quarta-feira, 28 de fevereiro de 2024

Carta aberta à câmara municipal e ao seu presidente

Esta carta aberta dirigida à Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão e ao seu presidente foi provocada pela recusa deste a participar numa sessão pública, para que foi convidado, que estava a ser preparada para o dia 1 de Março de 2024, para debater a urbanização da cidade e, em particular, a urbanização que está a realizar-se junto do tribunal judicial.

Tenho acompanhado a evolução desta urbanização, que veio implantar-se no espaço de uma quinta agrícola com bons terrenos, desde há cerca de 40 anos. Ainda me lembro do saudoso José Marinho me mostrar um projecto de arquitectura que elaborou e que preenchia aquela quinta de prédios de habitação com um número razoável de pisos devidamente espaçados. Era então a urbanização da Quinta dos Machado Guimarães, salvo erro.

Depois disso, a quinta permaneceu abandonada até à construção do tribunal judicial, há alguns anos, na parte norte da mesma, ficando a parte restante para preencher, esperava-se, principalmente com habitação e, secundariamente, com comércio, para além de um parque urbano. Não foi, no entanto, o que sucedeu.

Contra a opinião de muitos famalicenses, o largo espaço da quinta está a ser preenchido, na sua parte mais extensa e mais nobre, junto da Avenida Pinheiro Braga, com duas superfícies comerciais, uma colada à outra. Uma já está a funcionar: o Lidl. Outra está em construção, uma enorme edificação, pela empresa DST. Para os fins exclusivamente comerciais que terá, diz-se a marca Continente. No lado nascente da quinta ficará um pequeno parque público ao longo de um ribeiro, parque que, neste momento, é apenas uma faixa de terra revolvida que vai estreitando para norte até junto do tribunal. O espaço para habitação é, por fim, meramente residual.

Estas duas superfícies comerciais juntam-se a uma outra, adjacente ao Lidl, que é o bem conhecido E.Leclerc (lado poente da Avenida) e ainda a outra que está prevista para poucas centenas de metros daquele local, junto ao hospital, e que será, segundo se diz, para o Pingo Doce ou outra cadeia comercial semelhante.

Quatro superfícies comerciais concentradas no centro da cidade são exactamente o que a câmara municipal considera mais necessário e apropriado para fazer da sede do concelho uma grande urbe comparável às maiores do país!

É isso o que se contesta e é para isso que se pretende realizar uma sessão pública, depois de obtida completa informação sobre a história desta urbanização, que, se não tiver como efeito a reversão do mal feito, pelo menos poderá contribuir para que se corrija o que for de corrigir e para prevenir erros futuros. Tudo isto sem prejuízo de a câmara municipal e o seu presidente, que para tal serão convidados, comparecerem e provarem que a melhor solução para a cidade é a que está em curso.

O desafio está lançado, lembrando que debates como este deveriam ser prática normal, em qualquer município do país, com democracia local consolidada.

Vila Nova de Famalicão, 26 de Fevereiro de 2024

António Cândido de Oliveira (em colaboração e com apoio da Associação Famalicão em Transição)

(Enviado para o Opinião Pública de 28/02/24 e para outros jornais)

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2024

Reabilitação urbana

GARANTIA – As obras do ex-Hotel Garantia parecem ir em bom ritmo e isso é boa notícia. As obras perturbam muito a circulação no centro da cidade e quanto mais rápidas correrem melhor. Isso interessa até para ver como vai ficar o edifício, pois só depois de pronto poderemos avaliar o impacto que terá.

REABILITAÇÃO URBANA – Já não é boa notícia a situação de abandono ou não utilização de muitos prédios na cidade. Assim sucede, desde logo, no prédio propriedade da câmara (o que é ainda mais grave) situado na Rua Adriano Pinto Basto, ao lado do Arquivo Municipal Alberto Sampaio. Outros prédios abandonados, degradados ou sem utilização situam-se na esquina da mesma Rua Adriano Pinto Basto com a Av. Narciso Ferreira (o prédio colorido), no redondo da Av. Narciso Ferreira com a Rua Alves Roçadas (que se passa?), tudo sem esquecer o prédio junto do mercado (antigos Armazéns Martinho Carneiro) e ali próximo também o prédio da ex-Residencial Francesa. E estes são apenas alguns. Era necessário ter uma lista dos prédios degradados na cidade.

CÂMARA MUNICIPAL – Não se diga que o município não pode fazer nada, porque não é verdade. Pode pôr em marcha uma política activa de reabilitação do centro urbano, pode conversar com os proprietários e pode, desde logo, dar o exemplo no prédio que lhe (nos) pertence na Rua Adriano. Para além do seu poder de influência, a câmara tem ainda instrumentos fiscais ao seu dispor e que pode utilizar.

AVENIDA PINHEIRO BRAGA – Neste momento há duas avenidas Pinheiro Braga: uma bem desenhada desde a rotunda até ao tribunal e outra desde o tribunal até à rotunda da variante. Vejam a diferença. A primeira bem desenhada e pronta; a segunda, confusa, em obras que mal avançam e que não se sabe quando terminarão. De quem é a responsabilidade?

TRANSPORTES URBANOS – Parece-me que há que dar mais informação sobre o funcionamento dos transportes urbanos no nosso concelho. Os meios de comunicação social locais têm aqui um papel a desempenhar, procurando ouvir os utentes. A ideia que fica é que as coisas não estão a correr bem. Mas não estarão mesmo? Informação, precisa-se.

VOLTAS – Um dos mais curiosos e bonitos veículos dos transportes urbanos é o Voltas, que faz o circuito urbano. Vejo-o passar na Rua Cupertino de Miranda vindo da rua Ana Plácido,  vazio ou quase. Será sempre assim?

SESSÃO PÚBLICA – A sessão pública sobre a urbanização da cidade e, particularmente, da zona do tribunal está em preparação. Está pedido o auditório da Biblioteca Municipal para o dia 1 de Março de 2024 (sexta-feira) entre as 18h e as 20h. Conta-se com a presença de uma representação da câmara, com a participação dos promotores imobiliários, da ACIF, de eleitos locais, dos meios de comunicação social e dos famalicenses que desejam o melhor para a nossa cidade. Todos serão convidados. É a democracia local a funcionar.

(Artigo enviado para o jornal Opinião Pública de 21/02/24, mas não publicado)

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2024

A fúria das superfícies comerciais no centro da cidade

INFORMAÇÃO – Precisamos de mais informação para compreender a verdadeira justificação da fúria (assim nos parece) da construção de superfícies comerciais no centro da cidade. Não bastavam as que já existem e a que está prevista para junto do hospital, atrofiando-o. Agora, a fúria estendeu-se para o lado nascente da Avenida Pinheiro Braga e, depois da rapidíssima construção e entrada em funcionamento do Lidl, está a surgir também a toda a velocidade uma superfície comercial (retail park?),  ocupando o espaço entre o tribunal e o Lidl.

HABITAÇÃO – Foi para muita gente uma surpresa, pois esperava-se ali, naquele lugar bem nobre, a construção de habitações que viessem aumentar a oferta na cidade. Não! Em vez disso, é uma "construção monstro" que está a erguer-se a toda a pressa para albergar o supermercado Continente e lojas comerciais adjacentes, com largo espaço de estacionamento coberto e à superfície.

SERVIÇOS PÚBLICOS – Também havia quem defendesse, desde há muito, que aquele local estava bem indicado para uma larga praça de serviços públicos onde os famalicenses pudessem facilmente ir ao tribunal, às finanças, às conservatórias, aos notários, à Loja do Cidadão e até a alguns serviços camarários que andam, e vão continuar a andar, dispersos. Nem pensar! Fica o tribunal isolado e já é muito bom!

SESSÃO PÚBLICA – Está a preparar-se para breve, em local, data e hora a indicar, uma sessão pública para tentar esclarecer a razão de tais decisões. Os famalicenses precisam de estar bem informados sobre o que se faz na sua cidade, que todos queremos que se desenvolva bem e de forma harmónica. Seguramente, a câmara e os promotores imobiliários darão as explicações a que temos direito, defendendo as suas ideias. Assim se praticará a transparência e a democracia.

PARQUE NORTE – E será uma boa oportunidade para abordar a construção prevista do Parque Norte da Cidade, situado a nascente junto do bairro de São Vicente.

JORNAIS – Entre Famalicão e Santo Tirso, dois municípios vizinhos, há uma diferença que não deixa de ser curiosa e de merecer reflexão no que respeita aos jornais impressos. Entrei no maior quiosque de Santo Tirso (perto da Pastelaria Moura) e encontrei três jornais locais à venda bem expostos: Jornal de Santo Thirso, Entre Margens e o Jornal do Ave. Estes jornais são quinzenais e pagos. Comprei o Jornal do Ave por me ter sido indicado como dos mais vendidos. Em Famalicão temos impressos apenas um jornal pago, que é o Jornal de Famalicão, e dois jornais gratuitos, O Povo Famalicense e o Opinião Pública. São todos semanários. Mensalmente sai o Cidade Hoje, também gratuito.

JORNAL DO AVE O Jornal do Ave (08/02/24),  que só abri em casa, surpreendeu-me. Embora tendo sede em Santo Tirso, dedica bom espaço a Famalicão. Logo, a nobre página 3 é toda publicidade colorida dada ao Carnaval de Famalicão. Nas páginas 4, 6, 11, 15 (página inteira) e 18 há notícias sobre Famalicão. É difícil encontrar este jornal na cidade. Porquê?

(Em Opinião Pública, 15/02/24)

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2024

Errei. Peço desculpa!

LANDIM (RIO PELE) – O rio que passa em Landim é o Rio Pele e não o Pelhe. Errei, pois, ao escrever na semana passada, neste mesmo espaço, o nome do afluente do Ave que atravessa uma das mais emblemáticas freguesias do nosso concelho. Peço desculpa, pois tinha obrigação de ter mais cuidado!

RIO PELE – O Rio Pele nasce em Guimarães, na freguesia de Leitões, passa efectivamente por Landim e outras freguesias até desaguar no Rio Ave, já no concelho de Santo Tirso.

RIO PELHE – O Rio Pelhe, por sua vez, nasce na freguesia da Portela do nosso concelho e mantém-se dentro dele até à foz, passando por Telhado, Vale de São Cosme, Gavião, Vila Nova de Famalicão, Antas (atravessando o Parque da Devesa), Calendário, Esmeriz e desaguando no Ave na freguesia de Lousado. Não passa por Landim.

RIO AVE – Ambos são afluentes do Rio Ave, que nasce na Serra da Cabreira, passa pelo nosso concelho e desagua em Vila do Conde. Os principais afluentes deste rio são o Vizela e o Este (bem nosso conhecido).

URBANIZAÇÃO NORTE (AV. PINHEIRO BRAGA) – Nunca imaginei que na urbanização Norte da cidade, no lado nascente da Avenida Pinheiro Braga, lado nobre desta excelente avenida, iríamos ter duas superfícies comerciais praticamente ligadas uma à outra. Mas vamos ter e é o que merecemos como famalicenses submissos que somos. Voltaremos a este tema.

PARQUE NORTE DA CIDADE – Vou seguir mais de perto também a prometida construção do Parque Norte da cidade. Correrá, ao que julgo, em paralelo às superfícies comerciais referidas entre o regato (como se chama?) que corre junto do Bairro de São Vicente e a rua nova que, no sentido sul-norte, o separa das superfícies comerciais. Tem ali espaço para um parque que poderá compensar de algum modo (mas só de algum modo), desde que utilizado por inteiro, o que se fez e está a fazer do lado poente.

SILÊNCIO – Custa assistir ao silêncio dos eleitos locais (vereadores e membros da assembleia municipal) e dos meios de comunicação social perante o que se está a passar. Numa democracia local normal, pelo menos a oposição, melhor, as oposições, já teriam falado e saberíamos pelos meios de comunicação locais os detalhes desta muito estranha urbanização.

TEMPO SECO – Escrevo este trecho no domingo à tarde (04/02/24) e está um sol quente próprio da Primavera (e já avançada) e não do Inverno, que é a estação em que estamos. Isto acontece desde há semanas. Vem-me à lembrança os ditados populares "Senhora das Candeias a rir, está o inverno para vir" e "Fevereiro quente traz o diabo no ventre". Esperemos que, principalmente, este último não se concretize. Embora viva numa cidade, sempre me preocupou a falta de chuva. Sem ela não há vida.

MAGNÓLIA – Apreciem enquanto é tempo. Como ainda está bonita com as suas flores cor-de-rosa a enorme árvore (magnólia) junto dos Paços do Concelho (assembleia municipal). Agora tem flores apenas, depois virão as folhas, o que não é a regra. Esta árvore deveria ter junto dela uma placa, indicando não só o nome como a espécie e a idade (data da plantação, ainda que aproximada). É uma falha que não deveria ocorrer. Note-se que existem no concelho belíssimas magnólias cor-de-rosa e brancas.

quarta-feira, 31 de janeiro de 2024

Liberdade e Landim

ÁRVORES DA LIBERDADE – Decorreu no dia 25 de Janeiro de 2024, no jardim dos Paços do Concelho, a plantação da Árvore da Liberdade (carvalho alvarinho) em cerimónia que teve a participação da Comissão de Honra das Comemorações dos 50 Anos do 25 de Abril de 1974, da câmara municipal que reuniu nessa manhã e de um largo grupo de alunos de uma escola do concelho (Pedome). Assinalou-se, deste modo, o início das comemorações do cinquentenário da Revolução de Abril e o presidente da câmara Mário Passos salientou, nas palavras que então proferiu, que seria plantada em todas as freguesias do concelho uma árvore semelhante.

ZECA AFONSO – Também integrada nas Comemorações dos 50 Anos do 25 de Abril (a nível nacional),  a Casa das Artes acolheu, no dia 27 de Janeiro de 2024 (sábado), um espectáculo musical centrado na incontornável figura de Zeca Afonso, a que não assisti, mas que, segundo soube, foi largamente participado e decorreu com muito nível.

LANDIM – Fui no passado domingo, dia 27/01/2024, a Landim visitar um dos landinenses mais ilustres, advogado sabedor e sério, tendo sido também competente chefe dos serviços jurídicos da câmara municipal de Famalicão durante muito anos. Trata-se do Dr. António Pereira da Costa, amigo de longa data, com quem tive uma agradável conversa sobre assuntos diversos (também sobre animais, claro!), apesar dos problemas de saúde que frequentemente acompanham os que costumam chegar a uma certa idade.

LANDIM II – Ali junto passa o rio que atravessa a freguesia, nesta altura com muita água e porque a ponte não tem, como devia, o nome respectivo, tentei certificar-me de que aquele era efectivamente o rio Pelhe, como julgava. Foi uma surpresa! Perguntei a um jovem com cerca de 20 anos que me disse ser de Landim, mas não sabia o nome do rio. Perguntei também a um outro landinense que brincava à bola no parque desportivo, certamente com um filho, e também não sabia.

LANDIM III – Valeu-me ver gente ali perto junto das Três Capelas e fui parar junto da Barbearia Batista, onde se reuniu rapidamente um grupo de pessoas e a dúvida ficou desfeita. É, sim senhor, o Rio Pelhe! E quando critiquei a junta por não colocar ou tratar de colocar uma placa com o nome do afluente do rio Ave saíram em defesa dela, dizendo que havia muitas coisas para fazer na freguesia e que fez um bom trabalho junto do rio a jusante do lugar onde estávamos. Dali a conversa derivou para outros assuntos como o jornalismo (conheciam mal a imprensa local e, assim, o Opinião Pública, julgando alguns até que era um jornal pago); a política local (e o dono da barbearia disparou-me esta pergunta: "qual acha que foi melhor presidente da câmara, Armindo Costa ou Paulo Cunha?"); e também a política nacional foi abordada. Foi uma conversa animada sobre a qual muito haveria mais a dizer, mas o espaço neste jornal é limitado e o meu tempo também. A conversa terminou com um elogio meu à freguesia por ser Landim e não uma qualquer "união" e lançaram-me um convite informal para ir de novo a Landim na sexta-feira, dia 2 de Fevereiro, para ver a festa da Senhora das Candeias. Tentarei.

PARQUE NORTE – Continua sem se saber como vai ficar o Parque Norte da cidade, correndo em paralelo à Avenida Pinheiro Braga, mas afastado desta, pois fica junto do Bairro de São Vicente, acompanhando um ribeiro que vai desembocar no parque da Devesa, depois de um largo e triste trajecto subterrâneo. De que se está à espera para termos notícias dele? Já tarda muito. Bem disse neste jornal que naquela urbanização, em primeiro lugar e a toda a pressa, estava a construção da superfície comercial (Lidl) e o parque ficaria para o fim e sabe-se lá quando. A câmara municipal pouco se importa.

RUA SENADOR SOUSA FERNANDES – O passeio do lado nascente da rua Senador Sousa Fernandes (a antiga EN n.º 14, a seguir ao Supermercado Bandeirinha e até à rotunda de Santo António) merece uma visita. É raro ver um passeio tão largo na cidade!

DOIS LIVROS – Tenho a meu lado dois livros ligados a Famalicão que tenciono ler com atenção logo que puder. Trata-se de um livro de Luís Paulo Rodrigues, que me convidou para a apresentação na biblioteca municipal, e que adquiri com todo o gosto, com o título Cem Anos de Superação – A Eléctrica (1924-2024). Por sua vez, João-Afonso Machado e David Vieira de Castro ofereceram-me muito amavelmente o recentíssimo livro Camilo e os de Pindela. Parabéns aos autores, porque abordar temas da nossa terra é um dever de quem dela gosta.

quarta-feira, 24 de janeiro de 2024

Carnaval e não só

CARNAVAL MUNICIPALIZADO – Escrevia há pouco que a câmara de Famalicão iria gastar três milhões (3.000.000) de euros até ao fim do mandato em festas na cidade e justificava a soma. É pouco. Calculei por baixo. A câmara vai gastar mais. Já começa no Carnaval com cerca de 180.000 € (174.000  orçamentados que vão derrapar, como é habitual), grande parte deles gastos na cidade. Há quem ache bem e até o Partido Socialista bate palmas. Tenho pena e julgo que não estou só. É que há outras prioridades, podendo e devendo tirar-se parte do que se gasta em festas.

PRIORIDADES – Para quem tem dúvidas onde gastar boa parte desse dinheiro retirado das festas atrevo-me a indicar algumas, sendo que outras poderá haver também e igualmente importantes. Se tivesse que decidir lutaria por utilizar esse dinheiro para fazer fortes campanhas de prevenção contra o tabagismo (muita gente que fuma gostaria de deixar ou atenuar esse vício), contra a obesidade (assusta o número crescente de obesos), contra o alcoolismo e outras drogas (cada vez mais perigosas). Não acabaríamos com esses males, mas poderíamos e deveríamos atenuá-los fortemente e preveni-los. Teria particular atenção com os jovens famalicenses. Seríamos um concelho com melhor qualidade de vida e gente pronta para festas com saúde.

PUBLICIDADE – Mas não é só com festas que a maioria da câmara municipal (auxiliada pela oposição) prepara as próximas eleições. A publicidade com o nosso dinheiro é outra arma utilizada: os boletins de propaganda que regularmente saem descaradamente com o nome de boletins municipais. Acresce a publicidade pendurada nos postes de iluminação da cidade e arredores e a que é feita por outras diversas formas.

MEDWAY – Não é pouca coisa o que a MEDWAY projecta para Lousado. Trata-se de um "porto-seco" ("porto" porque vão lá aparcar, especialmente por via ferroviária, milhares de contentores de materiais. como acontece nos portos de mar, e "seco" porque é em terra e não junto ao mar) de grandes dimensões. Dizem que será o maior da Península Ibérica, sendo imperioso verificar o impacto sobre o território e as populações do nosso concelho. Este assunto não pode andar escondido, devendo haver sobre ele a máxima publicidade desde já. Obrigado, vereadora Dr.ª Augusta Santos, pela insistência com que aborda este assunto.

LESADOS DO TALVAI – Não gosto de actuações cívicas anónimas, embora compreenda que em certas circunstâncias elas se utilizem. De qualquer modo, fui visitar o edifício BioTalvai e o que mais me impressionou foi a forma como se urbanizou e está a urbanizar o melhor território da nossa cidade (virado a sul e num ponto alto). Aquela urbanização reprova todas as câmaras eleitas desde 1976 até hoje. E a actual vai pelo mesmo caminho.

ACIDENTES NA CIDADE – São muitas as informações que chegam sobre acidentes graves com peões na cidade. Passadeiras mal iluminadas e sem semáforos. Passadeiras junto de obras sem especiais cuidados como é devido e outras situações. Há ao menos um registo anual do número de acidentes e suas consequências? É muito importante para avaliar da gravidade do problema e do modo de o solucionar. Que andam a fazer as oposições na câmara e na assembleia municipal?

PÚBLICO – A Assembleia Municipal acaba de actualizar o seu regimento e teimou em manter a participação do público nas sessões para o fim das mesmas, demonstrando assim que preza pouco a participação dos famalicenses nos órgãos eleitos. Importa dizer que em muitos municípios já não é assim e o público tem o direito de intervir no início das sessões, determinando o regimento o período máximo de tempo a ele destinado. Parabéns à CDU e ao PAN pela luta que travaram contra tal desprezo pelo público.

IMPRENSA E INFORMAÇÃO – Abrir um jornal local e encontrar com destaque informação que directa ou indirectamente favorece a câmara municipal é uma probabilidade de mais de 90%. Igual probabilidade, mas agora desfavorável ao Governo, existe ao abrir um jornal nacional. Uns exageram no elogio, outros na crítica. Algo está errado, não está?

(Em Opinião Pública, 24/01/24)

quarta-feira, 17 de janeiro de 2024

A ULS (Unidade Local de Saúde) e a ampliação estruturada do nosso hospital

PRIORIDADE – Dos jornais locais da semana passada dei particular atenção às declarações do Dr. António Barbosa, director da ULS,  a Cristina Azevedo, directora do OP num destacado e bom trabalho jornalístico, como é timbre desta profissional.

ULS – Ficámos bem cientes de que entrou em funcionamento no dia 1 de Janeiro do corrente ano de 2024, no âmbito de uma reorganização dos serviços de saúde que abrange todo o país, a ULS (Unidade Local de Saúde) do Médio Ave que integra a prestação de cuidados de saúde primários e hospitalares numa só unidade de gestão, abrangendo o CHMA (Centro Hospitalar do Médio Ave), formado pelos actuais hospitais de Famalicão e Santo Tirso e os ACES (agrupamentos de centros de saúde) de Famalicão, Trofa e Santo Tirso. São mais de 2.000 trabalhadores.

170.000.000  – A partir de agora tudo o que diz respeito a prestação de cuidados de saúde do SNS (Serviço Nacional de Saúde) nesta região (presume-se os três concelhos acima referidos) é da responsabilidade desta ULS. Isso explica que o seu orçamento seja de mais de 170 milhões de euros, ou seja, mais do que todo o orçamento do nosso município (162 milhões de euros). É enorme a responsabilidade agora assumida por uma equipa dirigida pelo Dr. António Barbosa e pelo Dr. Luís Moniz e que tem como directora clínica a médica Dr.ª Violeta Ofélia Iglésias, a quem desejamos, para bem de todos nós, o maior êxito.

AMPLIAÇÃO ESTRUTURADA – Também o presidente da câmara municipal, Dr. Mário Passos, manifestou satisfação por esta nomeação e deseja muito que o nosso hospital receba as obras e as ampliações de que necessita, lembrando que o município está já a fazer a sua parte no domínio da saúde. A ampliação estruturada  do Hospital de Famalicão que faz título de primeira página e que o Dr. António Barbosa explica, dizendo que é preciso evitar o que aconteceu nas últimas décadas, "em que o hospital foi somando unidades que hoje não se articulam da melhor maneira", tem de merecer toda a atenção dos famalicenses.

RESPONSABILIDADES REPARTIDAS – Que a ampliação é necessária e deve ser bem estruturada não oferece dúvidas. O que importa é que ela seja a ampliação que o  bom funcionamento da ULS exige, cabendo aqui muito trabalho, não só à direcção da unidade, como ao município de Famalicão. O município de Famalicão tem aqui uma enorme responsabilidade, pois não podemos ter uma ampliação adequada do hospital e estrangulamentos à volta, com licenciamento de construções ou de actividades que provoquem mais aumento do trânsito.  

VISÃO QUE FAZ FALTA – Do que precisamos é de tráfego fluído e prioritário para as ambulâncias e pessoal que trabalha no hospital. Há lá espaço para habitações para médicos e enfermeiros e mesmo para edifícios de rectaguarda do hospital que tanta falta fazem. Outros municípios do nosso país assim têm feito. O que é preciso é visão larga por parte do nosso município e não continuar o atrofiamento que ocorreu nas últimas décadas a nascente e a poente do Hospital São João de Deus. Salve-se o que ainda for a tempo, contando com a colaboração dos particulares, que até bem podem ter vantagem nisso. Estejamos à altura das exigências que resultam da ULS que não estava prevista e surgiu agora.

OUTROS ASSUNTOS – Ficamos sem espaço para falar dos dinheiros atribuídos às festas do Carnaval, das queixas dos lesados do Talvai, do eco-parque de Cabeçudos, da residência para estudantes universitários, da ferrovia  e de  tantos outros. Problemas não faltam. Tempo e espaço para os tratar é que são escassos.

(Em Opinião Pública, 17/01/24)