quarta-feira, 28 de maio de 2025

Rotundas, festas, desleixo e lixo

ROTUNDAS – A nossa câmara é rica. Esbanja dinheiro em festas na cidade, mas, não contente com isso, resolve esbanjar dinheiro em rotundas. Exemplo disso é a rotunda da Avenida Marechal Humberto Delgado para a central de camionagem. Está em construção, mas já se vê pela pedra de granito e por outros arranjos que está ali muito dinheiro. Gastar muito dinheiro nas rotundas significa ter prioridades que não se compreendem. Em vez de rotundas caras não seria melhor, por exemplo, cuidar do piso das ruas e dos passeios?

ILUMINAÇÕES ANTONINAS – Desde o fim da semana passada (24/05/25) que o centro da cidade está inundado com as iluminações das Festas Antoninas. Vamos ter três semanas com gasto de luz, todas as noites. E para quê? São dias a mais e, ainda por cima, para praticamente ninguém ver, salvo nos fins-de-semana. Passem por lá e verifiquem. (E pede-se para poupar electricidade nas nossas casas!)

CANTEIROS DESOCUPADOS – A câmara municipal foi rápida a tirar árvores e arbustos da Rua Luís de Camões colocados em canteiros de árvores, desocupados  desde há anos, por cidadãos inofensivos. Porém, não tem nenhuma pressa em plantar árvores nesses mesmos canteiros e noutros igualmente desocupados da cidade. O desleixo abunda.

150 ANOS DE CAMINHOS DE FERRO – A abertura à exploração pública do troço entre Porto Campanhã e Nine ocorreu há 150 anos, mais concretamente no dia 21 de Maio de 1875. Nesse mesmo dia foi aberta à exploração pública o ramal de Braga (NineBraga). O nosso concelho não deu a esta efeméride a atenção devida e devia. Essa desatenção expressa bem o nosso alheamento da importância deste acontecimento e diz muito do pouco cuidado que continuamos a ter, por exemplo, com as modestas instalações das nossas estações de Famalicão e de Nine.

PAVILHÕES – Pululam pavilhões industriais ou afins por muitas partes do concelho. Parece que nascem como cogumelos. Haverá razões para tal, mas bem gostaria que não prejudicassem o ordenamento do território do nosso concelho e parece não haver esse cuidado.

SMART CITIES n.º 46 – A revista SMART CITIES – Cidades Sustentadas, n.º 46, merece particular atenção. A capa tem o título "Transição Alimentar  Comer Local para Semear a Mudança". Vale a pena ler o artigo que desenvolve este título (pp. 10-18). Mas há muitos outros textos desta revista com muito interesse. Pode lê-la gratuitamente na Biblioteca Municipal Camilo Castelo Branco da nossa cidade, que tem, aliás, como temos dito, jornais e revistas nacionais e locais à espera de serem lidas.

OBRAS NO PRÉDIO MUNICIPAL JUNTO DO EX-GARANTIA – Parece que começaram obras junto do edifício da Rua Adriano Pinto Basto, n.os 53-55-57. O que se vai lá fazer? Apenas algumas obras de fachada? Porque não se divulga nas páginas do município o que se pretende fazer ali?

EMBALAGENS – Já repararam na quantidade de embalagens que há numa qualquer superfície comercial? São embalagens cujo destino é o lixo. Embalagens tantas vezes para quantidades e para volumes muito pequenos. Embalagens até para comprar fruta, legumes ou pão. Seria preciso fazer tanto lixo? Não poderemos começar a diminuir? Pela minha parte, já levo várias vezes o mesmo saco para fazer compras e sempre que posso dispensar mais um, dispenso. Felizmente, outras pessoas já fazem o mesmo, desde há muito tempo.

JUSTIÇA CAMARÁRIA – A câmara municipal é muito justa na distribuição de publicidade pelos semanários locais. A um, dá uma página inteira de publicidade da Casa das Artes e vários editais de publicidade obrigatória; a outro, a mesma página inteira da Casa das Artes e editais de alteração ao trânsito; ainda a outro, que só aparece no fim do mês, publicidade das Antoninas e da Casa das Artes (páginas inteiras) e uma mão cheia de editais; finalmente, ao Jornal de Famalicão, nada,  ZERO. Justiça camarária!

(Em Jornal de Famalicão, 29/05/25)

quarta-feira, 21 de maio de 2025

Eleições legislativas e eleições locais

VENTURA OU MUJICA? – Precisávamos em Portugal da inspiração de um Mujica; saiu-nos um Ventura. Se não ouviu falar do Presidente Mujica, muito recentemente falecido, leia o discurso dele na ONU ou, também de muito fácil acesso, leia o texto publicado no jornal 7Margens, ambos disponíveis gratuitamente na net. Pode começar por este último. Vale bem a pena, a nosso ver!

RESULTADOS DAS ELEIÇÕES LEGISLATIVAS – Realizaram-se no passado domingo, dia 18/05/25, as eleições para a Assembleia da República. No território nacional (continente e ilhas) estavam inscritos 9.265.493 eleitores, tendo votado 5.965.446 (64,38%). Destes, 1.914.913 votaram AD (32,1%); 1.394.501 votaram PS (23,38%); 1.345.689 votaram CHEGA (22,56%) e 330.149 votaram Iniciativa Liberal (5.43%). Os restantes votos foram repartidos por outros partidos com menor expressão eleitoral e por votos brancos (1,44%)  e nulos (0,99).  A percentagem de abstenção foi, pois, de cerca de 36%.

RESULTADOS ELEITORAIS EM FAMALICÃO – Em Vila Nova de Famalicão estavam inscritos 121.257 eleitores, tendo votado 87.755 (72,37%). Votaram na AD 31.754 eleitores (36%), votaram no PS 21.556 eleitores (24,5%), votaram no CHEGA 19.242 eleitores (22%) e votaram na Iniciativa Liberal 5.516 eleitores(6,29%). Deste modo, a participação no nosso concelho foi, como de costume, muito mais alta do que no resto do país, situando-se a abstenção apenas em cerca de 28%. A repartição dos votos seguiu a repartição nacional com pequenas diferenças. Quem pretender saber com pormenor o que se passou no concelho basta pesquisar "cne resultados eleitorais 2025" ou clicar neste endereço.

APONTAMENTO – Os partidos que os famalicenses ao longo de 50 anos escolheram para manter o nosso sistema democrático que se cuidem, não deixando  de lutar e defender os valores que representam: a democracia baseada na dignidade da pessoa, procurando construir "uma sociedade livre, justa e solidária", como muito bem decreta o artigo 1.º da Constituição da República Portuguesa.

ELEIÇÕES LOCAIS – As eleições locais para os municípios e freguesias aproximam-se velozmente e é necessário que se apresentem bons candidatos para os respectivos órgãos. A este propósito importa dizer que não se podem transpor resultados das eleições nacionais para as eleições locais, mas aquelas são um elemento importante de reflexão. Onde há um bom número de votantes num partido ou coligação haverá mais possibilidade de eleger, no mesmo sentido, a nível local. Só tal não sucede quando os candidatos não estão à altura do partido que representam ou o partido não tem organização local. E atenção às listas de independentes, quando as houver.

PRAZOS – Até 55 dias antes da data das eleições devem ser apresentadas as listas para as eleições dos órgãos das autarquias locais. Estas deverão decorrer, nos termos da lei, entre 22 de Setembro e 14 de Outubro de 2025 e, por isso, as listas têm de estar prontas pelo menos até fins de Julho, princípios de Agosto. Se bem repararmos, restam pouco mais de dois meses para se preparam e apresentarem as listas. E para além do trabalho político que deve ser feito, há também muito trabalho burocrático para fazer.

(Em Jornal de Famalicão, 22/05/25)

quarta-feira, 14 de maio de 2025

Câmara e publicidade

DISCRIMINAÇÃO NEGATIVA – O director deste jornal deu-me conta da satisfação e alegria por ter recebido um anúncio de página inteira da câmara municipal sobre a Festa da Flor (a que, aliás, o Jornal de Famalicão já tinha feito referência destacada). Disse-lhe que não tinha razão para ficar tão contente, pois os jornais impressos da cidade receberam não só igual publicidade da Festa da Flor, mas também a da Casa das Artes (página inteira) e ainda mais um conjunto de editais, publicidade que é sempre muito apetecida. O Jornal de Famalicão foi discriminado negativamente mais uma vez, senhor director e senhora câmara!

FESTA DA FLOR – Decorreu com bom tempo, e muita gente, o cortejo da Festa da Flor no passado domingo. As ruas foram rapidamente limpas das centenas de milhar de pétalas que foram utilizadas e ficaram no chão. Não pude deixar de pensar nas abelhas e nos apicultores. Nas abelhas, que precisam das flores para o seu incansável trabalho, e nos apicultores. Sem prejuízo da festa, importa que a câmara municipal reserve uma parte do muito dinheiro gasto para apoiar os apicultores famalicenses que enfrentam tantas dificuldades para produzir mel. Como está a apicultura famalicense? Quantos apicultores temos? E como está a luta contra a vespa velutina? Alguém tem esta informação?

VALE A PENA – Vale pena, já o dissemos e agora repetimos, visitar a Biblioteca Municipal Camilo Castelo Branco (Parque de Sinçães) para ver e ler os jornais e revistas nacionais e locais que estão ao dispor dos leitores, no piso de entrada da biblioteca, gratuitamente e sem formalidades. Se tem algum tempo livre, não deixe de passar por lá. Comece a ter esse hábito.

JORNAIS DE 1985 – Também na mesma biblioteca e no mesmo piso, mas do lado direito de quem entra, está ao dispor, ainda que com algumas formalidades,  o denominado Fundo Local, constituído essencialmente por obras de autores famalicenses e pela colecção dos jornais concelhios. Consultei há dias, por vários motivos, estes jornais que se publicavam em 1985: A Voz de Famalicão e o Vila Nova, quinzenários entretanto findos; o Notícias de Famalicão, semanário  impresso, também findo; e, claro, o Jornal de Famalicão, semanário que se mantém vivo. Encontrei neles este curioso anúncio da câmara municipal de então:  "Se você pensa que tem o direito de criticar, engana-se… Tem o dever. Envie críticas e sugestões para a Câmara Municipal". Isto foi há 40 anos. A câmara municipal de hoje está de acordo? Faria um anúncio semelhante?

LAGO DE GODOS – Foi muito má a ideia da câmara municipal de, junto do lado sul do Parque de Sinçães, muito próximo da biblioteca municipal, gastar milhares de euros para fazer um lago de godos de praia com uns esguichos de água. E é triste, ao mesmo tempo, ver, do  lado poente-sul do mesmo lugar do parque e, numa extensão de 100 metros, apenas uma árvore plantada.

CONTENTORES DO LIXO  Já tinha reparado, mas chamaram-me mais uma vez  a atenção para o lixo que se acumula à volta dos contentores (ecopontos) na cidade e, certamente, fora dela. Na verdade, não tem sentido que não se cuide de atalhar o desleixo e, porventura, má informação dos cidadãos. A câmara tem pessoal (ou deve ter) para, por um lado, dar formação aos cidadãos sobre a separação dos lixos e, por outro, para retirar aquele que se vai acumulando fora dos contentores. Acresce que nesta cidade e concelho não se trata devidamente do problema da recolha dos resíduos dificilmente catalogáveis, muitos deles volumosos.

OBRAS DE CAMILO – Estejam os leitores atentos aos textos sobre as obras de Camilo Castelo Branco que o Doutor José Manuel Oliveira publica quinzenalmente neste semanário. Merecem leitura atenta.

(Em Jornal de Famalicão, 15/05/25)

quarta-feira, 7 de maio de 2025

Um milhão para as Festas Antoninas

FESTAS ANTONINAS – Que diria o leitor se o dono de uma quinta com uma boa casa, que está a meter água pelo telhado e a necessitar de obras, em vez de tratar de a reparar tivesse o hábito de chamar amigos e conhecidos para fazer grandes festas, nas quais gastava o dinheiro que bem falta fazia para a reparar? Diria certamente que estava a gerir mal o seu dinheiro. Ora, é algo parecido com isto o que está a fazer a nossa câmara municipal. Ela tem uma boa casa a degradar-se na Rua Adriano Pinto Basto, n.os 51-53-55, e em vez de cuidar de a reparar deliberou ainda há poucas semanas gastar cerca de um milhão de euros nas Festas Antoninas. E, pior ainda, continua a gastar muito bom dinheiro com outras festas ao longo do ano e o prédio que foi do Senador Sousa Fernandes e agora lhe pertence continua ali fechado e degradado encostado ao prédio em reabilitação do ex-Hotel Garantia. O empresário reabilita o património, o município degrada-o.

EX-PRESIDENTES DA ASSEMBLEIA MUNICIPAL – A homenagem aos ex-presidentes da assembleia municipal de Vila Nova de Famalicão foi uma iniciativa muito louvável da assembleia municipal e foi boa a ideia de colocar na sala de sessões as fotos dos ex-presidentes que estiveram à frente do órgão deliberativo do município. Bom será que no próximo ano a assembleia municipal, ao celebrar 50 anos de funcionamento, se lembre dos milhares de eleitos que por ela passaram, não colocando fotos, claro, mas fazendo, por exemplo, um pequeno e barato opúsculo contendo os nomes e naturalidade de todos os membros que passaram por este órgão. Coisa simples, mas que ficará registada para a história.

FALTA DE CAMAS NOS HOSPITAIS – Alguém com conhecimento de gestão hospitalar dizia-me recentemente que era inadmissível que se recusasse num hospital uma operação por falta de camas. E com os seus conhecimentos acrescentava que um doente numa cama de hospital custava por dia, só com alimentação e dormida, cerca de quatro ou cinco vezes mais do que num centro de cuidados continuados que poderia ser público ou privado. O nosso hospital continua a recusar operações de rotina, mas necessárias, por falta de camas. Que espera um concelho tão avançado como o nosso para ter instituições que prestem  cuidados continuados de qualidade para acolher pessoas que estão a ocupar camas que tanta falta fazem. Em vez disso, o nosso concelho empreendedor incentiva a criação de hipermercados ao lado do hospital.

JUIZ CONSELHEIRO SANTOS SERRA – Importa dizer e repetir que o nosso concelho tem uma riqueza humana que importa tornar bem conhecida. O lousadense Juiz Conselheiro Dr. Manuel Fernando Santos Serra faz parte dessa riqueza e o seu currículo bem diz do que fez pelo nosso país este famalicense, que ocupou durante mais de uma década o lugar de Presidente do Supremo Tribunal Administrativo num tempo em que se fez a maior reforma da justiça administrativa e fiscal do nosso país e para a qual muito contribuiu.

CAMILO CASTELO BRANCO – Nos últimos dias foram apresentados dois livros sobre Camilo que merecem toda a atenção. Camilo Castelo Branco – Viagens na Minha Terra, do Doutor João Paulo Braga, apresentado na Praça D.ª Maria II (Mercado do Livro) e Viajar Com… Camilo Castelo Branco, dos Doutores Aníbal Pinto Castro e José Manuel de Oliveira, apresentado na Casa-Museu de Seide.

PIPE'S BAZAR – Com tristeza, vemos que fechou na semana passada o Pipe's Bazar, de Manuel Malvar Azevedo, que marcou uma época da nossa cidade. Podíamos lá adquirir, para além do mais, jornais e revistas nacionais, bem como o Jornal de Famalicão, e ainda um largo leque de revistas e jornais estrangeiros de muito interesse. Era um quiosque que honrou a nossa terra, dirigido por Manuel Malvar Azevedo. Anuncia-se agora um novo quiosque com o nome Tabacaria Cravo. Esperemos que dê continuidade a este ramo do comércio.

PRAÇA VERMELHA II – Na semana anterior escrevemos sobre a falta de árvores na Praça 9 de Abril. Agora chamamos a atenção para um prédio existente nessa mesma praça com obras certamente embargadas por causa de um estranho piso de cimento apontado a Norte que precisa de uma intervenção urbanística adequada por parte da câmara. Aquilo é mesmo feio. Ao mesmo tempo, do lado poente, onde antigamente existia a Casa das Louças, está a ser reabilitado o prédio, esperando-se que tudo decorra como deve. As pedras da fachada foram retiradas, mas numeradas, e importa que retomem o seu lugar.

(Em Jornal de Famalicão, 08/05/25)

quarta-feira, 30 de abril de 2025

Famalicão: cidade/concelho aberta/o

CASA DA MEMÓRIA VIVA – A Associação Casa da Memória Viva trocou-me as voltas e em vez de escrever nomeadamente sobre o milhão de euros (!) que a câmara municipal deliberou atribuir às Festas Antoninas e sobre a homenagem aos ex-presidentes das assembleias municipais, realizada no dia 25 de Abril de 2025, tenho de centrar a atenção na "Conferência Famalicão", que decorreu no passado dia 26 de Abril na Fundação Cupertino de Miranda.

VIOLÊNCIA – Antes disso, importa deixar bem claro que distingo esta iniciativa dos acontecimentos do Verão Quente que a mesma associação fez recordar através de uma exposição fotográfica no Museu Bernardino Machado. O que se passou em Famalicão nos primeiros dias de Agosto de 1975 não dignificou a nossa terra. A violência que resultou do cerco ao centro de trabalho do PCP, causando duas mortes e o assalto a escritórios de advogados do nosso concelho, bem como outros incidentes, devem ser claramente condenados e reavivar a sua memória só tem sentido para renovar essa condenação sem reservas e lamentar a perda de vidas. Nem todos os meios foram legítimos para lutar contra um projecto político que se tentou impor a partir de 11 de Março de 1975 e que os portugueses rejeitaram, como demonstraram de forma bem evidente através dos resultados das concorridíssimas eleições de 25 de Abril de 1975 e das grandes manifestações meramente pacíficas que depois sucederam no país.

CONFERÊNCIA – Dito isto, o que se passou na Fundação Cupertino de Miranda no passado dia 26 de Abril com a conferência "Famalicão – Cidade Aberta", que foi muito além da cidade e bem se poderia designar "Famalicão – Concelho Aberto", merece claro aplauso. Com um programa bem preenchido, talvez pecando por excesso, desde as 9h30 da manhã até depois das 20h do mesmo dia foi possível assistir a intervenções de famalicenses (por naturalidade ou residência) que bem se têm destacado nos domínios do saber e do agir.

INTERVENÇÕES – Não pude assistir a todas as intervenções, mas aquelas a que assisti, e passo a enumerar, demonstraram a riqueza humana que o nosso concelho possui, nem sempre conhecida e muito menos aproveitada. Assim: a intervenção do professor João Cerejeira da parte de manhã sobre "As pessoas como factor de riqueza" e, da parte de tarde, as intervenções da Professora Helena Freitas sobre o nosso desenvolvimento, chamando a atenção para as fragilidades que o acompanham e a importância da "governança participativa"; do Eng.º Filipe Soutinho, que foi muito claro a dizer que Portugal é muito mau a planear e a gerir recursos, tirando daí naturais consequências também concelhias; a muito curiosa e polémica intervenção de José Carlos Bomtempo; e, versando a "comunidade famalicense", as bem concretas e adequadas intervenções do Coronel Bacelar Ferreira e do Engenheiro Carlos Couto.

E AGORA, FAMALICÃO? – No fecho da conferência decorreu um painel com intervenções de jovens famalicenses, também elas de muito interesse, tendo em vista o futuro. Ficámos a conhecer aspectos do pensamento da cientista Doutora Sara Silva Pereira, do gestor Dr. Yang Qi (grupo Mikado) e do músico, maestro e professor José Eduardo Gomes. Note-se que neste resumo brevíssimo por razões de tempo e espaço só mencionamos intervenções que ouvimos, chegando-nos informação também muito positiva sobre as restantes. Famalicão precisa de iniciativas como esta. Anote-se, entretanto, a ausência, com algumas excepções, de responsáveis políticos do governo e da oposição famalicense.

APAGÃO – O apagão de electrividade que atingiu Famalicão desde as 11h30 da manhã até às 21h50 (centro da cidade) do dia 28/04/25 deve ser objecto de reflexão sobre a sociedade em que vivemos. Como estamos dependentes!

(Em Jornal de Famalicão, 01/05/25)

quinta-feira, 24 de abril de 2025

Das eleições de há 50 anos ao Papa Francisco

ELEIÇÕES DE 25 DE ABRIL DE 1975 – Há 50 anos, em Vila Nova de Famalicão e no país, votou-se a 25 de Abril de 1975 para a Assembleia Constituinte. Foram uma eleições memoráveis porque, pela primeira vez na multi-secular história do nosso país, puderam votar livremente, sem discriminação, mulheres e homens com mais de 18 anos. Quem tem mais de 68 anos – e felizmente ainda há muitos milhares de famalicenses com essa idade – lembra-se provavelmente de ter votado nestas eleições.

FOTO – Procurei para este texto uma foto das enormes filas de votantes no concelho de Famalicão e não encontrei. Se alguém tiver, agradecemos o envio para o Jornal de Famalicão ou para o meu e-mail. Ainda que não seja publicada esta semana, não perde oportunidade e são fotografias que merecem ser vistas. A foto que hoje verão é de outro lugar do nosso país.

RESULTADOS A NÍVEL NACIONAL – Nessas eleições votaram mais de 90% (91,6%) dos eleitores inscritos, que eram na altura 6.231.372. O Partido Socialista foi o mais votado, com 2.167.972 votos (37,87%); o então PPD (agora PPD/PSD) foi o segundo, com 1.507.972 votos (26,39%); o PCP foi o terceiro, com 711.935 votos (12,46%); o CDS, o quarto, com 434.879 votos (7,61%); e o MDP/CDE, o quinto, com 236.318 (4,14%). Repare-se que estas eleições ditaram o que ainda hoje são os dois principais partidos portugueses.

RESULTADOS NO NOSSO CONCELHO – No nosso concelho, o partido mais votado foi o PPD, com 17.715 votos; o segundo foi o PS, com 16.451 votos; o CDS foi o terceiro, com 9.585 votos; o PCP, o quarto, com 1.750 votos; e o MDP/CDE obteve 1.542 votos. Repare-se que também em Famalicão os dois partidos mais votados foram o PPD e o PS, o que sucede ainda hoje, quer em eleições nacionais, quer em eleições locais, alternando o primeiro lugar. Infelizmente, por falhas na colecção dos jornais locais que se encontram no Fundo Local da Biblioteca Municipal Camilo Castelo Branco não podemos indicar elementos mais detalhados sobre a votação no concelho. Tentaremos encontrá-los no Arquivo Municipal, até porque temos a ideia de que a percentagem de votantes no nosso concelho foi superior à nacional.

PAPA DO SORRISO – Já se reparou que ao andar na rua e olharmos para as pessoas vemos muitas vezes caras fechadas, alheias, muitas vezes tristes, que só se abrem para pessoas conhecidas? E, no entanto, deveríamos andar, sempre que possível, de aspecto mais alegre e sorrir mesmo para pessoas que não conhecemos. É que o outro que passa por nós, seja quem for, é nosso irmão. Recolhi esta lição do Papa Francisco, que me "obrigou" a olhar para os outros de modo diferente.

LIVROS DO PAPA FRANCISCO – Se o leitor ou leitora, crente ou não crente, ainda não leu as Encíclicas Laudato Si', sobre o cuidado da casa comum, e a Fratelli Tutti – Todos Irmãos, sobre a fraternidade e a amizade social, leia porque vale a pena. Para quem já as leu e queira conhecer melhor Jorge Mario Bergoglio, leia Esperança: Autobiografia, recentemente publicada e muito bem escrita.

PAZ – Acredito que a paz no mundo é possível. Tudo o que vemos vai, no entanto, em sentido contrário. E daí? Baixamos os braços? Ficamos em silêncio? Não! Devemos fazer tudo o que estiver ao nosso alcance em favor da paz, por pouco que seja, e ainda que nos pareça de que nada vale. Não devemos perder a esperança!

(Em Jornal de Famalicão, 24/04/25)

quinta-feira, 17 de abril de 2025

Famalicão em movimento

ERREI! – Na semana passada, ao escrever que o jornal "bem-amado" da nossa terra recebeu da câmara municipal publicidade da Semana Santa de página inteira que saiu na última, errei, porque saiu, sim, mas na 3.ª página. Foi descuido meu e peço desculpa! Entretanto, pude verificar que a última página desse mesmo número estava já ocupada por inteiro com publicidade da Casa das Artes, ou seja, da câmara municipal. Afinal recebeu ainda mais publicidade camarária do que a que anunciei. Estou perdoado, julgo!

PUBLICIDADE – Seria interessante saber quanto gastou a câmara municipal em publicidade nos jornais do concelho e fora dele, com a devida justificação, ao longo do ano de 2024, para fazer um juízo sobre o comportamento da câmara neste domínio. Está claro que a câmara municipal não revelará essas quantias voluntariamente. Seria necessário chamar pela  CADA (Comissão Administrativa de Acesso aos Documentos Administrativos) e, depois, porque a câmara resistiria ao parecer favorável da CADA, seria necessário recorrer aos tribunais administrativos. Ninguém está para ter esse trabalho e custo, nem sequer a oposição, e é pena.

TAPA-MISÉRIAS – A cidade tem um conjunto de prédios degradados tapados por largos taipais de publicidade camarária que escondem a miséria que está por detrás. Outras misérias de prédios degradados estão, no entanto, bem à mostra. Veja-se, por exemplo, junto do renovado Mercado Municipal. A câmara não usa todos os diversos meios que tem ao seu alcance, desde logo os de persuasão, para acabar com esta miséria.

PRAÇA VERMELHA – A Praça 9 de Abril, denominada Praça Vermelha desde que foi coberta com tijolinhos vermelhos, é um lugar árido, onde ainda não estão plantadas as árvores que deveriam estar nos canteiros a elas destinados, actualmente  cheios de pedras. Em vez disso, a câmara arranjou lugar para "plantar" diversos candeeiros. O preço de um destes dava para plantar todas as árvores necessárias para embelezar a praça e amenizar o calor que dela salta no Verão.

RUA ANA PLÁCIDO – A Rua Ana Plácido precisa de uma atenção cuidada. Ela faz a ligação da Avenida Carlos Bacelar com o hospital, mas essa ligação está mal resolvida, servindo apenas uma faixa da avenida. Por outro lado, mal resolvida está a ligação desta rua com o Parque de Sinçães, que lhe fica em frente a poente. Importa dar a conhecer previamente o que ali se vai fazer. Note-se que esta rua muito movimentada tem edifícios muito altos a sul e a norte e não serve uma qualquer solução para os bem conhecidos problemas que enfrenta.   

PÁSCOA E PAZ – A Páscoa, neste ano de 2025, é a 20 de Abril. Muitos de nós, como de costume, aproveitamos este período para fazer férias e pouco nos importamos com os horrorosos sofrimentos que as guerras da Ucrânia e da Palestina provocam.

(Em Jornal de Famalicão, 17/04/25)