quarta-feira, 14 de maio de 2025

Câmara e publicidade

DISCRIMINAÇÃO NEGATIVA – O director deste jornal deu-me conta da satisfação e alegria por ter recebido um anúncio de página inteira da câmara municipal sobre a Festa da Flor (a que, aliás, o Jornal de Famalicão já tinha feito referência destacada). Disse-lhe que não tinha razão para ficar tão contente, pois os jornais impressos da cidade receberam não só igual publicidade da Festa da Flor, mas também a da Casa das Artes (página inteira) e ainda mais um conjunto de editais, publicidade que é sempre muito apetecida. O Jornal de Famalicão foi discriminado negativamente mais uma vez, senhor director e senhora câmara!

FESTA DA FLOR – Decorreu com bom tempo, e muita gente, o cortejo da Festa da Flor no passado domingo. As ruas foram rapidamente limpas das centenas de milhar de pétalas que foram utilizadas e ficaram no chão. Não pude deixar de pensar nas abelhas e nos apicultores. Nas abelhas, que precisam das flores para o seu incansável trabalho, e nos apicultores. Sem prejuízo da festa, importa que a câmara municipal reserve uma parte do muito dinheiro gasto para apoiar os apicultores famalicenses que enfrentam tantas dificuldades para produzir mel. Como está a apicultura famalicense? Quantos apicultores temos? E como está a luta contra a vespa velutina? Alguém tem esta informação?

VALE A PENA – Vale pena, já o dissemos e agora repetimos, visitar a Biblioteca Municipal Camilo Castelo Branco (Parque de Sinçães) para ver e ler os jornais e revistas nacionais e locais que estão ao dispor dos leitores, no piso de entrada da biblioteca, gratuitamente e sem formalidades. Se tem algum tempo livre, não deixe de passar por lá. Comece a ter esse hábito.

JORNAIS DE 1985 – Também na mesma biblioteca e no mesmo piso, mas do lado direito de quem entra, está ao dispor, ainda que com algumas formalidades,  o denominado Fundo Local, constituído essencialmente por obras de autores famalicenses e pela colecção dos jornais concelhios. Consultei há dias, por vários motivos, estes jornais que se publicavam em 1985: A Voz de Famalicão e o Vila Nova, quinzenários entretanto findos; o Notícias de Famalicão, semanário  impresso, também findo; e, claro, o Jornal de Famalicão, semanário que se mantém vivo. Encontrei neles este curioso anúncio da câmara municipal de então:  "Se você pensa que tem o direito de criticar, engana-se… Tem o dever. Envie críticas e sugestões para a Câmara Municipal". Isto foi há 40 anos. A câmara municipal de hoje está de acordo? Faria um anúncio semelhante?

LAGO DE GODOS – Foi muito má a ideia da câmara municipal de, junto do lado sul do Parque de Sinçães, muito próximo da biblioteca municipal, gastar milhares de euros para fazer um lago de godos de praia com uns esguichos de água. E é triste, ao mesmo tempo, ver, do  lado poente-sul do mesmo lugar do parque e, numa extensão de 100 metros, apenas uma árvore plantada.

CONTENTORES DO LIXO – Já tinha reparado, mas chamaram-me mais uma vez  a atenção para o lixo que se acumula à volta dos contentores (ecopontos) na cidade e, certamente, fora dela. Na verdade, não tem sentido que não se cuide de atalhar o desleixo e, porventura, má informação dos cidadãos. A câmara tem pessoal (ou deve ter) para, por um lado, dar formação aos cidadãos sobre a separação dos lixos e, por outro, para retirar aquele que se vai acumulando fora dos contentores. Acresce que nesta cidade e concelho não se trata devidamente do problema da recolha dos resíduos dificilmente catalogáveis, muitos deles volumosos.

OBRAS DE CAMILO – Estejam os leitores atentos aos textos sobre as obras de Camilo Castelo Branco que o Doutor José Manuel Oliveira publica quinzenalmente neste semanário. Merecem leitura atenta.

(Em Jornal de Famalicão, 15/05/25)

quarta-feira, 7 de maio de 2025

Um milhão para as Festas Antoninas

FESTAS ANTONINAS – Que diria o leitor se o dono de uma quinta com uma boa casa, que está a meter água pelo telhado e a necessitar de obras, em vez de tratar de a reparar tivesse o hábito de chamar amigos e conhecidos para fazer grandes festas, nas quais gastava o dinheiro que bem falta fazia para a reparar? Diria certamente que estava a gerir mal o seu dinheiro. Ora, é algo parecido com isto o que está a fazer a nossa câmara municipal. Ela tem uma boa casa a degradar-se na Rua Adriano Pinto Basto, n.os 51-53-55, e em vez de cuidar de a reparar deliberou ainda há poucas semanas gastar cerca de um milhão de euros nas Festas Antoninas. E, pior ainda, continua a gastar muito bom dinheiro com outras festas ao longo do ano e o prédio que foi do Senador Sousa Fernandes e agora lhe pertence continua ali fechado e degradado encostado ao prédio em reabilitação do ex-Hotel Garantia. O empresário reabilita o património, o município degrada-o.

EX-PRESIDENTES DA ASSEMBLEIA MUNICIPAL – A homenagem aos ex-presidentes da assembleia municipal de Vila Nova de Famalicão foi uma iniciativa muito louvável da assembleia municipal e foi boa a ideia de colocar na sala de sessões as fotos dos ex-presidentes que estiveram à frente do órgão deliberativo do município. Bom será que no próximo ano a assembleia municipal, ao celebrar 50 anos de funcionamento, se lembre dos milhares de eleitos que por ela passaram, não colocando fotos, claro, mas fazendo, por exemplo, um pequeno e barato opúsculo contendo os nomes e naturalidade de todos os membros que passaram por este órgão. Coisa simples, mas que ficará registada para a história.

FALTA DE CAMAS NOS HOSPITAIS – Alguém com conhecimento de gestão hospitalar dizia-me recentemente que era inadmissível que se recusasse num hospital uma operação por falta de camas. E com os seus conhecimentos acrescentava que um doente numa cama de hospital custava por dia, só com alimentação e dormida, cerca de quatro ou cinco vezes mais do que num centro de cuidados continuados que poderia ser público ou privado. O nosso hospital continua a recusar operações de rotina, mas necessárias, por falta de camas. Que espera um concelho tão avançado como o nosso para ter instituições que prestem  cuidados continuados de qualidade para acolher pessoas que estão a ocupar camas que tanta falta fazem. Em vez disso, o nosso concelho empreendedor incentiva a criação de hipermercados ao lado do hospital.

JUIZ CONSELHEIRO SANTOS SERRA – Importa dizer e repetir que o nosso concelho tem uma riqueza humana que importa tornar bem conhecida. O lousadense Juiz Conselheiro Dr. Manuel Fernando Santos Serra faz parte dessa riqueza e o seu currículo bem diz do que fez pelo nosso país este famalicense, que ocupou durante mais de uma década o lugar de Presidente do Supremo Tribunal Administrativo num tempo em que se fez a maior reforma da justiça administrativa e fiscal do nosso país e para a qual muito contribuiu.

CAMILO CASTELO BRANCO – Nos últimos dias foram apresentados dois livros sobre Camilo que merecem toda a atenção. Camilo Castelo Branco – Viagens na Minha Terra, do Doutor João Paulo Braga, apresentado na Praça D.ª Maria II (Mercado do Livro) e Viajar Com… Camilo Castelo Branco, dos Doutores Aníbal Pinto Castro e José Manuel de Oliveira, apresentado na Casa-Museu de Seide.

PIPE'S BAZAR – Com tristeza, vemos que fechou na semana passada o Pipe's Bazar, de Manuel Malvar Azevedo, que marcou uma época da nossa cidade. Podíamos lá adquirir, para além do mais, jornais e revistas nacionais, bem como o Jornal de Famalicão, e ainda um largo leque de revistas e jornais estrangeiros de muito interesse. Era um quiosque que honrou a nossa terra, dirigido por Manuel Malvar Azevedo. Anuncia-se agora um novo quiosque com o nome Tabacaria Cravo. Esperemos que dê continuidade a este ramo do comércio.

PRAÇA VERMELHA II – Na semana anterior escrevemos sobre a falta de árvores na Praça 9 de Abril. Agora chamamos a atenção para um prédio existente nessa mesma praça com obras certamente embargadas por causa de um estranho piso de cimento apontado a Norte que precisa de uma intervenção urbanística adequada por parte da câmara. Aquilo é mesmo feio. Ao mesmo tempo, do lado poente, onde antigamente existia a Casa das Louças, está a ser reabilitado o prédio, esperando-se que tudo decorra como deve. As pedras da fachada foram retiradas, mas numeradas, e importa que retomem o seu lugar.

(Em Jornal de Famalicão, 08/05/25)

quarta-feira, 30 de abril de 2025

Famalicão: cidade/concelho aberta/o

CASA DA MEMÓRIA VIVA – A Associação Casa da Memória Viva trocou-me as voltas e em vez de escrever nomeadamente sobre o milhão de euros (!) que a câmara municipal deliberou atribuir às Festas Antoninas e sobre a homenagem aos ex-presidentes das assembleias municipais, realizada no dia 25 de Abril de 2025, tenho de centrar a atenção na "Conferência Famalicão", que decorreu no passado dia 26 de Abril na Fundação Cupertino de Miranda.

VIOLÊNCIA – Antes disso, importa deixar bem claro que distingo esta iniciativa dos acontecimentos do Verão Quente que a mesma associação fez recordar através de uma exposição fotográfica no Museu Bernardino Machado. O que se passou em Famalicão nos primeiros dias de Agosto de 1975 não dignificou a nossa terra. A violência que resultou do cerco ao centro de trabalho do PCP, causando duas mortes e o assalto a escritórios de advogados do nosso concelho, bem como outros incidentes, devem ser claramente condenados e reavivar a sua memória só tem sentido para renovar essa condenação sem reservas e lamentar a perda de vidas. Nem todos os meios foram legítimos para lutar contra um projecto político que se tentou impor a partir de 11 de Março de 1975 e que os portugueses rejeitaram, como demonstraram de forma bem evidente através dos resultados das concorridíssimas eleições de 25 de Abril de 1975 e das grandes manifestações meramente pacíficas que depois sucederam no país.

CONFERÊNCIA – Dito isto, o que se passou na Fundação Cupertino de Miranda no passado dia 26 de Abril com a conferência "Famalicão – Cidade Aberta", que foi muito além da cidade e bem se poderia designar "Famalicão – Concelho Aberto", merece claro aplauso. Com um programa bem preenchido, talvez pecando por excesso, desde as 9h30 da manhã até depois das 20h do mesmo dia foi possível assistir a intervenções de famalicenses (por naturalidade ou residência) que bem se têm destacado nos domínios do saber e do agir.

INTERVENÇÕES – Não pude assistir a todas as intervenções, mas aquelas a que assisti, e passo a enumerar, demonstraram a riqueza humana que o nosso concelho possui, nem sempre conhecida e muito menos aproveitada. Assim: a intervenção do professor João Cerejeira da parte de manhã sobre "As pessoas como factor de riqueza" e, da parte de tarde, as intervenções da Professora Helena Freitas sobre o nosso desenvolvimento, chamando a atenção para as fragilidades que o acompanham e a importância da "governança participativa"; do Eng.º Filipe Soutinho, que foi muito claro a dizer que Portugal é muito mau a planear e a gerir recursos, tirando daí naturais consequências também concelhias; a muito curiosa e polémica intervenção de José Carlos Bomtempo; e, versando a "comunidade famalicense", as bem concretas e adequadas intervenções do Coronel Bacelar Ferreira e do Engenheiro Carlos Couto.

E AGORA, FAMALICÃO? – No fecho da conferência decorreu um painel com intervenções de jovens famalicenses, também elas de muito interesse, tendo em vista o futuro. Ficámos a conhecer aspectos do pensamento da cientista Doutora Sara Silva Pereira, do gestor Dr. Yang Qi (grupo Mikado) e do músico, maestro e professor José Eduardo Gomes. Note-se que neste resumo brevíssimo por razões de tempo e espaço só mencionamos intervenções que ouvimos, chegando-nos informação também muito positiva sobre as restantes. Famalicão precisa de iniciativas como esta. Anote-se, entretanto, a ausência, com algumas excepções, de responsáveis políticos do governo e da oposição famalicense.

APAGÃO – O apagão de electrividade que atingiu Famalicão desde as 11h30 da manhã até às 21h50 (centro da cidade) do dia 28/04/25 deve ser objecto de reflexão sobre a sociedade em que vivemos. Como estamos dependentes!

(Em Jornal de Famalicão, 01/05/25)

quinta-feira, 24 de abril de 2025

Das eleições de há 50 anos ao Papa Francisco

ELEIÇÕES DE 25 DE ABRIL DE 1975 – Há 50 anos, em Vila Nova de Famalicão e no país, votou-se a 25 de Abril de 1975 para a Assembleia Constituinte. Foram uma eleições memoráveis porque, pela primeira vez na multi-secular história do nosso país, puderam votar livremente, sem discriminação, mulheres e homens com mais de 18 anos. Quem tem mais de 68 anos – e felizmente ainda há muitos milhares de famalicenses com essa idade – lembra-se provavelmente de ter votado nestas eleições.

FOTO – Procurei para este texto uma foto das enormes filas de votantes no concelho de Famalicão e não encontrei. Se alguém tiver, agradecemos o envio para o Jornal de Famalicão ou para o meu e-mail. Ainda que não seja publicada esta semana, não perde oportunidade e são fotografias que merecem ser vistas. A foto que hoje verão é de outro lugar do nosso país.

RESULTADOS A NÍVEL NACIONAL – Nessas eleições votaram mais de 90% (91,6%) dos eleitores inscritos, que eram na altura 6.231.372. O Partido Socialista foi o mais votado, com 2.167.972 votos (37,87%); o então PPD (agora PPD/PSD) foi o segundo, com 1.507.972 votos (26,39%); o PCP foi o terceiro, com 711.935 votos (12,46%); o CDS, o quarto, com 434.879 votos (7,61%); e o MDP/CDE, o quinto, com 236.318 (4,14%). Repare-se que estas eleições ditaram o que ainda hoje são os dois principais partidos portugueses.

RESULTADOS NO NOSSO CONCELHO – No nosso concelho, o partido mais votado foi o PPD, com 17.715 votos; o segundo foi o PS, com 16.451 votos; o CDS foi o terceiro, com 9.585 votos; o PCP, o quarto, com 1.750 votos; e o MDP/CDE obteve 1.542 votos. Repare-se que também em Famalicão os dois partidos mais votados foram o PPD e o PS, o que sucede ainda hoje, quer em eleições nacionais, quer em eleições locais, alternando o primeiro lugar. Infelizmente, por falhas na colecção dos jornais locais que se encontram no Fundo Local da Biblioteca Municipal Camilo Castelo Branco não podemos indicar elementos mais detalhados sobre a votação no concelho. Tentaremos encontrá-los no Arquivo Municipal, até porque temos a ideia de que a percentagem de votantes no nosso concelho foi superior à nacional.

PAPA DO SORRISO – Já se reparou que ao andar na rua e olharmos para as pessoas vemos muitas vezes caras fechadas, alheias, muitas vezes tristes, que só se abrem para pessoas conhecidas? E, no entanto, deveríamos andar, sempre que possível, de aspecto mais alegre e sorrir mesmo para pessoas que não conhecemos. É que o outro que passa por nós, seja quem for, é nosso irmão. Recolhi esta lição do Papa Francisco, que me "obrigou" a olhar para os outros de modo diferente.

LIVROS DO PAPA FRANCISCO – Se o leitor ou leitora, crente ou não crente, ainda não leu as Encíclicas Laudato Si', sobre o cuidado da casa comum, e a Fratelli Tutti – Todos Irmãos, sobre a fraternidade e a amizade social, leia porque vale a pena. Para quem já as leu e queira conhecer melhor Jorge Mario Bergoglio, leia Esperança: Autobiografia, recentemente publicada e muito bem escrita.

PAZ – Acredito que a paz no mundo é possível. Tudo o que vemos vai, no entanto, em sentido contrário. E daí? Baixamos os braços? Ficamos em silêncio? Não! Devemos fazer tudo o que estiver ao nosso alcance em favor da paz, por pouco que seja, e ainda que nos pareça de que nada vale. Não devemos perder a esperança!

(Em Jornal de Famalicão, 24/04/25)

quinta-feira, 17 de abril de 2025

Famalicão em movimento

ERREI! – Na semana passada, ao escrever que o jornal "bem-amado" da nossa terra recebeu da câmara municipal publicidade da Semana Santa de página inteira que saiu na última, errei, porque saiu, sim, mas na 3.ª página. Foi descuido meu e peço desculpa! Entretanto, pude verificar que a última página desse mesmo número estava já ocupada por inteiro com publicidade da Casa das Artes, ou seja, da câmara municipal. Afinal recebeu ainda mais publicidade camarária do que a que anunciei. Estou perdoado, julgo!

PUBLICIDADE – Seria interessante saber quanto gastou a câmara municipal em publicidade nos jornais do concelho e fora dele, com a devida justificação, ao longo do ano de 2024, para fazer um juízo sobre o comportamento da câmara neste domínio. Está claro que a câmara municipal não revelará essas quantias voluntariamente. Seria necessário chamar pela  CADA (Comissão Administrativa de Acesso aos Documentos Administrativos) e, depois, porque a câmara resistiria ao parecer favorável da CADA, seria necessário recorrer aos tribunais administrativos. Ninguém está para ter esse trabalho e custo, nem sequer a oposição, e é pena.

TAPA-MISÉRIAS – A cidade tem um conjunto de prédios degradados tapados por largos taipais de publicidade camarária que escondem a miséria que está por detrás. Outras misérias de prédios degradados estão, no entanto, bem à mostra. Veja-se, por exemplo, junto do renovado Mercado Municipal. A câmara não usa todos os diversos meios que tem ao seu alcance, desde logo os de persuasão, para acabar com esta miséria.

PRAÇA VERMELHA – A Praça 9 de Abril, denominada Praça Vermelha desde que foi coberta com tijolinhos vermelhos, é um lugar árido, onde ainda não estão plantadas as árvores que deveriam estar nos canteiros a elas destinados, actualmente  cheios de pedras. Em vez disso, a câmara arranjou lugar para "plantar" diversos candeeiros. O preço de um destes dava para plantar todas as árvores necessárias para embelezar a praça e amenizar o calor que dela salta no Verão.

RUA ANA PLÁCIDO – A Rua Ana Plácido precisa de uma atenção cuidada. Ela faz a ligação da Avenida Carlos Bacelar com o hospital, mas essa ligação está mal resolvida, servindo apenas uma faixa da avenida. Por outro lado, mal resolvida está a ligação desta rua com o Parque de Sinçães, que lhe fica em frente a poente. Importa dar a conhecer previamente o que ali se vai fazer. Note-se que esta rua muito movimentada tem edifícios muito altos a sul e a norte e não serve uma qualquer solução para os bem conhecidos problemas que enfrenta.   

PÁSCOA E PAZ – A Páscoa, neste ano de 2025, é a 20 de Abril. Muitos de nós, como de costume, aproveitamos este período para fazer férias e pouco nos importamos com os horrorosos sofrimentos que as guerras da Ucrânia e da Palestina provocam.

(Em Jornal de Famalicão, 17/04/25)

quinta-feira, 10 de abril de 2025

Semana Santa: o pecado da câmara

A câmara municipal é muito devota da Semana Santa. Basta ver os arcos e pendões espalhados pelas ruas e avenidas da cidade com a imagem de Cristo da Paixão. 

A Semana Santa faz parte de um tempo de penitência e arrependimento dos nossos pecados. A câmara municipal teima em não se arrepender dos seus e continua a cometê-los. Damos um, bem evidente, como exemplo. O nosso município gerou quatro filhos que estão vivos e que são os jornais impressos destinados ao povo famalicense. Estes filhos precisam de pão para sobreviver e uma boa parte desse pão vem da câmara municipal através do dinheiro da publicidade que ela regularmente lhes entrega. Note-se que esse pão não é da câmara municipal, é do Senhor, que é o povo deste município. À câmara municipal cabe apenas geri-lo como o servo da parábola dos Evangelhos e geri-lo bem. 

Ora, é aqui que a câmara municipal comete um grave pecado. Ela não trata por igual estes seus quatro filhos. E o pecado está bem à mostra, folheando esses jornais. Um deles, o bem amado, já recebeu a sua parte, antes de todos os outros, com a publicação de uma página inteira da Semana Santa, e logo a última, que é a que dá mais pão. E para que se alimente bem, deu-lhe ainda uma boa série de editais, pão muito bem apetecido. Esta antecedência em relação aos outros foi necessária porque este filho só aparece perante o povo de mês a mês e se não recebesse naquela semana ficaria sem pão, pois a Semana Santa não dura sempre.

Outros dois filhos receberam igualmente, na semana passada, o pão da página inteira publicado na última página. Ficou de fora, desprezado, ignorado, o filho Jornal de Famalicão (JF), a quem a serva do Senhor nada entregou. Não foi isso o que o Senhor (o povo de Famalicão) lhe ordenou, pois, como bom pai que é, mandou tratar por igual todos os seus filhos. Chamada a prestar contas, a serva não reconhece o seu pecado e justifica-se. Meu Senhor, este filho é mau, não me presta vassalagem. Trata-me mal. Não merece o teu pão!

O Senhor (o povo) diz-lhe: Serva má, não é a ti que o teu filho de que não gostas tem de prestar vassalagem, é a mim, que sou o seu Senhor, a quem ele deve servir. Dá-lhe o que é devido e em dobro, como penitência, pois doutro modo não mereces ser minha serva.

Nota – Já depois de ter escrito e enviado este texto com uma nota para o JF, este informou-me que recebeu, no fim-de-semana, publicidade da câmara sobre a Semana Santa para publicação em página inteira. Isso obriga-me a reformular a nota e a arrepender-me por ter duvidado da capacidade da câmara de se arrepender. De qualquer modo, os factos relatados ocorreram e a opinião é da minha inteira e exclusiva responsabilidade.

(Em Jornal de Famalicão, 10/04/25)

quinta-feira, 3 de abril de 2025

Falta rasgo à câmara

HOSPITAL – Passei a pé, no passado sábado, dia 29/03/25, pela Rua Norton de Matos, que começa no lado nascente do hospital, em direcção à Capela de Santo Adrião, e não posso deixar de lamentar que o amplo campo, junto do hospital, a norte da Rua Vasco de Carvalho, esteja destinada a um armazém comercial sob o nome de um dos muitos hipermercados que por aí existem, quando deveria servir de apoio ao hospital, que tanto precisa. Uma câmara com rasgo intervinha e enriqueceria a nossa cidade e o nosso concelho. Não a temos.

AVENIDA  PINHEIRO BRAGA – Aliás, o que é de esperar de uma câmara que não encontra melhor urbanização do lado nascente da Avenida Eng.º Pinheiro Braga (antiga EN n.º 14, à saída para Braga) senão dar licença para a construção de dois grandes armazéns comerciais (Continente e Lidl) que só ali estão porque os interesses privados prevaleceram sobre interesses públicos como, por exemplo, o da habitação? Trata-se de construções sem qualquer valor arquitectónico, meros "pavilhões", que bem poderiam estar noutro local mais apropriado.

ECOCENTRO MÓVEL – No centro da cidade, junto da Igreja Matriz Nova, foi colocado um ecoponto móvel, o que se saúda. Já não é de saudar a falta de indicação do tempo em que lá vai estar, nem a falta de informação sobre objectos que nele não se podem colocar. Nem todos sabem o que são, por exemplo, lâmpadas halogéneas.

CAIXAS DE ELECTRICIDADE – Chamaram-nos  a atenção para a existência em ruas da nossa cidade de caixas de electricidade que devem estar devidamente fechadas por serem de alto perigo se indevidamente abertas. Ora, ao que parece, existem caixas dessas estroncadas e, ainda por cima, permanecem assim depois de chamada a atenção das entidades que podem e devem agir nestes casos.

POMBOS – Eu não sabia, mas fiquei a saber que um pombo-correio é capaz de fazer o trajecto Barcelona-Lisboa num dia sem parar, a não ser para beber. São 900 quilómetros! Também fiquei a saber que Famalicão é um centro columbófilo importante do nosso país. E, finalmente, também soube que, muito recentemente, Portugal conquistou um prémio de grande destaque no World Best Pigeon 2024, uma competição organizada pela Federação Columbófila Internacional que premeia os melhores pombos do mundo com base nos resultados obtidos nas provas oficiais que se realizam em cada país, devidamente supervisionadas. Soube disso pela Rádio Antena 1 e pelo Dr. Salvador Coutinho, que percebe de pombos como poucos.

HOTEL GARANTIA – As obras do ex-Hotel Garantia parecem avançadas e importa que se concluam quanto antes. Ficava bem colocar junto delas, em lugar de muito destaque, a data prevista do fim das obras, não só para as pessoas saberem quando deixarão de estar limitadas na sua circulação pedonal, mas também para se saber quando a cidade ficará enriquecida com novas habitações e lojas comerciais. Já duram há muito tempo aquelas obras!

CAMILO – Vale a pena ler e reler o artigo do Doutor José Manuel de Oliveira sobre a obra Vinte Horas de Liteira, de Camilo Castelo Branco, publicado na semana passada neste jornal. Se ainda não leu, vale a pena ler. E se não é assinante, vá à Biblioteca Municipal Camilo Castelo Branco, no Parque de Sinçães, pois está lá disponível.

(Em Jornal de Famalicão, 03/04/25)