quinta-feira, 16 de julho de 2026

De que precisa o nosso hospital?

PRIORIDADES DO HOSPITAL  O nosso hospital precisa urgentemente de ser ampliado, devendo a câmara municipal, para esse efeito, não só pressionar oportuna e inoportunamente este governo ou outros que lhe sucederem, mas também dispor-se a participar com meios financeiros nessa ampliação. Também a construção de um hospital de cuidados continuados junto dele (há terrenos a norte) para libertar camas do hospital é muito importante. Como importante é colocar à disposição de médicos, enfermeiros e outro pessoal hospitalar habitações com rendas acessíveis. Ainda é de todo o interesse facilitar o acesso ao hospital, dando prioridade às ambulâncias e outros veículos (e não a todos) que a ele se dirijam, a partir da Avenida 9 de Julho.

PRIORIDADES DA CÂMARA  Isso seria seguramente o que faria um governo municipal com visão. Mas não o temos. A câmara municipal o que acha natural é colocar, junto do hospital, uma superfície comercial, abrindo para o efeito uma espécie de avenida (de pouco mais de 100 metros) e afogando de trânsito a zona que cerca o hospital e que já está saturada. (E andamos há mais de 25 anos para resolver a necessária ligação da urbanização Talvai e Santo Adrião ao centro da cidade!)

ELEVAÇÃO A CIDADE  Vila Nova de Famalicão pode comemorar a elevação a cidade quando entender, mas importa ter presente que a nossa terra foi elevada a cidade a 14 de Agosto de 1985, pela Lei n.º 40/85 dessa data. No mesmo dia foram elevadas a cidade mais dez vilas, a saber: Águeda, Amarante, Montijo, Olhão da Restauração, Peso da Régua, Ponte de Sor, Rio Maior, Santo Tirso, Torres Novas e Vila da Feira, que passou a denominar-se Santa Maria da Feira.

ELEVAÇÃO A CONCELHO  Também a elevação de Famalicão a concelho não ocorreu em 1835 como está "oficialmente" divulgado, mas antes por Decreto de 6 de Novembro de 1836,  da responsabilidade de Passos Manuel. Passos Manuel que nem sequer tem uma rua importante na nossa cidade.

TSF  A TSF esteve no dia 9 de Julho de 2026 na Casa das Artes, participando nas comemoração da elevação de Vila Nova de Famalicão a cidade. Ouvi e retive as intervenções do professor João Cerejeira e de Dora Gaspar, diretora-geral da TECMEAT – Centro Tecnológico. Gostaria de referi-las.

POLÉMICA  Vive-se em Famalicão uma polémica à volta de uma proposta de homenagem aos dois presidentes de câmara municipal (Agostinho Fernandes e Armindo Costa) que mais tempo geriram o nosso concelho desde a sua fundação em 1836. O único que se aproxima e que dirigiu o nosso concelho durante cerca de 12 anos foi Álvaro Marques (1945-1957). Essa polémica está devidamente contada no Jornal de Famalicão de 9 de Julho de 2026. A meu ver, é preciso mais distanciamento para apreciar o que se passou e levou à recusa dessa homenagem por parte da maioria da câmara municipal e à aprovação de proposta alternativa.

NOMEAÇÕES  Não bastava a troca de lugares na administração dos hospitais subsequente à entrada em funções do Governo da AD. Agora ficamos a saber que também 15 das 18 cadeiras distritais da Segurança Social foram agora ocupadas por militantes do PSD. Não é coisa que o PS não tenha feito de modo semelhante no tempo em que foi governo. Mas um erro não justifica outro. E o PSD cometeu-o escandalosamente.

(Em Jornal de Famalicão, 16/07/26)

quinta-feira, 2 de julho de 2026

Urbanização da cidade, superfícies comerciais e hospital

URBANIZAÇÃO – Foi publicado n' O Povo Famalicense de 24 de Junho de 2026 (pp. 11, 12 e 13) um estudo que merece toda a atenção, da autoria do Dr. Daniel Ribeiro de Faria, intitulado "Vila Nova de Famalicão sem os incêndios de 1952: a urbe que poderia ter chegado mais cedo ao futuro". Deste ensaio, que aborda vários temas de muito interesse, destaco a elaboração e aprovação, em 1952, de um anteplano de urbanização (era a designação de então) para a nossa então vila, que resultou da larga visão do presidente da câmara da época, que foi Álvaro Marques.

DESORDENAMENTO – Nunca mais tivemos um presidente de câmara preocupado com o plano de urbanização da nossa cidade. Conviveram todos, até hoje, muito bem com um crescimento da cidade ao sabor dos interesses particulares e assim com o desordenamento que está aí perante os nossos olhos.

A LEI – E tudo isto apesar de a lei actualmente em vigor dizer que "nas sedes do concelho e nas áreas urbanas com mais de 25.000 habitantes, o regime do uso do solo deve ser previsto, preferencialmente, em plano de urbanização municipal" (artigo 98.º, n.º 3, do Decreto-Lei n.º 80/2015, de 14 de Maio). Ainda está para aparecer a câmara e o respectivo presidente que tenham capacidade para fazer um tal plano.

URBANIZAÇÃO DO VINHAL – Entretanto vai ser urbanizado mais um pedaço da cidade, num lugar mais do que discutível e que merecia uma ampla discussão pública. Têm mesmo consciência do que estão a aprovar?

PROLIFERAÇÃO DE SUPERFÍCIES COMERCIAIS – A nossa cidade parece ter, segundo os responsáveis do município, uma clara falta de superfícies comerciais e hipermercados. Dentro do perímetro da cidade há "apenas" seis (6) e por isso a câmara considera desejável uma nova superfície junto do cemitério municipal e outra junto do hospital . Ao menos estas duas, pela sua situação, ficarão muito bem acompanhadas…

NOVO CARTAZ – E bem pode a câmara mandar fazer e divulgar mais um cartaz publicitário, dizendo: "Famalicão, lugar das superfícies comerciais!"

HOSPITAL – A vinda a Famalicão da ministra da Saúde, Ana Paula Martins, no dia 23 de Junho de 2026 não mereceu a atenção e os comentários devidos. Não já quanto à atenção dada à inauguração propriamente dita da Unidade de Saúde Familiar (USF) de Calendário (São Miguel-o-Anjo), mas à interpelação feita pelo presidente da câmara municipal, Mário Passos. Disse este: precisamos de um hospital com capacidade, reabilitado, ampliado com mais serviços e estacionamento. Acrescentou que para isso existe uma solução que considera relativamente barata (entre 20 e 25 milhões de euros), dando execução ao Plano Director Hospitalar.

MINISTRA NÃO SE COMPROMETE – Sobre essa intervenção, a ministra da Saúde declarou que a requalificação e ampliação do Hospital de Vila Nova de Famalicão é uma das prioridades do Governo, mas lembrou que há muitas prioridades e que o Governo não pode dar andamento a todas.

ATITUDE – Será que a câmara e a assembleia municipal vão deixar esquecer este assunto? Devem, a nosso ver, oportuna e inoportunamente lembrar este nosso problema junto do Governo. Assim farão? O tempo o dirá.

SUBURBANOS – Sabem os leitores que há um comboio suburbano Braga-Famalicão-Braga? Os comboios deveriam merecer melhor atenção nossa. A estação e sua envolvente não está à altura da nossa cidade.

MEMÓRIA HISTÓRICA – Voltando aos antigos Paços do Concelho devorado pelos incêndios de 1952, importa dizer que ainda há famalicenses que bem se devem lembrar deles por dentro e por fora. São os que têm mais de 90 anos e boa memória. Era interessante recolher o seu depoimento.

(Em Jornal de Famalicão, 02/07/26)

sexta-feira, 26 de junho de 2026

Pneus, festas e oposição

18.000.000 de PNEUS  Li recentemente uma informação proveniente da Continental (uma multinacional) que lembrava que em Lousado se produz pneus desde 1946 (há 80 anos) e que desde a integração, em 1990, na Continental, a fábrica cresceu de tal modo que hoje tem "uma capacidade anual de produção superior a 18 milhões de pneus e é um dos maiores empregadores da região de Vila Nova de Famalicão, contando com cerca de 3.200 colaboradores".

50.000 PNEUS POR DIA – Correndo o risco de ser polémico, estes dados não me entusiasmam e antes me preocupam. Será que é assim tão bom do ponto de vista ambiental (e não só do ambiente do nosso território, mas do ambiente em geral) que tenhamos uma fábrica capaz de produzir 50.000 pneus por dia? Já se atentou bem no que isso significa em termos de transporte desde Lousado para o destino, que não pode ser naturalmente o nosso país e no lixo que esses pneus vão a prazo causar?

PIB  Claro que se vai dizer que isso não é problema, que a produção de pneus está ambientalmente sustentada, que nenhum perigo existe e o que importa é crescer cada vez mais. Porém, para quem acredita, como acredito, que o crescimento incessante do PIB (Produto Interno Bruto) não é bom para os seres humanos e que ele produz graves perigos a prazo, essa argumentação não convence.

FAMALICÃO EXPORTADOR  E muito menos convence dizer que isso é bom para Famalicão, pois assim (com esta e outras indústrias) é o terceiro município exportador do país, o que deve ser motivo de orgulho. Preferia, como famalicense, ter orgulho por outras razões que não esta.

HERESIA POLÍTICA  Tenho consciência da heresia que esta opinião representa num país e num mundo onde o crescimento económico, medido pelo PIB, é a razão de ser de qualquer país que se queira desenvolvido.

DECRESCIMENTO  Sou adepto desde há muito do decrescimento. Uma corrente política que olha para a relação do homem com a natureza de modo muito diferente. Podemos viver muito melhor com muitos menos pneus e quem diz pneus diz tantos bens que em vez de nos darem mais liberdade e felicidade nos aprisionam no consumo.

HISTÓRIA  Um apontamento mais. Bem podia a informação sobre os 80 anos da produção de pneus em Lousado celebrada pela multinacional incluir uma breve história da fábrica que se chamava Mabor. Mas que interessa a história para uma multinacional?

FESTAS ANTONINAS  Acabaram as Festas Antoninas e assim se terá gasto um milhão de euros, mas não é disso que o povo gosta? Satisfazer o povo é o lema de quem governa, mesmo que se ignorem tantas coisas, bem importantes, de que o povo precisa.

OPOSIÇÃO  Pelo que me foi dado ler e ver, a oposição PS famalicense não está contente pelo facto de receber uma convocatória para a reunião quinzenal da câmara acompanhada por centenas de páginas dois dias antes da data da reunião e assim, na altura da votação de assuntos importantes que exigem leitura e estudo, vota contra ou abstém-se com forte desagrado da maioria. Mas poderia a oposição votar de outro modo? Não se pode votar a favor de algo de que não se tem conhecimento bem fundamentado.

(Em Jornal de Famalicão, 26/06/26)

quinta-feira, 28 de maio de 2026

Parques de estacionamento e meios de comunicação social locais

PROMESSA DE HÁ MAIS DE VINTE ANOS – Em Janeiro de 2004, o presidente da câmara Armindo Costa anunciava numa sessão da Assembleia Municipal na "Informação do Presidente" o propósito firme de fazer da estação e de toda a sua envolvente um "exemplo de qualidade e excelência, num autêntico processo de requalificação e dinamização urbana". Sobre isto escrevi uma palavra apenas: "óptimo. É disso que precisamos!”. Escrevi ainda com base nessa informação do presidente: "Assinale-se também a criação de um interface rodoferroviário e estacionamento público coberto, distribuído por dois pisos e dotado de 380 lugares, com ligação inferior à estação e suas plataformas de embarque". E acrescentava: "O interface rodoviário é essencial e o estacionamento coberto com a dimensão apresentada é um projecto arrojado, merecendo ambos aplauso". (*)

MAIS DE 22 ANOS DEPOIS – Já passaram mais de 22 anos (25 da Coligação PSD/CDS) e nem a requalificação da zona da estação, nem o  parque de 380 lugares. Apenas uma simples promessa há dias, no fim de uma reunião camarária, de que esse parque de estacionamento está em estudo (!) e vai avançar. Não sabemos  se vai ser uma concretização deste projecto por cima (mais arrojado ainda, como devia) ou por baixo ou ainda nada.  Tentaremos acompanhar, embora o mais provável será a câmara ficar-se mais uma vez pelas palavras. 

O PARQUINHO DO CENTRO DE SAÚDE – Entretanto, num vídeo bem elaborado, o jornal digital Cidade Hoje diz-nos que a câmara municipal vai abrir um concurso público para um parque de estacionamento de automóveis junto do centro de saúde e muito perto da estação ferroviária. Só que o vídeo não nos diz nem o preço, nem a quantidade de lugares. Procurei informação noutro lado (Jornal de Notícias e Notícias de Famalicão digital). O valor da empreitada é de mais 2 milhões e 600 mil euros para 79 lugares, dos quais 48 cobertos. Fazendo as contas, cada lugar vai custar mais de 32.500 . E se fizermos as contas só aos lugares cobertos temos um custo de mais de 50.000  por cada lugar. Um bocado caro, não é? A oposição PS votou contra. Não basta! É preciso explicar aos famalicenses que não se gasta assim o nosso dinheiro. Se for preciso publicar e divulgar um pequeno folheto impresso, contribuo para o custear. É que há  alternativas muito melhores e muito mais baratas.

ANTÓNIO JOAQUIM – Luís Paulo Rodrigues no Notícias de Famalicão e o Dr. João Afonso Machado neste Jornal de Famalicão, de 21 de Maio de 2026, evocavam a memória de António Joaquim de  Miranda  Pinto da Silva, recentemente falecido, enaltecendo as suas qualidades de investigador da nossa história local: "o maior conhecedor da história de Famalicão", nas palavras  de João Afonso. Não lidei de perto com o Dr. António Joaquim, mas nas vezes que conversei com ele no Arquivo Municipal impressionou-me, para além do conhecimento que tinha da história de Famalicão, a sua modéstia. Não se vangloriava do seu saber, que era muito. 

MEIOS DE COMUNICAÇÃO SOCIAL LOCAIS – Porventura a lista não é completa nem rigorosa, mas entre os meios de comunicação social locais temos: o Cidade Hoje (jornal e rádio), O Povo Famalicense (jornal semanal impresso gratuito), Editave (jornal Opinião Pública, Rádio Digital e FamaTV), Famalicão Canal (jornal e TV), A Nossa Terra (Ribeirão – jornal impresso), Notícias de Famalicão (jornal digital) e o decano de todos eles, Jornal de Famalicão (jornal semanal impresso).

CONTROLO DOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO SOCIAL – A câmara municipal controla ou tenta controlar os meios de comunicação social locais. Tenho-o dito e mantenho. Prova disso é, por exemplo, o montante dos gastos com o apoio às empresas que são proprietárias desses meios de comunicação social que não primam pela isenção e que a câmara municipal esconde. Bem se pergunta quanto gastou efectivamente, de forma bem discriminada e fácil de entender, com cada uma dessas empresas locais em 2024 e em 2025 e a Câmara "torce-se toda" e não informa correctamente. 

OUTROS ASSUNTOS – São tantos os assuntos do nosso município que precisam de ser tratados que não podemos sequer mencioná-los aqui. Entre os mais recentes destaca-se a derrapagem de 3 milhões e 500 mil euros em obras municipais. Cabe aos meios de comunicação social locais e às oposições fazer esse trabalho. Meios de comunicação social locais que não escrutinem o poder são meras cópias, com outro formato, do efe.

ÁRVORES VERDES – A minha rua só tem árvores escuras. Uma delas secou e outras estão tortas e mal tratadas. Em vez delas ponham lá árvores de folhas verdes, imploro!

(*) Jornal Opinião Pública, 19/01/04, transcrito no meu livro As Assembleias Municipais Precisam de Reforma – Diário da Assembleia Municipal de Vila Nova de Famalicão – 2002 a 2005, pp. 205-206, editado em 2006.

(Em Jornal de Famalicão, 28/05/26)

quinta-feira, 14 de maio de 2026

O “efe" e a Feira Grande (ignorada) de maio

A RAZÃO DO PRESIDENTE DA CÂMARA MUNICIPAL  O presidente da câmara municipal tem razão: publicações de propaganda como o efe não existem só em Vila Nova de Famalicão, elas estão espalhadas por todo o país.

BOLETINS DE PROPAGANDA – No entanto, porque são boletins de propaganda do presidente da câmara, são condenáveis. São um claro abuso do poder. Os presidentes de câmara não foram eleitos para serem diretores de publicações de exaltação dos seus feitos à custa dos dinheiros dos munícipes.

EFE 2 – Depois do efe 1, a "nova publicação" do município de Vila Nova de Famalicão surgida em Fevereiro deste ano, apareceu o efe 2, o velho boletim de propaganda da câmara municipal, recuperando agora o nome de "boletim municipal" com data de Abril.

DIRETIVA DA ERC – Esta publicação híbrida que aparenta ser um jornal, mas não é, que se apresenta agora como boletim municipal, sem ser um verdadeiro boletim municipal, viola as regras da Diretiva n.º 1/2008, de 24 de Setembro, da ERC, que está disponível no respectivo site, e que, para além de muito mais, estabelece que publicações como o efe encontram-se obrigadas a veicular a expressão das diferentes forças e sensibilidades políticas que integram os órgãos autárquicos.

DIA 8 DE MAIO – Há um ditado popular que diz "Sol nas Cruzes, chuva na Feira Grande". As Cruzes são as Festas de Barcelos que têm o ponto alto no dia 3 de Maio; a Feira Grande é a feira de 8 de Maio em Famalicão. Assim sucedeu este ano. Depois do sol nas Cruzes, o dia 8 de Maio amanheceu com chuva que se prolongou até ao fim da manhã, passando a sol e fortes luzernas da parte de tarde.

FEIRA GRANDE – Passei junto da Feira Grande e deu para ver que tivemos uma feira muito pequena. A Feira Grande de Maio foi ignorada no programa da Festa da Flor.

AGRICULTURA E PECUÁRIA – Isto diz bem do abandono a que o nosso governo municipal vota a atividade agrícola, pecuária e florestal. Famalicão, que tem na sua génese uma forte atividade económica no sector primário, está a abandoná-la e com ela a sua cada vez mais diminuta soberania alimentar. É cada vez mais residual o que produzimos para a nossa alimentação. Vivemos dependentes, somos pedintes. Pagamos, é certo, o que pedimos, mas se não houver, por uma qualquer razão internacional grave, produtos para vender, passamos fome.

SENHORA DOS REMÉDIOS – A Festa da Senhora dos Remédios na Freguesia de Calendário fez-se no dia 10 de Maio sem que a chuva a impedisse.

PLÁTANOS – Temos ao longo da Avenida 25 de Abril, desde a estação ferroviária, uma frondosa avenida de plátanos que enriquecem a nossa cidade. Precisamos de cuidar deles, fazendo as podas e outras intervenções necessárias, mas preservando-os. Aliás, depois dos plátanos e no sentido nascente, temos a Avenida das Tílias (Av. Narciso Ferreira) e a Avenida do Brasil com árvores muito especiais (Ginkgo biloba, jugo), mas que devem ser bem acolhidas. Todas estas árvores e as demais da cidade devem ser cuidadosamente tratadas, o que nem sempre vemos.

REGIMENTO – O regimento da nossa assembleia municipal não é um problema interno dos seus membros. Temos o direito de acompanhar de perto a sua elaboração, pois está em causa não só a intervenção do público (esta nunca deve ser desvalorizada), mas o apoio aos grupos municipais (instalações, pessoal e meios financeiros), a existência de comissões permanentes sectoriais e eventuais e tantos outros assuntos que nos interessam. Os deputados municipais se querem cumprir bem o seu mandato devem ouvir a opinião dos munícipes.

REORGANIZAÇÃO DOS SERVIÇOS – Não interessa uma qualquer reorganização dos serviços do nosso município. Essa reorganização que acaba de ser aprovada deve ser bem justificada e explicada. Caso tal não suceda, as dúvidas e as suspeições surgem. Onde podemos consultar o relatório detalhado que a justifica?

(Em Jornal de Famalicão, 14/05/26)

sábado, 2 de maio de 2026

As gaiolas dos vereadores

"GABINETES" DOS VEREADORES – Fui visitar um dia destes os "gabinetes" dos vereadores situados no Centro Comercial Vinova junto dos Paços do Concelho. É difícil encontrá-los, pois estão escondidos e não há nenhuma sinalização desde a entrada do centro até à porta. Os gabinetes em questão são duas gaiolas, uma maior, outra mais pequena, podendo o leitor ver a única ligação que a maior tem com o exterior pela foto junta a este texto. Custa saber que é assim que a câmara trata vereadores eleitos e custa também verificar como eles se sujeitam a uma tal humilhação. Por quanto tempo? E, entretanto, não lutam, oportuna e inoportunamente, por gabinetes decentes?

FERIADOS NACIONAIS – Os feriados nacionais são para celebrar e não para trabalhar, salvo serviços essenciais ou serviços que contribuam para uma melhor celebração. Custa ver nos feriados nacionais (25 de Abril e 1.º de Maio) tantos estabelecimentos privados abertos, enquanto a função pública está fechada. Não é justo!

BOA REGULADORA – É pena que o edifício da Boa Reguladora (junto da estação ferroviária) esteja em contínua degradação e ninguém se importe com isso. Uma câmara ciosa da valorização da nossa cidade agia e a oposição estava pronta para criticar essa falta de cuidado do executivo.

FESTA DA FLOR – Alguém me dizia e com razão que a melhor Festa da Flor que podíamos fazer era um concurso de jardins por todo o concelho com prémios para os melhores jardins públicos e privados que evidenciassem a beleza da Primavera. Alguns deles até já existem. Tratava-se agora de incentivar e premiar.

FESTA DA FLOR II – Em vez disso vão cortar-se milhares e milhares de flores para fazer um espectáculo que acaba com muito lixo no chão e muito dinheiro gasto com uma estrela da música. Quanto vai custar esta festa ao todo?

FESTA DA FLOR III – E já se reparou que o município meteu debaixo do tapete a Feira Grande de Maio (8 de Maio), que enaltecia o poder agrícola do nosso concelho? A agricultura está desprezada. Leia-se a este propósito o texto sobre a romã de Luís Paulo Rodrigues no jornal digital Notícias de Famalicão.

REORGANIZAÇÃO DOS SERVIÇOS – O que se passa com a reorganização dos serviços municipais? A informação é escassa e sabemos que, pelo menos, o PS votou contra na reunião de câmara.

BCG – O edifício do BCG junto da Universidade Lusíada (ladeia pelo lado esquerdo a Rua Ernesto Carvalho no sentido descendente) está em obras não se sabe desde quando nem quando terminam. Não há cartaz lá afixado que indique o princípio e o fim das mesmas. A ideia que fica é que as obras estão paradas, o que não se compreende. Faz muita falta este equipamento.

TAREFA DOS VEREADORES – Os vereadores da câmara municipal recebem a documentação das reuniões em que vão participar muito em cima da hora, de tal modo que não se podem preparar devidamente para intervir. Devem protestar sempre.

INFORMAÇÃO – Os vereadores têm o direito de obter informação sobre os assuntos do município, mas frequentemente solicitam-na e não a obtêm, apesar disso constituir uma violação clara da lei. Uma dessas informações é a despesa devidamente explicitada com a publicidade nos meios de comunicação social.

TRANSPARENCIA DAS SESSÕES DA AM – As reuniões da nossa assembleia municipal são felizmente transmitidas pela net, o que torna possível que, em casa, se possa seguir todas as reuniões e revê-las em qualquer altura. Faz falta uma divulgação mais ampla das datas das sessões ordinárias e extraordinárias, quer na página do município (primeira página), quer nos meios de comunicação social locais. É barato.

ANTES DA ORDEM DO DIA – Na reunião de segunda-feira (27 de Abril de 2026) o período "antes da ordem do dia" demorou cerca de 1h40. É excessivo! Uma hora deveria ser o máximo.

EFE Nenhum grupo municipal deixou passar em branco o boletim/jornal efe no período próprio da reunião que é o da "informação do presidente". Todos o criticaram, excepto, como era de prever, os dois grupos da maioria. Importa não deixar cair no esquecimento este boletim de propaganda.

ESPAÇO – É pena que os deputados e o público tenham de participar nas reuniões num espaço tão limitado como é o da antiga Sala de Audiências do Tribunal Judicial da Comarca. Vejam o que se passa nos concelhos limítrofes e comparem.

PLENÁRIO – Não se compreende que assuntos tão importantes como o plano de actividades e orçamento e o relatório de actividades e contas sigam diretamente da câmara para o plenário da assembleia municipal, sem passarem por uma comissão permanente da assembleia. O debate assim é muito mais pobre.

MOBIAVE – A grande maioria dos autocarros continua a circular praticamente sem passageiros. Ninguém liga?

(Em Jornal de Famalicão, 30/04/26)

sexta-feira, 17 de abril de 2026

Famalicão e os transportes públicos

TRANSPORTES PÚBLICOS  Por razões várias de todos bem conhecidas, é de fomentar o transporte público. Vejam, por exemplo, o que é uma ou duas pessoas transportarem de um lugar para outro uma carcaça que pesa em média mais de uma tonelada, gastando combustível ou electricidade e dificultando o trânsito, à procura de um lugar de estacionamento ou para entrar e sair de uma cidade. Mesmo assim vemos as estradas e as cidades entupidas com milhares de automóveis.

TRANSPORTES PÚBLICOS II – Para fomentar o transporte público e desincentivar transporte privado, é preciso organizar bem os transportes públicos. Famalicão está numa situação privilegiada para os utilizar nas viagens para as cidades e vilas que nos estão próximas. No entanto, vejamos o que acontece a quem quer utilizar transportes públicos a partir de Famalicão.

TRANSPORTES PÚBLICOS III – PORTO – Uma deslocação para o Porto pode ser feita de comboio, sendo pena que apenas haja comboios rápidos urbanos até Ermesinde, pois a partir desta cidade existe o famigerado estrangulamento de Ermesinde–Contumil e é, por outro lado, obrigatório parar em tudo o que é apeadeiro (chamam-lhe estações!) até Campanhã. Para o Porto a viagem pode ser feita também de autocarro, havendo vários que levam rapidamente as pessoas de Famalicão até à entrada do Porto. É a cidade com quem temos, apesar de tudo, melhores ligações.

TRANSPORTES PÚBLICOS IV – BRAGA – A deslocação para Braga pode ser feita facilmente por comboio até à estação de Braga. Pena é não haver autocarros rápidos entre Famalicão e Braga. Já houve e deveria haver de novo.

TRANSPORTES PÚBLICOS V – OUTRAS CIDADES – Mais difícil é a deslocação para Guimarães, pois os comboios são lentos e obrigam a um transbordo em Lousado e não há autocarros rápidos, mas apenas autocarros que param em dezenas de paragens e circulam numa estrada em mau estado. O mesmo se diga para Barcelos, pois há poucos comboios directos para Barcelos e não há autocarros rápidos. E ficando o mar tão próximo,, é pena que não haja autocarros rápidos entre Famalicão, Póvoa de Varzim e Vila do Conde (excepto no Verão). Temos autocarros sempre a parar e a linha férrea já foi, infelizmente, suprimida há algumas dezenas de anos.

TRANSPORTES PÚBLICOS VI – AGIR – Dentro deste quadro, muito há a fazer por parte do nosso município. Desde, logo lutar por autocarros rápidos para Braga, Guimarães, Barcelos e Póvoa de Varzim e Vila do Conde (durante todo o ano). E também por mais e melhores comboios para o trajecto Porto–Braga e vice-versa. Sabemos que entre Porto e Braga há comboios que circulam superlotados a certas horas do dia, mas esquecemos que andar em comboios superlotados e, assim, em pé, não constitui um incentivo para utilizar este meio de transporte.

MOBIAVE – Causa dó ver na cidade, mesmo em horas de ponta, autocarros vazios. Ninguém coloca este problema na agenda política? Pobre(s) oposição (ões).

REABILITAÇÃO DE PRÉDIOS – Fico contente sempre que acontece uma reabilitação de prédios no centro da cidade. Ao que parece, vai ser reabilitado o já velho (e feio) edifício do ex-BNU na Praça D.ª Maria II (antiga EN n.º 14 – Porto–Braga). Esperemos que tal suceda em breve e assim fique enriquecido o centro da cidade.

FALSAS REABILITAÇÕES DE PRÉDIOS – Pelo contrário, entristece ver prédios falsamente reabilitados. Vejam-se, por exemplo, o prédio na esquina da Rua Adriano Pinto Basto com a Avenida Narciso Ferreira, junto da Íris, e o prédio municipal da mesma rua Adriano, junto do Arquivo Municipal. Prédios pintados ou com paredes e tectos arranjados, mas vazios no miolo. São prédios sem utilização, que empobrecem a cidade.

COLABORAÇÃO QUINZENAL – Apenas por excepção quebrámos a anunciada publicação quinzenal neste semanário. Tencionamos voltar a ela.

(Em Jornal de Famalicão, 06/04/26)

sexta-feira, 10 de abril de 2026

Páscoa e Primavera

PÁSCOA DO CONSUMO – A  Páscoa é um tempo espiritualmente forte que revive todos os anos o julgamento, a morte e a ressurreição de Jesus Cristo. No entanto, transformamos a Páscoa num tempo de férias e de consumo desmesurado que atinge um momento alto no almoço do próprio domingo de Páscoa. A Páscoa não é isto, mas tornou-se nisto. 

TAXA DE PLÁSTICO – A taxa sobre os sacos de plástico foi introduzida a 15 de Fevereiro de 2015 pelo famalicense Jorge Moreira da Silva, então ministro do Ambiente, que fixou o valor de 10 cêntimos (8 cêntimos + IVA) por saco leve, com o objetivo de reduzir o seu consumo e promover a sustentabilidade, resultando numa queda drástica na utilização destes sacos. As pessoas ainda se lembram do tempo em que os hiper e supermercados ofereciam a cada cliente um saco que era uma forma de publicidade. Precisamos agora de actualizar essa taxa e aplicá-la também a outros sacos de plástico que até agora a ela não estão sujeitos, nomeadamente de fruta e outros produtos

EMBALAGENS VOLTA – Veremos os efeitos do "Volta" a partir do dia 10 de Abril  de 2026. Trata-se, segundo percebi, de um mecanismo nacional que permite recolher e reciclar embalagens de bebidas não reutilizáveis, estando abrangidas garrafas e latas de plástico ou metal que contenham no rótulo o símbolo Volta.

UBANIZAÇÃO E PARQUE DO VINHAL – Fiz há dias mais uma visita guiada à Urbanização do Vinhal (lado poente do hospital), dando especial atenção ao regato que a atravessa e ao parque que a integra. Aquela zona residencial é muito valorizada pelas árvores e pelo  curso de água que desagua no rio Pelhe e depois segue para o  rio Ave. Só que há por ali muito desleixo que começa logo pela intermitente poluição do regato, que impede a vida que ele deveria ter. Preciso de fazer uma visita guiada com responsáveis da nossa autarquia local para dizer algo mais.

QUERCUS – Dizíamos, há quinze dias, que o majestoso carvalho (Quercus) junto dos Paços do Concelho (lado norte) estava despido, sendo a imagem do Inverno. Pois, como prevíamos, já está outro, enriquecido de ramos e folhas, marcando a sua soberania no jardim dos Paços do Concelho.

CEREJEIRAS DE FLORES – Quase não vemos no nosso concelho cerejeiras a produzir cerejas (embora as haja), mas vemos cerejeiras muito bonitas cheias de flores. Elas estão não só no jardim dos Paços do Concelho, plantada por José Saramago (assisti a essa plantação – 21/03/19), mas também junto da recentemente encerrada Padaria Celeste e ainda ao longo da Avenida Eng.º Pinheiro Braga (a merecer mais cuidada atenção), e em muitos jardins particulares  das nossas freguesias. Mas as mais bonitas vi-as na semana passada em Vilarinho de Samardã (Vila Real)

GLICÍNIAS – Mas não são só as cerejeiras que animam uma Primavera especialmente bela  neste ano de 2026. Há muitas outras flores exuberantes nesta estação e não se podem esquecer, entre outras, as glicínias que abundam no nosso concelho. 

CIDADE DO PELHE – O Senhor Juiz Conselheiro Pedro Soares, no seu texto de hoje neste jornal, chama a Famalicão a "cidade do Pelhe". Nunca tinha visto desse modo a nossa terra, mas tem razão. O rio Pelhe, afluente do Ave, atravessa o Parque da Devesa e este parque tornou-se uma marca da cidade. De um curso de água pequeno (20 quilómetros), nascido numa ponta do concelho (Portela) e desaguando noutra ponta do mesmo (Lousado), temos o dever de fazer dele um exemplo de cuidado com a natureza e  um habitat natural de muitos peixes e outra fauna e também flora própria. Podemos fazer deste pequeno rio um grande  exemplo de cuidado ambiental a nível nacional. É um belo desafio! Somos capazes?

OPINIÃO PÚBLICA (ESCLARECIMENTO) – Tudo o que tenho escrito sobre o boletim/jornal efe mantenho. Importa, no entanto, esclarecer que a  suspensão da publicação por tempo indeterminado do jornal Opinião Pública (OP) não pode fundamentar-se na concorrência provocada pela nova publicação municipal que se anuncia bimestral. Uma publicação  que surge seis vezes ao ano não concorre com uma publicação semanal por muito esforço que faça e por muito dinheiro nosso que gaste. Importa arranjar melhor argumento. A não ser que a administração do Opinião Pública não tenha outro melhor.

OPINIÃO PÚBLICA (FUNDAÇÃO) – O OP foi fundado há 34 anos por iniciativa de  Feliz Pereira, que reuniu uma equipa plural com um fim jornalístico e não político-partidário. Em recente reunião, Feliz Pereira dizia que o OP já passou por muitos tempos difíceis e ultrapassou-os. Seria bom que tal sucedesse mais uma vez. Sucederá? A actual administração da Editave está à prova. Poucos acreditam.

CHUVA – Abençoada chuva que chegou nesta terça-feira, dia 7 de Abril, depois de semanas quentes e secas. Esperemos apenas que não seja em excesso.

(Em Jornal de Famalicão, 09/04/26)

quinta-feira, 26 de março de 2026

Sobre os vereadores

VEREADORES – Há uma ideia muito difundida de que numa câmara municipal manda o presidente, sendo os vereadores, mesmo os da maioria, apenas  servidores do presidente, meros executores das ordens deste.

VEREADORES II – Não tenho essa ideia, nem ela resulta da Constituição ou da lei. Os vereadores dentro da câmara têm opinião própria sobre os assuntos do município e podem até, no fim, concordar com o presidente, mas não deixam de  exprimir e defender no seio da maioria o que pensam. Claro que não procedem assim nas reuniões formais (privadas ou públicas), mas fazem-no nas reuniões informais que precedem ou devem preceder as reuniões em que estão presentes todos os vereadores.

VEREADORES III – E se assim não procederem, quer porque não há essas reuniões informais, quer porque durante elas apenas ouvem o que o presidente diz nessas reuniões, não merecem ser vereadores. Um vereador tem direito a voto igual ao do presidente, apenas não tem voto de qualidade no caso de empate.

VEREADORES IV – É certo que o presidente da câmara tem o poder de lhes retirar pelouros sempre que assim entenda, mas um vereador que se preze tem, nesse caso, o poder de renunciar ao cargo ou de passar à situação de vereador independente. Pode ficar, na verdade, sem o vencimento que resulta de exercer a tempo inteiro ou meio tempo, mas mal de um vereador que continua no cargo apenas por causa do vencimento. Nesse caso não é vereador, é um empregado do patrão-presidente. Não preza a sua dignidade.

VEREADORES V – Desejo para os municípios do nosso país vereadores que tenham personalidade, que contribuam com a sua opinião para o bem comum do município. E quanto aos vereadores da oposição, devem eles também exprimir o que pensam nas reuniões formais, concordando com aquilo que entendem ser bom para o município respectivo, mas discordando e criticando o que consideram dever ser criticado. Se entram e saem das reuniões calados, se não fazem intervenções apropriadas, nem sequer merecem o exíguo valor das senhas de presença.

LOURO – Na freguesia do Louro, a Fraternidade de Nuno Álvares, associação privada de âmbito nacional, sem fins lucrativos, constituída por antigos filiados do Corpo Nacional de Escutas (CNE) teve a feliz ideia de dar vida à Escola Primária de Armental, reconstituindo uma sala de aulas do tempo do antigo regime. A inauguração, a que assistimos, ocorreu no passado sábado, dia 21/03/26, com muito interesse e participação e sobre ela esperamos dizer, oportunamente, algo mais.  

BOLETINS MUNICIPAIS – Já dissemos que o nosso boletim municipal (o agora "renovado" efe) é ilegal porque é um boletim de propaganda do presidente da câmara e da maioria que o acompanha, pago com o dinheiro de todos os famalicenses.

BOLETINS MUNICIPAIS II – Em França, há legislação, doutrina e jurisprudência expressa sobre a matéria, estipulando o artigo L. 2121-27-1 do Código Geral das Autarquias Locais que, nos municípios com 1.000 habitantes ou mais, quando o município publica um boletim informativo geral sobre as realizações e a gestão da câmara municipal, deve neles ser reservado um espaço para a expressão dos vereadores que não pertençam à maioria. Tencionamos voltar a este assunto.

QUERCUS E MAGNÓLIA – Enquanto a magnólia do jardim dos Paços do Concelho junto da Assembleia Municipal já perdeu as flores e exibe agora esplendorosa folhagem, o enorme carvalho (quercus) que lhe fica perto ainda exibe o Inverno, mas um dia destes desponta e torna-se a árvore mais frondosa do jardim. Estejam atentos.

FAMALICENSES – A secção "Famalicenses", que este jornal me deu liberdade de orientar, vai ter de novo continuidade regular com periodicidade quinzenal. Consideram-se famalicenses, para este efeito, as pessoas naturais do concelho, as que nele residem (1.ª ou 2.ª residência) e as que nele trabalham ou trabalharam. Dedica-se esta secção a famalicenses que, por alguma razão, se destacam ou destacaram. A escolha é, felizmente, difícil.  

(Em Jornal de Famalicão, 26/03/26)

sexta-feira, 13 de março de 2026

efe – um lamentável boletim de propaganda!

Há momentos em que são precisas atitudes que choquem a opinião pública e a suspensão temporária da edição impressa exactamente do jornal Opinião Pública é uma delas.

Diz-se que a suspensão foi apenas um pretexto, pois o jornal impresso ia acabar mais dia menos dia. Porém, mesmo que tenha sido um pretexto – e está por provar –, a Editave, proprietária do jornal, aproveitou-o bem.

E isso vê-se na reacção da câmara municipal através do comunicado que distribuiu à imprensa e que está escondido no meio da página oficial do município. Quando a câmara municipal se vê obrigada a defender-se e a defender a publicação do jornal efe algo de grave se passa.

Lamenta a câmara municipal "que esta decisão de suspender um título semanal com mais de três décadas de existência esteja a ser justificada com a recente edição do renovado boletim municipal – o efe –, que foi lançado há nem uma semana e que será editado de dois em dois meses". Ora, o que a câmara municipal devia lamentar é a infeliz publicação do dito "renovado boletim municipal". Desde logo, porque não se trata de um boletim municipal, mas de um boletim de propaganda da maioria liderada pelo presidente da câmara que ocupa nele o lugar cimeiro.

Se fosse um verdadeiro boletim municipal, seria objectivo e publicava regularmente as actas da câmara e da assembleia, bem como as deliberações e despachos com eficácia externa do município e nada mais do que isso e divulgá-lo-ia electronicamente para poupar dinheiro. Era uma espécie de Diário da República local de que serve de exemplo o do município do Porto (e não só).

Mas mesmo que se entenda que um boletim municipal pode ir mais longe e publicar outra informação e notícias, então deveria ser um boletim da responsabilidade da câmara municipal (toda) e da assembleia municipal (toda) e não um boletim do presidente da câmara e seus amigos da vereação.

Infelizmente, o efe é mesmo e apenas um boletim/jornal onde o presidente da câmara mete o que bem entende e o que ele entende são os feitos gloriosos da câmara que dirige e outros igualmente gloriosos que estão para vir. Para disfarçar mete também outras coisas igualmente boas que não são mérito seu (êxitos de pessoas ou de empresas famalicenses, por exemplo), mas que ficam bem num boletim de propaganda.

Ora, nem é preciso lei, embora exista, para dizer que isto não se pode fazer. O Senhor Presidente da Câmara, ilustre director da coisa e seus cúmplices da vereação (e ainda eventualmente da assembleia municipa)l não podem utilizar dinheiros públicos para fazer propaganda. Se a quiserem fazer, arranjem um jornal, distribuam-no gratuitamente e paguem-no do seu bolso, pois as pessoas não costumam pagar propaganda. É uma questão de decência.

Dir-me-ão que estes boletins de propaganda existem em muitos outros municípios e em Famalicão já têm mais de 40 anos (década de 80). É verdade, mas não é por isso que se justificam e estou particularmente à-vontade nesta matéria, porque sempre os critiquei, viessem de onde viessem.

Agora está à prova a força da oposição – melhor, das oposições – em Famalicão. Veremos se elas são também cúmplices desta publicação. E serão se se calarem até aparecer o novo efe, que sairá dentro em breve (é bimestral), em vez de utilizarem todos os meios ao seu alcance, e são vários, para pôr fim a este claro ataque aos valores da democracia.

Importa lembrar que a câmara tem uma boa saída para esta situação que a enobrecerá: acabar com a publicação do efe, passando a editar um verdadeiro boletim municipal electrónico e apoiando seriamente, com transparência e equidade, toda a imprensa famalicense reconhecida na ERC. Não é difícil!

(Em Jornal de Famalicão, 12/03/26)

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

Lutar pela paz na Ucrânia (4 anos de guerra)

UCRÂNIA – Utilizamos estas colunas do Jornal de Famalicão para tratar de assuntos locais. É essa a regra. No entanto, escrevemos estas linhas no dia 24 de Fevereiro de 2026 e passam nesta data quatro anos sobre a abominável invasão da Ucrânia pela Rússia. Lembro-me bem daquela enorme fila de viaturas militares que entraram pelo território ucraniano. Depois disso, a Rússia continua a mostrar o que é: um regime ditatorial que não tem nenhuns escrúpulos em matar a população civil (desde logo crianças e mulheres) da Ucrânia. A Ucrânia não tem possibilidade de se opor a esta ofensiva diabólica de uma potência nuclear. A meu ver não vale a pena continuar indefinidamente esta guerra. Faça-se um acordo que será sempre um mau acordo, mas é melhor que ver morrer pessoas indefesas. Depois disso, importa lutar com as "armas da não violência". Precisamos de seguir os exemplos de Gandhi, de Mandela e de Luther King. Corrida às armas, não!

EFE (efe) – Sabem o que é o jornal efe? Ainda não repararam nele? Tem uma tiragem de 61.750 exemplares, tem como director Mário Passos e é apenas o outro nome do anterior boletim municipal – melhor, do anterior boletim de propaganda da câmara. Merece uma referência mais detalhada que esperamos ter a oportunidade de fazer.

EFE (efe) II – Vi ontem, 4.ª feira de manhã, dia 25/02/26, que o jornal Opinião Pública, com capa de luto, titula a toda a largura da primeira página: "Jornal Opinião Pública suspende publicação em papel por tempo indeterminado", reagindo desse modo ao aparecimento do efe. É uma reacção firme e adequada. Por sua vez, o jornal Povo Famalicense, embora com uma posição muito mais branda, não deixa de titular em primeira página: "Município lança jornal efe, oposição censura".

EFE (efe) III – Importa dizer que esta publicação do nosso município é ilegal, pois a lei não permite que se utilizem dinheiros públicos para fazer propaganda camarária. Nada haveria a dizer se esta publicação fosse da responsabilidade do PSD/CDS, paga pelos partidos que a integram e distribuída pelos circuitos normais. Importa ver como reage a entidade de tutela que é actualmente a IGF.

EFE (efe) IV – Importante será saber também como vão reagir as oposições nos órgãos do município. Uma moção de censura da assembleia municipal à Câmara Municipal, mesmo não tendo êxito, dada a maioria neles existente, é a atitude que se espera. Ao lado disso, devem as oposições locais ter capacidade para tornar este um assunto nacional, pois é um ataque à democracia o que esta publicação, tal como as anteriores, representa.

PLANO DE URBANIZAÇÃO DA CIDADE – O artigo 98.º da Lei n.º 80/2015, de 14 de Maio, estabelece no seu n.º 3 que: "Nas sedes de concelho e nas áreas urbanas com mais de 25.000 habitantes, o regime do uso do solo deve ser previsto, preferencialmente, em plano de urbanização municipal". Isto diz a lei, mas infelizmente a nossa cidade continua sem um plano de urbanização ou sequer a preparação dele. A nossa cidade tem crescido muito, mas mal. Duvidam?

MAGNÓLIA – É bonita a árvore que floresce nos Paços do Concelho, junto da Assembleia Municipal. Nesta árvore exótica surgem primeiro belas flores, numa enorme quantidade, e só depois as folhas. Tem resistido à chuva e ao vento.

BANKÜ – O nome não me parece feliz (e tem trema!), mas isso não é o mais importante. O que interessa é que se consolide como um bar de qualidade.

EX-HOTEL GARANTIA – Está quase pronta a reabilitação do prédio que foi o Hotel Garantia. Os passeios já foram devolvidos aos cidadãos. Ainda bem. Este edifício não vai ser inaugurado? Merecia.

(Em Jornal de Famalicão, 26/02/26)

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Prioridades e prevenção

GERIR O MUNICÍPIO  – Como já dissemos, mais do que uma vez, gerir o município de Vila Nova de Famalicão não é tarefa fácil. É um grande município e são muitos os assuntos que precisam de ser resolvidos. A página oficial do município engana quando apresenta logo na abertura e com todo o destaque o assunto Carnaval.

PRIORIDADES – Não, o Carnaval não merece esse destaque, nem merece que se gaste com ele tanto dinheiro (mais de 200.000 euros). Bem se podia poupar aqui, gastando muito menos e utilizando o dinheiro restante em coisas mais necessárias. Qualquer leitor atento sabe bem disso. Podemos discordar nas prioridades, mas o Carnaval não é certamente uma. É má gestão dos dinheiros públicos.

CAPELA DE SANTO ANTÓNIO – Também não é prioridade, a nosso ver, o arranjo da entrada da Capela de Santo António. Não se põe em causa que fique melhor com este arranjo, o que se põe em causa é que seja uma prioridade, sabendo nós os muitos e graves problemas que existem.

PREVENÇÃO – Olhando para o que aconteceu na zona centro do país com o vendaval e as chuvas, é dever nosso cuidar da prevenção no nosso município para minimizar os efeitos que poderão advir de catástrofes semelhantes ou de outras igualmente graves. 

COMISSÃO MUNICIPAL DE PROTECÇÃO CIVIL  – Fui à procura da protecção civil no nosso concelho e encontrei na secção respectiva da página do município "O que procura?" um regulamento que diz que a Comissão Municipal de Protecção Civil é composta, nos termos da lei, pelo presidente da câmara municipal ou vereador com competência por ele delegada e mais 16 (dezasseis) elementos. Mas será uma tal comissão, que reúne ordinariamente uma vez por ano, eficaz? 

ELEMENTOS DA COMISSÃO – E quem são esses elementos? Sabemos que ela é presidida pelo presidente da câmara, mas isso chega para nos dar confiança? Não deveria ser do conhecimento geral  quem são os nomes da protecção civil que estão preparados para agir de imediato em caso de necessidade? Ou será que, no caso de catástrofe, irão ser convocados para uma reunião os 16 elementos que vão desde as corporações de bombeiros, à Santa Casa da Misericórdia  e à delegação de Ribeirão da Cáritas?

PLANO MUNICIPAL DE EMERGÊNCIA DE PROTECÇÃO CIVIL – Atenção! Existe um Plano Municipal de Emergência de Proteção Civil –  Vila Nova de Famalicão. Não o encontrei, pelo menos facilmente, na página do município, mas antes numa pesquisa no Google. Apareceu um documento de 2010 (versão provisória) com  mais de 100 (cem) páginas. Não tive ainda tempo de o ler e não sei se é este que está em vigor. Haverá tempo de saber.

AUTOMOBILISTAS DA MOBIAVE – Elogio os condutores dos autocarros da Mobiave que têm de percorrer as estradas e ruas do nosso concelho. Precisam de ter muita perícia para fazer o percurso que lhes foi destinado. Não seria de melhorar a circulação nessas vias para bem de todos?

ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS – Os eleitores do concelho de Vila Nova de Famalicão e de todas as suas freguesias deram uma muito expressiva vitória a António José Seguro nas eleições presidenciais (2.ª volta) do passado domingo, dia 8 de Fevereiro de 2026. No concelho, mais de 2/3 dos eleitores votaram no presidente eleito. Para isso muito contribuíram os eleitores de diferentes opções políticas que se uniram para defender a democracia tal como ela deve ser entendida, rejeitando aventuras políticas. Essa união foi bem visível em Famalicão e a sessão que decorreu na Fundação Cupertino Miranda do dia 5 de Fevereiro foi disso boa expressão.

(Em Jornal de Famalicão, 12/02/26)

quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Famalicão: lugar do Carnaval

FESTAS TRADICIONAIS DAS FREGUESIAS DO CONCELHO – Nas festas tradicionais das freguesias do concelho, que são na grande maioria religiosas, mas onde predomina o profano, faltou-me referir, na semana passada, o São Sebastião, que se celebra em Gondifelos, Oliveira de Santa Maria e Vilarinho. Profana é a Queima do Galheiro em Fradelos, festa também com larga tradição.

MAPA DAS FESTAS RELIGIOSAS – Tentei pesquisar o mapa das festas tradicionais na página oficial  do concelho, mas não tive sorte. Na secção "O que  procura?" encontrei 646 respostas para a pesquisa  "Festas tradicionais do concelho" e apenas apareceram, nas primeiras 50 respostas, as Festas Antoninas. Pesquisei depois "Festas tradicionais das freguesias do concelho" e recebi 872 respostas. No entanto, nas primeiras 50 nenhuma delas refere festas, nem sequer as antoninas. Assim, esta secção, aparentemente útil, não serve. É preciso modificá-la. E é preciso dar notícia destas festas que brotam da iniciativa dos famalicenses.

FAMALICÃO: LUGAR DO CARNAVAL – Na página oficial do concelho quando a abrimos aparece-nos com grande destaque um cartaz de "Carnaval (13-17 Fevereiro – Famalicão)". Festas é o que a câmara municipal tem para nos oferecer ao longo do ano. É o Carnaval, depois as Antoninas, a seguir a Feira de Artesanato e Gastronomia e, para fechar o ano, o Natal. Quatro festas municipais, pelo menos, e com elas muito mais de um milhão de euros.

RUTURAS DE ABASTECIMENTO DE ÁGUA – É bem verdade que "as condutas da rede citadina estão velhas e desgastadas", como se escrevia na semana passada. Neste domingo, dia 25/01/26, a conduta de água rebentou à entrada da Rua Conselheiro Santos Viegas, mais propriamente junto da Praceta Lino Lima. Liguei cerca das 17h para as avarias ( 252 317 454), tendo as pessoas que me atenderam tomado nota. Estranhei um pouco o atendimento, porque me pareceu que as pessoas que estavam do outro lado não conhecem bem a cidade.

ORÇAMENTO MUNICIPAL PARA 2026 – Duzentos e cinquenta e seis milhões de euros (256.000.000) é o valor da proposta de orçamento do município para 2026 aprovado na passada segunda-feira (dia 25/01/26) pela maioria da câmara municipal. O maior orçamento de sempre, uma vez que acolhe os investimentos do PRR.

DECLARAÇÃO DE VOTO – Numa bem elaborada declaração de voto, os vereadores do Partido Socialista na Câmara Municipal criticam vários aspectos da proposta de orçamento municipal para 2026 apresentado pela Câmara Municipal para aprovação, justificando a sua abstenção não prejudicar os investimentos que estão previstos, nomeadamente no âmbito da saúde e da educação. Nas críticas feitas chamou-nos a atenção, entre outros assuntos, a falta de implementação de um "regime de apoio garantido", os cuidados que merecem as pessoas de idade e as que padecem de outras vulnerabilidades e que não são devidamente atendidas no orçamento e os problemas não resolvidos da recolha de resíduos urbanos e outros no nosso concelho. É uma declaração de voto que merece ser lida e que foi feita nas condições difíceis em que trabalham os vereadores da oposição.

BIBLIOTECA MUNICIPAL – A nossa biblioteca municipal (Parque de Sinçães) renovada merece ser visitada e frequentada. É ampla, tem muito que ver e, especialmente da parte de tarde, tem muita gente, principalmente estudantes. Entretanto, num dia destes, enquanto esperava por umas pessoas na recepção, entrou um senhor que perguntou se podia ler os jornais. A pessoa que atendeu indicou de imediato o local, que é no piso de entrada do lado esquerdo ao fundo. Novidade também recentemente anunciada é a aposta no digital.

COLABORAÇÃO QUINZENAL – Bem gostaria de ter tempo para abordar semanalmente assuntos do nosso concelho, pois não faltam, mas o tempo é um bem escasso e, por isso, e por outros afazeres, a colaboração passará a ser quinzenal, com o acordo do director do Jornal de Famalicão.

(Em Jornal de Famalicão, 29/01/26)

segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

A democracia é um bem frágil

HÁ 50 ANOS – O Jornal de Famalicão da passada semana dava notícia de que no dia 19 de Janeiro de 1976 tomava posse a nova Comissão Administrativa da Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão, presidida por José Carlos Gomes Marinho, industrial, e da qual faziam parte José Garcia Carvalho de Azevedo, advogado; José Júlio Alves Coelho, agente de seguros; Antero Castro Martins, gerente industrial; Joaquim da Silva Loureiro, advogado; José Rodrigues Martins, operário têxtil; e Daniel Pinheiro Silva, professor do ensino básico. Esta nova comissão sucedeu à presidida pelo Eng.º António Pinheiro Braga na sequência do 25 de Abril de 1974. De notar ainda que José Carlos Marinho foi o primeiro presidente eleito por sufrágio universal directo e secreto em Vila Nova de Famalicão (12 de Dezembro de 2026). 

ESTÁDIO MUNICIPAL – O jornal Opinião Pública (OP) da semana passada titulava a toda a largura da primeira página "Concurso para Construção do Novo Estádio Municipal Ficou Vazio". Foi um concurso público internacional que não suscitou interessados. É de estranhar, sabendo nós como este concurso foi preparado. Será que ele defendia o interesse público pelo menos de modo suficiente e isso não agradava aos interesses particulares que naturalmente se movimentam à volta do estádio? Se assim foi, ainda bem. 

ALTERNATIVAS – E esperemos que as “alternativas” de que já fala a Câmara não seja a das costumeiras cedências a interesses privados. Devemos todos, meios de comunicação social e cidadãos, estar atentos a essas alternativas para que se encontre uma solução satisfatória. Cuidado com as decisões de gabinete!

CONDUTAS DE ÁGUA NO CENTRO DA CIDADE – "O problema está identificado: as condutas da rede citadina estão velhas e desgastadas, o que origina ruturas e a consequente falha no abastecimento para desespero de moradores e comerciantes". Ao mesmo tempo que escrevia isto, Cristina Azevedo dava nota, no OP de 14/01/2026, de um comunicado da câmara municipal,  informando que esta decidiu "avançar com carácter de urgência, com o processo de substituição integral da conduta instalada na Avenida 25 de Abril e na Avenida Narciso Ferreira e que abastece não só o centro urbano, como também algumas zonas periféricas da cidade”.

COMUNICADO DA CÂMARA – Fomos à procura desse comunicado na página do município, mas não tivemos sorte. Ele deve estar talvez num lugar escondido da página. Ainda pesquisamos em "O que procura?" e saíram 597 respostas. Nenhuma delas, ou pelo menos as primeiras, com essa informação. Assim não dá.

CARNAVAL 2026 – Podemos ter dificuldade em encontrar certa informação da câmara, mas outra está em "destaque" e isso diz muito. Pode ler-se na página do município: "O Carnaval de Famalicão é de todos e para todos e no dia 16 de Fevereiro ninguém vai querer perder aquela que é a noite mais animada do ano em Vila Nova de Famalicão". Esta preocupação com "festas" diz muito da prioridade camarária. E quanto custa? Foi votado desde já um pedido de autorização de despesa à câmara municipal de 200.000 euros. Mas não haverá outras despesas relacionadas com esta actividade?

FESTAS NO CONCELHO – Desde o início do ano que o concelho tem festas. Festas tradicionais, algumas de séculos. É o Santo Amaro (Arnoso Santa Eulália e Carreira), é o São Vicente (Sezures e Gavião), é a Senhora das Candeias (Landim) e muitas outras ao longo dos próximos meses. Deveria haver uma lista delas na página do município e a indicação do apoio que a câmara lhes dá. Não pesquisei.

SACOS DE PLÁSTICO PARA FRUTAS E LEGUMES – Sou claramente a favor da taxa pela utilização dos sacos de plástico nos estabelecimentos que vendem frutas e legumes. É preciso poupar na utilização do plástico. Pela minha parte, já costumo levar sacos usados, mas isso não resolve o problema. 

DEMOCRACIA E ELEIÇÕES – A democracia é um bem frágil. Não a deixemos nas mãos de demagogos.

(Em Jornal de Famalicão, 26/01/26)

quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Novos médicos na ULS do Médio Ave

59 NOVOS MÉDICOS – O Jornal de Famalicão titulava com destaque em primeira página e desenvolvimento no interior: “Unidade Local de Saúde do Médio Ave Acolhe 59 Novos Médicos”. Destes, 32 em formação geral e 27 em formação especializada. A formação geral tem a duração de um ano e a formação especializada entre quatro e seis anos, culminado com a atribuição do título de médico especialista.

ACOLHIMENTO  Estes médicos vêm de vários pontos do país. Que pena o nosso concelho não possuir casas para arrendar, pelo menos a  alguns  destes médicos, a preço razoável! Famalicão atrairia mais médicos e o nosso hospital ficaria mais valorizado e conceituado. E era tão fácil ter essas habitações, até junto do hospital. 

CRECHES – Temos falta de creches!  É a informação que  obtive junto de quem conhece bem o nosso concelho. Era importante saber quais as necessidades concretas que existem neste domínio. E, sempre que possível, as creches deveriam estar junto de locais onde a maioria dos pais trabalha. 

LARES – Segundo a mesma fonte, não faltam só creches, faltam também lares para idosos. Deveria haver aqui também a maior atenção. E deveríamos ser inovadores não só quanto ao tipo de lares (evitar os "armazéns" de idosos), como quanto à sua localização. Sempre que possível deveriam estar dentro das cidades e vilas. Quantos "lares" temos no concelho? Onde está essa informação? 

DOMINGO CHUVOSO – No dia 11 de Janeiro de 2026, apesar de ser domingo, as ruas da cidade estavam desertas. A chuva não foi intensa, mas o céu estava todo nublado e a visibilidade muito reduzida. Era dia de voto antecipado.

VOTO ANTECIPADO – Exerci o voto antecipado na antiga Escola Primária junto da Câmara Municipal. Tudo bem organizado. A enorme maioria dos inscritos para o voto antecipado, votaram. Havia cinco mesas. Na minha mesa de 280 inscritos, só faltavam votar 14 eleitores, cerca das 19h.

DIA DE ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS – No próximo dia 18/01/26 veremos se a nossa democracia está bem consolidada como desejamos ou se está em risco como alguns sinais fazem temer. Uma democracia consolidada é aquela em que todos (ou, pelo menos, uma grande maioria) lutam por uma "sociedade, livre, justa e solidária" como estabelece o excelente artigo 1.º da nossa Constituição. 

CORRUPÇÃO  São de combater aqueles que afirmam que somos um país de corruptos, porque não somos. Bem o diz o conceituado Juiz Conselheiro Mouraz Lopes, novo Presidente da Agência Nacional Anticorrupção em entrevista ao Público (08/1/26) que merece ser lida (está também em podcast). Há, é claro, corruptos na política e na sociedade, mas são uma minoria que devemos combater. E quantas vezes aqueles que se dizem incorruptíveis bem nos enganam!

TAPETES VERMELHOS – "Famalicão, lugar do Natal" cobriu os passeios do centro da cidade com largas centenas de metros (talvez mais de um quilómetro) de tapetes vermelhos para atrair clientes. O problema é que estes tapetes em muitos passeios são autênticos "tapa-buracos" e, na Rua Adriano Pinto Bastos, uma pessoa que seguia a meu lado, de repente tropeçou num desses buracos e caiu desamparada. Teve sorte, mas poderia ter ido para o Hospital com grave lesão. E teria sido a única que caiu? E nesta data (13/01/26) ainda não foram retirados.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

Gabinete dos vereadores

HOSPITAL DE SANTO TIRSO – "Hospital de Santo Tirso está a ser 'empurrado para fora do público sem explicações nem garantias'”, diz a Federação Nacional dos Médicos. Assim titula “Fama Rádio e Televisão” em texto de José Ricardo Barbosa de 06/01/26. Mais informa que se criou um Movimento de Utentes do Hospital de Santo Tirso. Saúdo vivamente este movimento! Ao que consta, querem passar o Hospital para a Santa Casa da Misericórdia que, sendo uma instituição bem rica, atravessa, ao que parece, uma grave crise financeira. Mais informação precisa-se, pois isso tem a ver também com o nosso hospital.

PATRIMÓNIO – O nosso município tem um património próprio que temos o direito de conhecer. Fui à procura dele na página do município. Meti "Património Edificação" na página inicial onde está escrito: "O que procura?". Obtive 287 ocorrências, a primeira das quais era a seguinte: "Reabilitação da Quinta das Águas vence Prémio Januário Godinho". Mas, mais abaixo, apareceu "Património" e, dentro dele: "Património Edificado com afetação de utilização". Abri e aparecem largas centenas de prédios espalhados por todo o concelho, muitos deles "habitação social". Fiquei mais informado. É pena, no entanto, não haver uma informação do valor do total e de cada um dos prédios.

FALE CONNOSCO – Existe na página do município um espaço que se intitula "Fale connosco". Preenchi e enviei com sucesso a seguinte pergunta: "Precisava de saber o valor do património edificado do nosso município. É possível?". Aguardo resposta.

GABINETES DOS VEREADORES – Sabem os leitores onde fica o Gabinete dos Vereadores do nosso município? O caminho a seguir é este: entra-se no Centro Comercial Vinova (Rua Adriano Pinto Basto) e, no piso de entrada vira-se à direita (cuidado com a cabeça, se for alto) até chegar a uma pequena claraboia, bem necessária, pois estamos a percorrer lugares escuros. Depois, vira-se, de novo, à direita e, ao fundo, há uma porta de vidro onde se lê com dificuldade: “Gabinete dos Vereadores”. Chegou! Volte para trás e reconforte-se no estabelecimento do Senhor Machado, porque ali, ao menos, há luz, vida e uma larga esplanada!

MATA DA BOA REGULADORA – Vale a pena ler o artigo de José Carvalho, no jornal online Notícias de Famalicão, intitulado “É preciso agir!”, de 30/12/25, sobre atentados ao nosso território municipal, o último dos quais foi a destruição da mata da Boa Reguladora. Mas, antes deste, JC lembra o que se destruiu no Monte de Santa Catarina (a mancha negra), em Cabeçudos (o falso ecoparque) e em Lousado (à volta da Mabor nem os montes escaparam). Texto bem ilustrado com fotografias!

PROXIMIDADE – Diz-se, em abono da democracia local, que uma das suas características é a proximidade, ou seja, que os fregueses ou munícipes têm fácil acesso aos eleitos, porque estão próximos, podendo obter, por exemplo, a informação que desejam. Infelizmente, nem sempre é assim e, como munícipe de Vila Nova de Famalicão, tenho dificuldade de acesso a informação que me é necessária para participar na vida local (democracia participativa), que é um direito fundamental que a Constituição me assegura (artigos 48.º e 268.º da CRP).

HOTEL MELIÃ – Tenho de desdizer-me e afirmar que, ao que parece, o hotel junto do Jumbo/Auchan vai para a frente. Óptimo! Só que o aspecto arquitectónico não atrai. Vamos ter mais uma vez um projecto de arquitectura pretensiosamente bonito (?), mas nada funcional? Toda a atenção é pouca. E onde vai ficar, concretamente?

CENTRO COMERCIAL GALIZA – Causa pena ver o estado em que se encontra o Centro Comercial Galiza, aliás, como outros. Degradado e vazio. Importa fazer ali uma intervenção e a câmara municipal, que tem ali estabelecimentos seus, não se pode alhear daquela situação. Há modos de intervir e aquilo a que não podemos assistir é ao silêncio. Mais uma vez, aqui um(a) gestor(a) do centro urbano com peso poderia ter um papel importante.

REABILITAÇÃO DE EDIFÍCIOS – Estamos a assistir na cidade à reabilitação de edifícios degradados, o que é bom! No entanto, ainda há muitos para reabilitar, porque estão praticamente abandonados. Vários destes, ocultados por tapa-misérias que têm nome e publicidade do município.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

A igualdade faz parte da democracia

NATAL – O Natal faz-me lembrar muito a sociedade desigual em que vivemos. Uns com muito, demasiado. Outros com pouco, demasiado pouco. Uns, esbanjando comida, outros, pouco tendo para comer. Isto é assim ao nível da nossa terra e do nosso país, mas também a nível universal. Precisamos de lutar por uma cada vez maior igualdade. A igualdade faz parte da democracia. Não há democracia numa sociedade com profundas desigualdades. A democracia exige que todos tenham o suficiente para viver dignamente (alimentação, casa, cuidados de saúde, entre outros bens).

MOBIAVE – Continuo a ver autocarros vazios na cidade. Muitos, mas cheios de lugares vagos. E não sou só eu. É preciso ver o que se passa. O transporte público é importante e deve ser fomentado. Deveria haver uma informação pelo menos mensal do número de passageiros que os autocarros deviam transportar e quantos transportam realmente. Só assim se tem uma ideia do que está a acontecer e da evolução. Os vereadores e os membros da assembleia municipal devem estar atentos para bem do transporte público.

JUMBO/AUCHAN – Está a ser feita uma grande ampliação do hipermercado Jumbo/Auchan (saída para Guimarães). Deveria haver uma informação detalhada na página do município sobre o que se está a fazer ali, mas não há. A falta de informação do costume.

HOTEL – Lembram-se que se anunciou há anos para junto do Jumbo, agora Auchan, um grande hotel com uma boa piscina também pública? Parece que tudo se esfumou. E nós em Famalicão não temos um hotel com essas características e deveríamos ter. Engrandeceria muito mais a cidade do que uma ampliação do hipermercado.

FAMALICÃO, LUGAR DOS HIPERMERCADOS – Anuncia-se Famalicão como lugar do Natal, mas é mais adequado dizer Famalicão, lugar dos hipermercados.

PUBLICIDADE CAMARÁRIA – Os Vereadores do PS requereram, e bem, informação sobre o gasto da Câmara com a publicidade na imprensa local. Ao que parece vão ter de esperar muito, porque dá muito trabalho fazer esse levantamento…

DOUTORAMENTO HONORIS CAUSA – O ISCTE (Instituto Universitário de Lisboa) atribuiu a Isabel Furtado o título de Doutora Honoris Causa e na fundamentação dessa atribuição pode ler-se na página oficial, para além do mais, o seguinte: "Isabel Furtado nasceu em 1961 em Vila Nova de Famalicão. É CEO da TMG Automotive, uma empresa familiar que nasce pelas mãos do seu avô, mas que hoje chega à China e aos EUA, tendo-se tornado líder europeia na produção de interiores para a indústria automóvel. Actualmente, é também presidente do Conselho de Administração da Casa da Música" (…). Estamos de parabéns por este reconhecimento dado a uma famalicense e que este jornal bem destacou.

SONDAGENS PRESIDENCIAIS – Gostaria que as sondagens se enganassem. O motivo é simples. Aborrece-me ver a nossa vontade eleitoral ser determinada por sondagens e não por eleições. Não gosto de chegar à conclusão de que um dia não será preciso eleições, basta haver sondagens bem feitas.

terça-feira, 23 de dezembro de 2025

Esperança, apesar de tudo

PUBLICIDADE I  A publicidade é alimento de um jornal e o Jornal de Famalicão precisa muito dela. A publicidade hoje compreende várias funções: a primeira e mais antiga é a de atrair clientes; mas a publicidade serve também para memória futura e, passadas algumas décadas, as pessoas ficarão a saber, ao fazer-se história, que em Famalicão existiam, pujantes, estas empresas e estabelecimentos; e serve ainda para demonstrar, por parte dos anunciantes, apoio à imprensa local.

PUBLICIDADE II  Foi agradável ver, no número da semana passada (18/12/25) deste jornal, um bom conjunto de anúncios de empresas famalicenses. Permitam-me os eleitores que, sem menosprezo pelos restantes, mencione de modo muito sucinto aqueles estabelecimentos que melhor conheço. Desde logo, o muito conhecido Bom Gosto, pastelaria, salão de chá e não só, que vai a caminho de 70 anos de actividade intensa; também é bom lembrar Amândio Carvalho S.A., uma importante sociedade com mais de 60 anos a construir solidamente, com a boa marca do seu fundador; tem décadas, por sua vez, a Escola de Condução Rolante, a formar automobilistas e não só; o restaurante Casa Pêga é uma referência da gastronomia no concelho; a Pastelaria Famidoce está muito bem situada e é muito procurada; a Confeitaria Moderna, uma das mais antigas da cidade e sempre actual, com o Sr. Luís a dirigi-la com sabedoria e sempre preocupado em bem servir os clientes; e a Farmácia de Gavião, mostrando uma larga equipa dirigida pelo Dr. Figueiredo, colocando-se em primeiro plano neste sector e a informar que faz entregas ao domicílio.

PUBLICIDADE III  Fecha a publicidade com saudações natalícias uma página inteira do município, o que é sempre uma boa surpresa para o JF. O município pode e deve apoiar a imprensa local com equidade, independentemente de o seu conteúdo ser mais ou menos do seu agrado. Aliás, várias leis indicam o dever de publicidade nos órgãos de comunicação social.

LOTARIA – Mas a lotaria da publicidade camarária saiu mais uma vez ao Cidade Hoje, impresso mensalmente. Vejam o número de 17 de Dezembro de 2025: duas páginas inteiras e seis editais. Parabéns!

PARALELOS NAS RUAS – A pavimentação com paralelos existe em várias ruas do centro da nossa cidade e deve manter-se. Os paralelos de granito podem durar séculos e permeabilizam o solo, ao contrário do alcatrão. O que precisam é ser devidamente cuidados e não são. É ver, por exemplo, a Rua Conselheiro Santos Viegas. Se não houver uma intervenção urgente, os paralelos podem sair do lugar.

CIDADE HOJE  O jornal online Cidade Hoje (13/12/25) informa que abre, nas próximas semanas, um "Bar do grupo Classe" no cêntrico e histórico edifício que foi da Caixa Geral de Depósitos, junto do agora reabilitado prédio do "ex-Hotel Garantia". Não sei bem o que é isso, mas parece ser uma boa notícia e, pelo que se nota em obras que estão à vista, vai abrir mesmo.

DIA 21 DE DEZEMBRO – O dia mais pequeno do ano. Pôr do sol às 17h06. Praticamente noite às 17h30. Agora sempre a crescer até ao S. João. Foi um dia muito frio e chuvoso. O rio Este veio mais uma vez cá fora. A neve cobre as terras altas do interior.

UCRÂNIA, PALESTINA E NÃO SÓ – Nós precisamos de paz. A guerra na Ucrânia invadida e a vingança israelita sobre a Palestina têm assumido formas tão violentas que arrepia quem tem um pouco de humanidade. O mesmo sucede noutras partes do globo e, desde logo, em África. A paz é precisa, mas é difícil. Quem tem armas e poder quer a rendição do outro, não um acordo. E, infelizmente, não temos na ordem mundial um poder que sirva de árbitro nestas guerras. A ONU já não serve para os nossos dias, pelo menos enquanto houver o poder de veto das grandes potências. Mas continuemos a lutar pela paz, esperando que a barbárie não triunfe. Tenhamos Esperança!

NATAL – Como gostaria que o Natal fosse o que foi: a alegria do nascimento do menino Jesus, que, 30 anos mais tarde, nos anunciou a Boa Nova, na qual hoje continuamos a acreditar.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2025

Melhorar a nossa terra

LATINO – O prédio conhecido por Café Latino à saída da Rotunda Bernardino Machado, para Guimarães, tapa a ligação entre o Parque da Devesa e o Parque de Sinçães e não devia. A Câmara Municipal, se tiver visão, adquire aquele prédio por negócio amigável ou expropriação (aquisição que já deveria ter sido feita há muito tempo) para fazer a ligação, ainda que seja apenas visual, entre os dois parques. Aliás, um bom arquitecto paisagista saberá fazer bem isso.

COIMBRA – A presidente da câmara municipal de Coimbra trouxe para a ordem do dia o problema dos prédios urbanos que nas cidades (e não só) se degradam e desmoronam, como sucedeu há dias naquela cidade.

DEVERES DOS PROPRIETÁRIOS – Os proprietários de prédios urbanos têm, para além de direitos, que incluem, entre outros, os de os vender e arrendar, deveres e, desde logo, o dever de cuidar dos mesmos.

OBRIGAÇÕES LEGAIS DOS PROPRIETÁRIOS – Para além do dever de pagar o IMI e de prestação de condomínio, quando for caso disso, é da maior importância o dever de fazer obras de conservação pelo menos uma vez em cada período de oito anos e, mais do que isso, realizar todas as obras necessárias à manutenção da segurança dos  prédios, a salubridade e arranjo estético. Dito doutro modo, o proprietário não tem o direito de deixar arruinar os seus prédios. Se o fizer, deve entrar em acção a câmara municipal para, por sua iniciativa ou a requerimento de qualquer interessado, determinar a execução das obras necessárias à correção de más condições de segurança, à insalubridade ou promover as obras de conservação necessárias à melhoria do arranjo estético. A câmara municipal pode ir mais longe e ordenar a demolição total ou parcial das construções que ameacem ruína ou ofereçam perigo para a saúde pública e para a segurança das pessoas (artigo 89.º do Decreto-Lei n.º 555/99, de 16 de Dezembro – Regime Jurídico da Urbanização e Edificação).

BOM SENSO – Claro que estes meios devem ser utilizados com bom senso e não se pode confundir um prédio mal pintado ou com algumas deficiências de um prédio abandonado pelo proprietário que não se importa que ele se degrade e cause até perigo para as pessoas que circulem junto dele. Nestes casos, a câmara tem de ser firme.

MURAL – Está a ser restaurado o mural do Jardim dos Paços do Concelho. É de perguntar porque é preciso restaurar já um mural que tem pouco mais de 20 anos. Por outro lado, está a desperdiçar-se a oportunidade de o colocar em sítio mais adequado. No lugar em que está continua a ser um "espanta-casamentos" e de outros eventos, pois não há fotógrafo que queira tirar ali fotografias tendo como pano de fundo o edifício dos Paços do Concelho, quando de permeio está algo que estraga todas as fotografias. O mural naquele sítio não enriqueceu o jardim, empobreceu-o. E havia um bom lugar para o colocar: junto do lago que fica perto da torre da câmara. E, já agora, quanto custa a restauração?

(I)MIGRANTES – Procuro saber quantos imigrantes temos no concelho. Tive a sorte de encontrar quem, com amabilidade, me informou. Teremos cerca de 12.000, vindos do Brasil, dos PALOP (muitos na construção civil), indianos e paquistaneses (particularmente na indústria) e de outros países da América do Sul (Venezuela e Argentina). Para muitos deles, aprender a nossa língua é problema prioritário. Existe uma formação em Português Língua de Aprendizagem (PLA). Esperamos dar informação mais detalhada sobre este assunto, através do Centro Local de Apoio à Integração Migrante que funciona perto do edifício dos Paços do Concelho.

FAMALICENSES – A secção "Famalicenses" deste jornal, que inclui quem aqui nasceu, quem aqui vive e quem aqui trabalha, tem continuação neste número e o testemunho do famalicense abre deste modo bem singular: "A terra de um homem é onde ele desenvolve persistentemente e de forma habitual o seu labor. Dito de outra forma mais resumida: a Terra de um homem é onde ele trabalha".

quinta-feira, 4 de dezembro de 2025

Porque não elogio a câmara

ELOGIO DA CÂMARA Não elogio a câmara municipal porque ela não precisa de elogios. Tem a sua máquina de informação e propaganda bem montada e dos seus feitos dão conta os jornais locais, regionais e até nacionais. E não só…

PÁGINA OFICIAL – Um dos meios mais eficazes de publicidade e propaganda da câmara municipal é a página oficial que deveria ser do município, mas é apenas da câmara e cheia de coisas boas que ela faz. A oposição nem lá tem lugar e devia ter. Em França, como temos dito repetidamente, uma página destas é proibida, por não dar espaço à oposição.

ESCRUTÍNIO – Do que a câmara precisa é de escrutínio e disso me vou encarregando, dentro dos meus limites. Ao fazer a crítica também estou a contribuir para o bom governo do município, pois as críticas acertadas serão certamente tomadas em conta (serão?) e as que não forem aceites, por diferença de opinião ou outro motivo, ficarão registadas e, depois, o tempo dirá quem tem razão. Tenho a humildade de saber que ao criticar nem sempre tenho razão, embora muitas vezes tal suceda por não ter a informação correcta. E quanto à informação de que se precisa para escrever, a câmara é perita em escondê-la. Os jornalistas que o digam…

CABOS ATADOS ÀS PAREDES OU A VOAR – Muitas pessoas não reparam, mas quem estiver atento verifica que estão agarrados às paredes dos prédios da urbe, a uma altura de à volta de dois metros, feixes de cabos da mais variada espécie (telefónicos, operadoras de telemóveis, eléctricos e talvez outros), boa parte deles inactivos. É feio e nunca deveriam estar ali. Para isso devem existir canais subterrâneos (por baixo dos passeios ou pavimentos) devidamente arranjados. Acresce que há também feixes desses nos quintais dos prédios de certas ruas e também aí desfeiam e podem causar prejuízos. Desde há muito que tenho criticado a inacção da câmara.

CABOS NO CENTRO URBANO – Vejo agora pela imprensa local e até regional (por exemplo, o jornal O Minho) que a câmara emitiu um comunicado, informando que vão ser retirados esses cabos do centro urbano para os colocar (os que estiverem activos) em infraestruturas subterrâneas. Ainda bem! Só que fica uma pergunta: porque não foram retirados esses cabos quando se levantou todo o pavimento da Praça D. Maria II e Mouzinho de Albuquerque para fazer o arranjo artístico do centro urbano que custou milhões de euros? Não era a altura apropriada e não ficaria muito mais barato? E só vai retirar nesses lugares? Veja-se a Rua Adriano Pinto Basto, entre outras.

CHEIRO NAUSEABUNDO – Um famalicense chamou-me a atenção para o seguinte facto: na quarta-feira, dia 26 de Novembro de 2025, da parte de tarde, na urbanização do Vinhal, o ribeiro que ali passa no sentido poente-nascente (vindo de Brufe) deitou um cheiro nauseabundo, durante horas, proveniente de restos de uma qualquer pocilga. E perguntava: os guarda-rios que andam a fazer? Moradores daquela zona testemunham que estas situações se repetem frequentemente e têm pena, pois aquela linha de água tem vida e peixes.

LUÍS VALES – Ao novo conselho de administração da União Local de Saúde do Médio Ave, que inclui o Hospital São João de Deus, desejamos, como é óbvio, um bom exercício do mandato, pois será bom não só para o novo conselho, liderado pelo Dr. Luís Vales, como para nós. E insistimos em querer ouvir a sua opinião sobre o futuro do Hospital São João de Deus. Os famalicenses devem-lhe muito, querem honrar a memória e a visão de quem o ergueu e desejam-no bem ampliado e apetrechado. Tem espaço para tal, quer seu, quer à sua volta disponível.

IRIS – O edifício da IRIS pertence à história da nossa cidade. Precisamos de valorizar aquele local bem central e o melhor seria que desse lugar a um bom restaurante, recordando o de enorme qualidade que ali existiu com aquele nome. Temos bons restaurantes na cidade e arredores tão mal instalados! O resto do prédio, o que fica mais dentro da Avenida 25 de Abril, bem poderá enriquecer a habitação e algum comércio na cidade.

HELENA FREITAS – A imprensa local deu o devido relevo – e bem – à atribuição do Grande Prémio Ciência Viva 2025 à famalicense Helena Freitas, bióloga e Professora Catedrática da Universidade de Coimbra. O Jornal de Famalicão foi bem exemplo disso. Estamos todos de parabéns!