quinta-feira, 25 de setembro de 2025

Eleições locais (IV)

SINTRA – Havia problemas com o hospital: "Havia demoras de 11 horas, 10 horas. Não é possível. Então como é que a gente faz? Temos de ter um hospital aqui. Não é o grande hospital que muitos pensavam, mas lá se fez um hospital". O presidente da câmara de Sintra, Basílio Horta, perante as insuficiências do hospital e a não resposta do Estado não desistiu. O município fez um hospital em Sintra. Em Famalicão não se pedia tanto. Pedia-se que a câmara desse atenção ao hospital, lutasse seriamente pela sua ampliação, cuidasse de construir habitações para arrendar a médicos e outros profissionais de saúde, atraindo-os para trabalhar aqui, como temos dito, e pedia-se também que não tivesse a péssima ideia de colocar junto dele uma superfície comercial e muito menos de aumentar o trânsito à volta dele. A nossa câmara ao longo destes quatro anos interessou-se mais em gastar dinheiro com festas do que em cuidar da saúde hospitalar dos famalicenses.

TRÂNSITO – Está claro que os moradores do lado Norte da 9 de Julho (Santo Adrião e Talvai) precisam de aceder ao centro da cidade sem as dificuldades e os perigos  actuais, mas para isso basta uma rotunda na Rua 9 de Julho e descer por ela para o centro da cidade. O acesso ao hospital a partir dessa rotunda ficaria restringido a ambulâncias e não era necessário fazer as obras (uma avenida?) que a câmara aprovou, mas felizmente ainda não executou. Que a câmara que saia destas eleições tenha mais visão.

TRABALHO – Basílio Horta disse esta coisa pouco vulgar num presidente da câmara que foi eleito em três mandatos sucessivos: "eu tive um defeito no meu lugar: eu ligo-me pouco às pessoas no sentido da afabilidade, de estar muito com as pessoas nas festas e dançar e cantar e pôr as sardinhas a assar, o que é óptimo, o que é muito bom num presidente de câmara. Mas eu, com toda a franqueza, não fui capaz de fazer isso. Não tive categoria para fazer isso". Teve muita categoria ao proceder assim e provou que um presidente faz mais, trabalhando no seu gabinete e visitando o que deve visitar, do que gastar tempo em festas, procissões e idas a Fátima com os séniores. Deixem as idas a Fátima ou outros lugares para as freguesias.

IMIGRANTES – Em Sintra há muitos imigrantes. Que fez Basílio Horta (BH)?  Leiam: "Nós tratámos a imigração muito a sério, mas mesmo muito a sério. E o problema da imigração em Sintra ou em Lisboa é um problema nacional, não é um problema só local. No ano passado nós tínhamos aqui à volta de 50 e tal mil imigrantes. Tínhamos 14 associações. As associações que nós tínhamos cobriam a origem dos imigrantes todos, com excepção do Brasil, que não tinha associação. O resto tinha. Através das associações, a câmara tinha um programa, um programa que, aliás, era considerado um programa líder a nível europeu. Eu fui várias vezes a Bruxelas explicar o programa, que é um programa de acolhimento e integração de imigrantes". Em Famalicão, a .câmara nem sabe quantos imigrantes tem. Ou se sabe não o diz. E que acolhimento lhes faz? Devia aprender com a câmara PSD do Fundão, se não gosta da de Sintra.

OPOSIÇÃO – Sobre a presença de vereadores da oposição na câmara, BH, que defende essa presença, disse: "A oposição tem muitas coisas que uma pessoa não deve ouvir sequer. Mas tem coisas importantes para serem ouvidas. E nós não devemos deixar de as ouvir". Ouviram?

ACTAS E CONTAS – Em transição de mandato, municípios e freguesias, especialmente as freguesias, devem ter as actas e as contas devidamente organizadas, não aconteça que a câmara ou junta que lhe suceder encontre uma desordem que obrigue até os tribunais a intervir. Não são raros esses casos, infelizmente.

(Em Jornal de Famalicão, 25/09/25)

quinta-feira, 18 de setembro de 2025

Eleições locais (III)

SURPRESA – Em eleições, os resultados, por vezes, são uma surpresa. Dito isto, leia-se com essa reserva o que segue.

INCUMBENTE – É difícil vencer um presidente de câmara que se recandidata (incumbente – titular do cargo). Para que tal aconteça é preciso que o eleitorado que o elegeu esteja descontente e isso só sucede se tiver feito um mandato mau. Mas, mesmo assim, não chega, É preciso que o eleitorado considere que há uma alternativa credível.

PSD – Em Famalicão há um presidente que se recandidata e tem desde logo essa vantagem. Há uma clara crise no partido principal (PSD) da coligação que o apoia, mas muito provavelmente essa crise não terá muita influência no eleitorado, dada a contenção que o partido concelhio tem revelado. O mandato que agora acaba foi a meu ver mau, bastando ter presente o que tenho escrito ao longo destes quatro anos, mas não sei se o eleitorado que o elegeu pensa do mesmo modo e o pensamento deste é que conta.

PS – Por sua vez, o Partido Socialista aposta tudo em Eduardo Oliveira, uma aposta na mudança, tendo em conta que a Coligação PSD/CDS governa o concelho há quase um quarto de século. Será que Eduardo Oliveira, que está a vencer a batalha da publicidade de rua, convencerá o eleitorado famalicense? Este verá nele uma alternativa credível? Fica a interrogação.

CHEGA – Depois da votação nacional e no nosso concelho que o Chega obteve não é possível ignorá-lo. Será que o eleitorado vai votar Chega, mesmo sem ter em conta que estas eleições são locais? O que está em causa nestas eleições é o bom governo do município. Os eleitores pensarão o mesmo?

PROBLEMAS LOCAIS – São sem conta os problemas de um concelho grande como o nosso é. No entanto, não têm todos igual relevância. Vejamos alguns que são considerados particularmente importantes.

HABITAÇÃO – Dizem os candidatos que a habitação (a falta de habitação) é um dos principais problemas do concelho. Mas quantas habitações são necessárias? Os candidatos têm uma ideia aproximada dessa falta? Os famalicenses precisam de saber e, principalmente, o incumbente tem obrigação de informar. Não se exige um número rigoroso, mas um número aproximado, o mais actual possível.

MOBILIDADE – A mobilidade é outro problema. Problema sério se tivermos bem presente a larga quantidade de autocarros que chegam e partem da cidade praticamente vazios. A Mobiave parece um fracasso. Mas será? O que sabem e pensam os candidatos sobre essa matéria?

SAÚDE – A actual câmara mostrou desprezo pela situação do nosso hospital, que precisa de ter condições que não tem. A defesa de um hipermercado junto dele diz tudo. Quando teremos uma câmara que, em vez de um hipermercado, cuide de oferecer a médicos e enfermeiros casas para arrendamento ou aquisição a preços acessíveis para atrair e fixar pessoal de saúde? Mesmo que a pouco provável construção de um novo hospital avance, este não só vai funcionar durante largos anos, como depois não desaparecerá certamente.

IMIGRAÇÃO – Nós temos de saber lidar com a imigração que está aí, queiramos ou não. A primeira preocupação deve ser saber quantos imigrantes temos no concelho, onde estão localizados e o que fazem. Importa integrá-los do melhor modo possível e isso exige uma câmara atenta e capaz. Vejam o exemplo do município PSD do Fundão.

PESSOAL – O bom governo do município não se basta com a eleição de vereadores e membros da assembleia municipal. É da maior importância o pessoal que está ao seu serviço e, desde logo, o pessoal dirigente. Ora, como já temos dito não se compreende que havendo vários departamentos municipais (5?), só um tenha o respectivo director. Algo está mal.

PROGRAMA DO PAN – Está publicado e acessível na net o programa eleitoral do PAN com o título "Famalicão Merece Melhor". Bem apresentado graficamente e contendo 46 páginas, são muitos os assuntos que aborda, começando pelas pessoas e assim, nomeadamente, os direitos humanos, a habitação, a (i)migração, a educação e a saúde. Os animais têm nele particular relevo, bem como a natureza, fazendo jus ao nome do partido. A parte final é dedicada à gestão pública e à organização do território. Não é por falta de medidas que peca este programa e talvez a maior crítica que se lhe possa fazer é a de não hierarquizar os problemas do nosso concelho tantos eles são. Deste mesmo problema padece o Programa do PS, que também acabei de ler.

(Em Jornal de Famalicão, 18/09/25)

quinta-feira, 11 de setembro de 2025

Eleições locais (II)

PROGRAMAS ELEITORAIS – Uma lista de candidatos que concorra às eleições para os órgãos de um município como o de Famalicão e não apresente um programa eleitoral devidamente estruturado, fruto de trabalho de casa, dá má nota de si, não presta.

LEITURA DOS PROGRAMAS ELEITORAIS – Todos sabemos que poucos lêem os programas eleitorais, mas esses programas não são só para ser lidos. São a afirmação de que a lista se preparou para as eleições, sabendo o que pretende fazer e que não tem medo de responder perante os eleitores se não cumprir o que prometeu.

PROGRAMA ELEITORAL DO PS – O primeiro e até agora único programa eleitoral apresentado que conheço é o do PS. Tem 66 páginas, está bem estruturado e contém um largo número de medidas concretas  para executar ou começar a executar durante o mandato. Um programa eleitoral vale por si, mas nada impede que uns o considerem bom e outros mau. O  que nunca pode ser bom é um programa que não existe!

PESQUISA NA NET – Numa pesquisa simples na net chegamos à conclusão de que o PAN e a IL (Iniciativa Liberal) vão apresentar programas eleitorais em breve. Pode ser que outros programas existam ou sejam apresentados ainda, mas não temos conhecimento disso. É pena que não haja o cuidado de informar através dos meios de comunicação social.

DEBATES – Também são importantes os debates eleitorais. Ainda não se anuncia, que saiba no momento em que escrevo (09/09/25), nenhum debate em Famalicão. Os debates são importantes e deveriam ser as próprias listas concorrentes a solicitarem-nos, demonstrando disponibilidade para dar a conhecer o que pensam. As listas para a câmara e as listas para a assembleia.

CONTA LÁ – Entretanto, a plataforma Conta Lá (canal 15 da MEO e 123 da NOS) está a realizar 278 debates no Continente e o de Famalicão "já foi para o ar no dia 5 de Setembro". De qualquer modo, vai ser repetido no dia 11 de Setembro pelas 00h30 e estará disponível no Youtube e outras redes. Pode, assim,  ser visto por quem quiser. Conto ver e ouvir.

JN – O Jornal de Notícias está a fazer 15 debates em municípios perto do nosso concelho, como Braga, Guimarães e Maia, mas Famalicão ficou de fora, infelizmente. Não foi possível "chegar a todos", diz o JN. 

PSD FAMALICÃO – O PSD de Famalicão tem uma página web que é uma sala de visitas do partido. Todos os partidos deveriam ter uma página web, muito especialmente os grandes partidos. Ao que parece, no nosso concelho só o PSD a tem. Entretanto, essa página, que vi há dias, tem um grave defeito. Não está actualizada e não dá a informação devida sobre as eleições locais de 2025. A crise que existe no PSD e de que, nomeadamente, o jornal digital Notícias de Famalicão  e o canal Íris Televisão têm dado ampla informação, explica certamente esta lacuna. De qualquer modo, não fica bem ao partido ignorar, na sua página oficial, a candidatura do PSD, dando a conhecer listas de candidatos, programa e actividades de campanha.

PS FAMALICÃO – O PS de Famalicão não tem uma página web. Contenta-se com o Facebook e outras redes sociais. É pena! Os militantes e simpatizantes mereciam mais. No entanto, dá ampla informação sobre as eleições locais, dando especial destaque ao candidato a presidente de câmara, Dr. Eduardo Oliveira. Este possui, aliás, uma página web própria, dando largo destaque às eleições de 12 de Outubro. Há, no PS, uma clara personalização destas eleições em volta de Eduardo Oliveira.

(Em Jornal de Famalicão, 11/09/25)

quinta-feira, 4 de setembro de 2025

Eleições locais

FÉRIAS – Depois das férias de Agosto, os jornais impressos regressam e com eles o Jornal de Famalicão. Vamos procurar dedicar as próximas seis semanas às eleições locais de 12 de Outubro porque elas são muito importantes para o nosso concelho.

LISTAS CONCORRENTES – Não nos podemos queixar de falta de listas concorrentes à câmara municipal e à assembleia municipal. São 7 (sete), a saber: PSD/CDS-PP, Partido Socialista, Chega, CDU, Iniciativa Liberal, PAN e ADN (Alternativa Democrática Nacional). Do que, porventura, nos podemos queixar é do facto de elas deixarem de fora famalicenses que muito poderiam contribuir para o bom governo do município, quer na câmara, quer na assembleia municipal.

CANDIDATOS – Famalicenses com qualidades para ocuparem lugares nos órgãos do município não faltam. O que faltou, porventura, foi serem convidados ou não aceitarem por não acreditarem no projecto que lhes é apresentado.

INFORMAÇÃO – Temos dito e repetido. Era do maior interesse que houvesse um local ou locais onde nós pudéssemos ver quem eram os candidatos, os seus currículos, ainda que resumidos, os programas das listas, abordando os problemas do concelho e as acções que vão desenvolver. Neste momento isso não sucede e a informação é pouca e dispersa.

COLIGAÇÃO FALHADA – Praticamente não foi notícia, mas deveria ter sido. O Partido Socialista (PS) tentou em devido tempo uma coligação com o PAN (Pessoas – Animais – Natureza) e também o Livre, salvo erro, mas não resultou. Foi pena. Era algo de novo no panorama local. O que falhou? O Partido Socialista teve, pelo menos, o mérito da iniciativa.

FOTOS E SLOGANS – A cidade e o concelho estão cheios de fotos "bonitas" dos candidatos dos principais partidos, sós ou acompanhados/as, e alguns slogans. É uma publicidade que sabe muito a propaganda e muito pouco a informação, gastando-se muito dinheiro naquela em prejuízo desta.

DEBATES – Do maior interesse seria que houvesse debates deviamente organizados entre os diversos candidatos para conhecermos as suas ideias; debates gravados e que pudessem ficar disponíveis para serem vistos pelos eleitores. Será que não vai haver quem tome essa iniciativa? Os candidatos seriam os principais interessados em participar, excepto se os temessem ou mostrassem sobranceria. Nestes últimos casos também os eleitores fariam o seu julgamento.

DEBATES II – Os debates não deveriam ser só sobre os candidatos à presidência da câmara, mas também sobre a presidência à assembleia municipal. Importa dar a este órgão o relevo que bem merece.

CRISE NO PSD – Há claramente uma crise no PSD de Famalicão e a vontade da secção concelhia do PSD na escolha dos candidatos foi ignorada. Prevaleceu a vontade da distrital e da nacional. Era bom saber quais as razões profundas desta crise. Não são conhecidas. Esperemos que a declaração pública da concelhia do PSD que está anunciada seja esclarecedora. Em democracia, a clareza e a transparência são necessárias.

FREGUESIAS – Também é preciso dar atenção às eleições para as freguesias (juntas e assembleias). Depois do corte imposto em 2013, que fez passar o número das nossas freguesias de 49 para 34, o número de freguesias cresceu e são agora 39. As desagregações feitas este ano não foram feitas com critérios devidamente definidos e é pena.

MOBIAVE – Temos dito e repetido. Algo não corre bem nos transportes públicos que servem os famalicenses. Estamos cheios de ver autocarros da Mobiave vazios (muitas vezes completamente vazios), percorrendo a cidade. Que se passa?

(Em Jornal de Famalicão, 04/09/25)

quinta-feira, 31 de julho de 2025

Ponte, ambiente e eleições locais

A PONTE "NOVA" DO RIO AVE – Nasceu "velha" a ponte nova que liga o concelho de Famalicão ao município da Trofa, evitando a tormentosa travessia do centro desta cidade ("Catulo"), utilizando a única e antiga ponte de meados do século XX da EN n.º 14. Como é possível construir (e inaugurar com pompa e circunstância!) uma ponte tão estreita, servida de um e outro lado por uma via igualmente estreita? Os municípios de Famalicão e da Trofa não souberam agir como deviam em devido tempo. Ou agiram, sem êxito, e ninguém soube?

PAULO SILVA E O RIO PELHE – o Jornal de Notícias do passado domingo, dia 27/07/25, titulava, na página 16, ao cimo, do lado esquerdo: "Rio Pelhe poluído por problema no saneamento" e em subtítulo: "Água colorida e com cheiro a esgoto esta semana, em Famalicão". Uma foto a cores ilustrava a notícia com a  legenda  "Água do Rio Pelhe poluída no parque da Devesa. Câmara justifica com obstrução numa rua". No entanto, lendo toda a notícia, verifica-se que o problema parece ser mais sério. Paulo Silva, um frequentador assíduo do Parque da Devesa, refere que, por vezes, "o curso de água sofre descargas poluentes cuja origem desconhece, fazendo com que a água surja avermelhada ou esbranquiçada". Paulo Silva lamenta que o rio ora esteja limpo, ora esteja poluído, e informa que vai sempre reportando estas situações à câmara e à GNR. Paulo Silva, que não conheço,  mostra ser um cidadão activo que faz o que deve ser feito. Um exemplo a seguir. Como exemplo do que deve ser uma notícia é o texto da responsabilidade da jornalista Alexandra Lopes.

INCÊNDIOS – Andava contente porque, apesar do calor, o fumo dos incêndios não chegava à cidade. Chegou agora, nesta segunda-feira. Entretanto, o incêndio de Ponte da Barca ocupa as televisões. É o costume. Nesta terça-feira, os incêndios alargaram a outros pontos do país como Arouca e Penamacor. E sempre o mesmo problema: a biomassa acumulada ao longo dos anos e a política errada de gastar largos milhões de euros no combate a incêndios, em vez de gastar boa parte desses milhões em limpeza das florestas e matas. 

INCÊNDIOS II – O nosso concelho não escapou aos incêndios rurais e também foi atingido em vários lados, nomeadamente no lado nascente. Fradelos também não escapou.

PROVAS DADAS – Alguém próximo dizia-me há algum tempo que era uma pena que, em Famalicão, dada a pobreza dos candidatos concorrentes, nomeadamente à presidência da câmara, não tivesse aparecido alguém com provas dadas, mesmo não sendo de Famalicão. Há bons exemplos de "pára-quedistas" bons presidentes de câmara. Veja-se, por exemplo, Ribau Esteves, que foi de Ílhavo para Aveiro  com sucesso. Famalicão tem, é certo, pessoas (mulheres e homens) que poderiam ser excelentes candidatas à câmara. Os partidos locais não souberam trazê-las para o governo do município.

HELENA FREITAS – Entretanto, ontem à noite (dia 28/07/25) ficámos a saber que a ilustre famalicense Helena Freitas, natural de Mogege, bióloga, professora catedrática da Universidade de Coimbra e directora do Parque de Serralves é a cabeça de lista do Partido Socialista à nossa assembleia municipal. Boa notícia! Não é só o PS que está de parabéns, são todos os famalicenses que desejam pessoas de valor a dar o seu contributo para o bom governo do nosso município, independentemente da lista pela qual concorrem. Quem lê o Jornal de Famalicão ficou a saber melhor ("Famalicenses", 08/05/25) quem é Helena Freitas.

HELENA FREITAS II – Não basta ser cabeça de lista. Importa agora que escolha para a acompanhar pessoas que enriqueçam o nosso parlamento local que é a assembleia municipal. Pessoas de diversas áreas de conhecimento e competentes. Fazem muita falta.

GRITO! – É impossível escrever estas coisas e não pensar, ao mesmo tempo, quanto sofrem crianças e adultos na Palestina e na Ucrânia por causa de guerras conduzidas por governos desumanos. E pessoas de todas as idades sofrem igualmente por causa de guerras e outros males em tantas partes do mundo. Não podemos fazer muito por elas, mas silenciar é que não. Gritar contra a guerra, contra todas as guerras e contra governos criminosos, é o mínimo que está ao nosso alcance.

(Em Jornal de Famalicão, 31/07/25)

quinta-feira, 24 de julho de 2025

Feira Grande de Setembro

INQUÉRITO INTERNO – A página oficial do município dizia a 19/11/24: "A réplica da velha Acácia do Jorge, árvore fronteira à Casa de Camilo, em Seide São Miguel, foi ontem alvo de uma intervenção desajustada e não autorizada por parte dos serviços municipais, que culminou com o seu derrube" e anunciava, ao mesmo tempo, a abertura de um rápido inquérito interno. Onde está esse inquérito? Como é possível a assembleia municipal deixar passar isto em branco? Como se explica que não tenha força para obrigar a câmara a dizer que não o fez? Ou pelo menos que não o publicou e porquê?

FEIRA GRANDE DE SETEMBRO – O dia 29 de Setembro é um dia de feira grande onde, por tradição, vinha ao de cima a produção agrícola e pecuária do nosso concelho. Não haverá o cuidado de anunciar nessa data qual a nossa produção agrícola e pecuária? Anunciar detalhadamente os diversos produtos e as quantidades produzidas, ainda que, porventura, mínimas? E não seria interessante comparar com a produção de há 50 e há 25 anos no concelho? Não seria difícil. Bastaria utilizar muito menos de 1% da verba que se vai gastar em comes e bebes e música na Feira do Artesanato e da Gastronomia (cerca de 500.000 €). É um dever dar atenção à nossa agricultura.

OPINIÃO – Um jornal local fazia recentemente um apelo à colaboração sob a forma de opinião, lembrando que tinha largo espaço para esse efeito. Há muito que faço esse apelo sem muito êxito. Continuam a escrever na imprensa local séniores (tal como eu) e muito poucas pessoas novas. Importa haver mais opinião nos meios de comunicação social locais (o Notícias deFamalicão digital é, em certa medida, uma excepção), pois os problemas a debater num dos maiores 20 concelhos do país (os de mais de 100.000 habitantes) são muitos. Cidadãos e cidadãs famalicenses de todas as idades são necessários.

ELEIÇÕES LOCAIS – Neste momento, a cerca de três meses das eleições municipais  e de freguesia (12 de Outubro de 2025) deveria haver já uma ampla discussão sobre os principais problemas do nosso município. Não há. Nota-se ainda uma corrida aos nomes para os lugares da câmara e da assembleia, o que revela má preparação deste importante acto. Há um ano que venho chamando a atenção para essa preparação.       

MOBIAVE – Continuo a ver os autocarros da Mobiave vazios ou praticamente vazios no centro da cidade e em horas de ponta. Ando com azar quanto aos autocarros que vejo ou algo de errado se passa?

SENHOR DOS AFLITOS – Uma das festas mais típica do concelho é a do São Tiago ou também conhecida por Senhor dos Aflitos em Cruz (São Tiago). Ocorre no dia 25 de Julho, o mesmo dia em que é feriado na Galiza, evocando São Tiago de Compostela.

MANUEL ALVES DE SÁ – Manuel Alves de Sá ou Alves Enfermeiro, como era correntemente conhecido, é um famalicense que marcou uma época na nossa terra, principalmente quando tinha o estabelecimento de enfermagem no edifício onde hoje funciona o Banco Crédito Agrícola. Merece uma referência ampla que esperamos fazer em momento oportuno.

(Em Jornal de Famalicão, 24/07/25)

quinta-feira, 17 de julho de 2025

Boletim cultural, publicidade e muito feio

BOLETIM CULTURAL – Foi publicado e apresentado há alguns dias o Boletim Cultural VI Série – n.º 5 – Ano 2024, editado pela câmara municipal e tendo como director Mário Passos, presidente da câmara municipal. Ele é dedicado, e bem, ao 25 de Abril de 1974 e tive pena de nele não colaborar, apesar de convidado. O tempo é escasso e teria gostado de escrever algo que me obrigasse a alguma investigação. Vou folhear com mais atenção e dizer algo sobre ele, espero.

EDITAIS – Impressiona o número de editais de publicidade obrigatória que a câmara municipal publicou nos jornais impressos da terra na semana passada e a distribuição que fez: Opinião Pública (6), Povo Famalicense (6), Jornal de Famalicão (0). O Cidade Hoje só se publica impresso uma vez por mês e é sempre muito bem municiado de publicidade camarária quando sai.

PESSOAL – Por falta de informação detalhada e acessível não temos uma ideia clara de como é dirigido o pessoal ao serviço do município. São quase 2.000 pessoas e há, pelo menos, um aspecto que diz muito. Temos no organograma cinco directores de departamento, que é o posto mais elevado do pessoal. Ora, apenas um deles está preenchido! Como é possível? O pessoal não presta? Está de castigo? Ou é mais importante gastar o nosso  dinheiro em festas contínuas?

MOBIAVE – Não tenho ainda elementos suficientes para fazer um juízo fundamentado sobre o serviço público de transportes de passageiros no concelho. No entanto, estranho ver muitos autocarros vazios (ou quase)  a circular na cidade. E fiquei a saber, há pouco, que a Mobiave não abrange todo o concelho de Santo Tirso, nem todo o da Trofa. Qual é a lógica? 

AMEIXOEIRAS BRAVAS – Em algumas ruas da nossa cidade plantaram-se ameixoeiras bravas sem consultar os moradores, prática habitual, infelizmente, em qualquer rua da cidade. As ameixoeiras só são bonitas em período muito curto, que é o da floração, em Fevereiro-Março. Agora, em pleno Verão, amadurecem e caem ameixas que sujam o chão por muito tempo. Nem sequer há o cuidado de limpar os passeios. Árvores na cidade? Sim e muitas, mas adequadas e bem tratadas.

COMPOSTAGEM – A recolha de resíduos domésticos para compostagem (bio resíduos) continua a fazer-se no centro da cidade a título experimental, ao que parece. É importante que se faça um balanço desta boa experiência e se informe dos passos seguintes. É necessário aumentar este serviço de recolha selectiva.

ELEVAÇÃO A CIDADE – Celebramos a data de elevação a cidade no dia 9 de Julho de cada ano, depois de 1985. No entanto, importa ter presente que a elevação da vila de Famalicão à categoria de cidade só ocorreu através da Lei n.º 40/85, de 14 de Agosto. É o dia 14 de Agosto o dia de aniversário da elevação da vila de Famalicão a cidade. Compreende-se que não se comemore o dia certo, mas apenas por ser uma data própria de férias.

A ROTUNDA MAIS BONITA – É de longe a mais simples, mas, a meu ver, a mais bonita rotunda da cidade, neste momento. Tem apenas uma árvore (arbusto grande?) com flores vermelhas. Até à noite chama a atenção, por causa da luz do painel que a ilumina. Está situada junto do hospital (lado poente) e da Igreja Matriz Nova, num cruzamento onde confluem quatro ruas. Vale a pena visitá-la. É o exemplo de como se pode ornamentar uma rotunda com muito pouco dinheiro, e fortalecendo, ao mesmo tempo, o ambiente.   

PLÁSTICOS – É impressionante a quantidade de plásticos, particularmente sacos, que entram nas nossas casas. Importa limitar o seu uso e reutilizá-los sempre que possível. São constantes os alertas para os problemas que provocam e são bem sérios.  

MUITO FEIO – Quando um jornal local põe outro em tribunal, imputando-lhe crimes, algo de muito estranho se passa. Um jornal não precisa dos tribunais para criticar o comportamento de um colega. É muito feio e mais ainda quando não tem razão nenhuma. Importa que este assunto venha rapidamente a público.

(Em Jornal de Famalicão, 17/07/25)