da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários Famalicenses e bem! Os bombeiros do nosso tempo são, cada vez mais, membros de uma profissão que precisa de ser acarinhada e de ter uma carreira.

4.000.000 DE LUZES DE NATAL – Quanto custam as festas de Natal aos famalicenses? Não se trata de aplaudir ou criticar os gastos. Trata-se de satisfazer o direito que temos de saber quanto custam.

quinta-feira, 20 de novembro de 2025

Os vereadores lêem os jornais?

OS VEREADORES LÊEM OS JORNAIS? – Os vereadores do nosso município (a começar pelo vereador presidente) lêem os jornais? Se não lêem, deviam! É sua obrigação. E se não tiverem tempo, têm quem leia por eles e lhes dê notícia.

VEREADOR DO AMBIENTE – Pedi uma reunião com o vereador que tem o pelouro do ambiente e, apesar de ter passado mais de uma semana, ainda não a marcou nem deu motivo para o atraso. A agenda que queria levar é a recolha selectiva de bioresíduos domésticos (compostagem) e mais amplamente a política de ambiente do município.

GABINETE DOS VEREADORES – Os vereadores do Partido Socialista pediram um gabinete adequado para trabalhar e receber os munícipes que com eles queiram falar. Mandaram-nos para o edifício Vinova, para uma sala que fica lá nos fundos. Os vereadores conformam-se? Saberão tirar partido desta humilhação? E que apoio lhes é dado, uma vez que são vereadores com os mesmos direitos e deveres que os outros, apenas sem pelouros?

IMPERMEABILIZAÇÃO DO PARQUE DE SINÇÃES – Não se percebe a continuada transformação e impermeabilização do Parque de Sinçães. Começou a sul pelo lago. transformado numa bacia de pedras (godos), continuou com um amplo parque de skate com o cimento que o acompanha e agora, como se não bastasse, mais cimento num "parque de fitness". Qualquer dia plantam lá um rinque de jogos, cimentado também. Árvores a sul-poente, junto à Avenida Carlos Bacelar, não existem. Que falta de respeito pelo Parque!

AVENIDA CARLOS BACELAR – A Avenida Carlos Bacelar, que liga a Rotunda de Santo António ao túnel da Rotunda Bernardino Machado, é uma pista perigosa para os peões. Importa que se coloquem uns semáforos ou uma rotunda na ligação que deve ser feita entre a Rua Ana Plácido e o Parque de Sinçães para travar a velocidade dos automóveis e facilitar a ligação para o Hospital e vice-versa. Não é preciso gastar muito dinheiro. Bastaria que a rotunda para a Estação Rodoviária fosse mais barata como devia.

BMCCB – Costumo visitar a Biblioteca Municipal Camilo Castelo Branco (BMCCB) no centro da cidade (Parque de Sinçães). Foi bom vê-la no dia 17/11/25 da parte de tarde (cerca das 17h) muito frequentada, quer na parte de cima (leitura), quer na parte de revistas, jornais e televisão (em baixo, à esquerda). Vale a pena frequentá-la.

LIVRARIA FONTENOVA – Lembro-me bem do início da Livraria Fontenova dirigida nos anos 60 por Virgínia Granja e marido (um espaço de liberdade num tempo em que ela não existia) e que, desde 1975, passou para as mãos do casal constituído pela D.ª Natércia e pelo Sr. António Melo. Fez agora 50 anos e continua viva e livre. É bom termos uma livraria na cidade agora dirigida pelo filho António (Tony) Melo. Parabéns!

LIVRARIA JÚLIO BRANDÃO – E da Livraria Júlio Brandão criada pelo Dr. António Macedo Varela (também ela um espaço de liberdade) junto do seu escritório, perto da Famidoce? Lembram-se?

VERÃO DE SÃO MARTINHO – O dia de São Martinho (dia 11 de Novembro) foi, neste ano de 2025, um dia muito chuvoso e assim continuou até ao domingo, dia 16, com uma tempestade pelo meio. Mas o bom tempo chegou e nos dias 17 e 18 e, ao que consta, durante toda esta semana vamos ter Verão de São Martinho. Ele acaba por visitar-nos sempre!

PUBLICIDADE – Reparei, no último jogo da selecção nacional no estádio do Futebol Clube do Porto (14/11/25), em algo que me impressionou. Como é possível brandir num estádio cheio uma "bandeira" que tem de um lado a bandeira nacional e do outro publicidade a uma empresa de telemóveis? Não se repara que ao movimentá-la, quem a empunha está a fazer meia publicidade a uma empresa e meio apoio à equipa nacional? Será a mesma coisa?

FAMALICENSES – O Jornal de Famalicão (JF) tem uma secção dedicada aos famalicenses que de algum modo se destacaram. Para nós, famalicenses não são apenas os que aqui nasceram. Para além destes, que são naturalmente muito queridos, há os que acidentalmente nasceram num hospital ou Casa de Saúde do Porto ou doutro município mais ou menos vizinhos e lá passaram um ou dois dias e depois voltaram a Famalicão, onde cresceram e deram os primeiros passos. Famalicenses são também os que tendo nascido e crescido fora do concelho aqui se radicaram e radicam por largos anos (não se escolhe o lugar onde se nasce, mas pode escolher-se o lugar onde se reside) e famalicenses são também os que trabalham ou trabalharam até à aposentação no nosso concelho, sendo bem conhecidos pelos famalicenses. O JF continuará a dar espaço a todos eles.

(Em Jornal de Famalicão, 20/11/25 – texto revisto depois de publicado)

quinta-feira, 13 de novembro de 2025

Diversos da cidade e do município

INFORMAÇÃO – Obter informação do município, especialmente da câmara municipal, é difícil. Trata-se de um direito dos munícipes a que corresponde um dever da câmara a que esta procura fugir. As telefonistas são amáveis e diligentes, mas quem deve responder está quase sempre em reunião ou põe a burocracia a funcionar, mesmo para coisas bem simples.

REUNIÕES DA CÂMARA MUNICIPAL – Os vereadores do Partido Socialista requereram a transmissão pública das reuniões públicas quinzenais – e só destas – da Câmara Municipal. Quem teme essa transmissão?

TENDA  Junto à Casa das Artes foi colocada uma enorme "tenda" que acolheu mais de mil médicos, nos dias 29 a 31 de Outubro de 2025, num Encontro Nacional de Internos de Medicina Geral e Familiar da Zona Norte. Veja-se como ficou aquele espaço verde, depois de desmontada aquela estrutura. E quanto custou? E quem pagou?

MOBIAVE I – Continuo a ver muitos autocarros no centro da cidade. São mesmo muitos. Às vezes, quase em fila. No entanto, circulam vazios ou quase, seja qual for a hora do dia ou o dia da semana. Julgo que há aqui nos transportes urbanos qualquer problema que importa resolver com urgência. Também defendo o transporte público, mas é preciso que ele esteja bem organizado e seja devidamente publicitado. Terá sido dada pouca atenção à divulgação?

MOBIAVE II – No meio de tantas dezenas de autocarros, alguns tão grandes que até na cidade circulam com dificuldade, fazem falta miniautocarros que façam o circuito do centro da cidade. Desde que bem organizados, teriam certamente êxito. Facilitariam a circulação das pessoas, favoreceriam o comércio local e retirariam da circulação muitos automóveis.

PLÁSTICOS – É enorme a quantidade de plásticos que se acumulam numa casa que tenha o cuidado de os guardar para efeito de recolha selectiva, pois não é bom colocá-los na recolha diária indiferenciada da cidade. Devemos ter o hábito de reutilizar, nomeadamente sacos de plástico, e a Câmara Municipal deve fazer um esforço para reduzir os montes deles. Sabe a câmara quantas toneladas de plástico se produzem anualmente no nosso concelho? Ou não faz ideia?

ULS MÉDIO AVE – Noticiou a imprensa local que a Administração da Unidade Local de Saúde (ULS) do Médio Ave vai ser substituída. Não se sabe ainda quem lhe vai suceder. E devia. Uma mudança destas deveria ser devidamente explicada e fundamentada. De outro modo fica a dúvida sobre os motivos.

RUI ARAÚJO – Corrigindo um erro gráfico da minha responsabilidade, reafirmo que conto com Rui Araújo, um famalicense, com loja no Shopping Town, que bem conhece a história da nossa cidade, para dar uma informação mais detalhada do edifício da ex-Tipografia Minerva. Entretanto, tive a oportunidade de conhecer acidentalmente o dono do prédio e da breve conversa que tive com ele deu para perceber que o preza, possuindo documentação do maior interesse e quer que, no edifício recuperado, fique a memória daquele que é um dos prédios mais emblemáticos da nossa urbe.

FOTOS ANTIGAS DA CIDADE – Em alguns estabelecimentos da cidade podem ver-se boas fotografias de Famalicão antiga. Lembro dois, pelo destaque que a elas é dado: o Restaurante Moutados e o Centro de Medicina – Clínica Médica (junto da Loja de Cidadão). Neste pode ver-se uma foto (sem data) da Rua Adriano Pinto Basto tirada do lado sul (certamente junto do que é hoje a Confeitaria Moderna). Consegue-se ver que o pavimento é de pedra pequena (não são ainda os paralelos de granito de agora). Nota-se, por sua vez, do lado esquerdo, um carro de bois e parte da Pensão Vilanovense (que daria lugar, mais tarde, em fins dos anos 40 do século passado ao Hotel Garantia). Do lado direito pode ver-se o prédio que mais tarde acolheu a Ourivesaria Cunha, uma pequena fonte de água e um poste de iluminação bem alto, naquilo que era o antigo Campo da Feira. É importante termos a memória da cidade.

(Em Jornal de Famalicão, 13/11/25)

quinta-feira, 6 de novembro de 2025

A difícil gestão do concelho

FAMALICÃO – Temos dito e não nos cansamos de repetir: Vila Nova de Famalicão é um grande município em população e território. Tem mais de 200 km² e mais de 160.000 habitantes. Um município destes exige um governo muito qualificado. E um governo muito qualificado é uma câmara e um presidente de câmara que a maioria dos cidadãos reconheça como competentes para governar o município. De igual modo, exige-se uma assembleia municipal com eleitos que sejam reconhecidos como capazes de bem deliberar sobre os principais assuntos do concelho, desde o orçamento, ao Plano Director Municipal e a tantos outros importantes assuntos que são da sua competência. Não basta para tal ganhar umas eleições e ocupar tais cargos, pois bem pode acontecer que se ganhem as eleições não por estar à altura da responsabilidade do governo do município, mas apenas porque não apareceu uma alternativa melhor.

CUIDAR DO TERRITÓRIO – Recentemente tive a oportunidade de percorrer uma pequena parte do concelho e deu para verificar como é rico e bonito o território do nosso concelho, mas ao mesmo tempo como está a ser maltratado. Nós precisamos de indústrias, mas não devemos instalar uma indústria em qualquer sítio, muitas vezes dentro de um belo campo agrícola e sem vias adequadas para os movimentos de camiões e automóveis que depois exigem. Quantas vezes se deixam instalar e só depois se arranjam as vias, mais uma vez à custa de bons terrenos agrícolas? Também precisamos de habitações, mas elas não podem nem devem ser permitidas em qualquer lugar onde haja um pouco de terra, frequentemente em cima de curvas de estrada (ver, por exemplo, a EN 14 – Famalicão Braga), mas em locais adequados e servidos por meios de transporte. São tarefas difíceis, mas por isso mesmo se torna necessário um governo capaz.

PARTIDO SOCIALISTA I – O Partido Socialista (PS) tem o dever de ter presente que a riqueza do partido não está apenas no número de militantes, mas principalmente no número dos seus simpatizantes e votantes. Eles são em grande número e nele votaram nas últimas eleições locais mais de 27.000 (33,5%) E se não teve mais votos, perdendo as eleições, deve interrogar-se porquê e não deitar a culpa ao povo (aos eleitores). Foi, como diz um comunicado de oito conhecidos elementos do PS, uma oportunidade desperdiçada, não tendo aproveitado nem o mau governo da AD ao longo de quatro anos, nem a conhecida e grave crise do PSD, principal parceiro da coligação AD.

PARTIDO SOCIALISTA II – Os problemas do PS de Famalicão devem ser debatidos amplamente dentro e fora do partido. Circunscrever o debate aos muros da sede e aos militantes é errado. Temos o direito de saber quem são e o que pensam os militantes que pretendem governar o município.

PARTIDO SOCIALISTA III – O PS deve pensar no futuro e fazer, desde já, uma oposição de qualidade e esta faz-se estudando os problemas do concelho, apresentando soluções e criticando sempre que for de criticar (e não faltarão motivos) a actuação do actual governo. Isso não se faz com gritaria, mas com argumentos.

CEMITÉRIOS I – No dia 1 de Novembro de 2025 (sábado), os cemitérios à volta de Famalicão (os que visitei depois das 15h) estavam cheios de carros e com muita gente. Era impressionante, mesmo em freguesias pequenas. Desisti de estacionar, por exemplo, em Brufe, tal era a confusão.

CEMITÉRIOS II – No dia seguinte, 2 de Novembro (domingo), os mesmos cemitérios estavam praticamente vazios à mesma hora (parte da tarde). Que contraste, apesar de ser domingo e dia dos Fiéis Defuntos!

CEMITÉRIOS III – No cemitério municipal de Famalicão foram cortados os cedros do lado Sul (o lado oposto à entrada principal) e ficou tudo cimento e mármore. Coloquem, ao menos, em vez dos cedros, árvores de folha perene, tais como oliveiras ou outras. Os cemitérios não devem ser um deserto de vegetação. Árvores são vida e são precisos sinais de vida nos cemitérios. Esses sinais têm um significado para os crentes e para os não crentes.

CEMITÉRIOS IV – Fiquei a saber que o primeiro cemitério ao ar livre de Vila Nova de Famalicão foi instalado em 1865 (30 anos depois da criação do nosso concelho), na rotunda da Avenida 25 de Abril (em frente à actual Escola Secundária D. Sancho). Um jazigo no actual cemitério municipal informa sobre esse facto e sobre o benemérito que o financiou.

TIPOGRAFIA MINERVA – O edifício da Tipografia Minerva, junto da Praça 9 de Abril, está a ser objecto de obras para consolidar a fachada principal, o que se saúda. Esperemos que este prédio tenha a atenção que merece. Os serviços de Cultura do município têm – ainda bem – uma descrição dele, mas incompleta. Conto com o Rui Araújo, um famalicense, com Loja no Shopping Town, que bem conhece a história da nossa cidade, para descrever melhor aquilo que, segundo parece, até chegou a ter cinema.

(Em Jornal de Famalicão, 06/11/25 – texto revisto depois de publicado)

quinta-feira, 30 de outubro de 2025

Os eleitos estão ao nosso serviço

TOMADA DE POSSE – Tomaram posse no passado domingo, dia 26 de Outubro de 2025, na Casa das Artes, os membros eleitos para a câmara municipal e para a assembleia municipal do município de Vila Nova de Famalicão durante o período de quatro anos (2025-2029). Mandam as boas regras da democracia desejar aos agora empossados um bom mandato para bem do nosso concelho. É o que faço sem reservas, sabendo que os famalicenses só têm a lucrar com um bom desempenho de ambos os órgãos.

PRESTAÇÃO DE CONTAS – Importa ter bem presente que os eleitos agora empossados são representantes de todos os famalicenses (de todos e não apenas daqueles que neles votaram) e, como representantes que são, não são donos do poder que exercem. Donos continuam a ser os famalicenses e os eleitos (os membros da câmara e da assembleia) estão ao seu serviço e têm o dever de lhes prestar contas do modo como exercem o poder que lhes foi conferido. Prestar contas ao longo do mandato e não só no fim, como alguns pensam, erradamente. Prestar contas é, desde logo, e como as duas palavras dizem, informar os famalicenses, sempre que estes o requeiram, sobre a forma como estão a exercer o mandato que lhes foi conferido (o que estão ou não a fazer e o modo como o fazem). A democracia assim o exige e também por isso não há outro regime que se lhe compare.

CRÍTICA – Em democracia há liberdade de crítica. Criticar é não só um direito, mas também um dever, pois tem o dever de criticar quem entende que os seus representantes, num ou noutro assunto, actuam mal.

PARQUE DE GAVIÃO  Com o nome indevido de Parque Sinçães Norte decorrem trabalhos no mini-parque verde de Gavião, ladeado a nascente pelo Bairro Cardeal Cerejeira, a poente pelos "pavilhões" do LIDL e do Continente, a norte por um prédio que torna ainda mais pequeno o pequeno parque e a sul por prédio construído sobre o curso de água que atravessa o parque de norte para sul. Tem lá a indicação de que é uma obra a cargo do município com o custo de cerca de 2 milhões de euros. Tanto dinheiro para um parque tão pequeno! E quanto tempo vai demorar a ser feito? Lá nada diz e devia.

CENTRO DA CIDADE À NOITE – À noite, mesmo no Verão e em noites aprazíveis, o centro urbano da cidade é um deserto. Contam-se pelos dedos as pessoas que nele circulam a partir das 21h. Aliás, também estão fechados, desde muito cedo, os poucos estabelecimentos que poderiam atrair gente. Não houve articulação entre a "renovação" do centro urbano e o comércio daquela zona.

ESTAÇÃO FERROVIÁRIA  Causa dó ver o estado da nossa estação ferroviária. Aquilo que poderia ser algo ao nível da Estação da Trofa ou de Braga ficou ao nível de Nine e mesmo Ermesinde, tendo esta a seu favor escadas rolantes. Nós não temos escadas rolantes nem elevadores especialmente para pessoas com mobilidade reduzida (que têm um longo caminho a percorrer para chegar à linha pretendida) e temos miseráveis parques de estacionamento. Aquele que foi prometido no lado esquerdo da estação, com capacidade para 300 automóveis, coberto e com ligação subterrânea directa à estação, lá está ao ar livre, albergando pouco mais de 100 automóveis e obrigando as pessoas a uma subida íngreme para chegar à rua e depois à estação. Existem ainda, adjacentes a esta, três pequenos parques, costumando o maior deles e mais bem situado (lado sul da estação), com capacidade para pouco mais de 40 automóveis, estar maltratado porque sujo e ocupado por quem não devia, com a complacência da câmara e da IP (Infraestruturas de Portugal).

MINERVA – Parece que estão a decorrer obras para segurar a fachada, pelo menos a fachada, do edifício da histórica Tipografia Minerva (junto da Matriz Velha, na saída para Calendário) que ameaça ruir. Tentei obter informação junto da câmara, mas sem êxito. Obter informação da câmara é complicado.

MUDANÇA DA HORA – Entrou a hora de Inverno e é minha opinião que esta hora deve manter-se todo o ano, acabando com as duas mudanças de hora anuais. Esta é a melhor hora para o Inverno e para o Verão também serve. Até quando? É obrigatório ler a "Carta ao Director" publicada no jornal Opinião Pública (29/10/25) com o título "Até quando?2, subscrita por oito militantes do Partido Socialista onde pode ler-se, entre outras, a seguinte passagem: "As eleições autárquicas de 2025 foram uma oportunidade histórica e desperdiçada". O PS, pelo que se vê, está vivo e isso é bom para o nosso concelho.

(Em Jornal de Famalicão, 30/10/25)

quinta-feira, 23 de outubro de 2025

Edifício Tipografia Minerva

PROBLEMAS DO CONCELHO – São tantos os problemas do concelho que podem e devem ser resolvidos pela importância que têm que não podemos nem devemos ignorá-los. E infelizmente ignoramos muitas vezes.

TIPOGRAFIA MINERVA – Eu já sabia que o edifício da Tipografia Minerva corria riscos, mas o que não sabia é que a protecção que lá colocaram não protegia nada. Está colocada do lado errado ou pelo menos é preciso colocar uma do outro lado. Fiz diligências junto da câmara para agir em tempo, utilizando os meios que tem ao seu dispor. Veremos.

CARTAZES – Já é tempo de retirar os cartazes e painéis relativos às eleições locais de 12 de Outubro de 2025. Temos o direito de ver as ruas, avenidas, rotundas e outros locais livres de publicidade.

PUBLICIDADE COMERCIAL  Já basta a publicidade comercial que é também ela excessiva e deveria ser regulamentada para a reduzir. A publicidade excessiva ao ar livre, nos recintos desportivos, na rádio e na televisão e noutros locais, sem esquecer as redes sociais, é uma autêntica praga.

PONTO VERDE – Li numa publicidade da sociedade Ponto Verde que interessa ler (também há publicidade positiva) que "7 em cada 10 portugueses já separam as embalagens. Mas destes, só 1 é que separa mesmo bem". E acrescenta "Vamos mudar isso? Vê como separar melhor as embalagens em ponto.verde,pt" (Público, 20/10/25). Precisamos de separar mesmo bem as embalagens que inundam à nossa volta.

ANÁLISE DOS RESULTADOS – Os resultados das eleições de 12 de Outubro no nosso concelho deveriam ser objecto de uma atenta análise. Bem gostaria de a fazer se fosse jornalista e tivesse tempo. Temo que essa análise não seja feita, apesar de termos cinco (5) jornais locais. Essa análise faz falta e não é difícil de fazer. Apenas requer tempo.

CHUVA – Chove fortemente nesta tarde de terça-feira, dia 21/10/25. A chuva surgiu desde domingo, depois de um longo período de seca. Para muitos já aborrece, mas é muito necessária. Lembro-me sempre nestas alturas do médico veterinário Dr. Pinguinha (só uma, como costumava dizer quando lhe chamavam Pinguinhas). Criticava quem se insurgia contra a chuva, dizendo que "água é vida" e tinha toda a razão.

ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS – Vale a pena ouvir o podcast do Observador, A Eleição Mais Louca de Sempre, sobre as eleições presidenciais de 1986 em que foram candidatos Maria de Lourdes Pintassilgo, Francisco Salgado Zenha, Mário Soares e Diogo Freitas do Amaral. Basta navegar na net, pois está livremente disponível.

PLÁSTICOS – É impressionante a quantidade de plásticos que invadem as nossas casas, os estabelecimentos comerciais e outros, as terras e os rios. É preciso lutar contra essa invasão.

SIRVA – O Sistema Intermunicipal de Resíduos do Vale do Ave é a nossa LIPOR. Trata os resíduos de Fafe, Guimarães, Póvoa de Lanhoso, Póvoa de Varzim, Santo Tirso, Trofa, Vieira do Minho, Vila de Conde, Vila Nova de Famalicão e Vizela. Trata-os bem? Melhor ou pior que a LIPOR?

(Em Jornal de Famalicão, 23/10/25)

quinta-feira, 16 de outubro de 2025

Eleições, mas não só

FESTA DO VOTO – O dia de eleições é um dia especial e as pessoas acorrem às mesas de voto em grande quantidade. É bom ver, como vi e ouvi, pais com filhos ainda muito novos dirigirem-se ao local do voto, dizendo-lhes que poderão também votar um dia quando tiverem 18 anos. Poderíamos chamar a esta movimentação uma romaria, uma celebração ou procissão laicas, mas talvez a palavra mais apropriada seja festa. Festa do voto livre e universal. Celebração da democracia. Em Famalicão cidade vota-se, em regra, acima da média nacional. Assim sucedeu este ano no dia 12 de Outubro de 2025.

PREVISÕES E RESULTADOS – Dizia, na semana anterior, que iria fazer previsões dos resultados eleitorais e assim fiz, escrevendo o seguinte texto: "É difícil prever o resultado das eleições de amanhã e haverá surpresas como de costume. Para a Câmara Municipal de Famalicão prevejo o seguinte resultado: PSD (PSD/CDS) – 6 vereadores; PS – 4 vereadores; Chega – 1 vereador. Mas não me admira um resultado: PSD – 5; PS – 4; Chega – 2 Fora disto são, para mim, surpresas. E sei que há muitas pessoas que apostam num bom resultado do PS dada a campanha eleitoral em termos de propaganda". Como resulta daqui acertei na previsão primeira. A lista PSD/CDS perdeu um vereador para o Chega e o Partido Socialista ficou na mesma.

CAMPANHAS I – As campanhas dos dois maiores partidos foram muito personalizadas por razões diversas. A do PSD (Mário Passos) por motivo da crise interna do partido. A do PS (Eduardo Oliveira) por vontade demasiado evidente do líder concelhio.

CAMPANHAS II – Campanhas personalizadas e muito caras, especialmente a do PS. Temos o direito de saber quanto custou cada uma delas. A democracia assim o exige. Saber não o custo anunciado oficialmente, mas o custo real. Temos esse direito, mas tenho a certeza de que as listas não vão cumprir o dever correspondente.

VITÓRIA – Foi clara a vitória da lista de Mário Passos, conseguindo a maioria absoluta e a grande maioria das juntas de freguesia.

DERROTA – Muito clara foi, por outro lado, a derrota da lista de Eduardo de Oliveira. Para quem aspirava à "Mudança" constantemente apregoada, manter o número de vereadores (4 em 11) e conquistar apenas 6 freguesias ( são 39) obriga a tirar consequências sem demora. É o PS que precisa de "mudança" interna.

PS – Se o PS não fizer uma profunda reflexão interna pior para ele e para todos aqueles que prezam o socialismo democrático. Como afirmou Paulo Pinto na Fama TV em comentário na noite das eleições: "os resultados (do PS) ficaram muito aquém do esperado".

MESAS DE VOTO NA CIDADE – A concentração de mesas de voto da cidade na Escola da Rua Conde de São Cosme do Vale precisa de ser revista. O dia das eleições locais de 12 de Outubro de 2025 decorreu num dia de Sol, mas se estivesse de chuva tudo se complicaria ainda mais. A rua não tem saída, é estreita e não suporta o trânsito automóvel que nela se concentra nestes dias. A rua deveria ser utilizada apenas pelos moradores e por veículos que transportassem pessoas com mobilidade reduzida. O estacionamento na Rua Manuel Pinto de Sousa deve ser reservado em dias de eleições a eleitores e por tempo limitado. Não é difícil regulamentar isso.

CAMILO E OS CTT – Os CTT acabam de editar um livro, de que é autor José Manuel de Oliveira, comemorativo do bicentenário do escritor. Tem o título Lugares da Vida e da Ficção em Camilo Castelo Branco e uma excelente apresentação gráfica. Vale a pena adquiri-lo e mais ainda lê-lo, devagar, dando atenção também às muito ricas ilustrações. José Manuel de Oliveira encerrou recentemente uma série de 12 textos sobre Camilo no Jornal de Famalicão que bem merecem ser publicados em livro. Esperemos que tal suceda muito em breve.

RELIGIÃO – Num tempo em que se liga prática religiosa a velhice, foi significativo ver milhares de jovens escuteiros na cidade no dia 4 de Outubro de 2025, provenientes da arquidiocese, e ver também, no dia 11 de Outubro, a Matriz Nova superlotada, assinalando o início da catequese de 2025. A quantidade de crianças e de pais, também novos, impressionava.